Gravidez e Espiritualidade

Planeje bem sua gravidez, converse com seu esposo, melhorem os hábitos de vida (alimentação, atividade física, gerenciamento do estresse e sono), suplementem polivitamínicos com acompanhamento médico especializado ou com nutricionista. Procurem também estar em sintonia com Deus, com sua espiritualidade. E assim, desejo do fundo do coração que, com a graça de Deus, vocês engravidem e tenham uma gestação e parto tranquilos. AMÉM!!!
Recife, 19 de agosto de 2018
2018 6 de junho: 1-7. doi: 10.1080 / 0167482X.2018.1470163.

Papel da religião, espiritualidade e fé na reprodução assistida.

RESUMO

OBJETIVO:

O objetivo deste estudo é avaliar o impacto da fé, religião e espiritualidade do paciente nos resultados dos ciclos de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI).

MATERIAIS E MÉTODOS:

Oitocentos e setenta e sete pacientes receberam um questionário contendo informações sobre fé, religiosidade e espiritualidade e os resultados dos questionários foram correlacionados com os resultados da ICSI. Os pacientes declararam ser católicos (n = 476), espíritas (n = 93), evangélicos (n = 118) e outros religiosos (n = 32) e 78 não se identificaram com nenhum grupo religioso.

RESULTADOS:

Um aumento significativo na fertilização, embriões de alta qualidade e taxa de gravidez foi encontrado entre os espíritas e evangélicos. Os pacientes que incluíram o diagnóstico e o tratamento da infertilidade em suas orações mostraram um aumento na taxa de gravidez , e aqueles que relataram sua fé serem afetados pelo diagnóstico de infertilidade apresentaram uma diminuição na taxa de embriões de alta qualidade. A taxa de embriões de alta qualidade foi aumentada entre os pacientes que responderam que sua fé contribuiu para a decisão de se submeter ao tratamento de infertilidade. O cancelamento do ciclo (para fertilização) foi negativamente correlacionado com a frequência das reuniões religiosas, e a frequência das orações foi positivamente correlacionada com a resposta à estimulação ovariana. Finalmente, a crença no sucesso do tratamento influenciou positivamente a qualidade do embrião.

CONCLUSÃO:

Os resultados apresentados neste estudo sugerem uma relação entre a religião, a espiritualidade e a fé de um paciente nos resultados da reprodução assistida. As razões por trás dessa relação ainda não foram completamente elucidadas; entretanto, evidências sugerem que a espiritualidade desempenha um papel no ajuste dos aspectos psicológicos de um paciente infértil. Dado que a oração ou outras abordagens espirituais são estratégias seguras e de baixo risco, os profissionais de reprodução humana precisam estar cientes do uso dessas estratégias como terapias adjuntas não-farmacológicas e não-invasivas.


10 práticas para experimentar o parto como jornada espiritual

Evelyn Ojeda-Fox

O nascimento é uma jornada sagrada e espiritual para acolher uma criança no mundo. É um processo intuitivo que requer que uma mulher acesse seus recursos do lado direito do cérebro. Isso pode ser desafiador quando se navega em um mundo médico do lado esquerdo do cérebro, que tende a tratar a maioria das gestações e partos como emergências médicas.

Culturalmente, estamos preparados para aceitar esses temerosos equívocos sobre o trabalho – os programas de TV e os filmes geralmente retratam o parto como um espetáculo de horror, com mulheres gritando em uma dor angustiante.

Mas e se todo esse medo estiver realmente aumentando a dor no trabalho de parto? Essa é a ideia apresentada por Grantly Dick-Read, autor de Childbirth Without Fear . A dor do parto não é apenas física, diz ele; é intensificado de acordo com nossas mensagens culturais e experiências de vida.

A chave para reivindicar o nascimento como uma parte normal, natural e sagrada da vida é reconectar-se com sua sabedoria inata. Mesmo quando intervenções médicas são necessárias para a segurança da mãe ou do bebê, a natureza sagrada do nascimento pode ser preservada.

Aqui estão 10 práticas para ajudá-lo a experimentar o nascimento como uma jornada sagrada:

1. Desligue a TV e faça uma pausa nas mídias sociais.

Eckhart Tolle escreveu em A New Earth que o americano médio de 60 anos passou 15 anos olhando para uma tela de TV. (E esse registro nem inclui horas no Facebook!) O que você poderia fazer com esses 15 anos? Além de liberar uma quantidade enorme de tempo, desligar a mídia permitirá que você seja mais seletivo com as informações e a energia que você traz para a gravidez. Cada vez que ligamos um aparelho, ficamos expostos a qualquer outra pessoa que queira nos atirar.

  • Aqui eu (Glaucius) sugiro a busca por informações de qualidade, preferencialmente sagradas, que realmente tragam benefícios para a sua maternidade.

2. Abrace a gravidez e o parto como uma jornada espiritual para a mãe, pai / parceiro e bebê.

Nascimento é um mistério. É perfeito e maior que nós, independentemente do resultado. Nós nascemos da maneira que vivemos. Portanto, dedique tempo em meditação, oração, ioga, dança, natureza, rindo, fazendo amor – o que lhe traz alegria e conecta você ao seu Eu Superior. Trazer a presença para a atividade mais mundana transforma a experiência em uma prática espiritual.

3. Encontre sua tribo (sua turma, comunidade, ciclos de amizade). A maternidade não é um espetáculo de uma mulher.

As mães precisam de idosos, mentores e irmãs para navegar na maternidade. Encontrar uma tribo antes mesmo da concepção fornecerá apoio e recursos para uma transição mais fácil para a maternidade. Claro, a mídia social tem um lugar, mas ter um grupo local em pessoa para se confiar é inestimável, e uma ótima maneira de evitar o blues. (E se isso não for motivação suficiente, saiba que o isolamento social pode encurtar sua vida .) Encontre sua tribo agora!

4. Alimente sua conexão com seu bebê.

Passe um tempo cuidando de um relacionamento amoroso e cheio de alegria com seu filho do ventre – falando, cantando, lendo, ouvindo música ou massageando sua barriga. Mesmo no meio de um dia louco, você pode ter um momento para respirar e se conectar com seu bebê do útero. Feche os olhos e respire profundamente em sua barriga. Sinta a respiração inalar ao redor do seu bebê. Sinta a expiração amaciando seu corpo. Apenas duas respirações é um ótimo lugar para começar.

5. Reconheça que seu filho é um participante ativo em seu nascimento.

Reconheça sua participação no processo de nascimento. Às vezes os bebês nascem da maneira que precisam ser, não necessariamente da maneira que queremos, independentemente do que você faça.

6. Crie sua visão de nascimento e sua visão familiar.

Gaste tempo sozinho e com seu parceiro para refletir sobre seu novo papel de pai / mãe. Idealmente, criar uma família é um ato consciente. As crianças crescem no espaço entre os pais. Que tipo de espaço você e seu parceiro estão criando?

7. Confie que você tem os recursos internos para enfrentar o que quer que cada momento lhe traga.

Isso é mais profundo do que confiar no nascimento ou até mesmo confiar em seu corpo. Você é mais poderoso do que imagina!

8. Limpar o trauma do passado.

Durante o parto, as mulheres estão em um estado poderosamente receptivo. Traumas que não foram abordados de maneira saudável podem surgir e interferir no processo de nascimento. Terapia craniossacral e mentoring transformacional são duas ferramentas que eu compartilho com meus clientes para limpar o trauma e remover o medo.

9. Prepare como um atleta de resistência faria.

É importante obter descanso suficiente, nutrição, suplementação adequada, exercícios, massagens, ajustes quiropráticos, etc. O parto é possivelmente a experiência fisicamente mais exigente que você encontrará. Uma mulher esgotada será uma mãe esgotada. Reserve um momento para assistir a este vídeo do TED do matemático e criador de imagens Alexander Tsiaras. Ele compartilha uma poderosa visualização médica, mostrando o desenvolvimento humano desde a concepção até o nascimento e além.

10. Conheça o seu corpo.

Pratique massagem auto- perineal para se familiarizar com novas sensações no seu períneo. Explore sua pélvis em diferentes posições. Tente descobrir quais posições ou posturas abrem sua saída pélvica. Sentir-se confortável em seu corpo facilitará sua experiência de parto.

Somos todos os guardiões deste evento sagrado. Independentemente do local ou das circunstâncias, é imperativo salvaguardar a sacralidade do nascimento.

Fonte: https://www.mindbodygreen.com/0-17685/10-practices-to-experience-childbirth-as-a-spiritual-journey.html


2017 dez; 56 (6): 2267-2275. doi: 10.1007 / s10943-017-0395-z.

O Modelo Estrutural de Espiritualidade e Bem-Estar Psicológico para a Gravidez – Estresse Específico.

Resumo

As mulheres experimentam diferentes tipos de estresse ao longo da vida. O presente estudo foi conduzido para examinar o modelo estrutural de espiritualidade e bem-estar psicológico para o estresse específico da gravidez . O presente estudo correlacional descritivo foi conduzido em 450 mulheres iranianas grávidas (150 mulheres de cada trimestre) na cidade de Dehdasht em 2015. Os dados foram coletados usando o questionário pessoal-social, o questionário de estresse específico da gravidez , questionário de espiritualidade  e questionário de bem-estar psicológico e foram então analisados ??no SPSS-16 e no Lisrel-8.8 para a realização de uma análise estatística. Os índices de ajuste do modelo indicam o bom ajuste e alta compatibilidade do modelo e relações racionais entre as variáveis ??(GFI = 0,94, NFI = 0,85, CFI = 0,94 e RMSEA = 0,048). Das variáveis ??que afetaram o estresse específico da gravidez por ambos os caminhos, a espiritualidade teve um efeito positivo (B = 0,11) e a variável pessoal-social um efeito negativo (B = -0,37). Bem-estar psicológico afetou o estresse específico da gravidez de forma negativa e direta e por apenas um caminho (B = -0,59). Os resultados obtidos através do modelo confirmam o efeito da espiritualidade e bem-estar psicológico na redução do estresse específico da gravidez . Dado que o estresse no manuseio tem um papel importante na qualidade de vida diária em mulheres grávidas, recomenda-se que as habilidades de controle do estresse sejam promovidas entre as mulheres grávidas, de modo a mitigar o estresse e suas conseqüências negativas.

Cefaléia Pós-Raqui

Recife, 19 de agosto de 2018

A cefaleia pós-raqui consiste na dor de cabeça que pode se estender ao pescoço e estar associada a alterações visuais tipo diplopia (visão dupla). A dor SEMPRE melhora com decúbito dorsal. O caráter de dor pode ser compressivo ou latejante. Outra característica bem marcante da cefaleia pós raquianestesia é que ela começa em torno de 48 horas após a punção, é muito raro começar antes de 24 horas do parto. Fatores de riscos: Mulheres, Idade Jovem, Puerpério e Desidratação. Quem já apresentou um episódio de cefaleia pós-raqui tem um risco maior de novo evento em outra anestesia. Medidas preventivas: uso agulha em ponta de lápis, agulhas mais finas, acertar primeira punção, hidratação adequada. As principais opções terapêuticas são analgésicos comuns associados a cafeína (padrão ouro). A hidratação, bem como a ingesta hídrica de pelo menos 3 litros de água por dia faz parte do tratamento clínico.  O repouso relativo é importante, sem obviamente esquecer da importância do período da lactação. Pode ser usado em alguns casos corticóides em doses baixas ou pregabalina, um análogo do Ácido Gama Amino Butírico (GABA), um neurotransmissor excitatório. Para os casos em que o tratamento clínico não de certo, utiliza-se o blood patch. Blood patch é um procedimento que visa cicatrizar este pertuito que ocorreu após uma punção lombar ou raquianestesia, neste caso, infiltra-se o sangue do próprio paciente no espaço epidural e não no espaço subaracnóide, a fibrina do sangue faz com que o processo seja tratado. As respostas terapêuticas são bem eficazes.

Cefaleia pós-punção dural para cesárea: as estratégias preventivas são piores do que a cura?

Postdural puncture headache after caesarean section: are preventive strategies worse than the cure?

Prakhar Gyanesha,Radhika K.a, Manju Sinhab, Rudrashish Haldara,c

Global Hospitals, Chennai, Índia
Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Nishant Hospital, Gaya, Índia
Departamento de Anestesiologia, Gian Sagar Medical College, Banur, Patiala, Índia

A cefaleia pós?punção dural (CPPD) foi descrita logo após a primeira raquianestesia (RA), quando o próprio Bier sentiu uma dor de cabeça debilitante e a atribuiu ao vazamento de líquido cefalorraquidiano através da punção dural.1 Com o melhor entendimento da fisiopatologia da CPPD e o uso de agulhas de calibres menores para RA, a incidência de CPPD diminuiu.

Muitos fatores de risco para a CPPD foram descritos, incluindo idade, sexo, índice de massa corporal, calibre, tipo e orientação da agulha e até a habilidade do operador.1,2 A incidência de dor de cabeça é maior em parturientes submetidas à cesariana sob RA. Essa dor de cabeça pode ser devida ao aumento da elasticidade das fibras durais que mantém um defeito patente nessas pacientes.2 A incidência é muito maior em caso de punção dural acidental (PDA) durante a inserção peridural (76?85%).2 Isso é lamentável, pois as alterações fisiológicas inferiores, tanto materna quanto fetal, justificam a prática preferencial de técnicas regionais (RA e anestesia peridural) na maioria das cesarianas. CPPD pós?RA é angustiante para as mães que esperam estar bem após o parto para cuidar do recém?nascido.

Muitos centros recomendam o repouso em decúbito dorsal como profilaxia para a CPPD. Alguns hospitais sequer permitem um travesseiro ou posição lateral por até 24horas pós?RA. No entanto, o repouso em plano horizontal por longas horas provoca dor e angústia nas pacientes. As mães não podem alimentar o recém?nascido ou cuidar dele nessa posição. Nessa fase, tanto a mãe quanto a criança precisam aprender o ato de amamentar e o início precoce da amamentação é fundamental para promover a ligação entre a mãe e a criança. No entanto, cuidar do recém?nascido nessa posição é desconfortável e difícil, o que aumenta o estresse da mãe e da criança.

O repouso em decúbito dorsal não impede a ocorrência de CPPD pós?punção dural.2–4 Mesmo após a PDA, o manejo da CPPD consiste principalmente em observação e o repouso profilático proporciona benefício limitado. Ao contrário da crença popular, alguns estudos relataram um risco maior de CPPD se o paciente não for imediatamente mobilizado após a cirurgia.2 Apesar das evidências contra os benefícios do repouso em decúbito dorsal, os médicos continuam a recomendá?lo rotineiramente após a punção lombar.4 Especialmente em parturientes, tal limitação da mobilidade e posicionamento é um obstáculo para amamentar o recém?nascido.5

A CPPD é debilitante e, se ocorrer, deve ser tratada rapidamente. A maioria dessas dores de cabeça passa espontaneamente ou pode ser tratada de forma conservadora. Poucos casos podem precisar de tampão sanguíneo peridural. Porém, manter a paciente em decúbito dorsal por períodos prolongados após a raquianestesia, em antecipação da CPPD, causa mais agonia e tormento do que a doença que se quer prevenir. Essa prática não é apenas altamente desconfortável para a mãe e seu recém?nascido, mas foi comprovada como de benefício questionável. Revisando a literatura contra o repouso profilático para prevenir a CPPD, o protocolo de repouso absoluto pós?RA para cesárea pode ser abrandado pelos anestesiologistas e obstetras para aumentar o conforto da mãe e do recém?nascido.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rba/v65n1/pt_0034-7094-rba-65-01-00082.pdf

REFERÊNCIAS

[1] Post?dural puncture headache: pathogenesis, prevention and treatment Br J Anaesth, 91 (2003), pp. 718-729 Medline
[2] Post?dural puncture headache Int J Gen Med, 5 (2012), pp. 45-51 http://dx.doi.org/10.2147/IJGM.S17834 Medline
[3] Does bed rest prevent post?lumbar puncture headache? Ann Emerg Med, 59 (2012), pp. 139-140 http://dx.doi.org/10.1016/j.annemergmed.2011.05.010 Medline
[4] There is room for improvement in the prevention and treatment of headache after lumbar puncture Dan Med J, 59 (2012), pp. A4483 Medline
[5] Maternal accounts of their breast?feeding intent and early challenges after caesarean childbirth Midwifery, 30 (2014), pp. 712-719 http://dx.doi.org/10.1016/j.midw.2013.10.014 Medline


Cefaléia pós-punção da dura-máter: patogênese, prevenção e tratamento

DK Turnbull  – Correspondencias sobre o autor DK Turnbull, DB Shepherd

História

A raquianestesia foi desenvolvida no final do século XIX. Em 1891, Wynter e Quincke 95 aspiraram o líquido cefalorraquidiano (LCR) do espaço subaracnóideo para o tratamento da hipertensão intracraniana elevada associada à meningite tuberculosa. Os cateteres e trocartes utilizados tinham, provavelmente, cerca de 1 mm de diâmetro e certamente teriam levado a uma cefaleia pós-punção dural. No entanto, todos os sujeitos de Quincke e Wynters morreram logo depois. Em 1895, John Corning, um médico de Nova York especializado em doenças da mente e do sistema nervoso, propôs que a anestesia local da medula espinhal com cocaína pode ter propriedades terapêuticas. 50 Corning injetou cocaína 110 mg no nível do interespaço T11 / 12 em um homem para tratar a masturbação habitual. Apesar de ser credenciado com o primeiro anestésico espinhal, é improvável, a partir de sua descrição e da dose de cocaína, que sua agulha tenha entrado no espaço subaracnóideo. 82 Em agosto de 1898, Karl August Bier, 137um cirurgião alemão injetou cocaína 10 a 15 mg no espaço subaracnóideo de sete pacientes, ele e seu assistente, Hildebrandt. Bier, Hildebrandt e quatro dos sujeitos descreveram os sintomas associados à cefaléia pós-punção da dura-máter. Bier supôs que a dor de cabeça era atribuível à perda de liquor. No início de 1900, havia numerosos relatos na literatura médica sobre a aplicação de raquianestesia usando grandes agulhas espinhais.75  A cefaleia foi relatada como uma complicação em 50% dos indivíduos. Naquela época, a dor de cabeça foi dito para resolver dentro de 24 h.

A anestesia com éter foi introduzida na prática obstétrica em 1847, logo após a demonstração pública de Morton. Apesar das vantagens óbvias da anestesia regional para o alívio da dor do parto, não foi até um obstetra suíço em 1901 usar cocaína intratecal para o alívio da dor no segundo estágio do trabalho de parto que a anestesia regional para obstetrícia foi popularizada. 49 Apesar de ambos os vômitos e uma alta incidência de cefaléia pós-punção dural foram notados, foi a alta taxa de mortalidade em cesariana realizada sob raquianestesia (1 em 139) que levou ao abandono desta técnica na década de 1930. O período de 1930 a 1950 foi frequentemente referido como a “idade das trevas da anestesia obstétrica”, quando o parto natural e a psicoprofilaxia eram encorajados.

Em 1951, Whitacre e Hart 59 desenvolveram a agulha ponta-de-lápis, com base nas observações de Greene 53 em 1926. Os desenvolvimentos no design de agulha desde então levaram a uma redução significativa na incidência de cefaléia pós-punção da dura-máter. No entanto, a cefaléia por punção dural continua sendo uma complicação incapacitante da inserção da agulha no espaço subaracnóideo.

Fisiopatologia da punção dural

Anatomia da dura-máter espinhal

A dura-máter espinhal é um tubo que se estende do forame magno ao segundo segmento do sacro. Ele contém a medula espinhal e raízes nervosas que o perfuram. A dura-máter é uma camada densa de tecido conjuntivo composta de fibras colágenas e elásticas. A descrição clássica da dura-máter espinal é de fibras de colágeno que correm em uma direção longitudinal.53 Isso foi apoiado por estudos histológicos da dura-máter. 93 O ensino clínico baseado nessa visão da dura-máter recomenda que uma agulha espinhal de corte seja orientada paralelamente em vez de perpendicularmente a essas fibras durais longitudinais. Orientando a agulha perpendicularmente às fibras paralelas, foi dito que cortaria mais fibras. O corte das fibras durais, previamente sob tensão, tenderia a se retrair e aumentar as dimensões longitudinais da perfuração dural, aumentando a probabilidade de uma cefaléia pós-espinhal. Estudos clínicos confirmaram que a cefaléia pós-punção dural era mais provável quando a agulha cortante espinhal era orientada perpendicularmente à direção das fibras durais. No entanto, estudos recentes de luz e microscopia eletrônica da dura-máter humana contestaram essa descrição clássica da anatomia da dura-máter. 102 Esses estudos descrevem a dura-máter como consistindo em fibras de colágeno dispostas em várias camadas paralelas à superfície. Cada camada ou lamela consiste de fibras colágenas e elásticas que não demonstram orientação específica. 43 A superfície externa ou epidural pode, de fato, ter fibras durais dispostas em uma direção longitudinal, mas esse padrão não é repetido através de camadas durais sucessivas. Medições recentes da espessura da dura demonstraram também que a dura posterior varia em espessura, e que a espessura da dura-máter em um determinado nível espinhal não é previsível dentro de um indivíduo ou entre indivíduos. 102 Perfuração dural em uma área espessa da dura-máter pode ser menos provável de levar a um vazamento de líquido cefalorraquidiano do que uma perfuração em uma área fina, e pode explicar as consequências imprevisíveis de uma perfuração dural.

Líquido cefalorraquidiano (LCR)

A produção de LCR ocorre principalmente no plexo coróide, mas há evidências de produção extracoroidal. Cerca de 500 ml de LCR é produzido diariamente (0,35 mL min -1 ). O volume de LCR no adulto é de aproximadamente 150 ml, dos quais metade está dentro da cavidade craniana. A pressão do líquido cefalorraquidiano na região lombar está na posição horizontal entre 5 e 15 cm H 2 O. Ao assumir a postura ereta, isso aumenta para mais de 40 cm H 2 O. A pressão do LCR nas crianças aumenta com a idade e pode ser pouco mais que alguns cm H 2 O no início da vida.

Dura máter e resposta ao trauma

As consequências da perfuração da dura-espinhal ou craniana são de que haverá vazamento de líquido cefalorraquidiano (LCR). A experiência neurocirúrgica da perfuração dural é que até perfurações menores precisam ser fechadas, seja diretamente ou através da aplicação de material sintético ou biológico de enxerto dural. A falha em fechar a perfuração dural pode levar a aderências, vazamento contínuo de líquido cefalorraquidiano (LCR) e risco de infecção. Existem poucos estudos experimentais sobre a resposta da dura-máter à perfuração. 70 Em 1923, observou-se que os defeitos durais deliberados na dura-máter craniana dos cães levavam aproximadamente uma semana para serem fechados. O fechamento foi facilitado através da proliferação fibroblástica a partir da borda de corte da dura-máter. Obra publicada em 1959 70 descartou a noção de que a proliferação fibroblástica surgiu a partir da borda de corte da dura-máter. Este estudo sustentou que o reparo dural foi facilitado pela proliferação fibroblástica do tecido circundante e coágulo sanguíneo. O estudo também observou que o reparo dural foi promovido por dano à pia aracnoide, ao cérebro subjacente e à presença de coágulo sanguíneo. Portanto, é possível que uma agulha espinhal colocada com cuidado no espaço subaracnóideo não promova a cura dural, pois o trauma ao tecido adjacente é mínimo. De fato, a observação de que o sangue promove a cura dural está de acordo com a observação original de Gormley de que sangramentos nas torneiras tinham menor probabilidade de levar a uma cefaléia pós-punção dural como conseqüência de um vazamento persistente no LCR. 51

Deformação da ponta da agulha e perfuração dural

Foi proposto que o contato com o osso durante a inserção pode levar à deformação da ponta da agulha da coluna vertebral. 67 90 As pontas de agulha danificadas podem levar a um aumento no tamanho da perfuração dural subsequente. Estudos recentes in vivo demonstraram que a agulha espinhal do tipo de corte tem maior probabilidade de ser deformada após contato ósseo do que agulhas de ponta de lápis de tamanho comparável. 90 No entanto, nenhum trabalho in vivo 67 ou in vitro demonstrou ainda um aumento no tamanho da perfuração dural onde agulhas danificadas são usadas.

