Endometriose

 em Ginecologia

.
*⃣Nos EUA 🇺🇸, uma operadora de plano de saúde traçou uma política a respeito da solicitação de testes genéticos sobre a metilação do DNA, particularmente no metabolismo da metioninan(homocisteína e ácido fólico)
.
➡Os polimorifsmos da Metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR), metionina sintetase (MTR), metionina sintetase redutase (MTRR), cobalamina redutase (MMADHC) e cistationa β-sintase (CBS) estão relacionados com as funções das respectivas enzimas, MTHFR, MTR, MTRR, MMADHC e CBS, que desempenham um papel na conversão do aminoácido homocisteína (Hcy) em metionina (além de outras funções)
.
➡Quando cópias anormais dos genes estão presentes, elas podem resultar na redução da função da enzima, levando a níveis elevados de homocisteína. Níveis anormalmente elevados de Hcy no sangue têm sido associados a várias doenças crônicas, como:
✔transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH),
✔doença cardiovascular,
✔epilepsia,
✔dor de cabeça,
✔sintomas e condições gastrointestinais,
✔distúrbios psiquiátricos,
✔osteoporose e
✔doença de Parkinson
.
➡Testes genéticos para anormalidades nos genes MTHFR, MTR, MTRR, MMADHC e CBS foram propostos para várias finalidades:
• Diagnosticar ou avaliar o risco de doença em indivíduos sintomáticos;
• Rastreio do risco de doença em indivíduos assintomáticos (isto é, rastreio geral de saúde);
• Decisões diretas de tratamento (por exemplo, suplementação nutricional).
.
*⃣Se eles se preocupam com isso lá nos EUA 🇺🇸 por que não nos preocupamos aqui no Brasil 🇧🇷? É preciso entender melhor o ciclo da metilação do DNA, seu funcionamento e sua aplicação na prática médica
.
#dnamethylation #polimorfismosgenéticos #MTHFR #MTR #MTRR #CBS #metilaçãododna #ginecologiaintegrativaefuncional

 


Estudo prospectivo de coorte sobre consumo de carne e peixe e risco de endometriose

Apenas 2 estudos de caso-controle examinaram as associações entre o consumo de carne e o risco de endometriose com resultados inconsistentes. O consumo de produtos de origem animal tem o potencial de influenciar o risco de endometriose através dos efeitos nos níveis de hormônios esteróides.

Objetivo
Procuramos determinar se a maior ingestão de carne vermelha, aves, peixes e frutos do mar está associada ao risco de endometriose confirmada por laparoscopia.

Desenho de estudo
Um total de 81.908 participantes do prospectivo Nurses ‘Health Study II foram acompanhados de 1991 a 2013. A dieta foi avaliada por meio do questionário de frequência alimentar a cada 4 anos. Modelos de riscos proporcionais de Cox foram usados ​​para calcular taxas de taxa e intervalos de confiança de 95%.

Resultados
Durante 1.019.294 pessoas-anos de acompanhamento, foram notificados 3800 casos de endometriose incidente confirmada por laparoscopia. Mulheres consumindo> 2 porções / dia de carne vermelha tiveram um risco 56% maior de endometriose (intervalo de confiança de 95%, 1,22–1,99; P <0,0001) em comparação com aqueles que consomem ≤ 1 porção / semana. Esta associação foi mais forte para carnes vermelhas não processadas (taxa de razão, 1,57; intervalo de confiança de 95%, 1,35-1,83 para ≥2 porções / d vs ≤1 porções / semana; P <0,0001), particularmente entre mulheres que não relataram infertilidade ( P = 0,0004). As mulheres na categoria mais alta de ingestão de carne vermelha processada também tiveram um risco maior de endometriose (razão de taxa, 1,20; intervalo de confiança de 95%, 1,06-1,37 para ≥5 porções / semana vs <1 porção / mês; P = 0,02). A ingestão de aves, peixes, moluscos e ovos não teve relação com o risco de endometriose.

Conclusão
Nossa análise prospectiva entre enfermeiras americanos na pré-menopausa sugere que o consumo de carne vermelha pode ser um importante fator de risco modificável para a endometriose, particularmente entre mulheres com endometriose que não relataram infertilidade e, portanto, mais propensas a apresentar sintomas dolorosos. Estudos de intervenção dietética bem desenhados entre mulheres com endometriose podem ajudar a confirmar essa observação.

Fonte: https://doi.org/10.1016/j.ajog.2018.05.034


Além da terapêutica com a progesterona, o tratamento da endometriose também pode ser realizado por alguns fitoterápicos. Segue um artigo que avaliou o resveratrol como uma opção terapêutica para endometriose.

A endometriose é caracterizada pela existência de tecido endometrial e estroma externo ao útero. Apesar da alta prevalência, a etiologia da endometriose permanece indefinida. A busca pelos compostos mais promissores para o tratamento da endometriose levou à identificação do resveratrol.

