Drenagem Linfática na Gravidez

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 . 2013; 2013: 364582.
Publicado online em 22 de outubro de 2013. doi:  [ 10.1155 / 2013/364582 ]
PMCID: PMC3819918
PMID: 24251034

Drenagem Linfática em Mulheres Grávidas

Resumo

O Objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da drenagem linfática para reduzir o edema de mulheres grávidas.

Método:Gestantes (30 membros) do Ambulatório de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, no período de dezembro de 2009 a maio de 2010, foram incluídas neste estudo quantitativo, prospectivo. As pacientes, no 5º ao 8º mês de gestação, foram submetidas a uma hora de drenagem linfática manual das pernas. O volume das pernas foi medido por volumetria de deslocamento de água antes e depois de uma hora de drenagem usando a técnica de drenagem linfática manual Godoy & Godoy. O teste t pareado foi utilizado para análise estatística com erro alfa de 5% sendo considerado significativo. 

Resultados: Drenagem linfática manual reduziu significativamente o inchaço das pernas das mulheres grávidas durante o dia ( P = 0,04).

Conclusão: A drenagem linfática manual ajuda a reduzir o tamanho do membro durante o dia das mulheres grávidas.

1. Introdução

Durante a gravidez, muitas mudanças ocorrem no organismo feminino com a adaptação para o feto causando queixas numeráveis, por exemplo, edema dos membros inferiores. O edema periférico é a manifestação mais comum e resiliente em mulheres grávidas. Sua etiologia inclui a retenção de sódio e água e mudanças na circulação relacionadas ao efeito do útero gravídico na veia cava inferior [  ].

Além disso, durante a gravidez, muitas mudanças hormonais ocorrem, incluindo o aumento dos níveis de progesterona, estrogênio, HCG e prolactina [  ]. Esses níveis mais elevados de hormônios induzem mudanças na permeabilidade vascular, promovendo o extravasamento de plasma com consequente edema. Outras transformações que podem ocorrer devido a essas mudanças hormonais são a formação de veias varicosas, sensação de peso, parestesia e cãibras. A prevalência na população geral de varizes é de 56% para homens e 60% para mulheres com fatores de risco incluindo idade e número de gestações [ ]. O tratamento de varizes é geralmente dividido em três tipos: cirurgia para remover as veias, medicamentos e terapia não medicamentosa, como meias de compressão. Medicamentos ou meias são usados ​​para reduzir os sintomas de inchaço. Um estudo randomizado comparou os tipos de intervenção utilizados para aliviar os sintomas ou tratar o edema de membros inferiores e varizes de 159 mulheres grávidas. Sessenta e nove mulheres usaram hidroxietilrutoside, 35 usaram meias elásticas e 55 foram submetidas à reflexologia. Hydroxyethylrutoside parece melhorar os sintomas das varizes, mas não é recomendado, pois há poucos estudos avaliando seu uso durante a gravidez. A reflexologia proporcionou melhora significativa nos sintomas do edema; no entanto, o número de pacientes relatados em publicações é muito pequeno. ].

Terapias não farmacológicas, como a drenagem linfática, podem ser usadas e parecem melhorar o inchaço durante a gravidez, mas são necessários mais estudos que avaliem a eficácia. Uma investigação preliminar utilizou a drenagem linfática no tratamento do edema em mulheres grávidas [  ]. O que vem é reforçar a necessidade de estudos nessa área. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da drenagem linfática para reduzir o edema de mulheres no quinto ao oitavo mês de gestação.

2. Método

Quinze gestantes (30 membros) do Ambulatório de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo foram incluídas neste estudo quantitativo, prospectivo, no período de dezembro de 2009 a maio de 2010. Os pacientes, com idades variando de 23 a 38 anos. anos (média de 30,5 anos), estavam no 5º ao 8º mês de gestação. Os participantes foram submetidos a uma hora de drenagem linfática manual das pernas. A redução no tamanho foi calculada medindo o volume pela volumetria do deslocamento da água antes e depois da drenagem.

Os critérios de inclusão foram mulheres no 5º ao 8º mês de gestação que sofriam de edema devido à gravidez e concordaram em participar do estudo. Mulheres em gestações de alto risco foram excluídas.

A randomização foi por ordem de chegada à clínica neste estudo quantitativo transversal prospectivo. A ordem dos dias de tratamento e controle foi por randomização simples.

Os pacientes foram avaliados quanto a variações no edema e os efeitos da drenagem linfática durante o dia.

Os pacientes foram avaliados em dois dias, um quando a drenagem linfática foi realizada e o outro sem drenagem linfática. A volumetria do deslocamento de água foi realizada entre 7 e 8 horas da manhã e uma segunda vez entre 2 e 3 horas da tarde, assim, cerca de 7 horas entre as medições. A técnica de drenagem linfática manual Godoy & Godoy foi utilizada durante uma hora [  –  ].

O teste t pareado foi usado para análise estatística com um erro alfa de 5% sendo considerado aceitável. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Santa Casa de São Paulo (número 324-09).

3. Resultados

Dos 15 participantes, 51% estavam grávidas pela primeira vez e 49% pela segunda.

O volume médio da perna na avaliação do controle foi de 2849,1 gramas no período da manhã e 2889,1 gramas no período da tarde, ou seja, uma diferença de +40,0 gramas. Nos dias em que a drenagem linfática foi realizada, o volume inicial médio foi de 2856,4 e no período da tarde foi de 2812,0 gramas, dando uma diferença de -44,4 gramas. A diferença foi estatisticamente significativa ( P = 0,04, teste t pareado ) quando comparada aos dias sem drenagem linfática.

4. Discussão

Este estudo demonstrou que a drenagem linfática manual reduz o volume do membro em mulheres grávidas. Apenas um estudo publicado foi encontrado nos bancos de dados eletrônicos PubMed, ISI Web of Knowledge e Scopus, avaliando a drenagem linfática como um meio de reduzir o volume de pernas em gestantes [  ].

Edema na gestação é comum com a principal opção terapêutica sendo o uso de meias elásticas; mas isso nem sempre é tolerado por mulheres grávidas. Medicamentos nem sempre são indicados com uma das poucas alternativas testadas sendo a diosmina micronizada. Outra alternativa que foi avaliada na gravidez é a reflexologia, embora sejam necessários mais estudos para testar isso como uma opção terapêutica [  ].

A decisão de avaliar a drenagem linfática ao longo do dia foi tomada por causa de sua indicação no tratamento do edema. Estimula os mecanismos fisiológicos do sistema de drenagem linfovenosa, favorecendo a redução do edema. Neste estudo, a ênfase foi avaliar o padrão de inchaço durante o dia. Ao comparar o volume médio nos dias de controle (sem drenagem linfática) com o da drenagem, houve uma diferença de cerca de 80 gramas. Assim, a drenagem linfática ajuda a manter o tamanho do membro.

Um estudo que avaliou a alteração no volume de membros inferiores de pacientes sem evidência clínica de varizes (Clinico-Etiologia-Anatomia-Fisiopatologia-CEAP: C0 e C1) demonstrou que indivíduos normais apresentam aumentos no tamanho do membro durante o dia em condições normais, e uma meia de compressão pode evitar que o membro inche [  ].

O uso de meias associadas à drenagem linfática manual pode ter um efeito sinérgico na redução do inchaço, mas é necessário avaliar essa possibilidade.

O sistema linfático, funciona como um reservatório funcional para o sistema venoso, e o edema ocorre quando a capacidade de reserva é excedida. Durante a gravidez, as mudanças vivenciadas pelas gestantes favorecem a formação de edema. Portanto, o inchaço não é devido ao linfedema, mas devido à sobrecarga do sistema. Assim, o uso de mecanismos de proteção é importante durante a gravidez.

5. Conclusão

A drenagem linfática manual ajuda a reduzir o tamanho do membro durante o dia das mulheres grávidas. Implicações para o manejo de enfermagem: o edema é a manifestação mais comum e resiliente em gestantes, onde há uma necessidade percebida de tratar ou melhorar esses sintomas em uma clínica durante esse período; Portanto, a intervenção ambulatorial de enfermagem com drenagem linfática pode efetivamente aliviar esse sintoma que aflige essas mulheres.

Agradecimentos

A autora agradece a Maria do Carmo F. ​​de Souza, Lídia Maria Ribeiro (enfermeiras do Ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia, Santa Casa, São Paulo-Brasil).

Referências

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