Consequências da punção dural

A punção da dura-máter tem o potencial de permitir o desenvolvimento de vazamento excessivo de líquido cefalorraquidiano (LCR). O excesso de perda de LCR causa hipotensão intracraniana e uma redução demonstrável no volume de LCR. 52 Após o desenvolvimento de cefaléia pós-raquianestesia, a presença de vazamento de LCR foi confirmada pela cisternografia com radionuclídeos, 100 mielografias com radionuclídeos, estudos manométricos, epiduroscopia e visualização direta na laminectomia. A pressão subaracnóidea adulta de 5 a 15 cm H20 é reduzida para 4,0 cm H20 ou menor.100 A taxa de perda de LCR através da perfuração da dura-máter 29 (0,084-4,5 ml s -1 ) é geralmente maior do que a taxa de produção de LCR (0,35 ml min?1 ), particularmente com tamanhos de agulha maiores que 25G. 29 101

A ressonância magnética com gadolínio, na presença de uma cefaléia pós-punção dural, freqüentemente demonstra “flacidez” das estruturas intracranianas. A ressonância magnética pode ou não demonstrar realce meníngeo. 56 O realce meníngeo é atribuível à vasodilatação de vasos com paredes finas em resposta à hipotensão intracraniana. Estudos histológicos confirmaram que a vasodilatação dos vasos meníngeos não está relacionada a uma resposta inflamatória. 56

Embora a perda de LCR e o abaixamento da pressão do LCR não sejam contestados, o mecanismo real que produz a dor de cabeça não é claro. Há duas explicações possíveis. Primeiro, o abaixamento da pressão do LCR causa tração nas estruturas intracranianas na posição ereta. Essas estruturas são sensíveis à dor, levando à dor de cabeça característica. Em segundo lugar, a perda de LCR produz uma venodilatação compensatória vis-à-visa doutrina Monro-Kellie. 52 A doutrina Monro-Kellie, ou hipótese, afirma que a soma dos volumes do cérebro, LCR e sangue intracraniano é constante. A consequência de uma diminuição no volume do líquido cefalorraquidiano é um aumento compensatório do volume sanguíneo. A venodilatação é então responsável pela dor de cabeça.

Incidência

A incidência de cefaleia pós-punção dural foi de 66% em 1898. 137 Essa incidência assustadoramente alta de cefaléia pós-espinhal foi provavelmente atribuída ao uso de agulha grande, bisel médio, corte de agulhas espinhais (agulhas 5, 6 e 7, Fig. 1 ). Em 1956, com a introdução das agulhas 22G e 24G, a incidência foi estimada em 11%. 132

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Figura 1

Representações gráficas do desenho epidural (agulha 4) e ponta da agulha da coluna vertebral. Observe o grande orifício e ponta cônica da Agulha 2 Sprotte ® , em comparação com o pequeno orifício e ponta de diamante da Agulha Whitacre 3. As agulhas 5, 6 e 7 foram fornecidas pelo Museu Anestésico de Sheffield e são uma indicação do estilo da coluna vertebral. agulhas usadas no passado. 1, 26G Design Duplo Chanfro Atraucan ® ; 2, ponto de lápis estilo 26G Sprotte ® ; 3, ponto de lápis 22G Whitacre Style; 4, 16G Tuohy Needle; 5, Agulha espinhal de 17G Barkers; 6, Agulha espinhal de grande calibre; 7, Agulha 18G Crawford.

Hoje, o uso de agulhas de ponta fina, como Whitacre e Sprotte ® , produziu uma redução maior na incidência de cefaleia pós-punção dural, que varia com o tipo de procedimento e com os pacientes envolvidos. Está relacionado com o tamanho e o desenho da agulha vertebral utilizada (fig. 1 ; tabela 1 ) 36 , a experiência do pessoal que realiza a punção dural 35 e a idade e o sexo do paciente.

Tabela 1Relação entre tamanho da agulha e incidência de cefaléia pós-punção da dura-máter
Projeto da ponta da agulha Calibre da agulha Incidência de cefaleia pós-punção da dura-máter (%)
Quincke 22 36 128
Quincke 25 3–25 47
Quincke 26 0,3–20 45 107
Quincke 27 1,5–5,6 25 69
Quincke 29 0–2 45 47 69
Quincke 32 0,4 46
Sprotte 24 0–9,6 13 107
Whitacre 20 2–5 17
Whitacre 22 0,63–4 17 112
Whitacre 25 0–14,5 13 98
Whitacre 27 25
Atraucan 26 2,5–4 115 131
Tuohy 16 70 26

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Raquianestesia

Os anestesistas têm sido ativos na tentativa de reduzir a incidência de dor de cabeça pós-espinhal. A redução do tamanho da agulha espinhal causou um impacto significativo na incidência de dor de cabeça pós-espinhal. A incidência é de 40% com uma agulha 22G; 25% com agulha 25G; 44 2% –12% com uma agulha Quincke 26G; 45 e <2% com uma agulha 29G. 47 No entanto, dificuldades técnicas que levam ao insucesso da raquianestesia são comuns com agulhas de 29G ou menores. 47 Em 1951, Whitacre e Hart 59 introduziram a agulha espinhal “atraumática” (agulha 3, fig. 1 ). Esse desenho ofereceu as características de manuseio de agulhas maiores com baixa incidência de cefaleia pós-espinhal (Tabela 1 ). As modificações das agulhas desde então, como as agulhas Sprotte ® 119 e Atraucan ® 63 , prometem novas reduções na dor de cabeça pós-espinhal.

Punção lombar diagnóstica

A aceitação de agulhas de pequeno calibre para punção lombar diagnóstica tem sido lenta para se desenvolver. Até recentemente, a punção lombar diagnóstica era comumente realizada com uma agulha de corte chanfrado médio de 20G ou 18G, com alta incidência de cefaléia pós-espinhal. Uma recente publicação promoveu as virtudes de uma agulha 20G para reduzir a incidência de dor de cabeça por punção dural! 125 Embora anestesistas são em geral crítica da utilização de grandes agulhas de calibre de punção lombar, 105 neurologistas manter esse fluxo adequado de LCR só pode ser conseguido com agulhas espinais de 22G ou maior. 18

Obstetrícia

A parturiente está particularmente exposta à punção da dura-máter e à subsequente cefaleia, devido ao sexo, à idade jovem e à ampla aplicação da anestesia peridural. 44 Nas parturientes que recebem anestesia peridural, a incidência de punção dural está entre 0 e 2,6%. 104 A incidência é inversamente relacionada à experiência do anestesiologista 80 e diz-se que é reduzida pela orientação do bisel da agulha paralelamente às fibras durais. 87  A perda de resistência ao ar confere um risco maior de punção dural do que a perda de resistência ao fluido. 105Depois de uma punção com uma agulha Tuohy 16G, até 70% dos sujeitos irá reportar sintomas relacionados com a pressão baixa LCR. 26Apesar da alta incidência de cefaléia decorrente da punção da dura-máter com a agulha de Tuohy, o anestesista precisa considerar um diagnóstico diferencial, como hematoma intracraniano 65ou tumor 38 que apresenta sintomas semelhantes ou em associação com uma cefaléia pós-punção descrito.

Na presença de uma punção dural conhecida, recomenda-se freqüentemente que o puxos fortes no segundo estágio do trabalho de parto seja evitado. 88 A evidência para apoiar essa afirmação está longe de ser conclusiva, e a raiva da parturiente sobre a medicalização de seu trabalho é melhor evitada. 26 133

Crianças

Cefaléia pós-punção da dura-máter é relatada como incomum em crianças. 14 Embora tenha sido oferecida baixa pressão liquórica ou outras diferenças fisiológicas como razões para explicar a baixa incidência em crianças, é provável que uma baixa taxa de notificação seja a explicação. Grupos que exploraram a incidência de dores de cabeça pós-espinhal em crianças encontraram taxas comparáveis ??a adultos jovens. 73

Prevenção

Agulhas espinhais sofreram inúmeras modificações nos últimos anos, com o objetivo de reduzir a incidência de cefaleia durante a punção da dura-máter. O principal fator responsável pelo desenvolvimento de uma cefaleia de punção dural é o tamanho da perfuração dural. Outros fatores, como a forma da perfuração dural e a orientação da agulha vertebral, têm um papel menos significativo.

Tamanho da agulha

Agulhas espinhais grandes produzirão claramente grandes perfurações durais onde a probabilidade de uma dor de cabeça por perfuração dural é alta. Por outro lado, as agulhas menores produzem pequenas perfurações durais com menor incidência de cefaleia. Agulhas espinais de calibre fino, 29G ou menores, são tecnicamente mais difíceis de usar, 64 e para raquianestesia, pelo menos, estão associadas a uma alta taxa de insucesso. 45Um equilíbrio deve ser alcançado entre os riscos de cefaléia por perfuração dural e falha técnica. As agulhas 25G, 26G e 27G 69 provavelmente representam o tamanho ideal da agulha para raquianestesia. Os neurologistas argumentam que, para fins de aspiração do LCR e medição da pressão do LCR, as agulhas 22G são as menores agulhas práticas.

Orientação da agulha

Existem muitos clínica, 79 87 e laboratorial, 36 101 estudos que emprestam crédito à hipótese de que a orientação perpendicular do bisel de uma agulha espinhal ou epidural leva a uma redução na incidência de dor de cabeça pós-punção.

Projeto da agulha

Ao longo dos anos, desde Quincke e Bier, um grande número de projetos de agulha foi introduzido. O tipo Quincke é a agulha padrão com um bisel de corte médio e o orifício na ponta da agulha (agulha 7, Fig. 1 ). Em 1926, Greene 53 propôs um desenho de ponta de agulha com uma borda não cortante que separaria as fibras durais para evitar cefaléia pós-punção da dura-máter. Em 1951, a agulha Whitacre foi introduzida e, em 1987, a agulha Sprotte. O termo genérico para essas agulhas é pontual ou atraumático, embora, na verdade, elas não sejam nenhuma das duas. A agulha Whitacre (agulha 3, Fig. 1 ) tem uma ponta em forma de diamante, e a ponta da agulha Sprotte (agulha 2, Fig. 1 ) é cónica. O orifício é de até 0,5 mm da ponta da agulha. Clínico e laboratorial29 estudos confirmaram que as agulhas de ponta de lápis produzem menos dores de cabeça pós-punção dural do que as agulhas de corte de bisel médio. No entanto, existem desvantagens. A parestesia foi observada com as agulhas de ponta de lápis. 15 A razão pode estar na distância entre a ponta da agulha e o orifício. A ponta deve ser passada pelo menos 0,5 mm no espaço subaracnóideo antes que o orifício entre no espaço subaracnóideo. A ponta então tem a oportunidade de colidir com a cauda equina esticada. Dando crédito a essa hipótese, a parestesia é incomum com as agulhas de bisel curto ou com aagulhaAtraucan®115

O problema do baixo fluxo do líquido cefalorraquidiano (LCR) e da parestesia observados com as agulhas ponta de lápis promoveu a busca por novos desenhos de agulha. O Atraucan ® (agulha 1, Fig. 1 ) foi recentemente comercializado. Tem um orifício na ponta da agulha. O Atraucan ® tem uma ponta de corte estreita e um bisel atraumático. Os relatórios iniciais dessas agulhas são promissores quanto à facilidade de uso e baixa taxa de dor de cabeça por punção dural. 115

Nível de habilidade do operador e fadiga

Tem sido sugerido que a incidência de punção peridural inadvertida durante a anestesia peridural está inversamente relacionada à experiência do operador. 104 No entanto, a privação do sono, a fadiga do operador e o efeito do trabalho noturno podem ser uma variável de confusão, produzindo a maior incidência de punção inadvertida da dura-máter em pessoas que realizam analgesia peridural.

Apresentação da cefaléia da punção dural

Início

Dor de cabeça e dor nas costas são os sintomas dominantes que se desenvolvem após a punção acidental da dura-máter. Noventa por cento das dores de cabeça ocorrerão dentro de 3 dias do procedimento, 104 e 66% começam nas primeiras 48 horas. 76 Raramente, a dor de cabeça desenvolve-se entre 5 e 14 dias após o procedimento. Dor de cabeça pode apresentar imediatamente após a punção da dura-máter. 133 No entanto, isso é raro e sua ocorrência deve alertar o médico para causas alternativas.

Sintomas

A cefaleia é a queixa predominante, mas não onipresente. 83 A dor de cabeça é descrita como severa, ‘do tipo queimando e se espalhando como um metal quente’. 133 A distribuição comum é sobre as áreas frontal e occipital irradiando para o pescoço e ombros. As áreas temporais, vértices e nucas são relatadas menos comumente como o local do desconforto, embora a rigidez do pescoço possa estar presente. A dor é exacerbada pelo movimento da cabeça e adoção da postura ereta e aliviada por deitar-se. Um aumento na gravidade da cefaléia em pé é a condição sine qua non da cefaléia pós-punção dural.

Outros sintomas associados com dor de cabeça punção incluem náuseas, vómitos, perda de audição, 78zumbido, vertigem, tontura e parestesia do couro cabeludo, e superior 108 dor do membro e inferior. Distúrbios visuais, como diplopia ou cegueira cortical, foram relatados. 132 Paralisia dos nervos cranianos não é incomum. 16 Dois casos de dor torácica nas costas sem dor de cabeça foram descritos. 37 Os sintomas neurológicos podem preceder o início das convulsões do grande mal. Hematomas subdurais intracranianos, hérnia cerebral e morte 39foram descritas como consequência da punção dural. A menos que uma cefaléia com características posturais esteja presente, o diagnóstico de cefaléia pós-punção dural deve ser questionado, já que outras causas intracranianas graves para cefaleia devem ser excluídas. 3

Diagnóstico

A história de punção acidental ou deliberada da dural e sintomas de cefaleia postural, dor cervical e a presença de sinais neurológicos geralmente orientam o diagnóstico. Quando houver dúvida quanto ao diagnóstico de cefaleia pós-punção dural, testes adicionais podem confirmar os achados clínicos. Uma punção lombar diagnóstica pode demonstrar uma baixa pressão de abertura do LCR ou uma “derivação seca”, uma proteína do LCR levemente aumentada e um aumento na contagem de linfócitos no LCR. Uma ressonância magnética pode demonstrar: realce dural difuso, com evidência de um cérebro flacidez; descida do cérebro, quiasma óptico e tronco encefálico; obliteração das cisternas basilares; e aumento da glândula pituitária. 85 mielografia por TC, mielografia radionuclídica retrógrada, cisternografia ou ressonância magnética . pode ser usado para localizar a fonte espinhal do vazamento do LCR.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico de cefaléia pós-punção dural é frequentemente claro a partir da história de punção dural e a presença de cefaléia postural severa. No entanto, é importante considerar os diagnósticos alternativos (Tabela 2), uma vez que a patologia intracraniana grave pode mascarar-se como cefaleia pós-punção da dura-máter. Os médicos devem lembrar que a hipotensão intracraniana pode levar à hemorragia intracraniana por meio do rompimento de pontes nas veias durais, 65 94 e um atraso no diagnóstico e tratamento pode ser perigoso. Os diagnósticos que podem se mascarar como cefaléia pós-punção dural incluem tumores intracranianos, 38hematoma intracraniano, 32 40 apoplexia hipofisária, 77 trombose venosa cerebral, 122 134 enxaqueca, meningite química ou infecciosa 106 e cefaleia não específica. Estima-se que 39% das parturientes relatem sintomas de dor de cabeça não relacionados à punção da dura-máter após o parto. 120

Tabela 2Diagnóstico diferencial de cefaléia pós-punção da dura-máter
Meningite viral, química ou bacteriana 106
Hemorragia intracraniana 65 94 104
Trombose venosa cerebral 10
Tumor intracraniano 38
Dor de cabeça não específica 44
Apoplexia hipofisária 77
Infarto cerebral
Herniação Uncal 39 97
Dor de cabeça do seio
Enxaqueca 76
Drogas (por exemplo, cafeína, anfetamina)
Pré-eclâmpsia

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Duração

O maior acompanhamento da cefaleia pós-punção dural ainda é o de Vandam e Dripps em 1956. 132 Eles relataram que 72% das cefaleias desapareceram em 7 dias e 87% resolveram em 6 meses (Tabela 3 ). A duração da cefaléia permaneceu inalterada desde a relatada em 1956. 26 Em uma minoria de pacientes, a dor de cabeça pode persistir. 133 De fato, relatos de casos descreveram a persistência da cefaleia por até um ano e oito anos após a punção da dura-máter. 80 É interessante notar que mesmo as dores de cabeça pós-punção dural desta duração foram tratadas com sucesso com um remendo de sangue epidural. 72

Tabela 3Estimativa da taxa de recuperação espontânea da cefaléia pós-punção dural 26 , 80 , 132
Duração (dias) Recuperação percentual
1–2 24
3–4 29
5–7 19
8–14 8
3 a 6 semanas 5
3 a 6 meses 2
7 a 12 meses 4

Tratamento

Visão geral

A literatura sobre o tratamento da cefaléia pós-punção dural envolve freqüentemente pequenos números de pacientes, ou usa análise estatística inadequada. Estudos observando os efeitos dos tratamentos na cefaléia pós-punção dural muitas vezes não reconhecem que, sem tratamento, mais de 85% das cefaléias pós-punção da dura-máter irão se resolver dentro de 6 semanas (Tabela 3 ).

Psicológico

Os pacientes que desenvolvem cefaléia pós-punção da dura-máter podem revelar uma ampla gama de respostas emocionais, desde a miséria e as lágrimas até a raiva e o pânico. É importante, tanto do ponto de vista clínico quanto médico-legal, discutir a possibilidade de cefaleia antes de se empreender um procedimento com risco dessa complicação. Mesmo assim, essa discussão não preparará o paciente para as sensações que ele ou ela sentirá caso a dor de cabeça se desenvolva. 133 Pacientes obstétricos são particularmente infelizes se desenvolverem essa complicação, pois esperam se sentir bem e felizes e poder cuidar do novo bebê. É importante dar à mãe uma explicação detalhada do motivo da dor de cabeça, o curso esperado do tempo e as opções terapêuticas disponíveis. A revisão periódica é essencial para monitorar o curso e as manobras terapêuticas realizadas.

Simples

Descanso de cama foi mostrado para ser de nenhum benefício. 118 Terapias de suporte, como reidratação, acetaminofeno, antiinflamatórios não esteroidais, opióides e antieméticos podem controlar os sintomas e, assim, reduzir a necessidade de terapia mais agressiva 89 , mas não fornecem alívio completo. 44

Postura

Se um paciente desenvolver dor de cabeça, ele deve ser incentivado a ficar em uma posição confortável. O paciente muitas vezes identificou isso sem a intervenção de um anestesista. Não há evidência clínica que suporte a manutenção da posição supina antes ou após o início da dor de cabeça como meio de tratamento. 68 A posição de bruços foi defendida, mas não é uma posição confortável para o paciente pós-parto. A posição prona eleva a pressão intra-abdominal, que é transmitida para o espaço epidural e pode aliviar a dor de cabeça. Um ensaio clínico da posição prona após punção dural não demonstrou uma redução na cefaléia pós-punção da dura-máter. 55

Faixa abdominal

Uma faixa abdominal apertada eleva a pressão intra-abdominal. A pressão intra-abdominal elevada é transmitida para o espaço epidural e pode aliviar a dor de cabeça. Infelizmente, as faixas apertadas são desconfortáveis ??e raramente são usadas na prática atual. Existem poucas unidades que recomendariam essa abordagem. 86

Tratamento farmacológico

O objetivo do tratamento da cefaleia pós-punção dural é: (i) substituir o LCR perdido; (ii) selar o local da punção; e (iii) controlar a vasodilatação cerebral.

Diversos agentes terapêuticos têm sido sugeridos para o manejo da cefaléia pós-punção dural. O principal problema na escolha do mais apropriado é a falta de grandes ensaios clínicos randomizados controlados.

DDAVP, ACTH

Um relatório em 1964 identificou 49 métodos para tratar a dor de cabeça pós-espinhal. 127 Parece não haver limite para a imaginação dos médicos nos tratamentos oferecidos para a dor de cabeça pós-espinhal. No entanto, há uma falta de dados estatísticos para apoiar suas idéias. Em relação ao DDAVP (acetato de desmopressina), a administração intramuscular antes da punção lombar não demonstrou reduzir a incidência de cefaléia pós-punção da dura-máter. 57 O ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) 21 tem sido administrado como uma infusão (1,5 ?g kg ?1 ), mas a análise estatística inadequada impede a avaliação do valor do ACTH.

Cafeína

A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que, entre outras propriedades, produz vasoconstrição cerebral. A cafeína IV 0,5 g foi recomendada como tratamento da cefaleia pós-punção dural em 1944. 62 Está disponível na forma oral e iv. A forma oral é bem absorvida com níveis de pico atingidos em 30 min. A cafeína atravessa a barreira hemato-encefálica e a longa meia-vida de 3-7,5 h permite uma programação de dosagem pouco frequente.

O trabalho mais frequentemente citado no tratamento da cefaleia pós-punção dural com cafeína é o da Sechzer. 113 114 Ele avaliou os efeitos de uma ou duas doses de 0,5 g de cafeína iv em sujeitos com dor de cabeça estabelecida pós-punção. Existem algumas falhas estatísticas e metodológicas neste estudo, mas concluiu-se que a cafeína iv é uma terapia eficaz para a cefaléia pós-punção dural.

Dose

A dose agora recomendada para o tratamento da cefaleia pós-punção dural é de 300 a 500 mg de cafeína oral ou iv uma ou duas vezes ao dia. 12 66 Uma xícara de café contém cerca de 50-100 mg de cafeína e refrigerantes contêm 35-50 mg. O LD 50 para cafeína é da ordem de 150 mg kg ?1 . Entretanto, doses terapêuticas têm sido associadas à toxicidade do sistema nervoso central 9 e à fibrilação atrial.

Modo de ação

Supõe-se que a cafeína atua através da vasoconstrição dos vasos cerebrais dilatados. 12 Se a vasodilatação cerebral fosse a fonte da dor, a vasoconstrição cerebral poderia limitar a dor sentida. De fato, foi demonstrado que a cafeína causa uma redução no fluxo sanguíneo cerebral, 116 mas esse efeito não é sustentado. A terapia com cafeína é simples de administrar em comparação com as habilidades técnicas necessárias para realizar um remendo de sangue peridural. Sendo a cafeína tão bem sucedida como sugerido pelos relatórios anteriores, seria sem dúvida amplamente defendido. No entanto, uma pesquisa hospitalar norte-americana sobre o tratamento da cefaléia pós-punção dural identificou que a maioria dos profissionais do hospital havia abandonado o uso da cafeína, pois a haviam considerado ineficaz. 8Os efeitos da cafeína na cefaléia pós-punção dural parecem, na melhor das hipóteses, temporários. 12 Além disso, a cafeína não é uma terapia sem complicações, 9e não restaura a dinâmica normal do líquido cefalorraquidiano, deixando o paciente em risco de complicações graves associadas à baixa pressão liquórica.

Sumatriptano

O tratamento para enxaquecas tem se concentrado na modificação do tônus ??vascular cerebral. O sumatriptano é um agonista do receptor 5-HT 1D que promove a vasoconstrição cerebral, de forma semelhante à cafeína. 123 Osumatriptano é preconizado para o tratamento da enxaqueca e, recentemente, para a cefaléia pós-punção da dura-máter. Houve apenas alguns relatos de casos em que o sumatriptano foi usado com sucesso para controlar a cefaléia pós-punção da dura-máter. 61 No entanto, um recente estudo controlado não encontrou evidências de benefício do Sumatriptan para o tratamento conservador da cefaleia pós-punção dural. 23

Remendo de sangue epidural

História

Após a observação de que “torneiras com sangue” estavam associadas a uma redução da taxa de cefaléia, 51 o conceito do remendo sanguíneo epidural se desenvolveu. A teoria é que o sangue, uma vez introduzido no espaço epidural, coagulará e obstruirá a perfuração, evitando a fuga de LCR. A alta taxa de sucesso e a baixa incidência de complicações estabeleceram o padrão sangüíneo peridural como padrão para avaliar métodos alternativos de tratamento da cefaléia pós-punção da dura-máter.

Técnica

A presença de febre, infecção nas costas, coagulopatia ou recusa do paciente são contraindicações para o desempenho de um remendo de sangue epidural. 1 Como medida de precaução, uma amostra do sangue do indivíduo deve ser enviada à microbiologia para cultura. 27 Com o paciente em decúbito lateral, o espaço peridural está localizado com uma agulha de Tuohy ao nível da suposta punção dural ou um espaço intervertebral inferior. O operador deve estar preparado para a presença de líquido cefalorraquidiano no espaço epidural. Até 30 ml de sangue são retirados do braço do paciente e injetados lentamente através da agulha de Tuohy. Se o paciente descrever dor lancinante de origem dermatomal, o procedimento deve ser interrompido. 27Não há consenso quanto ao volume preciso de sangue necessário. A maioria dos praticantes reconhece agora que os 2 a 3 ml de sangue originalmente descritos por Gormley são inadequados e que 20 a 30 ml de sangue têm maior probabilidade de garantir o sucesso. 27 Volumes maiores, até 60 ml, 97 foram usados ??com sucesso em casos de hipotensão intracraniana espontânea. Na conclusão do procedimento, pede-se ao paciente que permaneça imóvel por um 33 ou, preferencialmente, 2 h, 81 e então é permitido caminhar.

Contra-indicações

As contraindicações incluem aquelas que normalmente se aplicam às epidurais, mas incluem contagem de leucócitos elevada, pirexia e dificuldades técnicas. A experiência limitada com pacientes HIV-positivos sugere que é aceitável desde que nenhuma outra doença bacteriana ou viral esteja ativa. 126 epidural remendo sangue após punção lombar de diagnóstico no paciente oncologia aumenta o potencial para a sementeira do neuroeixo com células neoplásicas. Um caso foi relatado de um emplastro de sucesso sem complicações, 109 e um caso 11 onde os riscos de disseminação de leucemia no sistema nervoso central (SNC) foram considerados superiores aos benefícios de um remendo de sangue peridural.

O remendo de sangue (blood Patch)

Utilizando ou células vermelhas radiomarcadas 124 ou uma ressonância magnética, 7vários estudos relataram o grau de disseminação do adesivo sanguíneo peridural. Após a injeção, o sangue é distribuído caudalmente e cefálico, independentemente da direção do bisel da agulha de Tuohy. O sangue também passa circunferencialmente para o espaço epidural anterior. O espaço temporal é comprimido e deslocado pelo sangue. Além disso, o sangue passa para fora do forame intervertebral e para o espaço paravertebral. A propagação média de 14 ml de sangue é seis segmentos espinhais cefálicos e três segmentos caudais. A compressão do espaço tecal durante as primeiras 3 horas e uma suposta elevação da pressão subaracnoidea podem explicar a rápida resolução da dor de cabeça. A compressão do saco tecal não é, no entanto, sustentada e a manutenção do efeito terapêutico é provavelmente atribuível à presença do coágulo eliminando o vazamento do LCR. Foi observado que o LCR atua como pró-coagulante, acelerando o processo de coagulação.24 Às 7–13 h, há resolução do coágulo deixando uma camada espessa de coágulo maduro sobre a parte dorsal do saco tecal. Estudos em animais demonstraram que 7 dias após a administração de um remendo de sangue epidural, existe uma actividade fibroblástica generalizada e formação de colagénio. 34 74 Felizmente, a presença de sangue não inicia um processo inflamatório e não há evidência de edema axonal, necrose ou desmielinização.

Resultado

A técnica tem uma taxa de sucesso de 70-98% se realizada mais de 24 horas após a punção da dura-máter. 1 Se um remendo de sangue epidural não resolver a dor de cabeça, a repetição do remendo de sangue tem uma taxa de sucesso semelhante. A falha do segundo patch e a repetição do patch por uma terceira ou quarta vez foram relatadas. No entanto, na presença de cefaléia intensa persistente, uma causa alternativa deve ser considerada.

Complicações

Exacerbação imediata dos sintomas e dor radicular foram descritas. 136 Esses sintomas não persistem e se resolvem com a administração de analgésicos simples. Complicações a longo prazo do sistema sangüíneo peridural são raras. Um único relato de caso de um remendo de sangue epidural subdural inadvertido descreveu cefaléia persistente não postural e desconforto nos membros inferiores. 103

A questão do efeito do adesivo sanguíneo no sucesso das epidurais subsequentes foi abordada. 60 Embora relatos de casos descrevam uma distribuição limitada de analgesia epidural 99 após a realização de um exame epidural anterior, um grande estudo retrospectivo durante um período de 12 anos 60 constatou que a analgesia peridural subseqüente foi bem sucedida em> 96% dos pacientes.

Remendo de sangue epidural profilático

Quando a incidência conhecida de cefaleia pós-punção dural é alta, como na parturiente, o uso de um remendo de sangue epidural profilático após a punção acidental da dura-máter, que é o remendo de sangue antes do início dos sintomas, é uma opção atraente. Patching profilático geralmente foi descartado como ineficaz, mas a evidência é conflitante. Um ensaio clínico controlado em cefaleias pós-mielograma 54 e um pós-raquianestesia e após punção dural não intencional com agulha peridural 22 confirmaram o benefício do remendo profilático. Aqueles estudos que não apoiaram o uso de remendos profiláticos podem ter usado sangue insuficiente para o remendo. 22O gradiente de pressão entre o espaço e o espaço peridural pode ser alto imediatamente após a punção da dura-máter e levar à separação do patch do local da perfuração. O soro de sangue nesse momento pode, portanto, necessitar de um maior volume de sangue para produzir um adesivo bem sucedido, em comparação com um adesivo tardio, em que a pressão do LCR pode ser menor.

Dor de cabeça crônica

Os pacientes podem apresentar características de uma cefaléia pós-espinhal que nunca receberam uma injeção peridural ou espinhal. Um relato de seis desses casos, com cefaleia que esteve presente entre 1 e 20 anos, mostrou alívio completo da cefaleia após o teste sangüíneo epidural lombar. 91 É interessante especular que essas cefaleias podem ter sido atribuídas à hipotensão intracraniana espontânea não identificada.

Solução salina epidural

Preocupações têm sido expressas sobre o perigo potencial de um remendo sangüíneo peridural autólogo para o tratamento da cefaléia pós-punção da dura-máter. A resolução imediata da dor de cabeça com um adesivo sangüíneo é atribuível à compressão colateral, elevando a pressão do LCR. Uma injeção epidural de solução salina, em teoria, produziria o mesmo efeito de massa e restauraria a dinâmica normal do líquido cefalorraquidiano (LCR). Como a solução salina é uma solução relativamente inerte e estéril, a injeção ou infusão de solução salina epidural parece ser uma alternativa atraente. Os esquemas preconizados incluem: (i) 1,0-1,5 litro de solução Hartmanns epidural durante 24 h, começando no primeiro dia após a punção da dura-máter; 28 84 121 (ii) até 35 ml h ?1 solução salina epidural ou solução de Hartmann por 24 a 48 horas ou após o desenvolvimento da dor de cabeça; (iii) um único bolus de 30 ml de solução salina epidural após o desenvolvimento de cefaléia; 84 e (iv) 10-120 ml de solução salina injetada em bolus através do espaço peridural caudal. 129

Os defensores de um bolus ou infusão de solução salina epidural sustentam que a injeção lombar de solução salina aumenta a pressão peridural e intratecal. A redução no vazamento permitiria que a dura-máter fosse reparada. No entanto, observações das pressões produzidas no espaço subaracnóideo e epidural mostram que, apesar de um grande aumento na pressão peridural, o aumento consequente da pressão subaracnoidea mantém a pressão diferencial na dura-máter. O aumento de pressão também não é sustentado e é dissipado dentro de 10 min. 129 A solução salina pode induzir uma reação inflamatória dentro do espaço epidural, promovendo o fechamento da perfuração dural. Estudos histológicos não demonstraram uma resposta inflamatória após administração de Dextran 40 por via peridural, no entanto, em contraste com um adesivo sanguíneo autólogo. 74Não há razão para supor que a solução salina epidural é mais provável para acelerar a cicatrização dural através de uma ação pró-inflamatória do que Dextran 40. Assim, não há estudos que sejam capazes de demonstrar um aumento sustentado na pressão liquórica ou fechamento acelerado da perfuração dural após a administração de solução salina epidural. Embora existam muitos relatos de casos descrevendo o sucesso da solução salina epidural, estudos comparativos com adesivos sanguíneos peridurais não demonstraram a eficácia em longo prazo da colocação de solução salina epidural. 5 É difícil concluir pela evidência, portanto, que a administração salina epidural restaurará a dinâmica normal do LCR. A administração de grandes volumes de solução salina epidural pode resultar em hemorragias intra-oculares através de um aumento abrupto da pressão intracraniana.19

Dextrano Epidural

Apesar da escassez de evidências para apoiar a solução salina epidural, alguns observadores consideraram a administração epidural de Dextran 40. 117 Esses estudos que recomendam o Dextran 40, seja em infusão ou em bolus, concluem que o alto peso molecular e a viscosidade do Dextran 40 são mais lentos. sua remoção do espaço epidural. O tamponamento sustentado em torno da perfuração dural permite o fechamento espontâneo. No entanto, é improvável que o Dextran 40 aja de maneira diferente da salina no espaço epidural. Qualquer aumento de pressão dentro do espaço subaracnóide, como a salina, seria apenas transitório. Inspeção histológica do espaço peridural após administração de Dextran 40, 74não demonstra qualquer resposta inflamatória que promova o processo de cicatrização. As evidências para a administração de Dextran por via peridural no tratamento da cefaléia pós-punção da dura-máter não estão comprovadas e o argumento teórico para justificar seu uso é ruim.

Opioides epidurais, intratecais e parenterais

Vários autores têm defendido o uso de epidural, 42 intratecal 20 ou morfina parentérica; 41 a maioria desses relatos é de relatos de casos ou ensaios controlados inadequadamente. Alguns dos estudos usaram morfina epidural após o início da cefaleia, outros usaram morfina epidural ou intratecal como profilaxia ou em combinação com um cateter intratecal. 20 Um estudo controlado de fentanil intratecal como profilaxia não encontrou evidências de redução na incidência de cefaléia pós-espinhal após punção da dura-máter com agulha espinhal de calibre 25. 31

Cola de fibrina

Agentes alternativos ao sangue, como a cola fibrinosa, têm sido propostos para reparar perfurações durais da coluna vertebral. 48 As perfurações durais cranianas são freqüentemente consertadas com sucesso. No caso de perfuração dural lombar, a cola de fibrina pode ser colocada às cegas ou por injeção percutânea guiada por TC. 92 Há, no entanto, um risco do desenvolvimento de meningite asséptica com este procedimento. 111 Além disso, os fabricantes alertaram recentemente contra a aplicação de alguns tipos de cola de tecido, nos quais ela pode estar exposta ao tecido nervoso. 110

Cateteres intratecais

Após a perfuração acidental da dura-máter com uma agulha de Tuohy, sugeriu-se que a colocação de um cateter espinhal através da perfuração pode provocar uma reação inflamatória que irá selar o orifício. A evidência para apoiar esta afirmação é conflitante. 30 135 A idade média dos pacientes em alguns dos estudos tem sido> 50 anos, onde a taxa de cefaleia pós-punção da dura-máter é baixa. Alguns estudos utilizaram microcateteres espinhais, 26G-32G; outros colocaram cateteres epidurais 20G através de uma agulha Tuohy de 18G.

Estudos histopatológicos em animais e humanos com cateter intratecal a longo prazo confirmam a presença de uma reação inflamatória no local do cateter. A comparação entre os efeitos de um cateter deixado in situ por 24 he por vários dias ou semanas pareceria inadequada. 96 Se, após a punção acidental da dura-máter com uma agulha de Tuohy, a inserção de um cateter intratecal reduzisse a taxa de cefaleia pós-punção da dura-máter, então valeria a pena considerar. No entanto, complicações neurológicas, como a síndrome da cauda equina e infecção, devem impedir o uso de cateteres intratecais.

Cirurgia

Há relatos de casos de vazamentos persistentes de líquido cefalorraquidiano, que não respondem a outras terapias, sendo tratados com sucesso pelo fechamento cirúrgico da perfuração dural. 58 Este é claramente um tratamento de último recurso.

Conclusões

A cefaleia pós-punção dural é uma complicação que não deve ser tratada com leveza. Existe o potencial de considerável morbidez, 10 até a morte. 39 104 Na maioria dos casos, o problema será resolvido espontaneamente. Em alguns pacientes, a dor de cabeça dura meses ou até anos.

Terapias que foram oferecidas nem sempre surgiram através da aplicação de lógica ou raciocínio. A observação de Gormley de que sangramentos nas torneiras tinham menor probabilidade de causar dores de cabeça, embora provavelmente incorretas, 71 levou à aplicação generalizada de adesivos sanguíneos para o tratamento da cefaléia pós-punção da dura-máter. O benefício do remendo do sangue profilático não é tão claro, mas merece consideração naqueles em maior risco de uma dor de cabeça, como a parturiente, e após perfuração acidental da dura-máter com uma agulha de Tuohy. Há ocasiões em que as manchas de sangue parecem ser ineficazes no tratamento da dor de cabeça. É prudente considerar outras causas da dor de cabeça antes de aplicar opções terapêuticas alternativas. O fechamento cirúrgico da lesão dural é uma opção de último recurso.

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Osteoporose

Artigo original

Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa

Introdução

A osteoporose é uma doença caracterizada pela fragilidade óssea e alterações na sua microarquitetura, tem como desfecho clínico mais importante a ocorrência de fraturas por baixo impacto1D e afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.2D

Nos Estados Unidos, anualmente, ocorrem mais de dois milhões de fraturas relacionadas à osteoporose, especialmente em mulheres (70%), com elevada taxa de morbimortalidade. Além disso, os custos gerais anuais do tratamento desses eventos superam os 25 bilhões de dólares.3C

As fraturas por osteoporose ocorrem mais frequentemente nas vértebras, no rádio distal e no fêmur proximal. Essas fraturas ocasionam dor, incapacidade física, deformidades e promovem deterioração da qualidade e expectativa de vida. As fraturas do quadril são as mais graves e aumentam a taxa de mortalidade em 12 a 20% nos dois anos seguintes à fratura. Mais de 50% dos que sobreviveram a uma fratura de quadril são incapazes de ter uma vida independente e muitos deles necessitam viver em ambientes institucionalizados.4D

A baixa densidade mineral óssea (DMO), especialmente no colo femoral é um forte preditor de fraturas. A cada redução de um desvio padrão na DMO, o risco de fratura aumenta em duas a três vezes. Além da baixa DMO, é importante a identificação dos fatores clínicos de risco para osteoporose e fraturas, pois nos auxiliam na avaliação do risco absoluto de fratura para cada indivíduo e na seleção dos pacientes a serem tratados.5C

Vários trabalhos epidemiológicos que ressaltam a importância dos fatores de risco para osteoporose e fraturas no Brasil foram publicados na última década.6A,7A,8A A última diretriz brasileira sobre o tratamento da osteoporose na pós?menopausa foi publicada em 2002.9D

Quais são os fatores de risco relacionados à osteoporose e às fraturas na pós?menopausa?

A osteoporose não apresenta manifestações clínicas específicas até que ocorra a primeira fratura. Portanto, a história clínica e o exame físico detalhados devem ser feitos em todos os pacientes com o objetivo de identificar fatores que possam contribuir para perda de massa óssea, bem como avaliar fatores preditivos para futuras fraturas e excluir causas secundárias de osteoporose. Alguns fatores de risco são passíveis de reversão.10D

Os fatores de risco mais importantes relacionados à osteoporose e a fraturas na pós?menopausa são: idade, sexo feminino, etnia branca ou oriental, história prévia pessoal e familiar de fratura, baixa DMO do colo de fêmur, baixo índice de massa corporal, uso de glicocorticoide oral (dose ? 5,0 mg/dia de prednisona por período superior a três meses), fatores ambientais, inclusive o tabagismo, ingestão abusiva de bebidas alcoólicas (? três unidades ao dia), inatividade física e baixa ingestão dietética de cálcio.11D

Devido à alta prevalência de causas secundárias de osteoporose, sendo muitas delas subclínicas, recomenda?se para todos os pacientes antes de se iniciar qualquer tratamento uma avaliação laboratorial mínima que inclua hemograma completo, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função tireoidiana e dosagem da 25(OH) vitamina D sérica, calciúria de 24 horas, além de radiografia simples lateral da coluna torácica e lombar e a medida da DMO na coluna lombar e fêmur proximal. Outros testes específicos devem ser feitos, apenas, em pacientes com suspeita clínica de doenças associadas como as doenças gastrointestinais (síndrome de má absorção intestinal, doença inflamatória, doença celíaca), de doenças endocrinológicas (hiperparatireoidismo primário, tireotoxicose, síndrome de Cushing, hipogonadismo e diabetes mellitus), reumatológicas, doenças pulmonares crônicas e outras (tabela 1).10D

Tabela 1. Investigação inicial da osteoporose pós?menopausa. Modificado de Papaioannou A et al.10

Exames de rotina
 Hemograma completo
 Cálcio, fósforo e fosfatase alcalina
 Testes de função tireoidiana
 Vitamina D (25OH)
 Calciúria de 24 horas
Creatinina
 DMO
RX lateral de coluna torácica e lombar
Exames específicos
 De acordo com a suspeita clínica

Os marcadores de remodelação óssea são úteis para avaliar o efeito de medicamentos, do próprio envelhecimento ou de alguma doença sobre as taxas de reabsorção e formação óssea, em um determinado intervalo de tempo, mas não devem ser usados para o diagnóstico da osteoporose nem para a escolha da medicação a ser prescrita. Os mais usados são o CTx sérico, como marcador de reabsorção, e o P1NP sérico, como marcador de formação óssea. Índices elevados do CTx sérico podem indicar perda rápida de massa óssea e apresentam correlação moderada como fator de risco para osteoporose e fraturas, independentemente da densidade óssea.12A,13B,14B Seu uso na prática clínica é limitado por sua alta variabilidade entre os ensaios e pobre valor preditivo em um mesmo paciente. Podem se alterar rapidamente em resposta ao tratamento medicamentoso e ser úteis em algumas situações específicas como para avaliar a adesão, absorção ou falha de resposta ao tratamento medicamentoso.15A,16A

Os inibidores de aromatase,17B os análogos de GnRH,18B a terapia antirretroviral19B e medroxiprogesterona,20D bem como os anticonvulsivantes e anticoagulantes,11D têm sido relacionados como fatores de risco para a osteoporose.

O risco de quedas deve ser considerado na avaliação dos pacientes com osteoporose, uma vez que eventos recorrentes constituem, per se, fator de risco independente para fraturas, particularmente quando existe comprometimento neurológico como hemiparesia, doença de Parkinson, demência e quadros de vertigens, alcoolismo e deficiência visual.21B Apesar disso, sua importância é frequentemente negligenciada. Em termos comparativos, enquanto um desvio padrão de redução na DMO aumenta o risco para fratura de quadril em cerca de duas a duas vezes e meia, uma queda para o lado, incrementa o risco em três a cinco vezes. Quando esse tipo de queda provoca um impacto maior sobre o trocânter do que no fêmur proximal, o risco de fratura do quadril aumenta aproximadamente 30 vezes.22B

Recomendação

Todos os pacientes com diagnóstico de osteoporose devem ser avaliados para fatores de risco, antes do início do tratamento para a osteoporose e fraturas, por meio de história e exame físico minuciosos e exames laboratoriais mínimos. Em casos de suspeita clínica, testes laboratoriais específicos devem ser solicitados para diagnóstico de causas de osteoporose secundária.

Deve?se intervir sobre os fatores de risco que são modificáveis nas mulheres na pós?menopausa, inclusive estímulo para a prática de atividade física, abandono do tabagismo, restrição de medicações sedativas e hipnóticas, bem como outros motivos que possam reduzir a massa óssea. A correção de déficits visuais e a implantação de medidas para minimizar o risco de quedas são de fundamental importância (apoios e tapetes antiderrapantes no banheiro, pisos escorregadios, tapetes soltos, melhoria da luminosidade e cuidados com escadas e degraus).

Tratamento não farmacológico da osteoporose pós?menopausa

Quais as evidências de exercícios físicos para redução no risco de queda e melhoria na qualidade de vida de mulheres com osteoporose pós?menopausa?

Ensaios clínicos têm comprovado que a indicação de programa de atividade física supervisionada promove melhorias da capacidade funcional, força muscular, equilíbrio, coordenação, melhoria da flexibilidade e qualidade de vida.23A,24A Um programa de exercícios para a prevenção de quedas randomizou mulheres na pós?menopausa (entre 55 e 75 anos), com diagnóstico de osteoporose, em dois grupos: o primeiro para fortalecimento progressivo de quadríceps e treinamento de propriocepção associada à terapia medicamentosa e o segundo para tratamento medicamentoso apenas com bifosfonatos, com duração de 18 semanas.25B Nesse estudo, pode?se verificar que mulheres submetidas ao programa de exercícios tiveram menor incidência de quedas em comparação com aquelas mantidas apenas sob tratamento farmacológico em seis meses de seguimento (RRA = 0,38; IC95% 0,18?0,52; NNT = 2).25B Do mesmo modo, outro programa de exercícios de fortalecimento muscular, com o intuito de melhorar o controle postural, randomizou mulheres na pós?menopausa (72,8 ± 3,6 anos) com osteoporose para três grupos de intervenção: 1) treinamento do equilíbrio com fortalecimento muscular; 2) treinamento do equilíbrio com alongamento e 3) controles, mantidas sem atividade física.26B Após oito semanas, foi possível observar que mulheres dos grupos 1 e 2 tiveram aumento significante da força de dorsiflexão, flexão do joelho, bem como aumento na amplitude de movimento.26B Um estudo randomizado, controlado, com duração de 12 meses, analisou o impacto exercido pela prática de exercício físico em circuito, sobre a mobilidade, equilíbrio e qualidade de vida em mulheres na pós?menopausa com osteoporose estabelecida (fratura vertebral prévia). Foi possível verificar, após três meses do início da intervenção, melhoria significativa da mobilidade e dos domínios analisados para qualidade de vida pelos questionários GHQ?20 (General Health Questionnaire) e QUALEFFO?41 (Quality of Life Questionnaire issued by the European Foundation for Osteoporosis).27B

Recomendação

Exercícios físicos resistidos, supervisionados, principalmente que envolvam fortalecimento de quadríceps e exercícios com suporte do próprio peso devem ser recomendados para pacientes na pós?menopausa com diagnóstico de osteoporose ou osteopenia, uma vez que se encontram associados com redução do número de quedas. Ensaios clínicos randomizados têm confirmado que a implantação de programa de atividade física contribui, de maneira significante, para melhor flexibilidade, equilíbrio, ganho de força muscular e melhoria da qualidade de vida, reduz o risco de quedas, embora ainda não existam evidências substanciais para a redução de fraturas com a implantação da atividade física.

Quais as evidências da ingestão de cálcio para prevenção e tratamento da osteoporose pós?menopausa?

O cálcio é um nutriente essencial na regulação da homeostase do tecido ósseo. A ingestão adequada de cálcio é extremamente importante em um programa de prevenção e tratamento da osteoporose, bem como para a saúde óssea geral em qualquer idade, embora as necessidades diárias de cálcio variem conforme a idade. O Institute of Medicine (IOM), em 2011, estabeleceu as necessidades diárias de cálcio por faixa etária.28D Para adultos acima de 50 anos, a ingestão diária recomendada é de 1200 mg, inclusive cálcio da dieta mais suplementos (em casos de ingestão alimentar deficiente).

Desde o fim do século passado vários trabalhos têm mostrado a importância do cálcio no tratamento da osteoporose (a maioria em associação com a vitamina D) com efeito modesto sobre a prevenção de fraturas.29A,30A

Em recente metanálise publicada pela National Osteoporosis Foundation (NOF), os dados mostraram 15% de redução do risco global de fraturas (Summary Relative Risk Estimatives) (SRRE = 0,85%; IC95% 0,73?0,98) e 30% do risco de fratura de quadril (SRRE = 0,70; IC95% 0,56?0,87).31A Em ensaio clínico, com sete anos de seguimento, o WHI CaD Study – Women’s Health Initiative Calcium/Vitamin D Supplementation Study), envolvendo 36.282 mulheres na pós menopausa, de maioria branca, foram randomizadas as participantes para receber a associação de Ca/Vit D (1000mg de cálcio e 400Ui de vit D) ou placebo. Durante o seguimento, identificou?se que a DMO do quadril foi significantemente maior no grupo suplementado, embora sem redução significativa do risco de fraturas de quadril (HR = 0,88; IC95% 0,72?1,09), fraturas vertebrais clínicas (HR = 0,90; IC95% 0,74?1,1) e fraturas totais (HR = 0,96; IC95% 0,91?1,02).32A Com relação aos eventos adversos, pode?se observar que a ocorrência de cálculos renais foi 17% maior nas pacientes submetidas ao tratamento (HR = 1,17; IC95% 1,02?1,34), mas sem diferença significante dos eventos cardiovasculares, distúrbios gastrointestinais, como constipação, e neoplasias.32A

O papel da suplementação do cálcio, isoladamente, para a redução da perda óssea é comprometido em muitos estudos, porque na maioria das vezes, os suplementos de cálcio apresentam?se associados à administração de vitamina D.33C

A dose ótima diária de cálcio e o uso de suplementos ainda é controversa, especialmente em relação a eventos adversos. Uma coorte sueca de pacientes com alta ingestão diária de cálcio (> 1500 mg/d considerando o cálcio da dieta mais suplemento) mostrou aumento de 40% em todas as causas de mortalidade (HR = 1,40; IC95% 1,17?1,67).34B

Numa metanálise que incluiu uma subpopulação de 16.718 pacientes do estudo WHI que não usavam suplemento de cálcio ou vitamina D no início do estudo e que foram randomizados para começar a usá?los, foi possível identificar aumento significativo para a ocorrência de infarto agudo do miocárdio (IAM) ou revascularização miocárdica (p = 0,004).35A Por outro lado, o uso de baixas doses de cálcio diárias (< 700 mg/d comparados com 1.400 mg/d) também se associou a aumento do risco cardiovascular.36B

Uma metanálise recente de estudos controlados e randomizados não achou diferença estatística em internações e mortes em mulheres com osteoporose pós?menopausa sob suplementação de cálcio.37A

Em uma análise de 10 anos do estudo MESA (Multi?ethnic Study of Atherosclerosis), em uma coorte multiétnica, observou?se discreta redução da aterosclerose coronariana pela tomografia (escore de cálcio) em mulheres que ingeriram, apenas por meio da dieta, uma média de 1081 mg de cálcio por dia. Os pacientes que tomaram suplementos de cálcio tiveram 20% mais risco de calcificação coronariana do que os que não receberam suplementação (RR=1,22; IC95% 1,07?1,39).38A

Com relação à controvérsia sobre a suplementação de cálcio e eventos cardiovasculares, mais estudos randomizados, controlados e prospectivos, do que apenas metanálises e subgrupos de outros estudos, deveriam ser feitos para que melhores níveis de evidência estivessem disponíveis para os clínicos.39C

Importante salientar que a ingestão dietética diária de cálcio no Brasil está abaixo das recomendações do IOM (400 mg, em média, independente da região, sexo e idade).40A

As mulheres após os 50 anos com osteopenia ou osteoporose devem ser estimuladas a ingerir cálcio preferencialmente da dieta. Existem calculadoras que ajudam a conhecer os alimentos ricos em cálcio e o quanto de cálcio é ingerido por dia.41. Em pacientes intolerantes à lactose ou que por outros motivos não possam atingir a recomendação diária, a suplementação de cálcio é uma opção.

Vários suplementos de cálcio estão disponíveis para suplementação. O carbonato e o fosfato tribásico de cálcio são os que contêm a maior biodisponibilidade de cálcio, cerca de 40%. O carbonato de cálcio apresenta mais problemas gastrointestinais (como constipação, por exemplo) e é mais bem absorvido quando ingerido com as refeições. O citrato de cálcio apresenta menor biodisponibilidade de cálcio (21%) e são necessários mais comprimidos para se atingir a dose desejada. É uma opção aos pacientes com nefrolitíase ou com antecedentes de cirurgia gástrica (gastrectomias) ou bariátrica e está disponível. A suplementação de cálcio não deve exceder 500 a 600 mg por dose independente da preparação, visto que o fracionamento aumenta a absorção.42D

Recomendação

Em mulheres com mais de 50 anos, é recomendado e seguro o consumo de até 1.200 mg de cálcio ao dia, preferencialmente por meio da dieta, especialmente com o consumo de leite e derivados. Quando há impossibilidade de fazê?lo por meio de fontes nutricionais, é recomendável a administração de suplementos de cálcio, com avaliação de riscos e benefícios. Apesar de o uso complementar do cálcio e da vitamina D ser fundamental para a mineralização óssea adequada, não se recomenda o tratamento da osteoporose em pacientes na pós?menopausa exclusivamente com cálcio associado ou não com a vitamina D.

Quais as recomendações para o uso da Vitamina D no tratamento da osteoporose pós?menopausa?

A vitamina D é um pró?hormônio sintetizado na pele pela exposição aos raios ultravioleta B (UVB) da luz solar. As fontes de vitamina D alimentares são escassas e os seres humanos dependem principalmente da produção cutânea pelos raios UVB solares. A vitamina D, produzida na pele ou ingerida, sofre transformações químicas até se transformar em sua forma ativa (calcitriol), com importantes funções na fisiologia osteomineral, especialmente no que se refere à absorção intestinal e à homeostase do cálcio.43D,44D

Além de seu papel na absorção intestinal de cálcio, a vitamina D exerce importante ação na musculatura periférica e no equilíbrio, podendo interferir no risco de quedas. A deficiência de vitamina D é comum em pacientes com osteoporose45B e fraturas de quadril.46B

A concentração plasmática da vitamina D pode ser avaliada pela dosagem da 25 hidroxivitamina D (25(OH)D).47D,48D Essa medida é recomendada na suspeita de deficiência de vitamina D, sobretudo em populações de risco, como pacientes com osteoporose e outras situações clínicas osteopenizantes, em potencial.47D,48D De acordo com as recomendações da força?tarefa do Serviço de Prevenção do Estados Unidos, não existem evidências que apoiem a dosagem da vitamina D na população em geral.49A

Concentrações séricas de 25(OH)D abaixo de 20 ng/mL (50 nmol/L) são classificadas como deficientes para a população geral mas valores entre 20 e 29 ng/mL (50 e 74 nmol/L) são ainda considerados insuficientes para indivíduos com risco para osteoporose.28 As concentrações ideais (suficientes) estão entre 30 e 100 ng/mL (75 e 250 nmol/L). Esses valores foram reconhecidos pela Endocrine Society e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.47D,48D

Uma metanálise de estudos em mulheres na pós?menopausa demonstrou significante diminuição do risco de fraturas de colo de fêmur e fraturas não vertebrais com suplementação de vitamina D em doses diárias acima de 800 UI.50A Por outro lado, o grupo suplementado com cálcio e vitamina D do WHI apresentou discreto ganho de massa óssea no colo do fêmur, mas sem redução significativa do risco de fraturas.32AOutros estudos mostraram, em paralelo, aumento da força muscular, equilíbrio e redução de quedas com a suplementação de vitamina D.51A,52A

Em adultos com deficiência de vitamina D (25[OH]D < 20ng/mL), recomenda?se a administração de uma dose de ataque de 7.000 UI/dia ou 50.000 UI/semana por oito semanas, seguida da dose de manutenção entre 1.000 e 2.000 UI por dia.47D,48D A inadequação dos níveis de vitamina D é tida como uma das potenciais causas para falha do tratamento medicamentoso da osteoporose (perda significativa de DMO e fraturas).53D,54A Embora existam inúmeras evidências de associação de deficiência de vitamina D com várias doenças, doses elevadas de vitamina D não têm sido recomendadas, pois não existem ensaios clínicos fase III com resultados substanciais e uniformes. Um estudo mostrou que doses elevadas de vitamina D iguais ou maiores do que 500.000 UI administradas de uma só vez, em regimes anuais, podem elevar o risco de quedas e fraturas55A e outro apresentou pioria funcional dos pacientes.56B

Vários trabalhos publicados não comprovaram que a reposição de vitamina D foi capaz de reduzir a mortalidade geral,57A prevenção do câncer58A ou doenças cardiovasculares,59A mesmo em altas doses.

Os dados encontrados são controversos e, portanto, serão necessários futuros estudos para se estabelecer alguma relação de causa e efeito da deficiência de vitamina D e doenças ou se a deficiência de vitamina D seria apenas mais um preditor de piores desfechos clínicos.

Recomendação

Em pacientes com osteoporose pós?menopausa, recomenda?se avaliar as concentrações plasmáticas da 25(OH)D antes de se iniciar o tratamento. Em pacientes deficientes de vitamina D, a reposição deve ser iniciada com 50.000 UI por semana durante oito semanas e, então, reavaliar. Como dose de manutenção, recomendam?se doses diárias de 1000?2000 UI e valores séricos acima de 30 ng/mL para a prevenção do hiperparatireoidismo secundário, melhoria da massa óssea, redução do risco de quedas. Tratamentos com altas doses de vitamina D não estão indicados.

Tratamento farmacológico da osteoporose pós?menopausa

Quando indicar o tratamento farmacológico para osteoporose pós?menopausa?

Apesar da osteoporose representar um importante problema de saúde pública em todo o mundo, e disponibilidade de tratamentos efetivos para esta condição, persistem problemas na identificação de pacientes nos quais a intervenção farmacológica deva ser considerada.60C O rastreamento e as estratégias de detecção de casos, com uso exclusivo da densitometria óssea são específicos (identificam pacientes de alto risco), mas não têm sensibilidade adequada (deixam de caracterizar corretamente muitos dos que irão sofrer fraturas). Portanto, estratégias que levem em consideração fatores clínicos de risco podem adicionar informações sobre o risco individual de fratura, independentemente das medidas da DMO e, assim, melhor identificar o risco absoluto de fratura por osteoporose.61C

A ferramenta FRAX Brasil é o primeiro modelo de predição de fraturas específico do país. Baseia?se na metodologia FRAX original, que foi validada externamente em várias coortes independentes, e calibrada com os dados epidemiológicos retrospectivos de fratura de quadril e de mortalidade mais consistentes disponíveis.62B,63A,64A,65A,66A

FRAX Brasil: https://www.sheffield.ac.uk/FRAX/tool.aspx?country=55

Em síntese, FRAX é um algoritmo baseado em computador que calcula a probabilidade em 10 anos de uma fratura osteoporótica maior (fratura de quadril, vertebral, úmero ou punho) e de fratura de quadril. A probabilidade de fratura é calculada a partir dos seguintes fatores clínicos de risco: idade, sexo, índice de massa corporal e fatores de risco dicotômicos que compreendem fratura de fragilidade prévia, história parental de fratura de quadril, tabagismo atual, uso de glicocorticoides orais de longo prazo, artrite reumatoide, outras causas de osteoporose secundária e consumo de álcool. A DMO do colo femoral pode ser, opcionalmente, inserida para melhorar a predição do risco de fratura. A probabilidade de fratura é calculada considerando tanto o risco de fratura quanto o risco de morte. O uso de fatores clínicos de risco e as medidas da DMO melhoram a sensibilidade da predição de fraturas sem comprometer a especificidade. O uso de FRAX, na prática clínica, exige uma consideração da probabilidade de fratura na qual intervir, tanto para o tratamento (um limiar de intervenção) quanto para o teste de DMO (limiares de avaliação).67B

Muitas diretrizes recomendam que as mulheres com uma fratura de fragilidade prévia possam ser consideradas para intervenção sem a necessidade de um teste de DMO (exceto para monitorar o tratamento), uma fratura anterior pode ser considerada como tendo um risco suficiente de que o tratamento pode ser recomendado.68B,69B

Por essa razão, o limiar de intervenção em mulheres, sem fratura prévia, pode ser ajustado à probabilidade de fratura por idade específica equivalente a mulheres com fratura de fragilidade prévia. Em outras palavras, o limiar de intervenção (fig. 1) é fixado no “limiar de fratura”. Essa abordagem foi bem validada e mostrou?se custo?efetiva. Com relação aos limiares de avaliação para medidas de DMO, dois limites (fig. 2) são especificamente estabelecidos. Uma probabilidade de limiar abaixo da qual nem o tratamento nem um teste de DMO devem ser considerados (limite inferior de avaliação) baseia?se na probabilidade de uma fratura de osteoporose em 10 anos equivalente a mulheres sem fatores de risco clínicos (e IMC de 25 kg/m2 e sem medida de DMO). Isso é consistente com uma visão, na maioria das diretrizes clínicas, de que indivíduos sem fatores clínicos de risco não devem ser considerados elegíveis para avaliação.

Figura 1. Limite de intervenção FRAX com densitometria.62


Figura 2
. Limite de avaliação FRAX sem densitometria.

LIA, limite inferior de avaliação; LSA, limite superior de avaliação.62

Uma probabilidade de limiar acima da qual o tratamento pode ser recomendado, independentemente da DMO (limite superior de avaliação), é fixada em 1,2 vez o limiar de intervenção, pois quando os pacientes têm uma probabilidade de fratura de 20% ou mais do limiar de intervenção, quase nenhum indivíduo é reclassificado quando as probabilidades são recalculadas com a adição de DMO ao FRAX (UK National Osteoporosis Guideline Group – NOGG).70D Recente recomendação do comitê de especialistas revisou as estratégias para identificar pacientes com elevado risco de osteoporose e fraturas.71D Tendo em vista essas considerações, a seguinte abordagem pode ser recomendada para a tomada de decisões em nosso país.62B

Dados preliminares do estudo Bravos, um estudo multicêntrico prospectivo sobre fraturas nas regiões Norte, Sudeste e Sul foram aceitos para publicação. Os resultados definitivos desse estudo podem melhorar a calibração e capacidade do FRAX Brasil de predição de fraturas segundo o trabalho “Incidence and mortality of hip fractures in Joinville, a community of the south of Brazil”, Silva DMW, Lazzareti?Castro M, Szejnfeld VL, Zerbini C, Eis SH, Borba VCZ, aceito para publicação no Archives of Endocrinology and Metabolism.

Recomendação

Pacientes com história de fratura de fragilidade prévia devem ser considerados para tratamento farmacológico sem a necessidade de uma avaliação adicional com a medida da DMO, embora essa possa ser apropriada, particularmente em mulheres pós?menopáusicas mais jovens, e com finalidade de monitoramento do tratamento.

Pacientes com T?score igual ou menor do que ?2,5 DP na coluna lombar, colo femoral, fêmur total ou radio 33% devem ser considerados para terapia farmacológica.

Em pacientes sem fraturas de fragilidade prévias, a estratégia de tratamento deve basear?se na avaliação da probabilidade em 10 anos com o FRAX Brasil e recomendações do NOGG.

Qual o intervalo recomendado para repetir o exame de Densitometria óssea?

Em pacientes com alto risco para fraturas pela DMO ou calculada, a DMO deve ser repetida a cada um a dois anos, conforme decisão médica. Em casos de perda significativa de massa óssea, as pacientes devem ser reavaliadas quanto à adesão ao tratamento, às questões relacionadas ao exame de densitometria óssea (equipamento, protocolos de aquisição e análise), às causas secundárias, inclusive deficiência de vitamina D e a presença de doenças ou medicamentos.53D,72C

Os medicamentos aprovados no Brasil para o tratamento da Osteoporose nas mulheres na pós menopausa estão na tabela 2.

Tabela 2. Tratamentos aprovados para mulheres na pós?menopausa com osteoporose

Intervenção Fratura vertebral Fratura não vertebral Fratura do quadril
TRH A A A
Alendronato A A A
Ibandronato A Aa NAA
Risedronato A A A
Ácido zoledrônico A A A
Denosumabe A A A
Raloxifeno A NAA NAA
Teriparatida A A NAA

A, recomendação de grau A; NAA, não avaliado de forma adequada; TRH, terapia de reposição hormonal.

a

Apenas em subconjuntos de pacientes (análise post?hoc).

Quais as evidências para a recomendação do uso da terapia hormonal para redução no risco de fratura na pós?menopausa?

Os estrogênios desempenham papel antirreabsortivo importante no metabolismo ósseo das mulheres na pré?menopausa. O hipoestrogenismo, que ocorre após a menopausa, promove perda acelerada de massa óssea, mas pode ser atenuado com uso de terapia de reposição hormonal (TH).73C Uma metanálise, publicada em 2002, que avaliou 57 ensaios clínicos randomizados, demonstrou aumento consistente da DMO na coluna lombar (6,8%, em média) e fêmur (4,1%, em média), após dois anos de tratamento.74A

O WHI, embora não feito apenas em mulheres com osteoporose com indicação de tratamento farmacológico, em seu braço estroprogestativo, avaliou 16.608 mulheres menopausadas entre 50?79 anos que fizeram densitometria óssea em subgrupo de 1.024 participantes. Comparada com o placebo, após cinco anos de seguimento, em média, a TH com estrógenos equinos conjugados (EEC) associados à progesterona aumentou significativamente a DMO na coluna lombar e fêmur em 4,5% e 3,7%, respectivamente.75A

O braço estrogênico isolado avaliou 10.739 mulheres menopausadas histerectomizadas, entre 50 e 79 anos, com densitometria feita em subgrupo de 938 participantes. Após seis anos, em média, houve aumento significante de 7,1% na coluna lombar e de 1,8% no fêmur daquelas que receberam EEC comparado com aumento de 1,9% na coluna e perda de 1,95% no fêmur no grupo placebo.76A

O estudo WHI é o maior ensaio randomizado da TH controlado por placebo com dados de fratura. Tanto a TH feita apenas com estrogênio (EEC 0,625 mg/dia) quanto a combinação estroprogestativa (associação diária de EEC 0,625 mg e acetato de medroxiprogesterona?AMP 2,5 mg) demonstraram redução aproximada de 30% nas fraturas de quadril e fraturas vertebrais clínicas. Houve também redução significativa de 24 a 29% de todas as fraturas osteoporóticas com significância estatística.75A,76AEntretanto, os efeitos benéficos sobre a DMO são mantidos enquanto a TH é usada. Após sua descontinuação, ocorre perda da DMO após os primeiros 12 meses e o ritmo de perda óssea se assemelha ao observado com o hipoestrogenismo natural observado na mulheres na pós?menopausa.77A Portanto, a interrupção do tratamento da osteoporose com TH deve ser seguida por outra opção terapêutica.

A TH apresenta risco de tromboembolismo cerca de duas vezes maior em usuárias de doses convencionais (estrogênio conjugado equino 0,625 mg/dia associado a 2,5 mg de acetato de medroxiprogesterona em esquema combinado ou cíclico), particularmente no primeiro ano de tratamento e que se reduz quando o mesmo se prolonga por mais tempo.78B O uso prolongado da TH, por mais de cinco anos, com associação de estrogênios e progestagênios, produz pequeno aumento do risco de câncer de mama (oito casos em cada 10.000 mulheres/ano).79B

Recomendação

A TH pode ser considerada para o tratamento da osteoporose pós?menopáusica, especialmente nas mulheres com sintomas climatéricos, antes dos 60 anos ou com menos de 10 anos de pós?menopausa. A descontinuação da TH resulta em perda de massa óssea e aumento das taxas de fraturas e as pacientes devem ser reavaliadas para outra opção terapêutica. As pacientes com indicação de TH devem ser avaliadas cuidadosamente, de forma individualizada, e a sua prescrição só deve ser feita quando o benefício suplantar o risco.

Qual a evidência para a recomendação do uso de bisfosfonatos (alendronato, risedronato, ibandronato e ácido zoledrônico) em mulheres na pós?menopausa para reduzir risco de fraturas vertebrais e não vertebrais?

Os bisfosfonatos nitrogenados são a classe de drogas mais prescrita em todo o mundo para o tratamento da osteoporose pós?menopausa. São análogos sintéticos do pirofosfato inorgânico, e ligam?se aos cristais de hidroxiapatita nos sítios de remodelação e inibem a atividade de reabsorção dos osteoclastos.80D

O alendronato, o risedronato e o ibandronato são administrados por via oral nas doses de 70 mg/semana, 35 mg/semana ou 150 mg/mês e 150 mg/mês, respectivamente. O ácido zoledrônico e o ibandronato são os únicos bisfosfonatos aprovados para uso intravenoso para o tratamento da osteoporose pós menopausa na dose de 5mg/ano e 3 mg a cada 3 meses, respectivamente. Em ensaios clínicos controlados com placebo, com duração de três a quatro anos, os bisfosfonatos reduziram significativamente o risco de fraturas osteoporóticas. A redução do risco absoluto de fraturas com o uso de bisfosfonatos depende do risco de base e do local da fratura (vertebral versus não vertebral e quadril).81A,82A,83A,84A,85A,86A

Nesses estudos, os benefícios dos bisfosfonatos superam claramente os riscos. De forma geral, os resultados dos ensaios clínicos randomizados com os bisfosfonatos mostraram redução do risco de fratura vertebral de 40 a 70% e redução do risco de fratura do quadril de 40 a 50%, sempre associados ao cálcio e à vitamina D.87D

Os bisfosfonatos orais devem ser tomados em jejum, 30 a 60 minutos antes da refeição matinal e com um copo cheio de água para que tenham o máximo de absorção e deve?se evitar a posição de decúbito após o uso do fármaco. Existe uma apresentação semanal do risedronato que pode ser tomado junto ou logo após o café da manhã.88D

Nos estudos pivotais com os bisfosfonatos foram relatados eventos adversos comuns como alterações gastrointestinais, inclusive náusea e até esofagite, sintomas flu?like, artralgias a mialgias leves. Em muitos pacientes, esses eventos podem estar relacionados à baixa adesão ao tratamento e afetar a capacidade desses fármacos de reduzir o risco de fraturas.89B

Pacientes com doenças esofageanas e gastrointestinais graves, como a hérnia de hiato, estenose, alterações da motilidade esofageana (esclerose sistêmica, por exemplo), varizes esofageanas e doença de Crohn, devem ter seu uso restringido ou contraindicado. Os pacientes com disfunção renal com clearance de creatinina abaixo de 35 mL/min também devem ter seu uso restrito ou contraindicado, especialmente os idosos e em uso de diuréticos. A hipocalcemia deve ser avaliada e corrigida antes do início do tratamento.90D

Os bisfosfonatos de administração oral (alendronato, risedronato e ibandronato) estão indicados para redução de fraturas vertebrais e de quadril em mulheres com osteoporose pós?menopausa. No estudo que levou a sua aprovação, o ibandronato reduziu apenas fraturas vertebrais, porém em um subgrupo de pacientes como osteoporose mais grave e DMO com T?score abaixo de ?3.0 DP no colo do fêmur, houve significância estatística para redução de fraturas de quadril.91A

O ácido zoledrônico está indicado para redução de fraturas vertebrais, não vertebrais e de quadril em pacientes com osteoporose pós?menopausa.92A

Uso prolongado de bisfosfonatos

A duração ideal do tratamento com bisfosfonatos em pacientes com osteoporose é desconhecida. Dados dos estudos de extensão dos ensaios clínicos maiores sugerem que a terapia com alendronato para além de cinco anos não diminui significativamente o risco de fraturas, exceto o risco de fraturas vertebrais clinicamente diagnosticadas.93A

Além disso, a análise post hoc dos mesmos dados do Estudo Flex revelou que as fraturas não vertebrais foram reduzidas em pacientes tratados com alendronato por 10 anos (em comparação com aqueles tratados por cinco anos) somente naqueles em que o T?score do colo do fêmur permaneceu abaixo de ?2.5 após cinco anos de terapia ou naqueles que já tivessem sofrido uma fratura vertebral.94D

No estudo de três anos de extensão do ácido zoledrônico, efeitos semelhantes foram vistos, com redução significativa no risco de fraturas vertebrais e nenhuma diferença no risco de fraturas não vertebrais e de quadril em pacientes tratados por seis anos em comparação com aqueles tratados por três anos.95A

Os desfechos que se seguem após interrupção do tratamento com risedronato por 2 a 7 anos de tratamento também foram reportados. A descontinuação do uso do risedronato por um ano promoveu aumento dos valores séricos dos marcadores de remodelação óssea em ambos os grupos para valores próximos à linha de base e também diminuição da DMO do quadril total, enquanto as DMOs da coluna lombar e do colo do fêmur permaneceram inalteradas.96A

Devido à característica de acúmulo dos bisfosfonatos no osso e também ao seu uso prolongado, eventos adversos sérios começaram a ser reportados a partir de 2003, como a osteonecrose da mandíbula e as fraturas atípicas subtrocantéricas. A osteonecrose de mandíbula foi relatada primariamente em pacientes com câncer avançado com altas doses de bisfosfonatos. Em estudos randomizados recentes em pacientes com câncer avançado, a incidência de osteonecrose de mandíbula foi de 1 a 2% por ano com o ácido zoledrônico, 10 vezes mais do que em pacientes com osteoporose tratados com o mesmo fármaco.

O outro evento adverso grave descrito é a fratura atípica de fêmur. Uma revisão recente da literatura mostrou que os pacientes apresentam pródromos de dor na coxa em 70% dos casos, fratura bilateral em 28% e retardo da cicatrização em 26%. A etiologia exata e a correlação desses eventos com o uso dos bisfosfonatos não está completamente esclarecida. A ASBMR publicou recomendações sobre esses eventos graves em duas forças?tarefas nos últimos três anos.97D,98D

As preocupações sobre os potenciais efeitos colaterais do uso de bisfosfonatos, juntamente com os dados disponíveis sobre a eficácia em longo prazo levaram a recente reconsideração da duração adequada do tratamento com esses agentes. Em alguns pacientes, um período de “férias” ou interrupção do uso do bisfosfonato tem sido sugerido por especialistas99D e, mais recentemente, endossado em diretrizes da Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos (AACE).90D

Defensores da estratégia das “férias” dos bisfosfonatos argumentam que a eficácia dos bisfosfonatos não foi demonstrada depois dos cinco anos de terapia para a maioria dos pacientes de baixo risco, e que a incidência de efeitos colaterais, como a fratura atípica do fêmur e a osteonecrose de mandíbula, aumenta com o uso prolongado. Uma força tarefa da ASBMR estabeleceu um algoritmo com recomendações sobre o uso prolongado de bisfosfonatos (fig. 3).87D


Figura 3
. Algoritmo de recomendações sobre o uso prolongado de bisfosfonatos. Modificado de Adler RA et al.87

Pacientes em uso de contínuo de corticosteroides (> 7,5 mg/d), com mais de 75 anos ou fratura prévia de quadril, devem ser considerados para continuar o uso bisfosfonatos orais mesmo após cinco anos.70D

Em recente artigo na Revista Brasileira de Reumatologia foi sugerido um algoritmo modificado do ASBMR.100 Esse algoritmo inclui marcadores de reabsorção óssea na tomada de decisão em casos de falta de resposta ao tratamento, o que não é aceito de maneira unânime da literatura.

Recomendação

A eficácia dos bisfosfonatos na redução de fraturas vertebrais, não vertebrais e de quadril em pacientes com osteoporose tem sido demonstrada em ensaios clínicos randomizados de modo a ser considerada classe terapêutica de primeira linha para o tratamento da osteoporose na pós?menopausa. Todos os bisfosfonatos apresentam eficácia na redução do risco de fraturas vertebrais. Por outro lado, somente o alendronato, o risedronato e ácido zoledrônico demonstraram redução significativa no risco de fraturas não vertebrais e de quadril. Os pacientes em uso de bisfosfonatos devem estar plenos de cálcio e vitamina D. Reavaliação da continuação do uso de bisfosfonatos após cinco anos tem sido proposta e levado em conta os riscos e benefícios para cada paciente.

Quais as evidências do uso do denosumabe no tratamento da osteoporose pós?menopausa?

O denosumabe é um anticorpo monoclonal humano (isotipo IgG2) com grande afinidade e especificidade ao ligante do fator do ativador do fator nuclear kappa B (RANK?L), citocina pertencente à família dos fatores de necrose tumoral (TNFs). O denosumabe bloqueia a ligação do RANK?L com o RANK, seu receptor natural, diminui a reabsorção óssea por meio da inibição da formação, ativação e sobrevivência dos osteoclastos e aumenta a densidade mineral óssea.101C

O ensaio clínico pivotal fase III, o estudo Freedom (Fracture REduction Evaluation of Denosumab in Osteoporosis every 6 Months) randomizou 7.808 mulheres 60 a 90 anos (72 ± 5,2) e T?score entre ?2,5 e ?4,0 (coluna lombar ou fêmur), submetidas a tratamento com denosumabe (60 mg subcutâneo cada seis meses por 36 meses) ou placebo e observou redução significativa de 68% do risco de fraturas vertebrais radiográficas no grupo intervenção. Além disso, diminuiu o risco de todas as fraturas não vertebrais em 20% (HR = 0,8; IC95% 0,67?0,95), bem como do fêmur em 40%. Não foi observado aumento no risco de neoplasia, doença cardiovascular, atraso na consolidação de fraturas e hipocalcemia e nenhum caso de osteonecrose de mandíbula. Casos raros de celulite foram observados.102A

O estudo aberto de extensão, em longo prazo, demonstrou incremento contínuo da DMO em coluna lombar e quadril (15,2 e 7,5%, respectivamente). Raros casos de fratura atípica de fêmur e osteonecrose de mandíbula foram observados.103A,104A

Em pacientes com disfunção renal, o denosumabe se mostrou eficaz e seguro, sem necessidade de ajustes de dose, visto que ele não tem eliminação glomerular, porém a hipocalcemia deve ser avaliada e corrigida antes do início do tratamento.105B

Em um estudo comparativo multicêntrico de não inferioridade, fase III, com o alendronato, com duração de 12 meses, 1.189 mulheres na pós?menopausa com T?score em coluna lombar ou quadril total menor do que ?2,0 foram randomizadas para tratamento com denosumabe (60 mg a cada seis meses) ou alendronato (70 mg semanalmente). Foi verificado aumento significante da DMO do fêmur no primeiro grupo (3,5% versus 2,6%, respectivamente).106A Em outro ensaio clínico randomizado de não inferioridade, a transição do alendronato para o denosumabe promoveu aumento significativo da DMO do fêmur total após 12 meses de intervalo, bem como redução da porosidade cortical e dos marcadores de reabsorção nos pacientes que receberam o denosumabe em relação aos do grupo do alendronato.107A

Consistente com seu mecanismo de ação, a descontinuação do tratamento com denosumabe pode ocasionar reversão dos benefícios obtidos (DMO e risco de fraturas). Caso o tratamento com o denosumabe precise ser interrompido, deve?se considerar a troca para outro tratamento da osteoporose. As “férias de tratamento da osteoporose” não se aplicam ao denosumabe.108D

Recomendação

O denosumabe está indicado no tratamento de mulheres com osteoporose na pós?menopausa. Os estudos pivotais mostraram redução significativa de fraturas vertebrais, não vertebrais e de quadril. O denosumabe pode ser utilizado na falha, intolerância ou contraindicação aos bisfosfonatos orais e em situações especiais em primeira linha de tratamento como em pacientes com disfunção renal. Após 10 anos de tratamento, os dados mostraram ganhos contínuos de DMO da coluna lombar e fêmur, bem como redução de fraturas, com o mesmo perfil de segurança descrito previamente, inclusive pacientes com disfunção renal. A descontinuação do tratamento com denosumabe pode levar a reversão dos benefícios obtidos na DMO e aumento do risco de fratura e neste caso deve se considerar a troca para outro tratamento da osteoporose.

Quando recomendar o uso do raloxifeno em mulheres com osteoporose pós?menopausa?

Os moduladores seletivos de receptores de estrogênios, conhecidos internacionalmente pela sigla SERM (Selective Estrogen Receptor Modulator), constituem uma classe de drogas que atua de forma seletiva nesses receptores, exercem efeitos agonistas ou antagonistas em diferentes tecidos?alvo. O raloxifeno, tido como um SERM de segunda geração, tem efeito antirreabsortivo ósseo.109D

No estudo multicêntrico More (Multiple Outcomes of Raloxifen Evaluation), 7.705 pacientes na pós?menopausa (66,5 anos, em média), com diagnóstico de osteoporose, e que não apresentavam história de câncer de mama ou de endométrio foram randomizadas para tratamento com placebo ou 60 ou 120 mg de raloxifeno ao dia.110A Após 36 meses, pôde?se identificar que mulheres submetidas ao tratamento com raloxifeno apresentaram redução significante no risco de fraturas vertebrais em 30 e 50% com doses de 60 e 120 mg/dia, respectivamente (RR = 0,7; IC95% 0,5?0,8 e RR = 0,5; IC95% 0,4?0,7), sem contudo modificar o risco de fraturas não vertebrais e do quadril em relação àquelas que fizeram uso do placebo (RR = 0,9; IC95% 0,8?1,1).110A Foi possível, ainda, observar aumento significante na DMO nos sítios pesquisados. Com relação aos eventos adversos, houve maior risco de tromboembolismo venoso do que no grupo placebo (RR = 3,1; IC95% 1,5?6,2).110A

O aumento da incidência de tromboembolismo venoso (com risco 1,5 a três vezes maior) foi o principal evento adverso sério da terapia com raloxifeno, história prévia de tromboembolismo é contraindicação ao uso desse medicamento. Também foram observadas exacerbação dos sintomas de climatério e discreta redução do câncer de mama nas pacientes do grupo do raloxifeno.110A A redução do risco de câncer de mama foi confirmada em outro grande ensaio clínico em mulheres com alto risco. Raloxifeno está aprovado para a prevenção e o tratamento da osteoporose em mulheres na pós?menopausa e também na redução do risco do câncer de mama em mulheres na pós?menopausa com osteoporose.111B

Recomendação

O raloxifeno na dose de 60 mg/dia está aprovado para a prevenção e o tratamento da osteoporose da coluna vertebral em mulheres na pós?menopausa, sem sintomas climatéricos, promove redução significante de fraturas vertebrais. Também está indicado na redução do risco de câncer de mama em mulheres na pós?menopausa com osteoporose. Não está recomendado para a redução de fraturas não vertebrais e de quadril.

A teriparatida é eficaz e segura no tratamento da osteoporose pós?menopausa?

A teriparatida tem a mesma sequência dos 34 de amino ácidos N? terminais do paratormônio obtida sintética por tecnologia do DNA recombinante (PTH 1?34). E está aprovada para o tratamento inicial da osteoporose pós?menopausa em mulheres com alto risco de fratura ou que tenham falhado ou não toleraram tratamento prévio para a osteoporose.

É considerado um agente anabólico, pois aumenta a formação óssea, em contraste com os outros fármacos aprovados para o tratamento da osteoporose que apresentam ação antirreabsortiva. Está também aprovado para osteoporose induzida por glicocorticoides. Na Europa, também está aprovado o PTH 1?84.112D

O ensaio clínico multicêntrico que levou a aprovação da teriparatida avaliou o risco de fraturas por osteoporose em 1.637 mulheres na pós?menopausa (69 anos, em média) que apresentavam, pelo menos, uma fratura moderada ou duas fraturas vertebrais não traumáticas leves identificadas por meio de radiografia de coluna vertebral. Nesse estudo, as pacientes foram randomizadas para tratamento com teriparatida, por via subcutânea nas doses diárias de 20ug ou 40ug ou placebo.113A Após 24 meses (média de 21 ± 3 meses de seguimento), observou?se redução do risco de novas fraturas vertebrais (RRA = 0,096; IC95% 0,062?0,128; NNT = 10) e não vertebrais (RRA = 0,037; IC95% 0,09?0,067; NNT = 26), mas não de fêmur. Os eventos adversos mais frequentes foram cefaleia, náuseas, cólicas, hipercalcemia, hipercalciúria.113A

Da mesma forma que com TH, SERMs e denosumabe, a interrupção do uso da teriparatida ocasiona perda de massa óssea e, portanto, recomenda?se outra opção de tratamento subsequente para a osteoporose.114B Recentemente, tem sido indicada após fratura atípica por uso de bisfosfonato.115D

Recomendação

A teriparatida está recomendada para o tratamento da osteoporose pós?menopausa em mulheres com alto risco de fraturas, com fraturas prévias ou que tenham falhado ou sido intolerantes a outras formas de tratamento para a osteoporose. Não está indicado para períodos de tratamento superiores a dois anos. Pode ser indicada após fratura atípica por uso de bisfosfonato.

Qual é a evidência para recomendar o regime combinado ou sequencial para tratamento da osteoporose pós?menopausa?

Tratamento combinado

Os resultados de ensaios clínicos de combinação de fármacos de diferentes mecanismos de ação como agentes antirreabsortivos (TH, bisfosfonatos, denosumabe e SERMs) e anabólicos, como a teriparatida e PTH1?84, divergem de acordo com as associações estudadas, embora possam ter argumentos teóricos aceitáveis do ponto de vista científico.

O primeiro estudo duplo?cego randomizado com essa combinação de fármacos foi feito por Black, em 2003, com 238 mulheres na pós?menopausa (119 em uso do PTH 1?84, 60 em uso do alendronato e 59 em regime de uso combinado), por 12 meses. Concluiu que o alendronato interferiu negativamente na ação anabólica do PTH 1?84, quando usado em associação.116A Resultados opostos foram obtidos em ensaio clínico randomizado duplo?cego, de não inferioridade, da combinação da teriparatida e ácido zoledrônico versus teriparatida ou ácido zoledrônico, isoladamente, em 412 mulheres na pós?menopausa (65 ± 9 anos, em média) com osteoporose. Após 52 semanas, houve incremento de 7,5%, 7% e 1,4%, respectivamente, na DMO da coluna lombar e de 2,3%, 1,1% e 2,1%, respectivamente, na DMO do fêmur. Assim, a teriparatida isoladamente teve maior ganho vertebral do que o ácido zoledrônico sozinho e a combinação promoveu maior ganho vertebral e femoral. No entanto, considerando o tamanho da amostra e o tempo de tratamento, o estudo não teve poder estatístico suficiente para avaliar desfechos de fraturas.117A Os eventos adversos de curto prazo, por exemplo, náusea, calafrios, fadiga, febre, artralgia, mialgia e cefaleia, ocorreram com maior frequência nas pacientes submetidas ao uso do ácido zoledrônico (tanto no regime combinado quando isolado), dentro dos primeiros três dias de infusão, ao passo que após esse período, os eventos foram comparáveis entre os três grupos.117A

Dados mais substanciais da terapia combinada são observados no ensaio clínico conhecido como DATA (Denosumab and Teriparatide Administration), que também analisou os efeitos do regime combinado. Nesse estudo inicial, foram randomizadas 100 mulheres na pós?menopausa com osteoporose para receber denosumabe 60 mg ou teriparatida, em doses padrão, ou a combinação. Após 12 meses, houve aumento significativo da DMO vertebral no grupo combinado (9,1%) em comparação com a teriparatida sozinha (6,2%) ou denosumabe em monoterapia (5,5%). Com relação à DMO do fêmur total também houve aumento maior no grupo combinado (4,9%) versus monoterapia com teriparatida (0,7%) ou denosumabe (2,5%). Assim, a terapia combinada pode ser útil em pacientes com alto risco para fraturas, embora não existam dados sobre a redução de fraturas.118B

Importante ressaltar que, até o momento, as evidências apontam, apenas, para os benefícios da combinação sobre os desfechos da DMO e marcadores bioquímicos de remodelação óssea, mas sem dados sobre redução de fraturas, eventos adversos e custos.

Tratamento sequencial

Vários estudos demostraram a rápida perda de DMO após a interrupção do PTH 1?84 e teriparatida.116A,117A Um estudo analisou o ganho na densidade mineral óssea de mulheres submetidas a tratamento com hormônio da paratiroide e, posteriormente, tratamento sequencial com alendronato. Após 12 meses, houve aumento significante da DMO após a terapia sequencial em comparação com aquelas mantidas em monoterapia.119B O tratamento com agentes anabólicos deve sempre ser seguido por um bisfosfonatos, denosumabe, raloxifeno ou TH, pois são usados por períodos de tempo menores do que dois anos e ocorre perda de massa óssea, especialmente na coluna lombar logo após a interrupção do tratamento.

Recomendação

A falta de estudos com desfechos de redução de fraturas, de dados de segurança e o impacto econômico da combinação de fármacos para o tratamento da osteoporose pós?menopausa ainda é desconhecido e, por isso, não pode ser recomendado por essa diretriz. As evidências sugerem que a administração de inibidor de reabsorção óssea, no caso um bisfosfonato, após a interrupção do tratamento com a teriparatida e também com o denosumabe, mantém o beneficio sobre o ganho de massa óssea. Em pacientes de alto risco para fraturas, inclusive aqueles com fraturas prévias ou múltiplas e com resposta inadequada aos tratamentos anteriores, a combinação de fármacos pode ser considerada.

Qual a importância da prevenção secundária na osteoporose?

Pacientes com fraturas osteoporóticas recentes são de alto risco para novas fraturas e, muito frequentemente, não recebem orientação e tratamento após a primeira fratura. Serviços de referência especializados na orientação para prevenção das refraturas têm mostrado bons resultados em termos de custo?benefício, inclusive no Brasil,120B,121D com apoio da IOF.122D

Recomendação

A IOF tem um programa de treinamento e capacitação de serviços de prevenção secundária de fraturas que cresce em todo o mundo (Capture the Fracture® (CTF) network) www.capturethefracture.org. Os serviços especializados no tratamento de fraturas devem ser estimulados a participar.

Este trabalho é uma revisão atualizada, até março de 2017, das diretrizes do tratamento da osteoporose em mulheres na pós?menopausa, feito pela Sociedade Brasileira de Reumatologia com a colaboração da Associação Médica Brasileira (AMB), da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

Conflitos de interesse

Os autores declaram os seguintes possíveis conflitos de interesse (Pesquisa clínica, consultoria, speaker ou outros): Sebastião Cezar Radominski, Amgen, Sanofi, Medley; Ben?Hur Albergaria, Amgen, Sanofi, Organon, Eli Lilly, Novartis, Wyeth, GlaxoSmithKline; Cesar Eduardo Fernandes, Sanofi, Aché; Charlles H.M. Castro, Sanofi, Eli?Lilly, Novartis, Amgen; Cristiano A. F. Zerbini, Amgen,Novartis,Eli Lilly, Sanofi; Diogo S. Domiciano, Novartis, Aché, Sanofi; Laura M. C. Mendonça, Eli?Lilly, Amgen; Luciano de Melo Pompei, Libbs, FMQ, Aché, Amgen; Marco Antônio R. Loures, Amgen; Maria C. O. Celeste Wender, Sanofi; Marize Lazaretti?Castro, Mantecorp, Aché, Sandoz, Sanofi, Eli?Lilly; Rosa M. R. Pereira, Eli?Lilly, EMS, Amgen; Sérgio Maeda, Aché, Hypermarcas, Sanofi, Eli Lilly; Vera Lúcia Szejnfeld, Mantecorp, Aché, Eli Lilly, Amgen, Sanofi; Victoria Z. C. Borba, Mantecorp, Aché, Eli Lilly, EMS. Os outros autores declaram não haver conflitos de interesse.

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O artigo completo na íntegra está disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v21n1/pt_1809-9823-rbgg-21-01-00108.pdf

Guia do Papai

Gravidez
FAQ032, maio de 2016

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Guia do parceiro (papai) para a gravidez

Por que é importante apoiar a gravidez do seu parceiro?

As mulheres que têm um parceiro envolvido e de apoio durante a gravidez são mais propensas a desistir de comportamentos prejudiciais, como fumar e levar uma vida mais saudável. Bebês podem nascer mais saudáveis ??também, com menores taxas de nascimento prematuro e problemas de crescimento. As mulheres que são bem apoiadas durante a gravidez podem ser menos ansiosas e ter menos estresse nas semanas após o parto. Você pode ser solidário, educando-se sobre a gravidez, indo com o seu parceiro para consultas de pré – natal , e juntando-se a ela para fazer escolhas de estilo de vida saudável.

Quanto tempo dura a gravidez?

Uma gravidez normal dura cerca de 40 semanas a partir do primeiro dia do último período menstrual da mulher (DUM) . Semanas de gravidez são divididas em três trimestres . Cada trimestre dura cerca de 3 meses.

Como a data provável do parto é estimada?

A data estimada em que o bebê nascerá é chamada de data provável do parto (DPP) . Esta data é baseada na DUM ou em um exame de ultrassonografia . Os métodos de datação de DUM e ultra-som são frequentemente usados ??em conjunto para estimar o DPP Tenha em mente que apenas 1 em 20 mulheres realmente dão à luz na data estimada de vencimento.

O que acontece durante o primeiro trimestre da gravidez?

Durante o primeiro trimestre (as primeiras 13 semanas), a maioria das mulheres precisa de mais descanso do que o habitual. Eles podem ter sintomas de náusea e vômito. Embora comumente conhecido como “enjôo matinal”, esses sintomas podem ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite. A gravidez precoce pode ser um momento emocional para uma mulher. Mudanças de humor são comuns. Não é incomum que você tenha altos e baixos também. Gravidez e paternidade são grandes mudanças na vida, e pode levar algum tempo para você se ajustar. Ouça seu parceiro e ofereça suporte.

O que acontece durante o segundo trimestre da gravidez?

Para a maioria das mulheres, o segundo trimestre da gravidez (semanas 14 a 27) é o momento em que elas se sentem melhor. À medida que o abdome da parceira cresce, a gravidez se torna mais óbvia. Muitas mulheres começam a se sentir melhor fisicamente. Os níveis de energia melhoram e os problemas matinais geralmente desaparecem. Sua parceira começará a sentir o bebê se mexer. Isso geralmente acontece em cerca de 20 semanas de gravidez, mas isso pode acontecer mais cedo ou mais tarde.

Muitos casais fazem aulas de parto (cursos de preparação para o parto, encontro de casais grávidos) no hospital onde planejam ter o bebê. As aulas são uma ótima maneira de aprender o que esperar durante o trabalho de parto e o parto e como apoiar seu parceiro durante o parto. Você também pode conhecer e conversar com outros pais que estão esperando.

O que acontece durante o terceiro trimestre da gravidez?

O último trimestre (semanas 28–40) costuma ser o mais desconfortável para a sua parceira. Também pode ser um momento muito ocupado enquanto você se prepara para o bebê. Sua parceira pode sentir desconforto quando o bebê cresce e seu corpo se prepara para o parto. Ela pode ter problemas para dormir, andar rapidamente e fazer tarefas rotineiras. É normal que ambos se sintam excitados e nervosos.

Que mudanças de estilo de vida meu parceiro e eu precisamos fazer durante a gravidez?

Sua parceira precisa fazer da sua saúde uma prioridade durante a gravidez e você pode apoiá-la fazendo isso também. Faça refeições saudáveis ??e garanta que ela descanse bastante. Exercício durante a gravidez também é importante. É especialmente importante para o seu parceiro evitar substâncias nocivas, como fumar, álcool e drogas ilegais.

Nenhuma quantidade de álcool é considerada segura durante a gravidez. Drogas ilegais, como heroína, cocaína, metanfetaminas e medicamentos usados ??por uma razão não-médica, podem prejudicar um bebê em desenvolvimento. O uso da maconha não é recomendado durante a gravidez. As mulheres que usam essas substâncias podem ter outros comportamentos prejudiciais, como má-nutrição, que são prejudiciais durante a gravidez.

Eu preciso parar de fumar se minha parceira estiver grávida?

Você e sua parceira devem parar de fumar. Fumar durante a gravidez aumenta o risco de problemas de crescimento fetal e parto prematuro. O fumo passivo também é prejudicial. As mulheres grávidas que respiram o fumo passivo têm um risco aumentado de ter um bebê com baixo peso ao nascer. Bebês e crianças que são fumantes passivas têm taxas mais altas de ataques de asma, infecções respiratórias, infecções de ouvido e síndrome da morte súbita infantil (SIDS) do que aqueles que não são. Por todas estas razões, o tabagismo não deve ser permitido em sua casa ou carro.

É seguro fazer sexo durante a gravidez?

A menos que o médico obstetra ou outro profissional de saúde lhe tenha dito o contrário, você pode fazer sexo durante a gravidez. Você pode precisar tentar novas posições à medida que a barriga de sua parceira cresce. Além disso, tenha em mente que a relação sexual pode ser desconfortável às vezes para a sua parceira.

Como posso ajudar a me preparar para o trabalho de parto?

Há muito que você pode fazer para ajudar a tornar o trabalho de parto e o parto o mais suave possível:

  • Visite o hospital. O passeio é um bom momento para perguntar sobre as políticas do hospital sobre quem pode estar no quarto durante o trabalho de parto e parto, se você pode pernoitar no quarto e se pode tirar fotos ou filmar o parto. Também pergunte sobre áreas de estacionamento no hospital e onde fazer o check-in.
  • Instale um assento de carro voltado para trás. Você não pode levar seu bebê para casa, a menos que tenha uma cadeirinha infantil. Plano para obter um assento de carro voltado para trás bem antes da data de vencimento e verifique se ele está instalado corretamente. O site  http://www.safercar.gov oferece dicas sobre como escolher e instalar o assento do carro que é melhor para seu bebê.
  • Seja vacinado. Se é temporada de gripe, tomar uma vacina contra a gripe. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomendam que todos com 6 meses de idade ou mais recebam a vacina contra a gripe a cada ano. Eles também recomendam que todos os que estiverem em contato com o bebê recebam uma dose de toxóide tetânico, toxóide diftérico reduzido e vacina pertussis acelular (dTPA) pelo menos duas semanas antes.

Como posso ajudar minha parceira durante o trabalho de parto e parto?

Durante esse tempo, você pode

  • Ajudar a distrair seu parceiro jogando jogos com ela ou assistindo a um filme durante o início do trabalho de parto
  • faça caminhadas curtas com ela, a menos que ela tenha dito para ficar na cama
  • verificar suas contrações
  • massagear suas costas e ombros entre contrações
  • oferecer conforto e palavras de apoio
  • incentivá-la durante o estágio de diatação e expulsão

Alguns parceiros decidem não comparecer ao parto e nascimento. Mesmo se você não estiver na sala, seu parceiro receberá muita ajuda durante o trabalho de parto e a entrega da equipe do hospital. Amigos ou membros da família podem oferecer suporte. Você também pode contratar um assistente de parto chamado doula .

Quando podemos levar nosso bebê para casa do hospital?

Depois que o bebê nascer, você provavelmente poderá levar sua nova família para casa após um ou dois dias. Se o seu parceiro teve uma cesariana , ela e o bebê podem precisar ficar no hospital por mais tempo.

O que é depressão pós-parto?

É muito comum que as novas mães se sintam tristes, perturbadas ou ansiosas após o parto. Muitos têm sentimentos leves de tristeza, chamados “baby blues”. Quando esses sentimentos são mais extremos ou duram mais que uma semana ou duas, pode ser um sinal de uma condição mais grave conhecida como depressão pós-parto . Muitas vezes, as mulheres com depressão pós-parto não estão cientes de que estão deprimidas. São seus parceiros que primeiro notam os sinais e sintomas.

Quais são os sinais e sintomas da depressão pós-parto?

A seguir, são sinais de depressão pós-parto:

  • O baby blues não começa a desaparecer após cerca de uma semana, ou os sentimentos pioram.
  • Ela tem sentimentos de tristeza, dúvida, culpa ou desamparo que parecem aumentar a cada semana e atrapalhar sua rotina normal.
  • Ela não é capaz de cuidar de si mesma ou de seu bebê.
  • Ela tem dificuldade em fazer tarefas em casa ou no trabalho.
  • Seu apetite muda.
  • Coisas que costumavam trazer prazer a ela não fazem mais.
  • A preocupação e a preocupação com o bebê são muito intensas, ou o interesse pelo bebê é insuficiente.
  • Ela se sente muito em pânico ou ansiosa. Ela pode ter medo de ficar sozinha com o bebê.
  • Ela teme prejudicar o bebê. Esses sentimentos podem levar à culpa, o que agrava a depressão.
  • Ela tem pensamentos de auto-agressão ou suicídio.

Se seu parceiro mostrar algum desses sinais, informe-lhe sobre suas preocupações. Ouça-a e apoie-a. Ajude a conseguir a ajuda profissional que ela pode precisar.

Você também deve estar ciente de que todos os pais novos podem ter depressão pós-parto. Fale com um profissional de saúde se tiver algum dos sinais.

Como posso me sentir envolvido quando minha parceira está amamentando?

Os especialistas médicos concordam que o aleitamento materno proporciona os maiores benefícios à saúde para a maioria das mulheres e seus bebês. Alguns parceiros sentem-se excluídos quando observam a proximidade da amamentação. Mas se sua parceira escolheu amamentar, existem maneiras de compartilhar esses momentos:

  • Traga o bebê para ela amamentar.
  • Arrume e troque a fralda do bebê.
  • Abrace e dê colo para o seu bebê dormir.
  • Ajude a alimentar seu bebê se seu parceiro bombear seu leite materno em uma garrafa.

Quando é permitido fazer sexo novamente depois que o bebê nasce?

Não há “período de espera” definido antes que uma mulher possa fazer sexo novamente após o parto. Alguns profissionais de saúde recomendam esperar de 4 a 6 semanas. As chances de um problema ocorrer, como sangramento ou infecção, são pequenas após cerca de duas semanas após o nascimento. Se a sua parceiro teve uma episiotomia ou laceração no parto, ela pode ser instruída a não ter relações sexuais até que o local esteja completamente cicatrizado.

Glossário

Cesariana: parto através de incisões cirúrgicas feitas no abdome da mãe e do útero.

Doula: Uma treinadora ou ajudante de parto que dá apoio emocional e físico contínuo a uma mulher durante o trabalho de parto e o parto.

Episiotomia: Uma incisão cirúrgica feita no períneo (a região entre a vagina e o ânus) para alargar a abertura vaginal para o parto.

Data Provável do Parto (DPP): A data estimada em que um bebê nascerá, cm 40 semanas.

Data da última menstruação (DUM): A data do primeiro dia do último período menstrual antes da gravidez que é usado para estimar a data de entrega.

Obstetra: Um médico especializado em cuidar de mulheres durante a gravidez, o trabalho de parto e o período pós-parto.

Pós-parto: Um termo que geralmente se refere às primeiras semanas ou meses após o parto, especificamente 42 dias, sendo chamado de puerpério.

Depressão pós-parto: Sentimentos intensos de tristeza, ansiedade ou desespero após o parto que interferem na capacidade de funcionamento da nova mãe e que não desaparecem após 2 semanas.

Pré-natal: Um programa de cuidados para uma mulher grávida antes do nascimento de seu bebê.

Pré-termo: Aquele bebê que nasceu antes de completar 37 semanas de gravidez.

Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SIDS): A morte inesperada de uma criança e na qual a causa é desconhecida.

Toxóide Tetânico, Toxóide Reduzida de Difteria e Vacina Pertussis Acelular (Tdap): Uma vacina que inclui uma combinação de toxóide tetânico, toxóide diftérico e coqueluche acelular.

Trimestres: Os três períodos de 3 meses em que a gravidez é dividida.

Exame de ultrassonografia: Um teste em que as ondas sonoras são usadas para examinar estruturas internas. Durante a gravidez, pode ser usado para examinar o feto.

Se você tiver outras dúvidas, entre em contato com seu obstetra-ginecologista.

FAQ032: Concebido como uma ajuda aos pacientes, este documento apresenta informações e opiniões atuais relacionadas à saúde da mulher. A informação não dita um curso exclusivo de tratamento ou procedimento a ser seguido e não deve ser interpretado como excluindo outros métodos aceitáveis ??de prática. Variações, levando em conta as necessidades individuais do paciente, recursos e limitações exclusivas da instituição ou tipo de prática, podem ser apropriadas.

Copyright maio de 2016 pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas

Hemorragia Pós-Parto

Resumo

 

Agentes uterotônicos para prevenir hemorragia pós-parto: uma metanálise em rede

Introdução

A hemorragia pós-parto (HPP) é a principal causa de morte materna no mundo. Os uterotônicos podem prevenir a HPP. Recomenda-se o seu uso rotineiro profilático. Existem diversos tipos de uterotônicos para prevenir a HPP, porém ainda se discute qual seria o melhor.

Objetivos

Identificar o(s) uterotônico(s) mais efetivo(s) para prevenir a HPP e criar uma lista hierárquica desses medicamentos baseada na sua efetividade e perfil de efeitos colaterais.

Métodos de busca

Fizemos buscas na: Cochrane Pregnancy and Childbirth Trial Register (em 1 de junho 2015). Também fizemos buscas por estudos em andamento nas plataformas de registros de ensaios clínicos ClinicalTrials.gov e World Health Organization (WHO) International Clinical Trials Registry Platform (ICTRP) (em 30 de junho 2015). Complementamos as buscas avaliando as listas de referências dos estudos identificados.

Critério de seleção

Incluímos ensaios clínicos randomizados ou ensaios clínicos tipo conglomerado (cluster) que avaliaram a efetividade ou os efeitos colaterais de uterotônicos para prevenir a HPP.

Os ensaios clínicos quasi-randomizados e do tipo cross-over não foram incluídos.

Coleta dos dados e análises

Dois autores independentes selecionaram os estudos a serem incluídos, avaliaram o risco de viés e fizeram a extração de dados. Além disso, os autores verificaram a acurácia dos dados extraídos. Estimamos os efeitos relativos e listamos os uterotônicos quanto à sua efetividade para prevenir HPP ? 500 mL e HPP ? 100 mL como desfechos primários. Fizemos metanálises em pares e em rede para avaliar os efeitos relativos e para listar hierarquicamente todos os uterotônicos disponíveis. Para detectar efeitos em subgrupos, estratificamos nossos desfechos primários conforme a via de parto, o risco basal de HPP, o local do parto e a dosagem, o regime e a via de administração do medicamento. Os riscos absolutos da ocitocina foram baseados nas metanálises de proporções dos estudos incluídos nesta revisão. Os riscos dos grupos de intervenção foram baseados no risco presumido nos grupos de ocitocina e nos efeitos relativos das intervenções.

Principais resultados

Esta metanálise de rede incluiu 140 ensaios clínicos randomizados com dados de 88.947 mulheres. Existem dois grandes estudos em andamento. Os estudos foram realizados principalmente em hospitais e recrutaram predominantemente mulheres com mais de 37 semanas de gestação e que deram à luz por via vaginal. A maioria dos estudos foi classificada como tendo risco de viés incerto devido à falta de detalhes sobre o desenho do estudo nas publicações. Isso afetou principalmente nossa confiança quanto às comparações feitas nos estudos envolvendo a carbetocina, mais do que nos estudos com outros uterotônicos.

Os três uterotônicos mais efetivos para a prevenção da HPP ? 500 mL foram a combinação de ergotamina mais ocitocina, a carbetocina e a combinação de misoprostol e ocitocina. Essas três opções foram mais efetivas para a a prevenção da HPP ? 500 mL do que a ocitocina, o uterotônico atualmente recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ergotamina mais ocitocina: razão de risco (RR) 0,69, intervalo de confiança (IC) de 95% 0,57 a 0,83, evidência de qualidade moderada. Carbetocina: RR 0,72, IC 95% 0,52 a 1,00, evidência de qualidade muito baixa. Misoprostol mais ocitocina: RR 0,73, IC 95% 0,60 a 0,90, evidência de qualidade moderada. Com base nesses resultados, cerca de 10,5% das mulheres que recebem ocitocina teriam uma HPP ? 500 mL, comparadas com 7,2% daquelas que recebem uma combinação de ergotamina mais ocitocina, 7,6% daquelas que recebem carbetocina, e 7,7% daquelas que recebem uma combinação de misoprostol mais ocitocina. A ocitocina ficou em quarto lugar, com uma probabilidade cumulativa de cerca de 0% de ser classificada entre os três primeiros uterotônicos para prevenir HPP ? 500 mL.

Os desfechos e a classificação dos uterotônicos para prevenir a HPP ? 1.000 mL foram semelhantes aos da HPP ? 500 mL. Existe evidência de que a combinação de ergotamina mais ocitocina é mais efetiva do que a ocitocina (RR 0,77, IC 95% 0,61 a 0,95, evidência de alta qualidade). Existe menos certeza de efetividade na comparação da carbetocina versus ocitocina (RR 0,70, IC 95% 0,38 a 1,28, evidência de baixa qualidade) ou da combinação de misoprostol mais ocitocina versus ocitocina (RR 0.90, IC 95% 0,72 a 1,14, evidência de qualidade moderada).

Como houve poucos casos de morte materna ou morbidade materna grave nos estudos incluídos, não houve diferença significativa entre os uterotônicos quanto a esses desfechos.

Dois esquemas de uterotônicos tiveram o pior desempenho quanto aos efeitos colaterais. Especificamente, na comparação com ocitocina, a combinação de ergotamina mais ocitocina esteve associada a maior risco de vômitos (RR 3,10, IC 95% 2,11 a 4,56, evidência de alta qualidade, 1,9% versus 0,6%) e de hipertensão (RR 1,77, IC 95% 0,55 a 5,56, evidência de baixa qualidade, 1,2% versus 0,7%), enquanto a combinação de misoprostol mais ocitocina esteve associada com maior risco de febre (RR 3,18, IC 95% 2,22 a 4,55, evidência de qualidade moderada, 11,4% versus 3,6%,). O risco de efeitos colaterais da carbetocina foi semelhante ao da ocitocina. Porém, a qualidade da evidência foi muito baixa para vômitos e para febre. A evidência foi considerada de baixa qualidade para o desfecho hipertensão.

Figura 53

Figura 53

Rankogramas cumulativos comparando cada um dos medicamentos uterotônicos para prevenção de HPP ? 500 mL por risco prévio para HPP (baixo risco).

Figura 55

Figura 55

Rankogramas cumulativos comparando cada um dos medicamentos uterotônicos para prevenção de HPP ? 500 mL por risco prévio para HPP (alto risco).

Figura 61

 

Figura 61

Rankogramas cumulativos comparando cada um dos medicamentos uterotônicos para prevenção de HPP ? 500 mL restritos a estudos com misoprostol que usam uma dose baixa (menor ou igual a 500 mcg).

 

Conclusão dos autores

A combinação de ergotamina mais ocitocina, a carbetocina e a combinação de misoprostol e ocitocina foram mais efetivas do que a ocitocina, que é o padrão de tratamento atual, para a prevenção da HPP ? 500 mL. A combinação de ergotamina mais ocitocina foi mais efetiva do que a ocitocina para a prevenção da HPP ? 1.000 mL. A evidência quanto à combinação de misoprostol mais ocitocina é menos consistente. Isso pode ser devido ao fato de os estudos usarem diferentes vias de administração e doses de misoprostol. Das três primeiras opções, a carbetocina foi o uterotônico com o perfil de efeitos colaterais mais favorável. Porém, os ensaios clínicos com carbetocina eram, na maioria, pequenos e tinham alto risco de viés.

Entre os 11 estudos em andamento, há dois estudos fundamentais para futuras atualizações desta revisão. O primeiro é um estudo multicêntrico da OMS que está comparando a efetividade de carbetocina estável em temperatura ambiente versus ocitocina (intramuscular) para prevenir HPP em mulheres que tiveram um parto vaginal. O estudo envolve cerca de 30.000 mulheres em 10 países. O outro é um ensaio clínico conduzido no Reino Unido (com mais de 6.000 mulheres), com três braços, que está comparando carbetocina versus ocitocina versus a combinação de ergotamina mais ocitocina. Espera-se que ambos estudos sejam publicados em 2018.

As consultas que fizemos com nosso grupo de consumidores indicam que são necessárias mais pesquisas envolvendo outros resultados clínicos da HPP considerados prioritários para as mulheres e suas famílias. Esses resultados incluem a percepção das mulheres quanto a esses remédios, os sinais clínicos de sangramento excessivo, a internação dos bebês em unidades neonatais e a amamentação no momento da alta hospitalar. Os estudos existentes na atualidade raramente avaliam esses resultados. Os consumidores também consideraram os efeitos colaterais dos uterotônicos como importantes. Porém, esses resultados frequentemente não são relatados nos estudos. Estamos desenvolvendo um conjunto de desfechos padrão para HPP que devem ser priorizados nos ensaios clínicos e que poderão ser úteis nas futuras atualizações desta revisão. Recomendamos que os responsáveis por ensaios clínicos pensem em medir esses desfechos para cada um dos medicamentos testados em todos seus futuros estudos. Finalmente, futuras revisões sistemáticas poderiam comparar os efeitos de diferentes doses e vias de administração dos uterotônicos mais efetivos.

Vitamina K na gravidez

Suplementação de vitamina K durante a gravidez para melhorar os resultados: uma revisão sistemática e meta-análise.

Resumo

Para estudar o efeito de suplementação de vitamina K (VK) sozinho ou combinado com outros nutrientes administrados a mulheres grávidas, foi realizada revisão sistemática e metanálise (até 22 de janeiro de 2016, atualizado em 28 de fevereiro de 2018), incluindo outros recursos. Dois revisores avaliaram independentemente ensaios clínicos randomizados ou quase-randomizados para inclusão, extração de dados, acurácia e risco de viés. Incluímos estudos mais antigos de países de alta renda (seis; 21.493 mulheres-recém-nascidos), julgados como risco de viés alto ou pouco claro. Não foi possível avaliar mulheres epilépticas de alto risco, mas mulheres saudáveis ??(diferentes idades gestacionais) que receberam diferentes dosagens e duração de VK. Observamos que muitos desfechos não foram avaliados, como morte perinatal, sangramento materno e utilização de serviços de saúde. Principalmente recém-nascidos foram incluídos onde VK encontrado significativamente eficaz por exemplo. Poucos estudos relataram efeitos colaterais adversos neonatais. A intervenção foi favorável para os soros maternos VK1, mas permaneceu incerta para o sangramento neonatal e outros desfechos. As lacunas existentes na literatura justificam futuras investigações sobre desfechos não avaliados ou inadequadamente relatados.

Conclulsão do artigo:

Com base nesta evidência de revisão, o efeito da VK pré-natal não foi estatisticamente signifcativo para a redução do sangramento neonatal. Esta revisão foi impulsionada principalmente pela necessidade de compilação de evidências sistemáticas sobre a deficiência de VK durante a gravidez, suas dosagens benéficas e morbidades relacionadas em mulheres saudáveis, incluindo aqueles com epilepsia, má absorção e outras condições de saúde, mas a evidência da suplementação de vitamina K até o momento é insuficiente. Embora o suplemento VK não seja necessário na gravidez normal, a deficiência pode ocorrer na epilepsia e em outras condições prejudicadas. Planejamos avaliar esses importantes subgrupos de mulheres, no entanto, nenhum dos estudos incluídos forneceu tais observações, mas incluiu principalmente mulheres saudáveis ??com gravidez não complicada ou excluíram casos críticos das análises, por exemplo. natimortos, anormalidades congênitas e bebês com baixo peso ao nascer (BPN). Acreditamos que o fechamento dessas lacunas de conhecimento é particularmente essencial porque as mulheres grávidas com epilepsia tendem a apresentar um metabolismo problemático ou têm maiores chances de dar à luz recém-nascidos com sangramento precoce e defeitos do tubo neural. Além disso, durante o último século, a dieta humana mudou substancialmente, resultando em níveis extremamente baixos de depósito de VK no corpo humano. A investigação alertou para a ocorrência de resultados adversos se a dieta das mulheres fosse alterada durante a gravidez. Além disso, desfechos como sangramento neonatal e morte neonatal são raros em ambientes de alta renda e podem ser difíceis de serem detectados devido a vários fatores subjacentes, como comportamento de procura de cuidados de saúde, antecedentes socioeconômicos, disponibilidade de dieta e variação sazonal de alimentos. É essencial que esses fatores sejam discutidos em estudos futuros, pois podem influenciar o efeito da intervenção, principalmente em algumas mulheres de minorias e baixa renda. Estudos futuros devem avaliar os resultados que não foram investigados ou relatados inadequadamente, e. sangramento materno e desfechos adversos, preferencialmente usando longo tempo de seguimento, grande tamanho da amostra e inclusão de subgrupos críticos.

DOI: 10.1038 / s41598-018-29616-y

Colina na Gravidez

Ações neuroprotetoras da colina dietética

Resumo

A colina é um nutriente essencial para os seres humanos. É um precursor de fosfolipídios de membrana [por exemplo, fosfatidilcolina (FC)], o neurotransmissor acetilcolina e via betaína, o doador de grupo metil para S-adenosilmetionina. A alta ingestão de colina durante a gestação e o desenvolvimento pós-natal precoce nos modelos de ratos e camundongos melhora a função cognitiva na idade adulta, previne o declínio da memória relacionada à idade e protege o cérebro das alterações neuropatológicas associadas à doença de Alzheimer (DA) e danos neurológicos associados à epilepsia, síndrome alcoólica fetal e condições hereditárias, como Síndromes de Down e Rett. Estes efeitos da colina estão correlacionados com modificações na metilação de histonas e DNA no cérebro, e com alterações na expressão de genes que codificam proteínas importantes para o aprendizado e processamento de memória, sugerindo um possível mecanismo de ação epigenômico. A ingestão dietética de colina no adulto também pode influenciar a função cognitiva através de um efeito da FC contendo ácidos eicosapentaenóico e docosahexaenóico;

1. Colina: um nutriente essencial para os seres humanos

A colina é um nutriente essencial; isto é, juntamente com aminoácidos essenciais, ácidos graxos, vitaminas e minerais, deve ser obtido a partir da dieta para manter a saúde [  ]. Como a colina está presente em muitos alimentos, uma variedade de dietas pode satisfazer a necessidade desse nutriente. Para fins de estimar a ingestão de colina pelas pessoas, os pesquisadores usam um banco de dados disponível no site do Departamento de Agricultura dos EUA que lista os compostos dietéticos que contêm a porção colina (isto é, colina livre, glicerofosfocolina, fosfocolina, fosfatidilcolina, esfingomielina e betaína – um metabólito de colina) [ ]. Como todos esses compostos fornecem colina biodisponível, os estudos sobre a ingestão de colina geralmente se referem à colina total da dieta. As recomendações de ingestão adequada (AI), emitidas pelo Conselho de Alimentos e Nutrição do Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências, exigem uma ingestão diária média de 7,5 mg de colina por kg de peso corporal, mas são maiores durante a gravidez e lactação [  ], dadas as necessidades do feto e do lactente [  ,  ,  ]. Os efeitos patológicos relatados do baixo consumo de colina incluem disfunção hepática em homens adultos [  ], dano muscular [  ] e morte apoptótica de linfócitos [  ] ]. Além disso, o maior consumo de colina ou betaína (um metabólito de colina oxidado e um doador de grupo metil) em adultos está associado à redução do risco de alguns tipos de câncer [  ,  ,  ,  ,  ] (revisado em [  ]).

Demonstrou-se que a colina exerce efeitos neuroprotetores em estudos em animais e humanos. Alta ingestão de colina durante o período perinatal é neuroprotetora em uma variedade de modelos animais de disfunção neuronal, incluindo a resultante do envelhecimento [  ,  ,  ], convulsões [  ,  ,  , ], exposição pré-natal ao álcool [  ,  ,  ,  ,  ,  ] e os distúrbios genéticos da síndrome de Rett [  ,  ,  ,  ] e síndrome de Down [ ,  ,  ,  ,  ,  ,  ]. A suplementação dietética com compostos contendo colina, isoladamente ou em combinação com outros doadores de metil, como folato e vitamina B12, também foi encontrada para melhorar as deficiências neurológicas em modelos animais de acidente vascular cerebral [  ] e isquemia [  ]. Além disso, o alto consumo de colina durante a gravidez está correlacionado com a redução do risco de defeitos do tubo neural em humanos [ , ]. Esta associação foi menos robusta em estudos mais recentes – possivelmente como resultado da adição de colina aos suplementos vitamínicos rotineiramente tomados por mulheres grávidas, e variações na ingestão calórica total diária e intervalos relatados de consumo de colina, nos diferentes estudos [  ,  ]. Demonstrou-se que a ingestão dietética de colina em humanos adultos correlaciona-se com a função cognitiva [  ], e o tratamento com certos compostos contendo colina mostrou uma tendência limitada para reduzir o comprometimento cognitivo em demências vasculares humanas em pequenos ensaios clínicos [  ].

Nesta revisão, resumimos os resultados de estudos em modelos animais e humanos sobre os efeitos da nutrição perinatal da colina no desenvolvimento cerebral, na função cognitiva no adulto e na progressão de várias doenças neurodegenerativas. Também discutimos evidências emergentes de efeitos neuroprotetores do consumo de colina durante a vida adulta. Enquanto nos concentramos na colina, é importante reconhecer que outros nutrientes, como folato, vitamina B12 e vitamina B6, influenciam o metabolismo da colina, e sua disponibilidade pode modificar os requisitos para a colina.

 

2. Nutrição da Colina durante o Desenvolvimento e Função Cognitiva

2.1. Proteção contra o Declínio da Memória Relacionada à Idade e o Avanço do Desenvolvimento do Hipocampo

Em ratos, o alto consumo de colina materna em momentos específicos durante a gravidez (Dias 11–17 embriônicos) aumenta a capacidade cognitiva da prole ao longo da vida [  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ]. Um importante ponto de referência de desenvolvimento, a capacidade de navegar usando pistas relacionais em um labirinto aquático de Morris, foi encontrado três dias antes em ratos suplementados com colina pré-natal [  ]. Acredita-se que a aquisição dessa habilidade sinalize o início da função do hipocampo [ ]. Assim, a suplementação de colina pré-natal causa um avanço de aproximadamente três dias no desenvolvimento do hipocampo. Embora não seja possível conduzir um estudo similar e bem controlado em humanos, dados obtidos pelo projeto Viva em Massachusetts mostram que a ingestão materna de colina dentro da faixa de IA durante a gravidez foi associada com melhor função de memória em crianças aos sete anos de idade filhos de mães cujo consumo foi de aproximadamente 50% dos níveis de IA [  ] ( Figura 1 ). Assim, em humanos, como nos modelos animais, o maior consumo gestacional de colina tem efeitos positivos a longo prazo na cognição durante a infância. No entanto, ainda não se sabe se esses efeitos persistem na idade adulta e na velhice em humanos. Usando um modelo de rato, Meck et al. [ ] alterou a disponibilidade de colina para ratos durante sete períodos de tempo, abrangendo o Dia Embrionário (E) 6 até o Dia Pós-Nascimento (P) 75 e examinou a capacidade de memória espacial em adultos tratados perinatinalmente. Dois períodos sensíveis foram identificados, E12–17 e P16–30, durante os quais a suplementação de colina facilitou a memória espacial. Além disso, a suplementação de colina durante E12-17 apenas impediu o declínio da memória normalmente observado em ratos idosos (26 meses de idade) [  ].

Um arquivo externo que contém uma figura, ilustração, etc. O nome do objeto é nutrients-09-00815-g001.jpg

Relação entre a ingestão de colina durante o segundo trimestre da gravidez e memória visual da prole avaliada por Wide Range Assessment of Memory and Learning, segunda edição (WRAML2). O consumo de colina quartil superior foi associado com uma criança WRAML2 pontuação 1,4 pontos maior do que o quartil inferior (P-tendência = 0,003). Figura criada a partir dos dados em [  ].

2.2. Correlatos celulares, transcriptômicos, proteômicos e epigenéticos da ação neuroprotetora da colina

Durante o desenvolvimento fetal, a deficiência materna de colina inibe a proliferação de células precursoras do hipocampo e estimula a apoptose no hipocampo [  ], enquanto a suplementação de colina gestacional estimula a divisão celular do hipocampo [  ]. No adulto, a neurogênese no giro denteado do hipocampo, processo que ocorre durante toda a vida [  ,  ,  ], é potencializada pela suplementação pré-natal de colina e prejudicada pela deficiência pré-natal de colina [  ,  , ]. Este efeito na neurogênese adulta foi associado a concentrações hipocampais aumentadas dos fatores tróficos fator de crescimento nervoso (NGF), fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), fator de crescimento semelhante à insulina 2 (IGF2) e fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) [  ,  ,  ,  ,  ,  ], aumento do tamanho dos neurônios colinérgicos do prosencéfalo basal [  ] – células necessárias para a função cognitiva normal [  ,  ] – e síntese elevada de acetilcolina e liberação desses neurônios [  ,  , ]. A suplementação de colina pré-natal aumentou a fosforilação da proteína quinase ativada por mitógeno (MAPK) e da proteína de ligação ao elemento de resposta de monofosfato de adenosina cíclico (CREP) 3 ‘, (CREB) em resposta à ativação dos receptores de glutamato no hipocampo [  ]. A cascata de sinalização da MAPK e seus alvos downstream, incluindo o CREB, são atores centrais nos processos subjacentes à plasticidade sináptica e à aprendizagem e à memória [  ]. A indução no hipocampo de potenciação de longo prazo, um correlato eletrofisiológico da plasticidade sináptica [  ], foi similarmente sensível à disponibilidade de colina pré-natal [  , ]. A análise da expressão gênica identificou 530 hipocampos e 815 espécies de mRNA corticais cerebrais cujos níveis foram afetados pelo estado de colina pré-natal [  ]. Os produtos proteicos de um subconjunto desses genes, incluindo quinase 1 e IGF2 dependentes de cálcio / calmodulina, participam de vias de sinalização envolvidas em processos de memória e, portanto, podem contribuir para as alterações induzidas pela colina no desempenho cognitivo (revisado em [  ]) .

Avanços no campo da epigenética forneceram uma estrutura para explicar como as mudanças hereditárias nos padrões de expressão gênica podem ser propagadas durante o desenvolvimento e durante toda a idade adulta, sem alterar a seqüência primária de DNA. A metilação das seqüências de CpG dentro dos elementos reguladores dos genes muda sua expressão através de uma interação com uma complexa rede de proteínas, incluindo fatores de transcrição [  ]. Após a replicação do DNA, a fita filha não metilada no DNA hemimetilado é simetricamente metilada pela enzima DNA metiltransferase 1 (DNMT1) [  ], recapitulando, assim, o padrão de metilação original nas células filhas. O processo de metilação do DNA é dinâmico [ ] e responsivo a mudanças no ambiente, incluindo alterações na disponibilidade de nutrientes. Em particular, a metilação do DNA é modulada pela disponibilidade de nutrientes que servem como doadores e cofatores do grupo metil, como colina, betaína, metionina, ácido fólico e vitamina B12, através de sua influência nos níveis teciduais de S- adenosilmetionina (SAM). dador do grupo metilo para a maioria das reacções de metilação enzimática) (ver [  ] para uma revisão). Kovacheva et al. [  ] avaliaram os parâmetros de metilação do DNA no fígado e no córtex cerebral em E17 em ratos expostos in utero a quantidades variáveis ??de colina (através da dieta fornecida a mães grávidas) começando no E11. Os investigadores concentraram-se na região diferencialmente metilada 2 (DMR2) da Igf2gene, que sofre uma mudança drástica no status de metilação durante o desenvolvimento [  ]. A metilação da DMR2 foi aumentada em embriões deficientes em colina, em comparação com os ratos controle e suplementados com colina, e foi acompanhada por um aumento compensatório na expressão da metilase de DNA de manutenção Dnmt1 . Porque a metilação do DNA é altamente dinâmica no cérebro adulto e pode modular a expressão de genes envolvidos na regulação da plasticidade sináptica [  ,  ,  ,  ,  ] e aprendizagem e memória [  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ], é possível que a disponibilidade dietética de doadores de metila, como a colina, no adulto também se mostre um importante determinante da função cognitiva.

2.3. Ações neuroprotetoras da colina perinatal em modelos animais de doença

2.3.1. Epilepsia

Status epilepticus, um período de crises prolongadas, é uma condição neurológica que produz múltiplas alterações degenerativas e regenerativas no hipocampo [  ]. Essas mudanças são acompanhadas por déficits cognitivos nas tarefas dependentes do hipocampo [  ]. Vários estudos testaram os efeitos da alta ingestão de colina em modelos de rato de epilepsia evocada quimicamente. Em pilocarpina [  ] e ácido kainico [  , ] estado epiléptico induzido, a suplementação pré-natal de colina atenuou os déficits na memória visual-espacial. Além disso, essas ações protetoras da colina foram acompanhadas por uma diminuição na neurodegeneração hipocampal induzida por convulsões e uma redução na proliferação compensatória de células dentro do giro denteado [  ]. Além disso, a suplementação de colina preveniu a perda hipocampal de RNAm de GAD65 [  ], que codifica uma forma da enzima sintetizante do ácido ?-aminobutírico (GABA), a descarboxilase do ácido glutâmico, que está localizada nos terminais nervosos. Como nos outros modelos de roedores [  ,  ,  ,  ,  ,  , ], antes das crises, suplementação de colina também aumentou os níveis de vários fatores tróficos no hipocampo: especificamente, NGF, BDNF e IGF1, indicando que este tratamento nutricional pode estabelecer um meio hipocampal neuroprotetor que atenua a resposta neuropatológica e facilita a recuperação de convulsões para proteger a função cognitiva.

2.3.2. Síndrome de Down

A síndrome de Down, uma forma comum de retardo mental, afeta aproximadamente 1 em cada 700 nascimentos nos Estados Unidos [  ]. O distúrbio é causado pela trissomia do todo ou parte do cromossomo 21, e o aumento resultante na expressão dos genes codificados no cromossomo extra [  ]. Strupp e colegas [  ,  ,  ,  ,  ,  , ] usaram um modelo de camundongo da síndrome de Down (camundongos Ts65Dn) para testar a hipótese de que a suplementação de colina desde a concepção até o desmame poderia prevenir alguns dos déficits neurológicos e cognitivos observados nesses camundongos. O genoma de camundongos Ts65Dn foi projetado para transportar uma terceira cópia da região distal do cromossomo 16 do camundongo, que contém aproximadamente 94 genes ortólogos da região crítica da síndrome de Down do cromossomo humano 21 [  ]. A descendência adulta de barragens Ts65Dn suplementadas com colina teve um desempenho significativamente melhor do que o controle de camundongos Ts65Dn em várias tarefas de atenção visual [  ,  ,  ]. Em algumas dessas tarefas, os camundongos Ts65Dn suplementados com colina não diferiram dos controles do tipo selvagem [ ]. A melhora na cognição espacial se correlacionou com a normalização da neurogênese hipocampal em camundongos Ts65Dn suplementados com colina [  ]. É interessante notar que vários genes no cromossomo 21 estão envolvidos em mecanismos epigenéticos, incluindo aqueles que codificam a proteína DNMT3L do tipo DNA metiltransferase [  ], que é necessária para o estabelecimento de impressões genômicas maternas [  ], e também estimula metilação de novo por DNMT3A [  ]. Nos neurônios do córtex frontal purificados de pacientes com síndrome de Down e controles, 272 genes mostraram metilação diferencial de ilhas CpG; a maioria dos quais foram hipermetilados na síndrome de Down em relação aos controles [  , ]. Um relatório anterior demonstrou que a metilação de DNA global, medido em E17, foi reduzida em córtex frontal de ratos suplementados com colina perinatal, em relação ao controlo e colina embriões deficientes, e isto reflectiu-se numa redução significativa dos níveis de ARNm do Dnmt3l e Dnmt3a [  Estas observações levantam a possibilidade de que a suplementação de colina nos modelos de síndrome de Down possa melhorar a função cognitiva, em parte, opondo-se à hipermetilação que ocorre de outra maneira nos neurônios desses animais.

2.3.3. Síndrome de Rett

A síndrome de Rett é um distúrbio neurológico genético da infância que representa uma forma comum (aproximadamente 1 em 10.000 nascimentos) de retardo mental e afeta quase exclusivamente as meninas [  ]. Geralmente, é causada por uma mutação no gene da proteína de ligação 2 metil-CpG ligada ao cromossomo X ( Mecp2 ) que codifica uma proteína com possíveis papéis na transcrição gênica, organização da cromatina, splicing alternativo e processamento de miRNA [  ]. Vários modelos de ratos com mutações inativadoras de Mecp2foi desenvolvido. Esses camundongos se assemelham a doença humana em que eles são aparentemente normais no nascimento, mas desenvolvem sintomas neurológicos graves dentro de semanas. Em uma série de estudos, Berger-Sweeney e colegas testaram os efeitos da suplementação de colina perinatal em dois modelos de camundongos da síndrome de Rett [  ,  ,  ,  ,  ]. Os camundongos modelo da síndrome de Rett foram suplementados com colina ou sacarina (controles) através do leite materno desde o nascimento até o desmame. A suplementação de colina melhorou a coordenação motora e a atividade locomotora dos machos de Mecp2- null e a força de preensão nas fêmeas, mas não alterou os déficits cognitivos em ambos os sexos [ ]. Essas melhorias na função locomotora foram acompanhadas por aumentos no volume total do cérebro em mulheres e no volume cerebelar em homens [  ]. A suplementação de colina pós-natal aumentou a expressão de NGF no estriado em camundongos nus de tipo selvagem e Mecp2 [  ] e aumentou os níveis cerebrais de aspartato de N- acetil, um marcador de integridade neuronal, em ensaios de espectroscopia de ressonância magnética nuclear [  ]. Estes resultados são consistentes com um efeito da colina sobre a proliferação neuronal aumentada e sobrevivência em ratinhos mutantes. Em camundongos com uma mutação Mecp2 diferente , o tratamento precoce da colina pós-natal preveniu déficits na atividade locomotora [ ], e restaurou a atividade da enzima sintetizadora de acetilcolina, colina acetiltransferase (CHAT), no estriado. Em ambos os modelos de ratinhos, a suplementação de colina aumentou a expressão de ARNm de NGF e BDNF no córtex cerebral e hipocampo [  ,  ]. Em conjunto, esses dados sugerem que a suplementação nutricional com colina pode melhorar a função neuronal em pacientes com síndrome de Rett e, portanto, constitui uma terapia potencial para essa doença.

2.3.4. Esquizofrenia

Para avaliar a possibilidade de o tratamento perinatal da colina poder ser útil na prevenção de determinados transtornos psiquiátricos, Stevens et al. [  ] estudaram os efeitos da suplementação de colina na estirpe de ratinhos DBA / 2, que é usada extensivamente como um modelo de esquizofrenia [  ] -a doença com 60-80% hereditariedade [  ,  ]. Esses camundongos se assemelham a pacientes com esquizofrenia humana, pois apresentam níveis reduzidos de receptores nicotínicos ?7 do hipocampo e déficits na inibição sensorial em resposta a estímulos auditivos repetidos [  ] ]. As barragens de DBA / 2 foram colocadas em dietas de controlo ou suplementadas com colina desde o acasalamento até ao desmame. Os descendentes de mães mantidas na dieta controle exibiram a anormalidade característica no processamento sensorial que também está presente em pacientes com esquizofrenia, enquanto camundongos suplementados com colina apresentaram um fenótipo normal de processamento sensorial [  ], sugerindo que esse tratamento nutricional pode reduzir o risco de esquizofrenia. Este efeito da colina não foi observado em camundongos DBA / 2 com uma ou zero cópias do receptor nicotínico ?7 [  ], sugerindo que a colina perinatal exerce seu efeito no processamento sensorial através de uma ação neste receptor.

2.3.5. Doença de Alzheimer

Mellott et al. [  ] usaram um modelo de rato com DA para examinar os efeitos da suplementação de colina desde a concepção até o desmame na patologia da DA. Esta estirpe de murganho modelo de ADs de APPswe / PS1dE9 (APP.PS1; MGI ID: 3524957) foi modificada para expressar App murino com a sequcia de aminoidos de A1 humana contendo mutaes que causam uma forma familiar de AD (a mutao sueca APPK595N / M596L; APPswe) juntamente com uma forma mutada de PSEN1 (PS1 com exon 9 deletado; PS1dE9) [  ]. Embora nenhum modelo de AD recapitule completamente a doença humana [  ], os camundongos APP.PS1 são caracterizados por: (1) alta produção de peptídeos amiloides A? no cérebro e acúmulo de placas amilóides por 4-6 meses de idade [ ]; (2) deficiências cognitivas [  ,  ,  ,  ,  ]; (3) defeitos colingicos [  ,  ,  ,  ,  ,  ]; e (4) evidência de metilação anormal de vários genes [ ]. A suplementação de colina perinatal reduziu significativamente o número médio de placas de A?42 em camundongos fêmeas e machos APP.PS1 de 9 e 12 meses de idade. Enquanto o número de placas de A?42 aumentou com a idade nos camundongos controle APP.PS1, o número de placas foi mais estável em camundongos suplementados com colina, sugerindo que a síntese, eliminação e / ou agregação de A?42 podem ser alteradas nesses camundongos para prevenir placas adicionais. formação. Um declínio na função colinérgica e expressão diminuída do marcador colinérgico, CHAT, é aparente em humanos e animais idosos [  ,  ,  ], em pacientes com doença de Alzheimer (AD) [  ,  ,  ,  ], e em modelos animais de AD [ ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ]. Assim, tem sido postulado que a neurotransmissão colinérgica anormal, devido à disfunção e / ou degeneração do sistema colinérgico septo-hipocampal, contribui para os déficits de memória observados na idade avançada e na DA [  ,  , ]. Aos 9 e 12 meses, os níveis de proteína CHAT foram significativamente diminuídos nos ratos APP.PS1 fêmeas e machos do grupo controle. A suplementação de colina perinatal evitou essa diminuição, sugerindo que a suplementação de colina pode resgatar a função colinérgica em camundongos com DA. Camundongos APP.PS1 também foram caracterizados por gliose hipocampal [  ,  ,  ]. Essa gliose foi quase eliminada pela suplementação perinatal de colina. Dado que a ativação de células gliais em modelos de camundongos AD e em AD pode ser iniciada por peptídeos A? [ ], é possível que a redução da gliose em camundongos APP.PS1 suplementados com colina perinatal seja secundária à melhora da amiloidose observada nesses animais, embora também seja possível que a alta ingestão de colina durante o desenvolvimento possa ter ações antiinflamatórias em longo prazo. cérebro. Embora este estudo tenha utilizado um modelo de DA causado por genes mutados na doença humana familiar, a grande maioria dos casos de DA é esporádica, sem causas conhecidas, e embora a prevalência de DA seja alarmante, afeta mais de 30% dos indivíduos com mais de 85 anos de idade. [  ], a doença não parece ser um resultado inevitável do envelhecimento. Alguns dos fatores que impedem ou evitam a DA podem ser genéticos; por exemplo, não-portadores do alelo APOE ?4 [  ,  , ,  ] ou indivíduos que herdam o raro alelo APP A673T [  ] podem ser um pouco protegidos. O estudo de Mellott et al. [  ] sugere que a vulnerabilidade à DA pode ser modificada pela nutrição no início da vida.

2.3.6. Transtorno do Espectro Autista

Transtorno do espectro do autismo (ASD) é um grupo heterogêneo de condições de desenvolvimento caracterizadas por interações sociais deficientes, déficits de comunicação verbal e não-verbal, estereotipado, padrões repetitivos de comportamentos e interesses, e inflexibilidade cognitiva na infância, continuando frequentemente na adolescência e idade adulta [  ,  ,  ,  ,  ]. ASD tem alta herdabilidade e estudos genéticos identificaram vários loci que podem aumentar o risco de ASD [  ]. No entanto, o TEA não é um transtorno genético simples e fatores ambientais, como a nutrição materna durante o período periconceptual e durante toda a gravidez e a amamentação, podem contribuir para sua etiologia [  ]. Embora o autismo possa ser exclusivamente humano, modelos animais foram desenvolvidos para imitar alguns dos componentes do distúrbio. Os camundongos inatos BTBR T + Itpr3tf / J exibem fenótipos comportamentais semelhantes ao autismo, com déficits nas interações sociais recíprocas [  ,  ], comunicação prejudicada e comportamentos repetitivos, em comparação com a alta sociabilidade e baixo autoclaramento da cepa de referência C57BL / 6J (B6) [  ,  ,  ,  ]. Langley et al. [ demonstraram que a suplementação de colina materna na dieta em camundongos BTBR durante a gravidez e lactação aliviou comportamentos semelhantes à ansiedade e melhorou déficits no comportamento social em progenitores adolescentes e adultos. Curiosamente, o comportamental genético loci de características quantitativas relacionadas com o fenótipo em ratinhos BTBR contêm genes associados com a neurotransmissão colinérgica ( CHRNA3 , CHRNA5 , e Chrnb4 ), colina ( Pcyt1b , Chpt1Pld1 , e Ppap2c ) e o metabolismo do folato ( MTHFD1 , Mthfs , e Slc19a1 ), bem como a metilação do DNA ( Dnmt3l e Mecp2). Observe que a expressão de Dnmt3l foi modulada pela disponibilidade de colina em outro estudo [  ] e que as mutações no MECP2 causam a síndrome de Rett (ver acima). No geral, os resultados sugerem que a alta ingestão de colina durante o desenvolvimento inicial pode prevenir ou reduzir os déficits no comportamento social e ansiedade em um modelo de camundongo autista.

2.4. Efeitos Neuroprotetores do Consumo de Colina em Adultos: Implicações para o Envelhecimento Cognitivo e Doença de Alzheimer

Apesar do status recentemente adquirido da colina como um nutriente essencial [  ] e sua presença em muitos alimentos [  ], pelo menos 75% dos adultos americanos consomem menos do que os níveis adequados de ingestão (ver acima) [  ,  ,  ,  ,  ]). Um recente exame nacional de exame de saúde e nutrição (NHANES) descobriu que apenas 4% dos homens e 2% das mulheres com idade acima de 71 anos atendem ao valor do AI [ ]. Este foi também o caso de um relato da Coorte de Filhos de Framingham Heart Study (FHS) (FHS Generation 2), que mediu o desempenho cognitivo e a ingestão dietética de colina em 1391 indivíduos livres de demência (idade 61 ± 9 SD). Aproximadamente 75% dos indivíduos neste estudo consumiram menos do que os níveis de AI recomendados de colina [  ], conforme estimado por um Questionário de Frequência Alimentar no qual os participantes relataram quais alimentos haviam comido nos últimos 12 meses.

A ingestão concomitante de colina correlacionou-se positivamente com o desempenho dos sujeitos em tarefas de memória verbal e visual ( Figura 2 ) [  ], e inversamente correlacionada com o volume de hiperintensidade da substância branca, uma medida de ressonância magnética cerebral associada a função cognitiva prejudicada e doença de Alzheimer. doença [  ].

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Relação dose-resposta entre a ingestão diária média de colina e o desempenho de memória verbal e visual em adultos não dementes. Linhas vermelhas indicam intervalo de confiança de 95%. Figura criada a partir dos dados em [  ].

Uma possível explicação para o efeito da ingestão concomitante de colina na cognição em adultos reside na sua função de precursor da fosfatidilcolina fosfolipídica (PC), um dos principais constituintes de todas as membranas biológicas, incluindo aquelas em neurônios e células gliais. A evidência de que o metabolismo fosfolipídico é anormal na DA originou-se de estudos com amostras cerebrais post mortem datadas dos anos 80 e 90 [  ,  ,  , ] que apresentou níveis reduzidos de PC e fosfatidiletanolamina (PE) e níveis aumentados de seus metabólitos, glicerofosfocolina e glicerofosfoetanolamina, respectivamente, no córtex cerebral de pacientes com DA comparados a controles pareados por idade e a pacientes com síndrome de Down, doença de Parkinson e doença de Huntington. doença [  ,  ]. Esses dados, e evidências adicionais de que as regiões do cérebro geralmente livres de placas e emaranhados, como o cerebelo e o cerebelo, são afetados de maneira semelhante [  ], levaram à hipótese de que o defeito fosfolipídico é específico da DA e disseminado no cérebro. Um grande corpo de evidências, relatado desde então, é consistente com este conceito (por exemplo, [  ,  , ,  ,  ,  ,  ,  ]). Além disso, há uma redução dramática e específica em espécies moleculares de PC contendo ácido docosahexaenóico [DHA, 22: 6 n- 3] (PC-DHA) na substância cinzenta do córtex temporal de pacientes com DA em comparação com controles [  ]. O advento de técnicas metabolômicas que permitem análises em grande escala não direcionadas de centenas de compostos combinados com a intensa necessidade de descobrir biomarcadores plasmáticos para DA resultou na descoberta surpreendente de que anormalidades lipídicas na DA não estão confinadas ao cérebro, mas também são evidentes na periferia. plasma sanguíneo [  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ], sugerindo que um biomarcador lipidômico sanguíneo pode ser desenvolvido para a DC prodrômica [  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ,  ] e, mais importante, que um defeito lipídico pode ser um condutor dessa doença. Em particular, as concentrações plasmáticas de espécies de PC com 5 e 6 ligações duplas são consistentemente relatadas como reduzidas em AD prodrômica e / ou franca [  ,  ,  , ,  ,  ]. Dados obtidos por estudos de lípidos da membrana eritrocitária apoiam ainda mais estas noções. Como os eritrócitos vivem por uma média de 120 dias, seus perfis lipídicos refletem o metabolismo lipídico do corpo inteiro ao longo de vários meses [  ,  ], em oposição à visão instantânea obtida a partir de um ensaio de plasma. Em um estudo de Selley [  ], os eritrócitos de pacientes com DA tiveram reduções nas concentrações de PC de 23% e de PC-DHA de 60% em comparação aos controles. Além disso, baixos níveis de fosfolípido eritrócitos n- 3 ácido gordo (eicosapentaenóico [EPA, 20: 5 n-3] e DHA) em uma coorte de idosos foram associados com declínio cognitivo mais rápido do que naqueles com alto teor de eritrócitos n- 3 FA [  ]. Da mesma forma, em uma coorte de idosos, os indivíduos dentro do quartil mais baixo de concentrações de DHA no eritrócito tiveram pior desempenho no teste de memória do que os indivíduos nos quartis mais altos [  ]. Foi observada uma correlação positiva entre a ingestão de DHA e as concentrações plasmáticas de PC-DHA em um estudo da FHS Generation 1, e foi associada a uma redução de 50% do risco de demência nessa coorte [ ]. Curiosamente, em um estudo de intervenção de mulheres jovens consumindo 200 mg / dia de DHA, aumentar a ingestão de colina de 480 mg / dia para 930 mg / dia por seis semanas aumentou as concentrações de PC-DHA no plasma e eritrócitos em 50% e 20%, respectivamente [  ]. Por outro lado, as concentrações plasmáticas de PC-DHA caíram em indivíduos que receberam uma dieta deficiente em colina [  ]. Juntos, esses estudos mostram que os níveis circulantes de PC-DHA estão sujeitos à regulação pelo suprimento dietético de DHA e colina. Além disso, EPA e DHA são transportados através da barreira hematoencefálica do plasma para o cérebro na forma das lisofosfatidilcolinas (LPC), LPC-EPA e LPC-DHA, em um processo que é catalisado por um transportador específico, principal facilitador. domínio da superfamília contendo 2a (MFSD2A) [  , ,  ,  ] ( Figura 3 ). Assim, os níveis plasmáticos dessas espécies de LPC podem governar a taxa de suprimento desses ácidos graxos essenciais ao cérebro, e há indícios de níveis plasmáticos reduzidos de LPC associados à DA [  ,  ]. Estudos de intervenção utilizando ácidos graxos poliinsaturados ou DHA para tratar a demência foram revisados ??recentemente [  ] e a eficácia tem sido observada em alguns desses estudos. Não surpreendentemente, a intervenção precoce funciona melhor, e a resposta ao tratamento pode ser atenuada em indivíduos com o genótipo APOE4 [  ,  ] – o principal fator de risco genético para DA [ ]. Em conjunto, as evidências sugerem que um fornecimento dietético adequado de colina e DHA é necessário para manter os níveis plasmáticos e cerebrais de PC-DHA e pode possivelmente ajudar a retardar o início do declínio cognitivo com o envelhecimento e potencialmente retardar ou melhorar o processo patogênico. em anúncio.

Um arquivo externo que contém uma imagem, ilustração, etc. O nome do objeto é nutrients-09-00815-g003.jpg

Os níveis de PC-DHA dependem da nutrição, síntese hepática e cerebral por PEMT e transporte de LPC-DHA através da barreira hemato-encefálica catalisada por MFSD2A. Os níveis plasmáticos de PC e PC FA espécies moleculares (por exemplo, o PC-DHA) dependam do metabolismo CP hepáticas, o suprimento dietético de colina e n-3 FA, incluindo DHA, e fluxo de PC e LPC entre plasma e tecidos (por exemplo, cérebro). A atividade da PEMT hepática é alta e o fígado produz grandes quantidades de PC-DHA pela metilação da PE para as necessidades de todo o organismo. Este PC-DHA é secretado pelo fígado na circulação como um componente das lipoproteínas. A atividade cerebral de PEMT é relativamente baixa e a PEMT neuronal e glial produz PC-DHA para sustentar as membranas locais. A síntese de PC por PEMT requer três moléculas de SAM que são sintetizadas a partir do aminoácido metionina. Além do PC, a PEMT gera SAH que é hidrolisada à homocisteína. Este último pode ser convertido de volta à metionina por duas vias: uma catalisada pela betaína: homocisteína S- metiltransferase (BHMT) e outra catalisada pela vitamina B12, que requer 5-metiltetrahidrofolato-homocisteínaS-metiltransferase (MTR), na qual o metiltetrahidrofolato é usado como doador de metila. A betaína é o produto da oxidação enzimática da colina. Assim, a colina dietética é usada para produzir PC diretamente e para converter homocisteína em metionina e subsequentemente em SAM. Deste modo, os grupos metilo derivados da colina dietética podem ser utilizados por PEMT para gerar PC-DHA. Evidências recentes indicam que a principal fonte de DHA cerebral é o LPC-DHA – o metabólito desacilado circulante do PC-DHA. O transporte de LPC-DHA do plasma para o cérebro é catalisado por MFSD2A. As setas azuis indicam fluxo e as setas pretas representam vias enzimáticas. Os nomes das proteínas estão em vermelho. O DHA dietético é armazenado principalmente em PE nos tecidos e apenas uma pequena fração é incorporada diretamente no PC. A homocisteína também pode ser convertida em cisteína via cistationina em uma via de transulfuração que inclui duas enzimas que requerem vitamina B6, CBS e CTH. Abreviaturas: BHMT, betaína: homocisteínaS- metiltransferase; CBS, cistationina beta-sintase; CTH, cistationina gama-liase; DHA, ácido docosahexaenóico; FA, ácido gordo; LPC, lisofosfatidilcolina; MFSD2A, domínio da superfamília dos facilitadores principais contendo 2a; MTR, 5-metiltetra-hidrofolato-homocisteína S- metiltransferase; PC, fosfatidilcolina; PE, fosfatidiletanolamina; PEMT, N- metiltransferase de fosfatidiletanolamina ; SAH, S- adenosil-homocisteina; SAM, S- adenosilmetionina.

3. Disponibilidade de Colina, N- Metiltransferase de Fosfatidiletanolamina e Capacidade Cognitiva

A maioria dos PCs poliinsaturados em mamíferos, incluindo PC-DHA, é sintetizada por N-Metiltransferase de fosfatidiletanolamina (PEMT) [  ,  ,  ,  ,  ], que metilados fosfatidiletanolamina (PE) para gerar PC usando SAM como doador de metila ( Figura 3 ) O principal local da síntese catalisada por PEMT do PC-DHA é o fígado [  ,  ,  ,  ], que o segrega na circulação como um componente de lipoproteínas de muito baixa densidade. A atividade PEMT no cérebro é relativamente baixa [ ], e as espécies poliinsaturadas de PC (incluindo PC-EPA e PC-DHA) [  ] que são sintetizadas lá são adequadas apenas para as necessidades locais. A actividade PEMT no cérebro é mais elevada durante o período perinatal e diminui na idade adulta [  ]. A reação PEMT consome três moléculas de SAM para cada molécula de PC produzida e gera três moléculas de S- adenosil-homocisteína (SAH). A HAS é um inibidor da PEMT (revisto em [  ]) e, portanto, para a PEMT estar ativa, a HAS deve ser rapidamente hidrolisada em homocisteína e então remetilada para gerar metionina e, subsequentemente, SAM. Alternativamente, a homocisteína pode ser catabolizada em cisteína via transulfuração dependente de fosfato de piridoxal (vitamina B6) [ ]. Parte da homocisteína hepática derivada da HSA entra na circulação. Isso resulta em uma ligação quantitativa significativa entre a atividade da PEMT hepática e os níveis plasmáticos de homocisteína [  ]. Níveis sanguíneos elevados de homocisteína estão associados a altos níveis plasmáticos de HSA [  ,  ], enquanto a baixa relação SAM / SAH no plasma está fortemente correlacionada com baixos níveis plasmáticos de PC-DHA [  ] e um risco aumentado de DA [  ]. Em 2002, uma avaliação prospectiva de indivíduos da Geração 1 da ESF livres de demência mostrou que elevações nas concentrações plasmáticas de homocisteína ao longo de oito anos antes do início da demência clínica predisseram o desenvolvimento subsequente da DA [ ]. Uma metanálise confirmou esses resultados [  ]. Em um estudo com 29 pacientes com DA e 26 controles, as altas concentrações plasmáticas de HSA e homocisteína que caracterizavam os pacientes com DA estavam associadas a níveis reduzidos de PC-DHA no eritrócito [  ]. Existem duas vias enzimáticas que provocam a remetilação da homocisteína em metionina: uma é catalisada pela vitamina B12, que requer a 5-metiltetrahidrofolato-homocisteína S- metiltransferase (MTR), na qual o metiltetrahidrofolato é usado como doador de metila e o outro é catalisado. por betaína: homocisteína S- metiltransferase (BHMT) (revisado em [  ]). A betaína pode ser derivada da dieta [ ] e também é produzido no fígado pela colina desidrogenase [  ]. Assim, a colina não é o precursor direto do grupo de cabeça de PC, mas, uma vez oxidado para formar betaína, doa um grupo metila à homocisteína para formar metionina, que é então convertida em SAM ( Figura 3 ). Este SAM pode ser usado pelo PEMT para gerar as espécies moleculares de PC do DHA. Em suma, a colina dietética e seu metabolito betaína, assim como folato e vitaminas B6 e B12, via regulação dos níveis de homocisteína e metionina, desempenham papéis centrais na manutenção de níveis adequados de PC-DHA no fígado, plasma e cérebro, e isso, por sua vez, pode moderar o risco de DA em populações humanas.

A importância da PEMT na função cognitiva é ainda mais evidenciada pela evidência de que polimorfismos na atividade afetando a PEMT podem estar relacionados ao risco da DA. O SNP rs7946 G523A causando a substituição de aminoácidos V175M está associado com risco aumentado de AD em um estudo de uma coorte chinesa [  ]. A associação foi particularmente significativa em mulheres e indivíduos que não são portadores do gene APOE4 . In vitro, o TMEP 175M enzima, codificada pelo alelo A associada com AD, é de 35% menos activa do que o TMEP 175V isoforma [ ], sugerindo que os portadores do alelo A podem ter um defeito na produção de PC-DHA. Dado que a DA é mais comum em mulheres do que em homens (com base nos dados da ESF, estimou-se que após os 65 anos de idade, uma em cada cinco mulheres e um em cada dez homens são destinados a desenvolver AD [  ]), associação entre o rs7946 PEMT SNP e AD é particularmente intrigante porque, dependendo de outro PEMT SNP (rs12325817 presente em um íntron), a expressão de PEMT pode ser modulada pelo estrógeno [  ,  ,  ,  ,  ,  ]. Em indivíduos com o alelo G rs12325817, o PEMT hepáticoa expressão é induzida pelo estrogênio, enquanto em pessoas com o alelo C essa resposta é ausente [  ]. Foi proposto que, durante a gravidez e a lactação, a PEMT induzida por estrogênio gera PC e colina necessárias para o desenvolvimento normal do feto e do bebê [  ]. De fato, mulheres jovens com dietas deficientes em colina são resistentes à disfunção do fígado e dos músculos devido à alta atividade de sua PEMT regulada por estrogênio, que produz colina de novo [  ]. Em contraste, esses sintomas são tipicamente observados em homens e mulheres na pós-menopausa em tais dietas [  , ]. Essas observações reforçam estudos anteriores em animais que mostraram que os níveis de PEMT no cérebro são regulados pelo suprimento dietético de colina de maneira sexualmente dimórfica, ou seja, a deficiência de colina aumenta a atividade da PEMT em cérebros de ratos fêmeas, mas não de machos [  ] . Assim, a produção de PC-DHA pode ser modulada por: (1) dieta; (2) actividade PEMT intrínseca determinada pela sua sequência de aminoácidos codificada por alelos PEMT específicos ; e (3) regulação sexualmente dimórfica da quantidade de enzima PEMT expressa no fígado (e possivelmente no cérebro [  ]) devido a PEMTresposta específica do alelo ao estrogênio. Esses dados apontam para fortes associações entre a ingestão dietética de DHA e colina, atividade cerebral PEMT, sexo e fenótipos associados com comprometimento cognitivo e DA.

Embora os estudos resumidos nos parágrafos anteriores ressaltem os benefícios potenciais da ingestão dietética adequada de colina, menos se sabe sobre os possíveis danos do excesso de suplementação de colina [  ]. A adição de componentes da via de metilação, como folato, colina e vitaminas B a certos produtos alimentícios, assim como suplementos dietéticos, coincidiu com o aumento da incidência de doenças relacionadas à alteração da metilação do DNA, incluindo câncer, transtornos do espectro autista e alguns distúrbios neurológicos. em [  ]). Um estudo prospectivo de profissionais de saúde do sexo masculino relatou um aumento do risco de câncer de próstata letal em indivíduos no quintil mais alto de consumo de colina, mesmo após o ajuste para a presença de outros nutrientes que poderiam aumentar o risco de câncer [ ]. Em contraste, vários estudos relataram que a alta ingestão de colina estava associada à redução da incidência de câncer de mama [  ], colorretal [  ] e hepático [  ]. Está claro que mais estudos em humanos serão necessários para refinar nossa compreensão do que constitui a ingestão ótima de colina em vários estágios da vida, e como isso pode ser afetado por polimorfismos nos genes responsáveis ??pelo metabolismo da colina.

4. Conclusões

Foi demonstrado que a alta ingestão de colina durante a gestação e o período pós-natal precoce melhoram o desempenho cognitivo na infância, na idade adulta e na velhice em múltiplos modelos animais e em alguns estudos em humanos. Além disso, a colina é neuroprotetora em uma variedade de modelos experimentais de danos neuronais. A ingestão de colina na idade adulta também pode ser crítica para a função cognitiva normal nas pessoas. O fornecimento materno de colina durante a gravidez modifica o DNA fetal [  , ] e a metilação das histonas [ ], implicando um mecanismo epigenômico nesses efeitos a longo prazo. Embora esses mecanismos epigenômicos também possam operar no adulto, os efeitos da colina na dieta tanto durante o desenvolvimento quanto no cérebro adulto também podem ser mediados, pelo menos em parte, por uma influência no metabolismo periférico e central de espécies poliinsaturadas de PC. Tomadas em conjunto, as evidências disponíveis apoiam fortemente a noção de que a ingestão adequada de colina durante a gravidez e ao longo da vida é um importante determinante do desenvolvimento cerebral, desempenho cognitivo no adulto e resistência ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento e doença neurodegenerativa.

Referências

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Tóxicos na Gravidez

Exposição pré-natal a bisfenóis e parabenos e impactos na fisiologia humana.

Resumo

Nas sociedades modernas, organismos vivos são expostos diariamente à poluição causada por produtos químicos industriais. Algumas dessas substâncias mostraram afetar o sistema endócrino e foram denominadas desreguladores endócrinos (DEs). Bisfenol A (BPA), que pode estar presente em materiais plásticos e parabenos, utilizados em produtos cosméticos, estão entre os mais bem estudados. O desenvolvimento pré-natal é uma fase vulnerável da vida humana, e interrupções durante este período podem ter consequências para toda a vida. Uma vez que se sabe que os DEs atravessam a barreira placentária e que o BPA pode acumular-se no feto, os produtos “isentos de BPA” foram introduzidos no mercado. No entanto, esses produtos geralmente contêm bisfenóis alternativos (por exemplo, BPS, BPF) que ainda não foram extensivamente examinados ou regulamentados. Além disso, os bisfenóis alternativos ocorrem frequentemente em conjunto com o BPA. O organismo humano é assim exposto a uma mistura de DEs, alguns dos quais podem ter efeitos aditivos ou sinérgicos. Descobertas recentes também mostraram que a exposição ao parabeno pode alterar a farmacocinética do bisfenol. Levando-se em consideração a ampla ocorrência de vários DEs e a multiplicidade potencial de seus efeitos, doses de DEs atualmente consideradas seguras podem não ser tão seguras quanto parecem, especialmente durante a gravidez .

Fonte: http://www.biomed.cas.cz/physiolres/pdf/66/66_S305.pdf


 

Fenóis e parabenos em relação aos hormônios reprodutivos e tireoideanos em gestantes.

Resumo

INTRODUÇÃO:

Os fenóis e parabenos são contaminantes ambientais onipresentes. Evidências de estudos com animais e humanos sugerem que eles podem ser disruptores endócrinos. No presente estudo, examinamos associações de fenóis e parabenos com hormônios reprodutivos e tireoidianos em 106 gestantes recrutadas para a coorte prospectiva, “Site de Testes de Exploração de Contaminação em Porto Rico (PROTECT)”.

MÉTODOS:

Biomarcadores de exposição urinária (bisfenol A, triclosan, benzofenona-3, 2,4-diclorofenol, 2,5-diclorofenol, butil, metil e propil parabeno ) e níveis de hormônios séricos [estradiol, progesterona, globulina de ligação a hormônios sexuais (SHBG), triiodotironina livre (T3L), tiroxina livre (T4L) e hormônio estimulador da tireoide] foram medidos em até dois momentos durante a gravidez (16-20 semanas e 24-28 semanas). Usamos modelos mistos lineares para avaliar as relações entre os biomarcadores de exposição e os níveis hormonais durante a gravidez, controlando para gravidade específica urinária, idade materna, IMC e educação. Nas análises de sensibilidade, avaliamos as relações transversais entre a exposição e os níveis hormonais estratificados pela visita de estudo usando regressão linear.

RESULTADOS:

Um aumento na concentração de metilparabeno foi associado com um aumento de 7,70% (95% IC 1,50, 13,90) em SHBG. Além disso, um aumento da concentração no butilparabeno foi associado com uma diminuição de 8,46% (IC95% 16,92, 0,00) do estradiol, bem como uma diminuição de 9,34% (IC 95% -18,31, -0,38) em estradiol / progesterona. Por outro lado, um aumento da concentração no butilparabeno foi associado a um aumento de 5,64% (IC95% 1,26, 10,02) no T4L. A progesterona foi consistentemente associada negativamente aos fenóis, mas não alcançou significância estatística. Após a estratificação, metil e propilparabeno foram negativamente associados com estradiol no primeiro momento (16-20 semanas) e positivamente associados com estradiol no segundo momento (24-28 semanas).

CONCLUSÕES:

Dentro dessa coorte de nascimentos em andamento, certos fenóis e parabenos foram associados a níveis alterados de hormônios reprodutivos e tireoidianos durante a gravidez . Essas mudanças podem contribuir para efeitos adversos à saúde das mães ou de seus filhos, mas pesquisas adicionais são necessárias.

Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5071140/pdf/nihms805439.pdf

 

 

Aleitamento Materno

 

Como fazer uma boa pega no peito

A pega correta do bebê no peito da mãe é um dos principais fatores para o sucesso da amamentação. O bebê tem que abrir um bocão bem grande, parecendo uma boca de peixinho, para abocanhar o máximo possível do seio. Veja no vídeo do BabyCenter como estabelecer uma boa pega e não sentir dor ao dar de mamar.

5 posições simples para amamentar

Confira neste vídeo do BabyCenter cinco posições fáceis e confortáveis para amamentar seu bebê: tradicional, invertida, debaixo do braço, deitada ou reclinada. Veja como se acomoda melhor para dar de mamar.

8 sinais de que o bebê está com fome

Veja neste vídeo do BabyCenter como identificar os sinais de que o bebê está com fome para mamar. Se reconhecer logo a fome, a mamada será mais tranquila para vocês dois.

As mudanças nos seios durante a gravidez

O peito da mulher muda bastante já durante a gravidez, nos preparativos para a amamentação. Confira no vídeo do BabyCenter como ocorrem essas mudanças nos seios e nos mamilos.

 


??Cada mulher é única, tem suas características e quando o assunto são os seios, a verdade é que existem vários tipos, que variam no formato, nas aréolas e também nos tamanhos (mesmo as publicidades de sutiãs e desodorantes mostrando sempre aqueles perfeitos e de circunferência impecável)
?.
??Mas vale lembrar que não existe uma regra para seio mais bonito ou feio. Você é livre para fazer o que quiser com o seu corpo, mas o ideal é aprender a amá-lo do jeito que ele é! E sim, alguns tipos de plásticas mamárias podem dificultar o aleitamento materno ??
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*?? Atenção para a mama tuberosa que possuiu menor quantidade de parênquima mamário e é relacionado com dificuldade na amamentação
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??Mama ideal na lactação é aquela que consegue amamentar. E melhor do que uma mama que literalmente amamenta é uma mãe que ama e que cuida do seu bebê, independente de amamentação. Portanto, se por acaso você não conseguiu amamentar, poderá continuar a amar e a cuidar do seu bebê, você em foi escolhida por Deus pra ser a mãe ideal desse bebê. É como sempre escrevo, a melhor vitamina, o melhor alimento, o melhor remédio, é o AMOR! Ame intensamente, viva a vida como deve ser vivida, minimize as dificuldades e enxergue todas as coisas boas na sua frente! Honre seu passado, tudo foi aprendizado e como diz @andreiafriques : “Olhe pra cima??, olhe pra baixo (suas raízes), olhe pra dentro?? e olhe pra frente??!!!
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??”Amamente”, e se não der, Ame e mentalize que tudo vai dar certo!!!
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#smam2020 #euapoioaleitamentomaterno #aleitamentomaterno #ginecologiaeobstetríciaintegrativaefuncional


Aproveitando a #SMAM2019, resolvi falar sobre a importância da Doação de Leite Humano! Toda mulher que amamenta é uma possível doadora e a única exigência é estar saudável, não tomando nenhum medicamento que interfira na amamentação.
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É superimportante a gente abordar esse tema pois o leite materno ajuda a salvar a vida de muitas crianças prematuras, de baixo peso, internadas e que não podem ser alimentadas diretamente no seio da mãe pois aumenta as chances deles se recuperarem mais rápido, além de protegê-los de infecções, diarreias e alergias. Um litro de leite doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. Dependendo do peso do prematuro, 1 ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez em que ele for alimentado. Ou seja, qualquer quantidade de doação já irá ajudar MUITO!
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Engana-se quem acredita que a doação pode provocar falta de leite! Quanto mais a mulher amamenta ou esvazia as mamas, mais leite ela irá produzir.
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Espalhe estas informações! Incentive outras mamães que podem a doarem o seu leite! E quem não amamenta também pode ajudar os bancos de leite doando potes de vidro com tampas plásticas. Procure o Banco de Leite Humano mais próximo e contribua!
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EXISTE LEITE FRACO?
? Mito! Sabia que até uma mãe com desnutrição leve ou moderada é capaz de produzir um bom leite? O leite materno tem todas as substâncias na quantidade certa para o bebê crescer e se desenvolver. O leite do início da mamada é mais “ralo”, (contém +água, +vitaminas, +sais minerais e -gordura). O leite do fim da mamada é mais grosso. O bebê precisa DOS DOIS!
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O TEMPO DE AMAMENTAÇÃO DEPENDE DE CADA CRIANÇA
? Verdade! Alguns bebês são rápidos, levam de 5 a 10min. Outros, levam até 40 minutos! A mãe deve continuar até que o bebê perca o interesse, pois é ele quem vai determinar o tempo.
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DAR DE MAMAR FAZ OS PEITOS CAÍREM!
? Mito! A queda vai depende de vários fatores: hereditários, idade, aumento de peso, musculatura de sustentação. A própria gravidez causa mudança na forma e posição.
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SEIOS PEQUENOS PRODUZEM MENOS LEITE
? Mito! Tamanho não é documento!
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MÃES QUE TÊM ANEMIA PODEM AMAMENTAR
? Verdade! Mas é necessário que procurem um tratamento. O médico pode receitar a medicação adequada, orientar a dieta e a mãe continuar amamentando.
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EXISTE UMA POSIÇÃO IDEAL PARA AMAMENTAR
? Mito! A melhor posição é sempre aquela que é mais confortável para a mãe e para o bebê.


Você sabia que existem “tipos” diferentes de leite materno? Ele passa por mudanças ao longo dos primeiros dias e meses de vida do bebê! Ou seja, o que muda mesmo é a COMPOSIÇÃO que varia de acordo com a idade da criança (além de outros fatores como a alimentação da mãe etc).
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? O colostro é produzido logo após o nascimento do bebê. Geralmente, é secretado entre os três e cinco primeiros dias. Contém os mesmos nutrientes do leite maduro, porém com ainda mais proteínas, mais anticorpos e menos gordura. É considerado a “primeira vacina do recém-nascido”, pois o protege contra uma série de doenças e o alimenta muito bem!
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? A maturação do leite ocorre aos poucos, portanto, ele se modifica de forma gradual e progressiva. O leite de transição é rico em gordura e lactose, enquanto o volume de proteínas e prebióticos diminui (fibras que estimulam o crescimento de bactérias saudáveis no intestino e auxiliam no seu funcionamento).
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? O leite maduro é o estágio final e definitivo, onde ele atinge todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento físico e cognitivo do bebê. A composição é um equilíbrio perfeito entre macronutrientes (proteínas, lipídios e carboidratos) e micronutrientes (vitaminas e minerais).
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Vale lembrar que a composição do leite humano não é constante, pode mudar a cada mamada, principalmente no que diz respeito à proporção de gordura! Às vezes é mais fino e aguado, outras vezes é mais grosso, cremoso (mais gorduroso). CONFIE NO SEU ORGANISMO!

 


Continuando as postagens em comemoração a #SMAM2019, o tema hoje é a IMPORTÂNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO!
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? O Ministério da Saúde recomenda apenas leite materno nos seis primeiros meses de vida do bebê. Ele não precisa comer ou beber mais nada – nem mesmo água! O leite possui tudo o que é necessário para a criança estar nutrida, crescer e se desenvolver com saúde.
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? Os benefícios são MUITOS! A criança estará protegida contra alergias e infecções e será fortalecida com os anticorpos da mãe (o que evita problemas como diarreias, pneumonias, otites e meningites). Além de fazer bem para os ossos e e fortalecer os músculos da face, facilitando o desenvolvimento da fala no futuro.
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Mas sabia que não são só os bebês que ganham com a amamentação?
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? A mãe que amamenta volta mais rapidamente ao seu peso normal e diminui os riscos de desenvolver anemia, osteoporose, doenças cardíacas, câncer de mama e de ovário, depressão e hemorragia pós-parto.
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? O contato carinhoso entre a mamãe e o bebê é muito prazeroso, cria um vínculo e proporciona maior união entre eles. No processo acontece a liberação de endorfinas, o que aumenta a sensação de prazer e felicidade para a mulher, melhorando a sua autoestima!
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Não restam dúvidas que o #aleitamentomaterno traz inúmeros benefícios ao bebê, a mãe e a sociedade, como um todo.
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#amamentação #amamentar #amarmentar #amorliquido #leitematerno #maternidadereal


Hoje, 01 de agosto, é comemorado o Dia Mundial da Amamentação e começamos a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM). Para celebrar, trarei vários debates importantes sobre o tema durante os próximos dias!

? Vamos começar falando sobre o tema deste ano: “Capacite os pais e permita a amamentação, agora e no futuro!”. Ele foi escolhido com o objetivo de incluir todos os tipos de pais da sociedade, ultrapassando as barreiras de gênero e incentivando a integração de todos.

? É uma campanha celebrada por mais de 120 países! Todos unidos para relembrar a importância da lactação.

? Além do tema central de 2019, a SMAM busca estabelecer metas pelo direito da mulher em amamentar de forma segura, encorajando também a participação da sociedade, profissionais da saúde e profissionais da educação a se envolverem (antes, durante e ao longo de toda a maternidade!). O aleitamento, ao contrário do que muitos pensam, demanda um aprendizado pela mãe, pelo bebê e até pela própria família. Não é facil. A mãe precisa de apoio e acolhimento! Como foi a SUA experiência durante este período? Comente aqui e ajude outras mamães que podem estar passando pelo mesmo! ?
#SMAM2019 #amamentação #amamentar #aleitamentomaterno #amarmentar #amorliquido #leitematerno #maternidadereal


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Parabéns a todas as mamães e demais colaboradores que apóiam o aleitamento materno
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“O LEITE MATERNO É O MELHOR ALIMENTO PARA O SEU BEBÊ DEVENDO SER OFERTADO DE FORMA EXCLUSIVA NOS PRIMEIROS SEIS MESES DE VIDA. NÃO OFERECER NESTE PERÍODO CHÁS, ÁGUA, SUCO, BICO, CHUPETAS OU LEITE ARTIFICIAL. APÓS O SEIS MESES O ALEITAMENTO PREFERENCIALMENTE DEVE SER MANTIDO E OUTROS ALIMENTOS SÃO INSERIDOS DE FORMA GRADATIVA”
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Colabore: a luta para uma alimentação saudável começa intra-útero e logo após o parto!!!
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AMAMENTAÇÃO: um ato de amor!!!??


 

Todo obstetra deve ser incentivador do aleitamento materno. É uma das mais importantes medidas de saúde pública para a saúde infantil, combatendo a morbimortalidade neonatal e infantil. O leite materno deve ser oferecido de forma exclusiva até o sexto mês de vida.

 

Dez passos para o sucesso do aleitamento materno

Passo 1 – Ter uma política de aleitamento materno escrita que seja rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde;

Passo 2 – Capacitar toda a equipe de cuidados de saúde nas práticas necessárias para implementar esta política;

Passo 3 – Informar todas as gestantes sobre os benefícios e o manejo do aleitamento materno;

Passo 4 – Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento; conforme nova interpretação: colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães, imediatamente após o parto, por pelo menos uma hora e orientar a mãe a identificar se o bebê mostra sinais de que está querendo ser amamentado, oferecendo ajuda se necessário;

Passo 5 – Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação mesmo se vierem a ser separadas dos filhos;

Passo 6 – Não oferecer a recém-nascidos bebida ou alimento que não seja o leite materno, a não ser que haja indicação médica e/ou de nutricionista;

Passo 7 – Praticar o alojamento conjunto – permitir que mães e recém-nascidos permaneçam juntos – 24 horas por dia;

Passo 8 – Incentivar o aleitamento materno sob livre demanda;

Passo 9 – Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a recém-nascidos e lactentes;

Passo 10 – Promover a formação de grupos de apoio à amamentação e encaminhar as mães a esses grupos na alta da maternidade; conforme nova interpretação: encaminhar as mães a grupos ou outros serviços de apoio à amamentação, após a alta, e estimular a formação e a colaboração com esses grupos ou serviços.

Fonte: http://portalms.saude.gov.br/saude-para-voce/saude-da-crianca/aleitamento-materno/dez-passos-para-o-aleitamento-materno#

 


Ciência & Saúde Coletiva

SILVA, Cristianny Miranda e et al. Práticas educativas segundo os “Dez passos para o sucesso do aleitamento materno” em um Banco de Leite Humano. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol.22, n.5, pp.1661-1671. ISSN 1413-8123.  http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232017225.14442015.

Resumo

Este artigo objetivou avaliar práticas educativas segundo os “Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno” em Banco de Leite Humano. Estudo retrospectivo com informações sociodemográficas e gestacionais maternas e referentes ao bebê, obtidas de protocolo de atendimento de nutrizes (2009-2012). Tais dados foram associados aos passos relacionados a práticas educativas dentre os “Dez Passos”. Realizou-se análise descritiva, teste qui-quadrado e regressão de Poisson. Foram avaliadas 12.283 mães, com mediana de 29 (12-54) anos de idade. As orientações recebidas sobre amamentação no pré-natal (passo 3) prevaleceram entre mães de 30-39 anos e o contato pele/pele (passo 4) entre as orientadas. O treinamento sobre amamentação (passo 5) predominou entre aquelas que amamentaram exclusivamente. Notou-se maior prevalência de amamentação exclusiva (passo 6) e sob livre demanda (passo 8) e uso de bicos artificiais (passo 9) entre os lactentes de mães orientadas. Os achados apontam importante papel do profissional da saúde no treinamento mãe/filho sobre aleitamento materno e incentivo ao contato pele/pele, amamentação exclusiva e sob livre demanda. As orientações ofertadas necessitam aprimoramento a fim de reduzir o uso de bicos artificiais e potencializar a amamentação exclusiva.