O resveratrol, uma fitoalexina polifenólica derivada de plantas, demonstra efeitos benéficos para a saúde de amplo espectro, incluindo antiproliferativos, anti-inflamatórios, antineoplásicos e antioxidantes. Devido a estas propriedades e sua ampla distribuição nas plantas, o resveratrol é proposto como um grande potencial para o tratamento da endometriose.

Em modelos animais de endometriose, a suplementação com resveratrol apresentou resultados benéficos, pois diminuiu o número e o volume de implantes endometriais, reprimiu a proliferação, a vascularização, a inflamação, a sobrevivência celular e aumentou a apoptose. Por outro lado, o tratamento com resveratrol em estudos in vitro, reduziu a invasão de células estromais endometrióticas (CES) e suprimiu suas respostas inflamatórias.

Nos últimos anos, as relações entre fatores dietéticos e endometriose tornaram-se um tópico de interesse principalmente por causa da observação de que a dieta pode influenciar a endometriose através de efeitos na inflamação, atividade estrogênica, ciclicidade menstrual, contratilidade do músculo liso, funções imunológicas e metabolismo de prostaglandinas.

O agente natural resveratrol, um polifenol, isolado das raízes e frutos de muitas plantas é considerado um poderoso antioxidante, pode prevenir ou retardar a progressão de uma grande variedade de doenças associadas à idade, como o câncer, por exemplo, que compartilha algumas características da endometriose. As atividades antitumorais do resveratrol são mediadas por vários mecanismos e incluem inibição da proliferação em associação com parada do ciclo celular, indução de apoptose e diferenciação, redução da inflamação e da angiogênese e inibição da adesão, invasão e metástase. Considerando que várias dessas vias são relevantes para a fisiopatologia da endometriose, esta revisão pretende interpretar os estudos in vitro e em animais existentes sobre resveratrol e endometriose, com vistas a mecanismos subjacentes que forneçam uma justificativa para testar o resveratrol clinicamente em populações humanas.

A atratividade de substâncias que ocorrem naturalmente no tratamento da endometriose tem aumentado nos últimos anos. A este respeito, o resveratrol tem sido extensivamente investigado em relação aos seus mecanismos moleculares e celulares subjacentes. Os efeitos protetores do resveratrol contra a endometriose são mediados por uma rede de várias vias de sinalização celular que, por sua vez, causam supressão da proliferação em lesões endometrióticas, indução de apoptose, redução da inflamação, angiogênese e estresse oxidativo e inibição da adesão e invasão. Com base em muitos estudos clínicos, o resveratrol é considerado farmacologicamente bastante seguro.

No entanto, estudos futuros são necessários :

(1) para avaliar a eficácia do resveratrol e sua segurança a longo prazo em pacientes endometrióticos, e

(2) para entender melhor seus mecanismos exatos de ação na endometriose

 2017 Jul;91:220-228.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.biopha.2017.04.078


endometriose

.
#CASOS CLÍNICOS INTERESSANTES – GINECOLOGIA
.
Cliente encaminhada por um colega com visão integral e funcional para avaliação ginecológica: Chegou com os seguintes diagnósticos:
✔Endometriose (com lesão endometriótica)
✔Síndrome dos Ovários Policísticos
✔Hipovitaminose D
✔Hiperhomocisteinemia
✔Disbiose Intestinal
✔Hipotireoidismo
✔Miocardiopatia
✔Doença Celíaca
.
Estava fazendo uso de progestágeno (uma medicação que é semelhante à progesterona que a mulher produz porém com estrutura molecular diferente e com vários efeitos indesejáveis como por exemplo diminuição da libido e inchaço / ganho de peso) contínuo para não menstruar
Tipo assim: já que a menstruação é dolorosa, vamos parar a menstruação com medicação e seus efeitos colaterais. Está correto? Não!!!
Que tal entender por que a menstruação é dolorosa, melhorar os hábitos de vida e restabelecer a fisiologia, tratando a dominância estrogênica com o uso da Progesterona (com estrutura molecular igual à que a mulher produz) na segunda fase do ciclo menstrual, associada a mudança de hábitos e alguns nutracêuticos?
Faz sentido, é fisiológico e acredite no óbvio: DÁ CERTO!!!
.
Cliente entrou no meu consultório depois deste tratamento e disse: muito obrigado doutor, minha menstruação não está mais dolorosa, estou me sentindo muito bem e a ultrassonografia transvaginal está normal, sem nenhuma lesão da endometriose
.
E eu respondi: parabéns, muito feliz e orgulhoso por você, tem gente que não acredita nisso, sabia? Tem ginecologista prefere apenas passar progestágeno para SOP ou endometriose ou outro anticoncepcional (mais antifisiológico que o progestágeno), aliás eu lhe confesso que eu e diversos ginecologistas no mundo aprendemos assim. Mas graças a Deus, a Medicina é uma arte e a nossa “pintura” foi a sua melhora clínica!!!
.
#riomartradecenter3sala1010#consultóriodrglauciusnascimento #sop#endometriose #progesterona#progesteronanãoéprogestágeno#dominânciaestrogênica


 

WhatsApp Image 2017-05-21 at 07.01.00

Artigo publicado no Jornal Americano de Ginecologia e Obstetrícia (AJOG), julho 2016, relaciona o envolvimento da microbiota intestinal na patogênese da endometriose. A microbiota intestinal é importante como barreira a vários agravos à saúde
.
Ter uma boa flora intestinal possibilita uma defesa adequada contra infecções, responsável pela digestão e absorção de nutrientes, promove angiogênese e reparo epitelial, além de ser importante na produção de vitaminas e neurotransmissores
.
Estudos experimentais têm mostrado que mudanças na microbiota intestinal contribui para o desenvolvimento e progressão de algumas doenças como doença inflamatória intestinal, artrite, psoríase e até mesmo câncer
.
A microbiota intestinal influencia não apenas o processo inflamatório envolvido na gênese da endometriose. Há influência também na produção de estrogênios. Disbiose intestinal aumenta os níveis de estrogênios circulantes que estimulam o crescimento das lesões endometrióticas
.
Os primeiros estudos demonstraram agora que a composição da flora intestinal correlaciona-se com o número e proporções de células tronco e progenitoras na medula óssea, sugerindo um papel modulador da microbiota na homeostase de células tronco
.
➡️ Cuidar do seu intestino é prevenir patologias infecciosas, psíquicas e inflamatórias, como a endometriose. A alimentação funcional, o gerenciamento do estresse e do sono, prática de atividade física e a suplementação de probióticos consituem importantes ferramentas para o tratamento INTEGRAL da sua flora intestinal.


 

WhatsApp Image 2017-05-21 at 07.02.08

  • Um tempo atrás troquei um papo bem legal com meu amigo @dr.andrevinicius e descobri que sua linha de pesquisa no mestrado era sobre qualidade de vida para mulheres portadoras de endometriose. Achei muito interessante porque ele está utilizando o Endometriosis Health Profile Questionnaire (EHP-30), um questionário já validado e conhecido por diversos países e que foi introduzido no Brasil inicialmente em 2006 através da Dissertação de Mestrado em Medicina pela UFRGS, da Dra. Cláudia Vieira Mengarda.
    ✅ Este questionário já foi traduzido e validade pela autora há 10 anos, mas na minha humilde opinião ainda está sendo pouco utilizado. Confesso que sequer conhecia este tipo de instrumento, mas depois de ler alguns artigos, além da dissertação de mestrado que já relatei, considerei-o de fundamental importância para a avaliação das clientes portadoras de endometriose.
    ✅ Aí eu me lembrei de uma cliente que atendi hoje, de outra que atendi semana passada, de outra que vou me lembrar por toda a vida, enfim, como ginecologista (e qualquer profissional que acompanhe estas clientes) tenho vários casos de endometriose que precisam ser avaliados como um todo.
    ✅ A partir de agora, utilizarei esta preciosa ferramenta para avaliação mais detalhada a respeito da cliente portadora de endometriose: São:
    .
    ✔️30 perguntas centrais sobre qualidade de vida
    ✔️5 perguntas sobre a influência da endometriose no trabalho
    ✔️2 perguntas sobre a relação da endometriose na relação da cliente com os filhos
    ✔️5 perguntas sobre a influência da endometriose nas relações sexuais
    ✔️4 perguntas em relação aos sentimentos da cliente para com os médicos que a acompanham
    ✔️3 perguntas em relação ao tratamento e .
    ✔️4 perguntas sobre a eventual preocupação sobre a dificuldade de engravidar. .
    .
    ➡️Nos meus cálculos são pelo menos 53 perguntas sobre frequência (nunca, raramente, algumas vezes, muitas vezes e sempre) cujas respostas propiciarão não apenas o entendimento da ENDOMETRIOSE (comumente avaliada apenas por exames de imagem, videolaparoscopia e exames de laboratório), mas A CLIENTE QUE POSSUI A ENDOMETRIOSE.
    .
  • Quer saber mais?
  • ✔️Dissertação de Mestrado de Cláudia Vieira Mengarda https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/13680/000652503.pdf?sequence=1
  • ✔️Artigo de Cláudia Vieira Mengarda http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v30n8/03.pdf
    ✔️Artigo de Portugal: http://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/5778/4453
    ✔️Outro artigo que traduziu para o chinês http://humrep.oxfordjournals.org/content/28/3/691.full.pdf
    ✔️32 artigos científicos com os termos “Endometriosis Health Profile Questionnaire” http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Endometriosis+Health+Profile+Questionnaire

 

 

Postagens Recomendadas

Deixe um Comentário

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar