Ecocardiografia Fetal

Diretriz Brasileira de Cardiologia Fetal – 2019

Pedra SRFF, Zielinsky P, Binotto CN, Martins CN, Fonseca ESVB, Guimarães ICB et al. Diretriz Brasileira de Cardiologia Fetal – 2019.
Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):600-648.

Disponível em : http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11205/pdf/11205023.pdf

2.2.1. Etapa 1 – 1º Andar: Avaliação do Abdome para Determinar o Situs Cardiovisceral
Esta projeção é identificada por um corte transverso do abdome fetal, na região subdiafragmática, e permite determinar o situs abdominal. É necessário, inicialmente identificar os lados direito e esquerdo do feto; em seguida, deve-se confirmar que o estômago está no lado esquerdo fetal e o fígado, à direita. Além disto, deve-se observar que a aorta descendente encontra-se posterior e à esquerda, próxima ao corpo vertebral, e a veia cava inferior está anterior e à direita, dentro do parênquima hepático.

2.2.2. Etapa 2 – 2º Andar: Projeção de Quatro Câmaras

Esta projeção é obtida com um corte transversal do tórax fetal imediatamente acima do diafragma. Observa-se o coração ocupando um terço do tórax, e sua maior parte está situada no hemitórax esquerdo, com a ponta voltada para a esquerda. O septo interventricular deve fazer um ângulo de, aproximadamente, 45º com a linha média.

O primeiro passo para a análise cardíaca fetal é a identificação da coluna vertebral. Oposta à coluna está a parede anterior do tórax, ou esterno. Abaixo está o ventrículo direito, caracterizado pela banda moderadora e pela valva tricúspide, localizada alguns milímetros deslocada para o ápice. Voltando à coluna, a aorta descendente é vista anteriormente como um círculo no mediastino e, à sua frente, está o átrio esquerdo. O átrio esquerdo está próximo à aorta descendente e pode ser identificado pelo movimento característico do retalho do forame oval. Outras estruturas intracardíacas, como o átrio direito e o ventrículo esquerdo, podem então ser analisadas. Devem ter dimensões semelhantes às das câmaras contralaterais. As valvas atrioventriculares devem ser analisadas em relação ao seu movimento e tamanho do anel valvar.

Em resumo, a análise da visão de quatro câmaras deve incluir os seguintes pontos de referência:

  • Coluna vertebral.
  • Aorta descendente em plano transverso.
  • Átrio esquerdo próximo à aorta descendente e com o retalho do forame oval em movimento.
  • Ventrículo direito com o ápice “preenchido” por um pedaço de músculo chamado banda moderadora.
  • Dois átrios de tamanho semelhante.
  • Dois ventrículos de tamanho, espessura e contratilidade semelhantes (o ventrículo direito pode ser ligeiramente maior).
  • Os septos interatrial e interventricular unem as valvas atrioventriculares no meio do coração, sugerindo a imagem de uma cruz, a “crux cordis”.
  • O septo interventricular deve estar íntegro e fazer um ângulo de aproximadamente 45º com a linha média do corpo.
  • Duas valvas atrioventriculares com orifícios de abertura iguais. A inserção do folheto septal da valva tricúspide está mais próxima do ápice cardíaco, resultando em uma diferença mínima no nível de implantação do folheto anterior da valva mitral. Às vezes, essa diferença é bastante sutil, resultando em grandes dificuldades na exclusão do diagnóstico de defeito do septo atrioventricular e junção valvar AV única.
  • O septo interatrial pode ser visualizado com o forame oval e seu retalho, inclinando-se com o AE.
  • A drenagem das veias pulmonares no átrio esquerdo deve ser identificada na visão bidimensional e confirmada pelo Doppler colorido ou power Doppler.

A falha em obter uma visão normal de quatro câmaras durante a ultrassonografia obstétrica é uma indicação absoluta para o ecocardiograma fetal. Como a visão de quatro câmaras não inclui o exame das saídas dos ventrículos direito e esquerdo, doenças importantes como transposição das grandes artérias, tetralogia de Fallot (TOF), tronco arterioso comum, entre outras, podem passar despercebidas.Tabelas 2.2 e2.3 mostram as diferentes cardiopatias comumente associadas com vistas normais e anormais de quatro câmaras, respectivamente.

2.2.3. Etapa 3 – 3º Andar: Via de Saída do Ventrículo Esquerdo
As vias de saída com suas respectivas artérias são visualizadas a partir da projeção de quatro câmaras, basculando-se o transdutor em direção ao polo cefálico do feto. A primeira via de saída encontrada por esta manobra é a de saída do ventrículo esquerdo na projeção de cinco câmaras, que se posiciona à esquerda, com angulação de saída da aorta voltada para a direita, em direção ao ombro direito do feto. Este corte permite a visualização da continuidade do septo membranoso com a parede anterior da aorta, que é crucial para se afastar a possibilidade de cavalgamento
da aorta, característicos da T4F, tronco arterioso comum entre outras anomalias complexas.

2.2.4. Etapa 4 – 4º Andar: Via de Saída do Ventrículo Direito
Após a demonstração da via de saída do ventrículo esquerdo, atingimos a segunda via de saída, que é a do ventrículo direito. A via de saída do ventrículo direito “abraça” a via de saída do ventrículo esquerdo e, ao dar origem à artéria pulmonar, tem angulação cruzada e dirige-se da direita para a esquerda. As grandes artérias são simétricas no início da gestação, sendo que, ao longo
dos segundo e terceiro trimestres, a artéria pulmonar passa a ser discretamente maior que aorta.

2.2.5. Etapa 5 – 5º Andar: Projeção dos Três Vasos
Esta é uma forma especial de se analisar a artéria pulmonar emergindo do ventrículo direito e permite notar sua relação espacial com a aorta e a Veia Cava Superior (VCS). Continuando-se com imagens transversas do tórax fetal, esta projeção é ainda mais cefálica, sendo observada no plano do mediastino superior. Inicialmente, observamos os três vasos que, da direita para a esquerda, correspondem à VCS, à aorta e à artéria pulmonar. Além de observarmos a ordem dos vasos, deve-se avaliar também se eles se encontram de forma alinhada, sendo a VCS mais posterior e a artéria pulmonar mais anterior, com a aorta no centro. Outro aspecto muito importante desta projeção é que os vasos apresentam dimensões crescentes, isto é, aorta um pouco maior que a VCS e artéria pulmonar um pouco mais calibrosa que a aorta. Neste plano se observam os brônquios direito e esquerdo.

2.2.6. Etapa 6 – 6º Andar: Projeção dos Três Vasos e Traqueia (3Vt)
Em plano imediatamente acima, isto é, basculandose mais um pouco o transdutor em direção cefálica, obtém-se a vista dos dois grandes arcos se conectando com a aorta torácica descendente. À esquerda seria o canal arterial saindo da artéria pulmonar e à direita, a aorta, ambos se conectando com a aorta descendente, o que faz uma figura que lembra o formato da letra “V”. A traqueia aparece como uma estrutura anecoica circundada por uma linha hiperecoica que corresponde a cartilagem, estando situada à frente do corpo vertebral levemente mais à direita.

Nesta projeção, o arco aórtico se volta para a esquerda, sendo isto definido justamente pela relação deste com a traqueia. Se a traqueia se encontra à direita do arco aórtico, então ele está voltado para a esquerda e vice-versa. Ressalta-se que o uso do mapeamento de fluxo a cores deve ser utilizado em todas as etapas do rastreamento, mas tem particular importância nesta última projeção. Espera-se que ambos os arcos apresentem fluxo na mesma direção, e, por isto, tenham a mesma cor ao color, sempre direcionado do coração para a aorta torácica descendente (Figura 2.2).

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 Ecocardiografia Fetal com Doppler colorido: Realizado em geral a partir de 22 semanas (a maioria dos ecocardiografistas preferem a partir de 26 semanas), após realizar a ultrassonografia morfológica do segundo trimestre, não é considerado um exame obrigatório, mas é um recurso propedêutico adicional no diagnóstico ou exclusão de defeitos congênitos cardíacos. Deve ser realizado preferencialmente por um cardiologista / pediatra especializado em cardiologia fetal.

Já realizei pelo menos três cursos de ecocardiografia fetal com renomados profissionais do Brasil, mas utilizo estes conhecimentos nos exames morfológicos, principalmente no segundo e terceiro trimestres de gravidez. Ainda assim, recomendo a realização da ecocardiografia fetal com Doppler colorido para as minhas gestantes de pré-natal por cardiologistas ou pediatras especializados em cardiologia fetal. E mesmo com todo esse cuidado, algumas cardiopatias congênitas leves não são diagnosticadas no período gestacional.

As doenças cardíacas congênitas (DCC) são as malformações maiores mais frequentes ao nascimento, com prevalência que varia de 0,6% a 5% dos recém-nascidos vivos . Apesar de grandes esforços e avanço tecnológico da ecocardiografia bidimensional (2D) nas duas décadas passadas, a acurácia na detecção de DCC no pré-natal está entre 31% e 96%, ou seja, bastante variável*.

Neste vídeo do Youtube, https://youtu.be/v1nQqxJL4aA,  falo um pouco sobre a importância da Ecocardiografia Fetal no diagnóstico e orientação do tratamento de diversas cardiopatias congênitas. Também deixo claro que não vale a pena se preocupar com um achado isolado frequência denominado “Golf Ball”. É muito gratificante unir os conhecimentos da Medicina Fetal, da ultrassonografia em Obstetrícia com o pré-natal. Dos primeiros batimentos cardíacos embrionários, à identificação do sexo, pasando pelos exames morfológicos e o Doppler obstétrico, terminando com a assistência ao parto e ao puerpério, este acompanhamento é parte do que chamo de Obstetrícia Integrativa e Funcional. Sonho com o dia em que cada consultório de pré-natal e cada sala de parto terá um equipamento de ultrassonografia.

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Inchaço nas pernas após o parto – Edema de membros inferiores

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Inchaço nas pernas após o parto – o que fazer e com o que se preocupar?

Em primeiro lugar, saiba que a ocorrência de inchaço (edema) das pernas (membros inferiores) é uma situação bastante comum após o parto, principalmente após a cesariana. É causada basicamente pelo extravasamento de líquidos para a camada superficial da pele. Gestantes que apresentam um maior acúmulo de líquido na gravidez (que pode ser evidenciado por um exame simples e não invasivo chamado bioimpedância tetrapolar) estão propensas a desenvolver mais frequentemente o edema de membros inferiores. Correspondem outros fatores de risco: Obesidade, Ganho de peso excessivo na gravidez, polidrâmnio (aumento do líquido amniótico), hipertensão, trombofilias e patologias renais, dentre outros.

O ideal é que haja uma boa movimentação no pós operatório para facilitar a circulação e reabsorção destes líquidos extravasados e sempre que estiver em repouso, lembrar de elevar as pernas para facilitar o retorno venoso. Como a mamãe fica muito tempo na posição vertical para amamentar o(a) bebê, o retorno venoso é dificultado.

O uso de meias elásticas pode ajudar e a Drenagem linfática também pode auxiliar na recuperação. A alimentação também desempenha um papel fundamental, pois existem alimentos com um maior poder diurético do que outros que acabam retendo líquidos. A ingestão hídrica deve ser orientada longe das refeições, que não devem contém excesso de sal ou de carboidratos que favorecem o edema.

São considerados sinais de alerta a dor na panturrilha que pode ser um indicativo de trombose venosa profunda, bem como o aumento da pressão arterial ou a ocorrência de febre não relacionada ao aleitamento materno (ingurgitamento mamário) ou inchaço generalizado. Na dúvida se por acaso o seu inchaço é preocupante ou não, procurar um serviço de urgência mais próximo para ser avaliada presencialmente por um médico (a).


Inchaço no final da gestação

Por Emily E. Bunce  , MD, Wake Forest School of Medicine;
Robert P. Heine  , MD, Wake Forest School of MedicineÚltima revisão/alteração completa jun 2021| Última modificação do conteúdo jun 2021

Conforme a gestação avança, o líquido pode se acumular nos tecidos, geralmente nos pés, tornozelos e pernas, fazendo com que eles fiquem inchados. Esse quadro clínico é chamado de edema.

Ocasionalmente, o rosto e as mãos também incham. Alguns acúmulos de líquido durante a gestação são normais, especialmente durante o terceiro trimestre. Ele é chamado de edema fisiológico.

Líquido se acumula durante a gestação porque as glândulas suprarrenais produzem mais hormônios que fazem com que o organismo retenha líquido (aldosterona e cortisol). Líquido se acumula também porque a ampliação do útero interfere com o fluxo de sangue a partir das pernas para o coração. Assim, o líquido se acumula nas veias das pernas e escoa para os tecidos circundantes.

Causas

Causas comuns

Normalmente, durante a gestação, o inchaço é

  • Edema fisiológico

Causas menos comuns

Com menos frequência, o inchaço durante a gestação resulta de um distúrbio (consulte a tabela Algumas causas e características do inchaço no final da gestação). No entanto, tais distúrbios são frequentemente graves. Eles incluem:

  • Trombose venosa profunda
  • Pré-eclâmpsia
  • Cardiomiopatia periparto (insuficiência cardíaca que surge no final da gravidez ou após o parto)
  • Celulite

Na trombose venosa profunda, coágulos sanguíneos se formam nas veias localizadas profundamente no corpo, geralmente nas pernas. A gravidez aumenta o risco desse distúrbio de várias maneiras. Durante a gestação, o corpo produz mais das proteínas que ajudam a coagulação do sangue (fatores de coagulação), provavelmente com o intuito de evitar sangramento excessivo durante o parto. Além disso, alterações durante a gestação fazem com que o sangue se acumule nas veias, aumentando a probabilidade de formação de coágulos. Se a gestante tiver menos mobilidade, é ainda mais provável que o sangue se acumule nas veias das pernas e coagule. Os coágulos podem interferir com o fluxo de sangue. Se um coágulo sanguíneo se rompe, ele pode viajar através da corrente sanguínea para os pulmões, bloqueando o fluxo de sangue ali. Esse bloqueio (um quadro clínico denominado embolia pulmonar) é potencialmente fatal.

Na pré-eclâmpsia, a pressão arterial e os níveis de proteína na urina aumentam durante a gestação. É possível que ocorra o acúmulo de líquido, causando inchaço na face, mãos ou pés e ganho de peso. Se for grave, a pré-eclâmpsia pode danificar órgãos, como o cérebro, os rins, pulmões ou fígado, e causar problemas no bebê.

cardiomiopatia periparto causa falta de ar e fadiga, bem como inchaço.

Na celulite, as bactérias infectam a pele e os tecidos abaixo da pele, às vezes causando inchaço com vermelhidão e sensibilidade. A celulite afeta com mais frequência as pernas, mas pode ocorrer em qualquer lugar.

Fatores de risco

O risco de trombose venosa profunda e pré-eclâmpsia aumenta devido a vários quadros clínicos (fatores de risco).

Os fatores de risco para trombose venosa profunda incluem:

  • Um episódio anterior de trombose venosa profunda
  • Distúrbios de coagulação hereditários
  • Lesão em uma veia da perna que impede que o sangue flua normalmente
  • Um distúrbio que faz com que o sangue fique mais propenso a coagular, como, por exemplo, câncer ou problemas renais ou cardíacos
  • Tabagismo
  • Imobilidade, que pode ocorrer após uma doença ou cirurgia
  • Obesidade

Os fatores de risco para a pré-eclâmpsia incluem

  • Hipertensão arterial, que estava presente antes da gravidez
  • A pré-eclâmpsia durante a gestação anterior ou um membro da família que teve pré-eclâmpsia
  • Idade até 17 anos ou mais de 35 anos
  • A primeira gravidez
  • Uma gravidez com mais do que um feto
  • Diabetes
  • Distúrbios dos vasos sanguíneos (vasculares)
  • Uma mola hidatiforme (uma massa anômala na placenta, com ou sem um feto, devido a um ovo fertilizado de maneira anômala)

Os fatores de risco para a cardiomiopatia periparto incluem:

  • Ter 30 anos de idade ou mais
  • Um diagnóstico anterior de miocardiopatia ou outro problema cardíaco
  • Descendência africana
  • Uma gravidez com mais do que um feto
  • Pré-eclâmpsia
  • Hipertensão arterial, que estava presente antes da gravidez

Avaliação

O médico precisa excluir a possibilidade de trombose venosa profunda, pré-eclâmpsia, doença cardíaca, celulite e outras causas possíveis antes de poder fazer um diagnóstico de edema fisiológico.

Sinais de alerta

Os seguintes sintomas são motivo de preocupação em gestantes com inchaço nas pernas:

  • A pressão arterial que é de 140/90 mm Hg ou superior
  • Inchaço em apenas uma perna ou panturrilha, especialmente se a área estiver quente, vermelha e/ou sensível, ou se houver febre
  • Inchaço nas mãos
  • Inchaço que aumenta de repente
  • Confusão, dificuldade para respirar, alterações na visão, agitação (tremor), uma convulsão, dor abdominal súbita, ou uma súbita dor de cabeça – sintomas que podem ser causados ​​por pré-eclâmpsia
  • Dor torácica

Quando consultar um médico

A mulher deve ir para o hospital imediatamente se ela tiver

  • Sintomas que sugerem pré-eclâmpsia ou uma doença cardíaca

As mulheres com outros sinais de alerta devem visitar o médico naquele dia. As mulheres sem sinais de alerta devem visitar o médico, mas mesmo uma demora de vários dias não costuma ser prejudicial.

O que o médico faz

Primeiramente, o médico faz perguntas sobre o inchaço e outros sintomas e sobre o histórico médico. Em seguida, o médico faz um exame físico. O que ele identifica durante a anamnese e o exame físico geralmente sugere uma causa para o inchaço e os exames que talvez sejam necessários (consulte a tabela Algumas causas e características do inchaço no final da gestação).

O médico faz as seguintes perguntas:

  • Quando o inchaço começou
  • Há quanto tempo ela está acontecendo
  • Se alguma atividade (por exemplo, deitar-se sobre o lado esquerdo) faz com que ele diminua ou piore

Deitar-se sobre o lado esquerdo diminui o edema fisiológico.

O médico também faz perguntas sobre quadros clínicos que aumentam o risco de apresentar trombose venosa profunda, pré-eclâmpsia e cardiomiopatia periparto.

Pergunta-se à mulher sobre outros sintomas, que podem sugerir uma causa. Ele também pergunta se ela já teve trombose venosa profunda, embolia pulmonar, pré-eclâmpsia, hipertensão arterial ou problemas cardíacos, inclusive miocardiopatia.

TABELAFecharAlgumas causas e características do inchaço no final da gestação

CausaCaracterísticas comuns*Exames†
Normal (fisiológica) edemaInchaço indolor (edema) em ambas as pernas, que talvez diminua quando a mulher se deita sobre o seu lado esquerdoApenas um exame médico
Trombose venosa profundaInchaço e dor em apenas uma perna ou panturrilhaSensibilidade frequente, vermelhidão e calor na área afetadaÀs vezes, fatores de risco para trombose venosa profundaCaso um coágulo sanguíneo se desloque para os pulmões e bloqueie um vaso sanguíneo (causando embolia pulmonar), dor no peito e dificuldade para respirarUltrassonografia com Doppler da perna afetada para verificar se há uma obstrução nas veiasÀs vezes, um exame de sangue para medir uma substância liberada por coágulos de sangue (chamada D-dímero)Se a mulher tiver dor no peito e dificuldade para respirar, às vezes TC do tórax e varredura de ventilação/perfusão pulmonar (exame VQ)
Cardiomiopatia peripartoInchaço em ambas as pernasFalta de ar e fadigaDificuldade em deitar-se em uma superfície planaRadiografia do tóraxEletrocardiogramaEcocardiograma
Pré-eclâmpsiaHipertensão arterial – Inchaço em ambos os pés, e às vezes na face e/ou mãosFalta de sensibilidade, vermelhidão ou calor nas áreas inchadasÀs vezes, dor de cabeça, confusão, visão turva, náusea ou vômito, ou uma erupção cutânea púrpura avermelhada de pontos minúsculos (que indica sangramento na pele)Às vezes, fatores de risco para pré-eclâmpsiaMedição da pressão arterialDosagem dos níveis de proteína na urinaExames de sangue para verificar a função hepática e renal e um hemograma completo
CeluliteInchaço em uma perna ou panturrilha e sensibilidade, vermelhidão e calor na área afetadaPossível corrosão da pele afetada (semelhante a uma casca de laranja)Muitas vezes afetando uma área relativamente pequenaÀs vezes, febreÀs vezes, apenas um exame médicoÀs vezes, uma ultrassonografia para excluir a presença de trombose venosa profunda

* As características incluem sintomas e resultados do exame médico. As características mencionadas são típicas, mas nem sempre estão presentes.
† Embora um exame médico seja sempre realizado, ele será mencionado nesta coluna apenas se o diagnóstico puder às vezes ser feito apenas com um exame médico, sem a necessidade de outros exames.

Exames

Se houver suspeita de trombose venosa profunda, a ultrassonografia com Doppler da perna afetada é feita. Esse exame pode mostrar alterações no fluxo sanguíneo causadas ​​por coágulos sanguíneos nas veias das pernas.

Se se suspeitar de pré-eclâmpsia, o nível da proteína é medido numa amostra de urina. A pressão arterial elevada e um alto nível de proteína na urina indicam pré-eclâmpsia. Se o diagnóstico não é claro, a mulher deve coletar sua urina de 24 horas, e a proteína é medida no volume de urina. Essa medida é mais precisa. No entanto, a pré-eclâmpsia também pode estar presente, mesmo que o nível de proteína na urina esteja normal. Hipertensão arterial com dor de cabeça, alterações na visão, dor abdominal ou resultados de exames de sangue ou de urina alterados também podem indicar a presença de pré-eclâmpsia.

Se houver suspeita de cardiomiopatia periparto, um eletrocardiograma, uma radiografia de tórax, uma ecocardiografia e exames de sangue são realizados para verificar a função cardíaca.

Tratamento

Quando o inchaço resulta de um distúrbio, esse distúrbio é tratado.

O inchaço que normalmente ocorre durante a gestação pode ser reduzido, fazendo o seguinte:

  • Deitar-se sobre o lado esquerdo, o que afasta o útero da grande veia que devolve o sangue ao coração (veia cava inferior)
  • Repousar frequentemente com as pernas elevadas
  • Uso de meias elásticas de suporte
  • Vestir roupas soltas que não restringem o fluxo de sangue, principalmente nas pernas (por exemplo, não usar meias ou meias que têm faixas apertadas em torno dos tornozelos ou panturrilhas)

Pontos-chave

  • Algum inchaço nas pernas e tornozelos é normal (fisiológico) durante a gestação e ocorre durante o terceiro trimestre.
  • O médico consegue identificar as causas graves de inchaço com base em resultados de um exame físico, aferição da pressão arterial, exames de sangue e urina e, às vezes, ultrassonografia.
  • Se a própria gravidez for a causa, o inchaço pode ser reduzido ao deitar-se sobre o lado esquerdo, elevando as pernas periodicamente, usando meias de suporte e usar roupas que não restringem o fluxo sanguíneo.

Fonte: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-feminina/sintomas-durante-a-gesta%C3%A7%C3%A3o/incha%C3%A7o-no-final-da-gesta%C3%A7%C3%A3o


VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE EDEMA
Objetivo: detectar precocemente a ocorrência de edema patológico.
DETECÇÃO DE EDEMA
Nos membros inferiores:
• Posicionar a gestante em decúbito dorsal ou sentada, sem meias;
• Pressionar a pele na altura do tornozelo (região perimaleolar) e na perna, no nível do seu terço médio, face anterior (região pré-tibial).

Na região sacra:
• Posicionar a gestante em decúbito lateral ou sentada;
• Pressionar a pele, por alguns segundos, na região sacra, com o dedo polegar. O edema fica evidenciado mediante presença de depressão duradoura no local pressionado.

Na face e em membros superiores:
• Identificar a presença de edema pela inspeção.

Extraído de : https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_pre_natal_puerperio_3ed.pdf

Rinite na Gravidez

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Introdução:

A rinite gestacional é uma condição relativamente comum e pouco discutida na literatura nacional. Ela vem ganhando importância nos últimos anos principalmente pela descoberta de sua associação com o ronco e com a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) na gestação e, indiretamente, com a pré-eclâmpsia, importante causa de morbidade e mortalidade materna. Além disso, há trabalhos que mostram sua associação com a hipertensão gestacional, retardo de crescimento intrauterino e menores escores de APGAR em recém-nascidos.

Ainda hoje, muito se confunde em relação à terminologia da rinite gestacional. Alguns autores denotam a importância em se distinguir a rinite “durante a gestação” da rinite gestacional (ou rinite induzida pela gestação). A rinite durante a gestação é uma entidade que inclui todos os tipos de rinite (alérgica, medicamentosa, não alérgica, com componente vasomotor, entre outras), as quais estariam presentes antes, durante e após a gestação por definição. Já a rinite gestacional propriamente dita é definida como obstrução nasal que não estava presente antes da gestação, tipicamente ocorrendo no segundo ou terceiro trimestre, com duração igual ou maior que seis semanas, não apresentando causa alérgica ou sinais de infecção da via aérea superior e com resolução completa dos sintomas em até duas semanas após o parto.

Objetivo do Estudo

O objetivo desse trabalho foi realizar uma revisão de literatura sobre a rinite gestacional e estender alguns conceitos com base comparativa (como fisiopatogenia e tratamento) para outros tipos de rinite na gravidez.

Epidemiologia

Aproximadamente 20-40% das mulheres reportam sintomas de rinite durante sua infância ou adolescência, e 10-30% dessas mulheres relatam piora dos sintomas durante a gestação. Estudos populacionais com amostras relativamente pequenas normalmente não fazem a distinção da rinite gestacional de outros tipos de rinite, mostrando uma prevalência que varia entre 18 a 30%. O maior estudo populacional sobre prevalência foi realizado na Suécia por meio de questionários e incluiu 599 pacientes, excluindo as que já apresentavam sinais de rinite antes da gestação, mostrando uma prevalência de rinite gestacional de 22%. Outro estudo recente, no entanto, abordou 109 gestantes por meio de questionários e rinoscopia anterior e chegou à prevalência de 9% para a rinite gestacional, tendo sido condizente com outros estudos. Não foram encontrados dados brasileiros acerca da prevalência da rinite gestacional.

Etiologia e fisiopatogenia

Apesar de muitos fatores etiológicos terem sido propostos, o conhecimento atual sobre a fisiopatogenia da rinite gestacional ainda é escasso. Pressupõe-se que o hormônio trofoblástico placentário possa estimular a hipertrofia da mucosa nasal durante a gestação.9 Além disso, o estrógeno pode contribuir para esse efeito pelo aumento do receptor de histamina na microvasculatura e nas células epiteliais. A progesterona também pode desempenhar um papel otimizando a vasodilatação local no nariz pelo aumento do volume de sangue circulante que ocorre fisiologicamente na gravidez.

Em relação aos fatores de risco para o desenvolvimento da rinite gestacional, o tabagismo foi o único identificado com evidência significativa. Considerando este fato e que uma proporção considerável de pacientes com rinite gestacional apresenta sensibilidade para o ácaro encontrado na poeira domiciliar, foi sugerido que as pacientes com rinite gestacional representam um subgrupo de rinite alérgica, no entanto, com resolução espontânea após o parto, segundo a definição.

Diagnóstico e significado clínico

A rinite gestacional se caracteriza por obstrução nasal nas últimas seis ou mais semanas de gestação, com resolução completa em até duas semanas após o parto.  O diagnóstico é clínico e pode ser suspeitado apenas pelo sintoma de piora da obstrução nasal (o qual não estava presente previamente) em pacientes gestantes e que não seja secundário a outras condições ? o diagnóstico diferencial abrange rinossinusites, rinite alérgica propriamente dita, rinite medicamentosa, infecção aguda ou subaguda da via aérea superior e granuloma gravídico.Além da obstrução, pacientes com rinite gestacional podem apresentar frequentemente coriza.

A rinite alérgica geralmente é um quadro preexistente, que também pode se manifestar durante a gestação. Ao contrário da rinite gestacional, na qual a obstrução nasal é o principal sintoma, nos quadros de rinite alérgica durante a gravidez, as pacientes apresentam coriza, prurido e espirros, além da congestão nasal.

A respiração oral causada pela piora da obstrução nasal durante a rinite gestacional pode levar a uma redução da inalação de óxido nítrico (NO) ? produzido principalmente nos seios maxilares ? até o pulmão, no qual possui um efeito redutor da resistência vascular, além da melhora da oxigenação local.  Essa redução da inalação de NO pulmonar pode ter efeito deletério no feto, levando a hipertensão materna, retardo de crescimento intrauterino, pré-eclâmpsia e menores escores de Apgar do recém-nascido.  Entretanto, não há evidência suficiente para estabelecer uma associação entre rinite gestacional e um desfecho desfavorável na gravidez.

Tratamento

Em relação ao tratamento, a maioria dos trabalhos mostra um consenso quanto à importância das medidas educacionais como primeira escolha e medida adjuvante no manejo da rinite gestacional, principalmente pelo fato de que os sintomas resolvem espontaneamente após o parto.  Com a orientação logo no início da gestação, as pacientes tendem a recorrer menos aos descongestionantes tópicos e irão apresentar menores chances de desenvolver rinite medicamentosa associada.

O exercício físico tem um efeito já bem estabelecido na melhora da obstrução nasal, no controle do peso e na melhora do padrão de sono da gestante. Elevar a cabeceira da cama em 30° a 45° também pode ajudar na melhora da obstrução nasal durante a noite. Além disso, a lavagem nasal com soluções salinas fornece um bom alívio temporário dos sintomas, apesar de não haver estudos específicos para a rinite gestacional.

Em relação aos descongestionantes tópicos, podem ser divididos em medicamentos de curta duração ? fenilefrina; ação intermediária ? nafazolina; e ação prolongada ? oximetazolina e xilometazolina. Todas essas drogas recebem uma classificação “C” da FDA (Food and Drug Administration).

Muitos autores recomendam não ultrapassar o período de uso de cinco, ou até mesmo três dias do descongestionante tópico nasal, pelo risco comprovado de rinite medicamentosa, a qual não cessa após o parto. É importante salientar que mesmo o uso somente noturno do descongestionante pode levar a essa condição.

A segurança da budesonida inalatória, já comprovada pelos numerosos estudos nas gestantes asmáticas, sugeriu fortemente que a via intranasal de administração também fosse segura, assumindo esse medicamento a categoria “B” da FDA durante a gravidez.  Entretanto, dado o fato de que nenhum dos corticosteroides tópicos parece ter efeitos sistêmicos adversos nas suas doses terapêuticas, o Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia (ACAAI) afirma que é perfeitamente plausível continuar com um corticosteroide tópico diferente da budesonida em uma paciente com rinite alérgica que já o utilizava antes da gestação, com bons resultados.

Os anti-histamínicos, por sua vez, são reservados aos casos de rinite alérgica ou não alérgica eosinofílica. De forma geral, não há dados suficientes na literatura que sugerem que os anti-histamínicos como um grupo tenham um efeito deletério na gravidez. A clorfeniramina, a loratadina e a cetirizina têm sido recomendadas por existirem trabalhos em animais e humanos comprovando sua segurança.

O cromoglicato de sódio e o brometo de ipatrópio tópico, este último podendo ser utilizado quando há queixa de rinorreia acentuada, também não mostraram efeitos teratogênicos, podendo ser utilizados com segurança para a rinite alérgica durante a gestação. O uso de inibidores de antileucotrientos (como o montelucaste) para o tratamento da rinite alérgica durante a gestação não é recomendado, uma vez que há alternativas medicamentosas mais seguras.

Por fim, a cirurgia ? redução volumétrica das conchas inferiores ? tem uma papel restrito nos casos de rinite na gestação, sendo reservada para os casos mais severos, que incluem, por exemplo, gestantes com SAOS secundária à rinite gestacional e falha ao CPAP ou outros métodos terapêuticos

Conclusão

Tanto a rinite gestacional quanto a “rinite durante a gestação” são condições relativamente comuns e que vêm ganhando importância nos últimos anos, não só pela descoberta da associação com a SAOS materna e possíveis desfechos desfavoráveis ao feto, mas também pelo grande impacto na qualidade de vida na gestante. Tanto o otorrinolaringologista quanto o obstetra devem estar atentos para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, considerando o perfil de segurança e a evidência atual das medidas e medicamentos disponíveis.

Artigo na Íntegra: clique AQUI

Fonte:  Caparroz FA, Gregorio LL, Bongiovanni G, Izu SC, Kosugi EM. Rhinitis and pregnancy: literature review. Braz J Otorhinolaryngol. 2016;82:113-9

Amniorrexe Prematura – Ruptura Prematura das Membranas Amnióticas (RPM)

O parto Prematuro ocorre em aproximadamente 10% de todos os nascimentos nos Estados Unidos e é um fator importante que contribui para a morbidade e mortalidade perinatal.

A ruptura prematura das membranas amnióticas pré-termo (RPM-PT também conhecida como amniorrexe prematura pré-termo) complica aproximadamente 2-3% de todas as gravidezes nos Estados Unidos representando um grande percentual dos nascimentos prematuros, enquanto que a amniorrexe prematura de termo ocorre em 8% das gestações.

A abordagem ideal para avaliação clínica e tratamento de mulheres com RPM termo e pré-termo permanece um desafio.

A conduta depende da idade gestacional e da avaliação dos riscos relativos do parto versus os riscos de manejo expectante (p. Ex., Infecção, descolamento prematuro da placenta e acidente do cordão umbilical (prolapso do cordão umbilical, compressão do cordão umbilical).

O objetivo deste documento é rever a compreensão atual desta condição e fornecer diretrizes de gerenciamento que tenham sido validadas por pesquisa baseada em resultados apropriadamente conduzidos quando disponível. São apresentadas orientações adicionais com base em consenso e opinião de especialistas.

Quadro 1. Gerenciamento da Ruptura Prematura de Membranas de acordo com a Idade Gestacional em Pacientes com Pré-natal normal

Termo (37 0/7 semanas de gestação ou mais)
– Profilaxia EGB conforme indicado
– Tratar infecção intraamniótica, se presente
– Prossiga para o parto (indução ou cesariana conforme apropriado /indicado)

Pré-termo tardio (34 0/7 – 36 6/7 semanas de gestação)
– Manejo expectante ou ativo / parto (indução ou cesariana conforme apropriado / indicado)
– Ciclo único de corticosteroides, se não administrados anteriormente, se prosseguir com indução ou parto em menos de 24 horas e não mais que 7 dias, e nenhuma evidência de corioamnionite
– Triagem e profilaxia de EGB conforme indicado
– Tratar infecção intra-amniótica, se presente (e prosseguir para o parto)

Pré-termo (24 0/7 – 33 6/7 semanas de gestação)
– Conduta expectante
– Antibióticos recomendados para prolongar a latência se não houver contraindicações
– Um curso único de corticosteroides; evidência insuficiente a favor ou contra curso de resgate
– Trate a infecção intra-amniótica, se houver (e prossiga para o parto)
– Uma cultura de secreção vaginal ‐ retal para cultura de EGB deve ser obtido no momento da admissão e profilaxia de EGB administrado conforme indicado.
– Sulfato de magnésio para neuroproteção antes do parto previsto para gestações, 32 0/7 semanas de gestação, se não houver contraindicações

 Periviável (menos de 23 – 24 semanas de gestação)
– Aconselhamento ao paciente; considere neonatologia e consulta de medicina materno-fetal (Medicina Fetal)
– Gestão expectante ou indução do parto
– Os antibióticos podem ser considerados logo em 20 0/7 semanas de gestação
– A profilaxia de EGB não é recomendada antes da viabilidade
– Corticosteroides não são recomendados antes da viabilidade
– A tocólise não é recomendada antes da viabilidade
– Sulfato de magnésio para neuroproteção não é recomendado antes da viabilidade

RECOMENDAÇÕES E CONCLUSÕES

As recomendações a seguir são baseadas em boas e evidência científica consistente (Nível A):

– Pacientes com RPMPT antes de 34 0/7 semanas de gestação devem ser tratadas com conduta expectante, se não existem contraindicações maternas ou fetais.

– Um único curso de corticosteroides é recomendado para gestantes entre 24 0/7 semanas de gestação e 33 6/7 semanas de gestação e pode ser considerado para gestantes em risco de parto prematuro dentro de 7 dias, incluindo para aqueles com RPM, logo em 23 0/7 semanas de gestação.

– Um único curso de corticosteroides é recomendado para gestantes entre 34 0/7 semanas de gestação e 36 6/7 semanas de gestação com risco de parto prematuro dentro de 7 dias e que não tenham recebido um curso anterior de corticosteroides pré-natais se prosseguir com indução ou parto em não menos de 24 horas e não mais de 7 dias.

– Gestantes com RPMPT antes de 32 0/7 semanas de gestação em risco de iminência parto deve ser considerada candidata para tratamento neuroprotetor fetal com sulfato de magnésio.

– Para reduzir infecções e morbidade maternas e neonatais dependente da idade gestacional, um curso de 7 dias de terapia de antibióticos de latência com uma combinação de ampicilina intravenosa e eritromicina seguido por amoxicilina oral e eritromicina é recomendado reparado durante a conduta expectante de mulheres com RPMPT que estão com menos de 34 0/7 semanas de gestação. Alguns centros substituíram o uso de eritromicina com azitromicina em situações em que a eritromicina não está disponível ou não é tolerada e esta é uma alternativa adequada.

– Gestantes com RPMPT e um feto viável que são candidatos à profilaxia intraparto de EGB deve receber profilaxia de EGB intraparto para prevennir a transmissão vertical, independentemente do tratamento antibióticos.

As seguintes recomendações e conclusões são com base em evidências científicas limitadas e inconsistentes (Nível B):

–  Para mulheres com RPM em 37 0/7 semanas de gestação ou mais, se o parto espontâneo não ocorrer perto do tempo do diagnóstico para aqueles que não entraram em trabalho de parto, a indução do parto deve ser recomendada, embora a escolha da conduta expectante por um curto período de tempo pode ser adequadamente oferecido.

– Qualquer conduta expectante ou parto imediato em pacientes com RPM entre 34 0/7 semanas de gestação e 36 6/7 semanas de gestação pode ser razoável, embora o equilíbrio entre benefício e risco, tanto da perspectiva materna quanto neonatal, deve ser cuidadosamente considerado e os pacientes devem ser aconselhados claramente. O cuidado deve ser individualizado através da tomada de decisão compartilhada e a conduta expectante não deve se estender além de 37 0/7 semanas de gestação.  Antibióticos de latência não são apropriados neste caso.

– Na ruptura das membranas em trabalho de parto ativo, embora a terapia tocolítica não tenha sido demonstrada para prolongar a latência ou melhorar os resultados neonatais, os dados são limitados. Agentes tocolíticos podem ser considerados em RPMPT para benefício de corticoesteroides para o recém-nascido, especialmente em idades gestacionais anteriores, ou transporte de gestantes para outra unidade, mas deve ser usado com cautela e evitado se há evidência de infecção ou descolamento prematuro da placenta. Terapia Tocolítica não é recomendada no contexto de prematuros com RPM entre 34 0/7 semanas de gestação e 36 6/7 semanas de gestação.

– Dado o potencial benefício da terapia com progesterona, mulheres com uma única gestação e uma anterior espontânea nascimento prematuro (devido a qualquer trabalho de parto com membranas intactas RPM pré-termo) deve ser oferecida suplementação de progesterona conforme clinicamente indicado para reduzir o risco de parto prematuro espontâneo recorrente.

As seguintes conclusões são baseadas principalmente em consensos e opiniões de especialistas (Nível C):

– O diagnóstico de RPM normalmente é confirmado por avaliação clínica convencional, que inclui a visualização da passagem do líquido amniótico do canal cervical e acúmulo na vagina; um teste simples de pH do fluido vaginal; ou teste de cristalização de fluido vaginal seco (ferning), que é identificado sob avaliação microscópica.

– O manejo ambulatorial de Gestantes com RPMPT com um feto viável não foi estudado o suficiente para estabelecer segurança e, portanto, não é recomendado. RPMPT periviável pode ser considerado para atendimento domiciliar após um período de avaliação no hospital.

Com base no mais alto nível de evidência encontrado nos dados, as recomendações são classificadas de acordo com as seguintes categorias:

Nível A – As recomendações são baseadas em boas e evidências científicas consistentes.
Nível B – As recomendações são baseadas em evidências científicas inconsistentes.
Nível C – as recomendações são baseadas principalmente em consenso e opinião de especialistas.

Náuseas e Vômitos na Gravidez

🤢Náuseas e vômitos são características quase inevitáveis ​​da gravidez e têm um sério impacto na qualidade de vida das mulheres grávidas
🎯Este estudo teve como objetivo determinar os efeitos da aromaterapia inalatória combinada com limão e hortelã-pimenta nas náuseas e vômitos da gravidez (NVG).➡️Materiais e métodos:
✔️O ensaio clínico randomizado paralelo foi realizado em 90 mulheres grávidas que sofriam de náuseas e vômitos durante a gravidez encaminhadas para centros de saúde em Birjand-Irã, de fevereiro de 2015 a agosto de 2016
✔️Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos
✔️Os óleos essenciais combinados de limão e hortelã-pimenta foram usados ​​como inalador para a intervenção e o placebo para o grupo controle
✔️Ambos os grupos foram treinados para colocar três gotas da solução em uma bola de algodão e mantê-la a 3 cm de distância do nariz
✔️A intensidade de náuseas, vômitos e fadiga foi avaliada por meio do questionário Quantização Única de Êmese para Gravidez de 24 horas (PUQE-24) e Escala de Gravidade de Fadiga (FSS), respectivamente

➡️Resultados:
✔️Os escores médios de intensidade de náusea e vômito antes da intervenção e no primeiro dia de intervenção não foram significativamente diferentes entre os dois grupos, mas tornaram-se significativos no segundo, terceiro e quarto dias de intervenção
✔️Os resultados mostraram que o efeito do tempo na intensidade média de náuseas e vômitos foi significativo no grupo de aromaterapia (F2,84 = 22,92, p <0,001), mas não foi significativo no grupo de placebo (F2,78 = 0,26, p = 0,836)

➡️Conclusões:
✨A aromaterapia combinada de limão e hortelã-pimenta pode reduzir a intensidade leve a moderada de NVG.✨
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*️⃣No artigo completo, o que achei bem interessante foi que a satisfação e preferência pelo tratamento por Aromaterapia para NVG bem como a aderência às recomendações nutricionais e do estilo de vida também foram estatisticamente significantes.
.
💡Fonte: https://doi.org/10.4103/ijnmr.ijnmr_11_19


Nota Febrasgo sobra o uso da Ondansetrona na Gravidez

Sexta, 04 Outubro 2019 16:19

Nota Febrasgo

Ondansetrona no tratamento das náuseas e vômitos na gravidez  

Uma intercorrência frequente na gravidez, a êmese/ hiperêmese gravídica, é preocupação permanente e atual de todos os obstetras e pesquisadores que atuam na saúde da gestante, muito se avançou no seu tratamento, mas ainda não é suficiente.

Nos últimos anos observou-se uma superioridade do efeito antiemético entre as usuárias de Ondansetrona e com baixos efeitos colaterais quando comparados aos outros antieméticos, o que fez rapidamente tornar a ondansetrona o medicamento mais frequente prescrito para náuseas e vômitos durante a gravidez no mundo.

No entanto, no dia 12 de setembro de 2019, a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) publicou uma nota informativa proibindo o uso de ondansetrona durante a gravidez, pelo risco aumentado de defeitos de fechamento orofacial e malformações cardíacas, especialmente no primeiro trimestre. Recomendando ainda que as mulheres em idade fértil em uso desse medicamento sejam informadas dos riscos e que utilizem medidas contraceptivas seguras.

Essa nota da AEMPS foi baseada em dois estudos retrospectivos recentes conflitantes e controversos. O primeiro encontrou que o uso da ondansetrona no primeiro trimestre está associado com um pequeno risco de fendas orais, principalmente fenda palatina, mas não com defeitos cardíacos. O segundo estudo mostrou um aumento de defeitos cardíacos, mas não de defeitos de fendas orais. No estudo que apresentou aumento absoluto do risco de fissura orofacial e/ou palatina, esse aumento foi muito pequeno, afetando aproximadamente 14 por 10.000 nascimentos, em comparação com uma taxa de 11 por 10.000 dos recém-nascidos não expostos. Isso equivale a três casos adicionais de fenda orofacial por 10.000 gestantes que usam ondansetrona durante o primeiro trimestre. Esse mesmo estudo concluiu que quando os resultados são ajustados para um grande número de variáveis relevantes, não se encontra aumento de malformações no grupo daquelas que usaram a Ondansetrona.

A FEBRASGO, enquanto não houver outras evidências, orienta prudência com divulgação desses resultados e não ve motivo para o não uso da Ondansetrona na gravidez, prestando esclarecimento para gestantes sobre o baixo risco de malformações, deixando seu uso, preferencialmente, quando medidas de apoio e dietéticas associadas a outros fármacos não mostrarem sucesso.

São Paulo, 04 de outubro de 2019.

Comissão Nacional Especializada de Assistência Pré-Natal da Febrasgo

Diretoria da Febrasgo

REFERE?NCIAS

  1. Agencia Espan?ola de Medicamentos y Productos Sanitarios (AEMPS).:2. 3 Ondansetro?n: riesgo de defectos de cierre orofacialies (la?bio leporino, paladar hendido) tras uso durante el primer trimestre del embarazo. Ministerio de Sanida, Consumo y Bienestar Social. Nota informativa, 2019.
  2. Huybrechts KF et al. Association of Maternal First-Trimester Ondansetron Use With Cardiac Malformations and Oral Clefts in Offspring. JAMA. 2018 Dec 18; 320 (23): 2429-2437.
  3. Zambelli-Weiner A et al. First Trimester Ondansetron Exposure and Risk of Structural Birth Defects. Reprod Toxicol. 2019 Jan; 83: 14–20

Link: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/873-ondansetrona-no-tratamento-das-nauseas-e-vomitos-na-gravidez


??Agora, simplesmente você vai permanecer calma porque a maior probabilidade é de não acontecer absolutamente nada!!!
.
??A ondansetrona ainda é recomendado por importantes Artigos Científicos, Guidelines internacionais, pela FEBRASGO (Associação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia) e pelo Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras
.
??Agora, que realmente a Piridoxina / Piridoxal 6 Fosfato (Vitamina B6) é droga A (sem risco na Gravidez) e que os aspectos emocionais e nutricionais contam bastante isso também não é novidade é há muito tempo enfatizo isso e escrevi no meu site no link https://drglaucius.com.br/nvg/
.
??Então queridas e queridos, menos sensacionalismo, mais ciência e mais prática e bom senso. E existem alguns artigos que refutam esta hipótese do risco da Ondansentrona
.
??Quer diminuir o risco de defeitos congênitos ?
?Marque três meses antes de engravidar:
??um ginecologista e obstetra que vai prescrever suplementos importantes que diminuem riscos de defeitos congênitos,
??um nutricionista Materno-infantil vai ajudar na programação metabólica fetal através de uma nutrição funcional e também na suplementação nutracêutica
??um psicólogo para avaliar (e otimizar) o seu estado emocional
??e melhore seus hábitos de vida
.
??O esposo também deve procurar
??seu clínico, nutrólogo ou urologista,
??psicólogo,
??nutricionista, além de
??melhorar os hábitos de vida
.
*??Aí meus queridos(as) apenas uma fatalidade levará à ocorrência de defeitos congênitos, vocês fizeram o que precisava ser feito!!!


titnvg

Náuseas e Vômitos na Gravidez

Náuseas e vômitos da gravidez são sintomas comuns que afetam a saúde de uma mulher grávida e seu feto. Podem diminuir a qualidade de vida de uma mulher e também contribui significativamente para os custos de cuidados de saúde e o tempo perdido do trabalho.

É mais comum no início da gravidez e pela manhã, a presença de náuseas e vômitos da gravidez pode ser minimizada por obstetras ou outros prestadores de cuidados obstétricos

Algumas mulheres não procuram tratamento devido a preocupações com a segurança dos medicamentos.

Uma vez que a náusea e o vômito da gravidez progridem, pode se tornar mais difícil controlar os sintomas.

O tratamento nos estágios iniciais pode prevenir complicações mais graves, incluindo hospitalização.

Tratamentos seguros e eficazes estão disponíveis para casos mais graves, e casos leves de náuseas e vômitos de gravidez podem ser resolvidos com mudanças de estilo de vida e dieta.

A percepção da mulher sobre a gravidade de seus sintomas desempenha um papel crítico na decisão de saber se, quando e como tratar náuseas e vômitos da gravidez.

A náusea e o vômito da gravidez devem ser distinguidos de náuseas e vômitos relacionados a outras causas.

O objetivo deste documento é rever as melhores evidências disponíveis sobre o diagnóstico e manejo de náuseas e vômitos da gravidez.

 

Avaliação e Classificação

Existe um questionário para classificação de náuseas e vômitos na gestação baseado em 3 perguntas e com as pontuações de acordo com as respost

1. Em média em um dia, por quanto tempo você sente náuseas ou dor no estômago?
Não é nada (1 ponto)
1 hora ou menos (2 pontos)
2-3 horas (3 pontos)
4-6 horas (4 pontos)
Mais de 6 horas (5 pontos)

2. Em média, em um dia, quantas vezes você vomita?
7 ou mais vezes (5 pontos)
5-6 vezes (4 pontos)
3-4 vezes (3 pontos)
1-2 vezes (2 pontos)
Eu não vomitei (1 ponto)

???3. Em média, em um dia, quantas vezes você tem vômito ou vômito seco (sensação de vômito sem conseguir vomitar)?
Nenhum (1 ponto)
1-2 vezes (2 pontos)
3-4 vezes (3 pontos)
5-6 vezes (4 pontos)
7 ou mais vezes (5 pontos)

NVG Pontuação total (soma das respostas para 1, 2 e 3):

NVG Leve, 6 ou menos;

NVG Moderada, 7-12;

NVG Acentuada, 13 ou mais.
??

Abreviação: NVG, náuseas ou vômitos na gravidez.

Reimpresso de Lacasse A, Rey E, Ferreira E, Morin C, Berard A. Validade de um índice de pontuação de Quantificação de náuseas e vômitos (PUQE)  modificado para avaliar a gravidade da náusea e vômito da gravidez. Am J Obstet Gynecol 2008; 198: 71.e1-7.

 

Diagnóstico Diferencial

  • Condições gastrointestinais
  • Gastroenterite
  • Gastroparesia
  • Achalasia
  • Doença do trato biliar
  • Hepatite
  • Obstrução Intestinal
  • Úlcera péptica
  • Pancreatite
  • Apendicite
  • Condições do trato genitourinário
  • Pielonefrite
  • Uremia
  • Torção ovariana
  • Litíase renal
  • Leiomioma uterino degenerado
  • Condições metabólicas
  • Cetoacidose diabética
  • Porfiria
  • Doença de Addison
  • Hipertireoidismo
  • Hiperparatiroidismo
  • Distúrbios neurológicos
  • Pseudotumor cerebral
  • Lesões vestibulares
  • Enxaqueca
  • Tumores do sistema nervoso central
  • Hipofísite linfocítica
  • Condições diversas
  • Toxicidade ou intolerância a medicamentos
  • Condições psicológicas
  • Condições relacionadas à gravidez
  • Fígado gorduroso agudo da gravidez
  • Pré-eclâmpsia

 Efeitos maternos das náuseas e vômitos da gravidez

Embora a morte por náuseas e vômitos da gravidez seja relatada raramente hoje, foram reportadas morbidades significativas, como encefalopatia de Wernicke, avulsão esplênica, ruptura esofágica, pneumotórax e necrose tubular aguda. Encefalopatia de Wernicke (causada pela deficiência de vitamina B1) relacionada à hiperêmese gravídica tem sido associado com morte materna ou incapacidade neurológica permanente.

Além do aumento das internações hospitalares, algumas mulheres experimentam uma morbidade psicossocial significativa causada por náuseas e vômitos da gravidez, resultando em uma decisão para o término da gravidez. Uma revisão sistemática da morbidade psicológica em relação à hiperêmese gravídica demonstrou valores significativamente maiores de depressão e escala de ansiedade em mulheres com a condição. No entanto, essas descobertas são limitadas pelo alto nível de heterogeneidade entre os estudos.

Efeitos Fetais das Náuseas e Vômitos da Gravidez

A gravidade da náusea e do vômito determina seu efeito no embrião e no feto. Com o vômito leve ou moderado, há pouco efeito aparente no resultado da gravidez.

Estudos documentaram uma menor taxa de aborto em mulheres com náuseas e vômitos de gravidez e hiperemese gravídica em comparação com controles. Este resultado é pensado para estar relacionado à síntese placentária robusta em uma gravidez saudável, em vez de um efeito protetor do vômito.

Não foi demonstrada associação significativa de hiperêmese gravídica com anomalias congênitas.

O resultado mais freqüentemente examinado é a incidência de baixo peso ao nascer (BPN). No entanto, alguns estudos não identificaram aumento na BPN com náuseas e vômitos de gravidez. Por outro lado, uma revisão sistemática e metanálise de mulheres com hiperêmese gravídica apresentou maior incidência de BPN e crianças pequenas para a idade gestacional (PIG) e prematuros (PT).

No entanto, nenhuma associação de hiperêmese gravídica e mortalidade perinatal ou neonatal foi demonstrada em grandes coortes retrospectivas.

Embora pouco se saiba sobre a saúde a longo prazo de crianças ou mulheres após a gravidez complicada pela hiperêmese gravídica, é apropriado para tranquilizar os pacientes que a presença de náuseas e vômitos da gravidez e até mesmo a hiperêmese gravídica geralmente se presta bem ao resultado da gravidez .

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Algoritmo do tratamento terapêutico de náuseas e vômitos da gravidez (se não há melhora, avance para o próximo passo no algoritmo). Este algoritmo assume que outras causas de náuseas e vômitos foram descartadas. A qualquer passo, considere a nutrição enteral se a desidratação ou perda de peso persistente for observada. * Alguns medicamentos antieméticos só foram aprovados pela US Food and Drug Administration para uso em pacientes não grávidas; no entanto, o uso fora do rótulo é comum. Obstetras e outros prestadores de cuidados obstétricos devem aconselhar pacientes e documentar essas discussões em conformidade. O cuidado deve ser exercido se vários medicamentos antieméticos forem usados ??simultaneamente. O uso paralelo de alguns medicamentos (ver texto) pode resultar em um risco aumentado de efeitos adversos. † Nos Estados Unidos, a doxilamina está disponível como ingrediente ativo em alguns auxiliares de sono de balcão; metade de um comprimido de 25 mg marcado pode ser usado para fornecer uma dose de 12,5 mg de doxilamina. ‡ A tiamina, por via intravenosa, 100 mg com o líquido de reidratação inicial e 100 mg por dia para os próximos 2-3 dias (seguido de multivitaminas intravenosas), é recomendada para mulheres que necessitam de hidratação intravenosa e tenham vomitado durante mais de 3 semanas para prevenir uma ocorrência rara mas grave complicação materna, encefalopatia de Wernicke. (Modificado de Levichek Z, Atanackovic G, Oepkes D, Maltepe C, Einarson A, Magee L, et al., Náuseas e vômitos da gravidez. Algoritmo de tratamento baseado em evidências. Can Fam Physician 2002; 48: 267-8, 277.)

Resumo das Recomendações do Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras sobre Náuseas e Vômitos na Gravidez

As seguintes recomendações baseiam-se em evidências científicas boas e consistentes (Nível A):

Tratamento de náuseas e vômitos de gravidez com vitamina B6: Vitamina B6 (piridoxina) sozinha ou associada a doxilamina em combinação é segura e eficaz e deve ser considerada como farmacoterapia de primeira linha.

A recomendação padrão para tomar vitaminas pré-natais por 1 mês antes da fertilização pode reduzir a incidência e gravidade de náuseas e vômitos na gravidez.

O manejo adequado de testes anormais de tireoides maternos atribuíveis à tireotoxicose transitória gestacional, ou hiperêmese gravídica, ou ambos, inclui terapia de suporte e medicamentos antitireoidianos não são recomendados.

 

 

As seguintes recomendações baseiam-se em evidências científicas limiares ou inconsistentes (Nível B):

O tratamento de náuseas e vômitos da gravidez com gengibre mostrou alguns efeitos benéficos na redução dos sintomas de náuseas e pode ser considerado como uma opção não-farmacológica.

O tratamento de náuseas e vômitos graves da gravidez ou hiperêmese gravídica com metilprednisolona pode ser eficaz em casos refratários; No entanto, o perfil de risco da metilprednisolona sugere que deveria ser um tratamento de último recurso.

 

 

As seguintes recomendações baseiam-se principalmente em consenso e opinião de especialistas (Nível C):

O tratamento precoce de náuseas e vômitos da gravidez pode ser benéfico para prevenir a progressão da hiperêmese gravídica

A hidratação intravenosa deve ser usada para o paciente que não pode tolerar os líquidos orais por um período prolongado ou se estiverem presentes sinais clínicos de desidratação. A correção da cetose e da deficiência de vitaminas deve ser fortemente considerada. A dextrose e as vitaminas devem ser incluídas na terapia prolongada quando o vômito está presente e a tiamina deve ser administrada antes da infusão de dextrose para prevenir a encefalopatia de Wernicke.

A alimentação por tubo enteral (nasogástrica ou nasoduodenal) deve ser iniciada como o tratamento de primeira linha para fornecer suporte nutricional à mulher com hiperêmese gravídica que não responde à terapia médica e não consegue manter seu peso.

 

Os cateteres centrais inseridos periféricos não devem ser utilizados rotineiramente em mulheres com hiperêmese gravídica, dado as complicações significativas associadas a esta intervenção.

 

Os cateteres centrais inseridos perifericamente devem ser utilizados apenas como último recurso na gestão de uma mulher com hiperêmese gravídica por causa do potencial de morbidade materna severa.

Fonte: Obstet Gynecol. 2015 Sep;126(3):e12-24. com doi: 10.1097/AOG.0000000000001048. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26287788

 


Febre Amarela na Gravidez

Recife 19 de janeiro de 2018

infpop

 .
?O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr. Sergio Cimerman, em 19 de janeiro de 2017 elaborou um informativo à população sobre a epidemia de Febre Amarela disponível em

https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2017/01/Informativo_Febre_Amarela_Populacao.pdf
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Achei interessante destacar:
? Situações que necessitam avaliação especial sobre vacinação contra a febre amarela:
?Há situações especiais na qual a indicação da vacinação deverá ser avaliada pelo seu médico que irá expor qual o risco e o benefício de receber ou não a vacina
?Alguns exemplos que seu médico deve avaliar:
Crianças entre seis e oito meses;
Pessoas com idade acima de 60 anos;
Gestantes;
Mulheres amamentando crianças menores de seis meses
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? Também acho interessante destacar e divulgar que a Sociedade Brasileira de Infectologia orientou em caso de dúvidas, entrar em contato conosco pelo e-mail faleconosco@infectologia.org.br, pela nossa página no Facebook (facebook.com/SociedadeBrasileiradeInfectologia) ou (preferencialmente ao meu ver) procurar o seu médico infectologista
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Fico feliz quando com serenidade e muita boa vontade, usamos as redes sociais para ajudar à população principalmente em momentos difíceis como nesta epidemia de Febre Amarela no Brasil. Parabéns Dr. Sérgio Cimerman e demais colaboradores pelo belíssimo trabalho prestado à população!!!
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Clique a seguir para baixar o informativo na íntegra: Informativo_Febre_Amarela_Populacao

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#ginecologiaeostetríciaintegrativaefuncional #febreamarelanagravidez #epidemiadefebreamarela #flavivírus #flavivírusdenovo #nutrologiamaterna #nutrologiafeminina #nutrologiaemginecologiaeobstetrícia


infprof

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?O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr. Sergio Cimerman, em 19 de janeiro de 2017 elaborou um informativo aos profissionais de saúde sobre a epidemia de Febre Amarela disponível em

https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2017/01/Informativo_Febre_Amarela_Profissionais_de_saude.pdf.

?Segue o resumo das recomendações:
?Não é recomendada a vacinação contra FA de pessoas vivendo fora de áreas endêmicas, uma vez que o risco da vacina suplanta seus benefícios.
? Só é recomendada a vacinação para febre amarela em pessoas vivendo ou que vão viajar para áreas endêmicas para febre amarela, conforme mapa do Ministério da Saúde
?Neste grupo, a vacina é recomendada para pessoas entre 9 meses e 60 anos de idade, desde que não estejam imunossuprimidas, gestantes, mulheres em lactação e pessoas com doença no timo (ver texto para melhor discriminação dos grupos e exceções).
?Pessoas com mais de 60 anos deverão ser avaliadas em relação ao risco/benefício para recomendação de vacinação.
?Quando não há possibilidade de vacinação de pessoas visitando áreas endêmicas, deve-se reforçar medidas de proteção como uso de repelentes e roupas impregnadas com permetrina.
?Repelentes podem ser utilizados em crianças a partir de 2 meses de idade, segundo recomendações internacionais.
?No Brasil, a ANVISA só recomenda a utilização de repelentes a partir de 6 meses de idade (ver texto para melhor discriminação das recomendações).
?Os casos suspeitos devem ser imediatamente notificados aos CIEVS de cada Estado.
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Obrigado Dr. Sérgio Cimerman e demais colaboradores pelo belíssimo trabalho prestado aos profissionais de saúde e consequentemente à população!!!
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 Clique a seguir para baixar o informativo na íntegra: Informativo_Febre_Amarela_Profissionais_de_saude


 

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Elaborei um resumo voltado principalmente para as nossas gestantes a respeito da epidemia de Febre Amarela no Brasil. Segue os principais pontos que julguei interessante, ipsis litteris, do Guia de Febre Amarela elaborado pelo Ministério da Saúde do Brasil.

1. Conceito e Epidemiologia

A Febre Amarela é uma doença infecciosa febril aguda transmitida por vetores artrópodes e causada por um vírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. A identificação do Aedes aegypti como transmissor do vírus, em 1900, foi seguida por ações de controle do vetor que resultaram em significativo declínio da doença fora das áreas tropicais endêmicas.

A introdução da vacina contra a febre amarela no País em 1937, o intenso combate ao vetor e a imunização em massa na década seguinte levaram à eliminação da doença nas áreas urbanas no Brasil. O registro dos últimos casos da febre amarela urbana no País ocorreu na cidade de Sena Madureira (AC), em 1942. A partir dessa data, a febre amarela urbana (transmitida por Aedes aegypti) não foi mais registrada e o ciclo de transmissão silvestre passou a predominar com registros de epidemias.

Atualmente, a febre amarela silvestre (FA) é uma doença endêmica no Brasil (i.e., região amazônica). Na região extra-amazônica, períodos epidêmicos são registrados ocasionalmente, caracterizando a reemergência do vírus no País. O padrão temporal de ocorrência é sazonal, com a maior parte dos casos incidindo entre dezembro e maio, e com surtos que ocorrem com periodicidade irregular, quando o vírus encontra condições favoráveis para a transmissão.

2 Manejo clínico de pacientes adultos com suspeita de febre amarela

O período de incubação (tempo entre a infecção pela picada do mosquito e o aparecimento de quadro clínico) médio varia entre 3 e 6 dias, podendo ser de até 10 a 15 dias.

O período de transmissibilidade (tempo em que um indivíduo com febre amarela possui vírus no sangue e pode infectar um mosquito vetor se for picado) vai de 24 a 48 horas antes até 3 a 5 dias após o início dos sintomas. O mosquito infectado transmite o vírus por seis a oito semanas.

O espectro clínico da febre amarela pode variar desde infecções assintomáticas até a quadros graves e fatais

O quadro clínico clássico caracteriza-se pelo surgimento súbito de febre alta, geralmente contínua, cefaleia intensa e duradoura, inapetência, náuseas e mialgia. O sinal de Faget (bradicardia acompanhando febre alta) pode ou não estar presente. Nas formas leves e moderadas os sintomas duram cerca de dois a quatro dias e são aliviados com o uso de sintomáticos, antitérmicos e analgé- sicos, e ocorrem em cerca de 20% a 30% dos casos. As formas graves e malignas acometem entre 15% a 60% das pessoas com sintomas que são notificadas durante epidemias, com evolução para óbito entre 20% e 50% dos casos. Na forma grave, cefaleia e mialgia ocorrem em maior intensidade, acompanhadas de náuseas e vômitos frequentes, icterícia e pelo menos oligúria ou manifestações hemorrágicas, como epistaxe, hematêmese e metrorragia. Classicamente os casos de evolução maligna podem apresentar um período de remissão dos sintomas de 6 a 48 horas entre o 3º e 5º dias de doença, seguido de agravamento da icterícia, insuficiência renal e fenômenos hemorrágicos de grande monta.

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3 Imunização

A vacinação contra febre amarela (VFA – atenuada) é a medida mais importante e eficaz para prevenção e controle da doença. A vacina usada no Brasil é produzida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e consiste de vírus vivos atenuados da subcepa 17DD, cultivados em embrião de galinha.

É um imunobiológico seguro e altamente eficaz na proteção contra a doença, com imunogenicidade de 90% a 98% de proteção. Os anticorpos protetores aparecem entre o sétimo e o décimo dia após a aplicação da vacina, razão pela qual a imunização deve ocorrer dez dias antes de se ingressar em área de risco da doença.

Esquema vacinal: O esquema vacinal consiste em uma dose única a partir dos 9 meses de idade.

Via de administração: Subcutânea. O volume da dose é 0,5 mL.

Indicação da vacina:

• Residentes ou viajantes para as áreas com recomendação de vacinação (todos os estados das regiões Norte e Centro-Oeste; Minas Gerais e Maranhão; alguns municípios dos estados do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Os viajantes para essas áreas devem ser vacinados pelo menos 10 dias antes da viagem.

• Pessoas que se deslocam para países endêmicos, conforme recomendações do Regulamento Sanitário Internacional (RSI).

Imunização em Gestantes:

Gestantes e mulheres amamentando: a vacinação de gestantes e lactantes não é recomendada em áreas sem circulação viral. Nas áreas com confirmação de circulação viral (epizootias, casos humanos e ou vetores infectados com o vírus da febre amarela), as gestantes e lactantes devem ser vacinadas. Recomenda-se a suspensão do aleitamento materno por dez dias após a vacinação. É importante procurar um serviço de saúde para orientação e acompanhamento a fim de manter a produção do leite materno e garantir o retorno à lactação. Esta recomendação é baseada nas evidências atuais e pode ser modificada futuramente. 

Contraindicações à imunização

? Gestantes. A administração deve ser analisada caso a caso na vigência de surtos.

4. Medidas de prevenção e controle da infecção

A vacinação é a principal medida de controle da febre amarela, e durante a ocorrência de um surto da doença recomenda-se vacinação das pessoas não vacinadas que residem ou vão se deslocar para a área de risco. As áreas com recomendação da vacina (ACRV) são determinadas pelo Ministério da Saúde e mudam periodicamente, de acordo com o resultado de estudos de vigilância em primatas não humanos e com a ocorrência de surtos.

A imunidade ocorre cerca de dez dias após a primeira dose da vacina, portanto deve-se recomendar outras medidas para a proteção de indivíduos recém-vacinados que residem ou vão se deslocar para a área de risco:

– Usar repelente de insetos enquanto estiverem acordados. Devem ser aplicados em toda a área de pele exposta respeitando os intervalos orientados pelos fabricantes, as condições climáticas com elevada umidade e temperatura, e após contato com a água. Não há contraindicação do uso dos repelentes registrados pela Anvisa para uso de gestantes e nutrizes. Os repelentes mais recomendados são os que contém DEET(N,N-Dietil-Meta-Toluamida), na concentração entre 25 e 50% e os que contém Icaridina (Hydroxyethylisobutylpiperidinecarboxylate), na concentração de 20% a 25%, por terem maior duração de ação, necessitando reaplicação menos frequente e consequentemente favorecendo uma melhor adesão. Os repelentes a base de IR3535 (Ethylbutylacetylaminopropionate) também podem ser usados. Repelentes naturais não tem eficácia comprovada e não são recomendados.

– O Quadro 13 descreve algumas opções de repelentes disponíveis comercialmente e suas principais características, segundo informações dos fabricantes.

– Proteger a maior extensão possível de pele por meio do uso de calça comprida, blusas de mangas compridas e sem decotes, de preferência largas, não coladas ao corpo, meias e sapatos fechados. O uso de roupas claras facilita a identificação de mosquitos e permite que eles sejam mortos antes de picarem o indivíduo.

– Não usar repelentes por debaixo das roupas. Podem ser usados por cima das roupas; seguindo orientações dos fabricantes.

– Passar o maior tempo possível em ambientes refrigerados, com portas e janelas fechadas e/ou protegidas por telas com trama adequada para impedir a entrada de mosquitos.

– Dormir sob mosquiteiros corretamente arrumados para não permitir a entrada de mosquitos (abas de abertura sobrepostas e barras inferiores embaixo do colchão); preferencialmente dormir debaixo de mosqueteiros impregnados com permetrina.

– Usar repelentes ambientais (sprays, pastilhas e líquidos em equipamentos elétricos) durante todo o tempo em que estiverem em ambientes domiciliares ou de trabalho, inclusive à noite.

Crianças menores de 6 meses de idade, que não podem receber a vacina e nem usar repelentes de aplicação direta na pele, devem ser mantidas o tempo todo sob mosquiteiros e/ou em ambiente protegido (refrigerado com portas e janelas fechadas ou protegidas por tela, com repelentes ambientais).

Crianças maiores de 6 meses e adultos que, por contraindicação clínica, não possam ser vacinados ou que por qualquer motivo ainda não tenham recebido a vacina devem seguir as mesmas orientações descritas para os dez dias após a vacinação enquanto durar o surto de febre amarela.

Pacientes com suspeita de febre amarela devem ser protegidos de picadas do mosquito transmissor, tanto em ambiente domiciliar quanto hospitalar. O paciente deverá permanecer em ambiente protegido por tela em portas e janelas, de preferência refrigerado. Na impossibilidade desses recursos, utilizar o mosquiteiro impregnado com permetrina durante todo o tempo de transmissibilidade, acrescido de mais um dia (ou seja, até o sexto dia de doença). Aplicar o repelente nas áreas expostas conforme orientação do fabricante igualmente pelo mesmo período. Tanto as telas quanto os mosquiteiros podem ser impregnados com permetrina para aumentar sua eficácia; no ambiente hospitalar, no entanto, deve ser evitado o uso de mosquiteiros impregnados para minimizar o risco de alergias/intoxicações.

Apesar de o vírus ser encontrado em sangue e secreções contaminadas com sangue, de haver o relato de isolamento do vírus vacinal em pessoas com sintomas respiratórios oito dias após a vacinação, não existe evidência de transmissão direta, pessoa a pessoa, da febre amarela, tampouco via hemotransfusão. A recomendação, portanto, é manter precauções padrão para os pacientes internados com o diagnóstico de febre amarela, independente da forma clínica, inclusive para despejo e tratamento de resíduos sólidos e líquidos.

Não há recomendação de cuidados especiais para os pacientes com febre amarela em uso de diálise ou outros equipamentos invasivos, devendo portanto serem tomadas as mesmas medidas de precaução padrão adotadas com os demais pacientes em diálise: os capilares devem ser de uso exclusivo, podendo ser reutilizados no mesmo paciente desde que cumpridas as exigências previstas na RDC11/2014; não há necessidade de uso de máquina ou ambiente exclusivo para o paciente com febre amarela. Os procedimentos de limpeza e desinfecção ambiental e de material médico-hospitalar devem seguir igualmente as normas preconizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem alguma recomendação em especial.

Pacientes com febre amarela são potencial fonte de infecção para mosquitos durante o transporte para hospitais em áreas urbanas a fim de receber cuidados de saúde. Recomenda-se o uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, uso de repelente nas áreas expostas de pele e nas rou – pas e, se possível, mosquiteiro sobre a maca desde a saída da Unidade Básica de Saúde até a chegada ao leito do hospital de destino.

8 Onde obter mais informações sobre a febre amarela Para informações atualizadas sobre casos de febre amarela no Brasil e no mundo:

Ministério da Saúde: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-amarela

Organização Mundial da Saúde:  http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs100/en/

Sociedade Brasileira de Infectologia: https://www.infectologia.org.br/pg/1233/

Clique a seguir para baixar o Guia na íntegra: febre_amarela_guia_profissionais_saude

 

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Violência contra a mulher: Basta!!!

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Em tempos de violência contra a mulher, assédio moral e sexual, vale a pena se posicionar FRONTALMENTE contra tudo isto que tanto atrapalha a saúde PLENA da mulher
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Não dá pra deixar de se preocupar com a principal causa básica de óbitos de mulheres em idade reprodutiva: o homicídio!!! A mesma mulher que gesta, que “dá a luz”, que cuida dos filhos e do companheiro, que cada vez mais está inserida no mercado de trabalho, continua sendo violentada e assediada.
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Basta de violência contra a mulher
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Caro profissional de saúde: pergunte se sua cliente sofreu algum tipo de violência física, sexual ou psicológica. Assim que você encontrar um caso, mesmo que 99 ou mais digam que não sofreram nenhum tipo de violência, você fez a diferença na vida dessa única pessoa, permitindo uma orientação e acompanhamento adequados sobre o caso. E as outras que por acaso negaram ter sofrido algum tipo de violência, por medo, vergonha ou “esquecimento” lembrarão de sua preocupação e no mínimo se sensibilizarão sobre o tema
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*Costumo dizer que se pesquisarmos bem direitinho, em cada família há pelo menos um caso de violência contra a mulher e muitas vezes o agressor está bem próximo da convivência desta família. Nem sempre temas complicados como esse são fáceis de abordar, mas costumo dizer que não devemos fazer o que é fácil ou descomplicado, DEVEMOS FAZER O QUE É O CERTO.
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* Existem varias organizações, grupos, departamentos que apoiam esta causa e que contribuem positivamente a favor das mulheres
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* Gravei um vídeo no YouTube explicando a importância de se investigar a violência contra as mulheres. Colocarei abaixo deste post
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E VOCÊ, QUAL SUA OPINIÃO SOBRE O TEMA: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER?
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MORTALIDADE FEMININA EM IDADE REPRODUTIVA NO MUNICÍPIO DO RECIFE NO PERÍODO DE 1997 A 2004

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DE GLAUCIUS CASSIANO DO NASCIMENTO

ORIENTADOR: Prof. Dr. RIVALDO MENDES DE ALBUQUERQUE

CO-ORIENTADOR: Prof. Dr. OLÍMPIO BARBOSA DE MORAES FILHO

UPE 2007

RESUMO

              Estudos sobre a mortalidade feminina em idade reprodutiva podem indicar a qualidade de vida e de saúde da população; visto que as mulheres em idade fértil falecem muito freqüentemente por causas consideradas evitáveis. Foi realizado um estudo descritivo; de base populacional; do tipo corte transversal visando identificar as principais causas de óbito em mulheres entre 10 e 49 anos; residentes no Recife; falecidas no período de 1997 a 2004. A base dos dados foi obtida a partir do banco de dados oficiais da Gerência Operacional de Informação sobre Mortalidade e Natalidade da Secretaria de Saúde do Recife. A mortalidade feminina em idade reprodutiva foi analisada de acordo com algumas variáveis do perfil sociodemográfico; ano de ocorrência e causas de óbito. Calcularam-se diversos coeficientes de mortalidade que foram comparados de acordo com os quadriênios estudados (1997-2000 e 2001-2004). Procurou-se evidenciar alguma variação estatisticamente significante através do teste do qui-quadrado; adotando-se como limite de significância um p < 0;05. Predominaram os óbitos de mulheres na faixa etária de 40-49 anos; negras e solteiras. Os principais grupos de causas foram representados pelas neoplasias (23;74%); doenças do aparelho circulatório (23;08%); causas externas (17;19%); algumas doenças infecciosas e parasitárias (10;24%); além das doenças do aparelho respiratório (5;98%). O coeficiente de mortalidade feminina em idade reprodutiva foi de 130;15 óbitos por 100.000 mulheres. Houve uma redução estatisticamente significante para os coeficientes de mortalidade feminina em idade reprodutiva de acordo com os quadriênios estudados para os óbitos em geral e por causas externas. Entretanto; esta diminuição ocorreu às custas do decréscimo dos acidentes de transporte; visto que o coeficiente de mortalidade por homicídios foi bastante elevado; bem superior aos demais estudos; apresentando tendência crescente ao longo dos anos. A razão de mortalidade materna foi de 69;61 óbitos por 100.000 nascidos vivos. As mortes obstétricas diretas foram as principais causas dos óbitos maternos; cujas causas básicas mais freqüentes foram: distúrbios hipertensivos (42;7%); distúrbios hemorrágicos (15;73%); distúrbios infecciosos (11;24%); distúrbios tromboembólicos (11;24%) e complicações do abortamento (7;87%). Chama atenção ainda; o elevado percentual de mortalidade materna por cardiopatias; tanto para as causas obstétricas indiretas (43;4%); como para a mortalidade materna em sua totalidade (16;2%). Elevados coeficientes de mortalidade; por 100.000 mulheres; foram encontrados de forma geral e para as mais freqüentes causas básicas de óbito representadas pelos homicídios (11;11); doenças cerebrovasculares (9;83); doenças isquêmicas do coração (8;37); neoplasias malignas da mama (6;60) e doenças virais (6;50). Houve tendência ao decréscimo dos coeficientes de mortalidade por neoplasia maligna do útero e por tuberculose ao longo dos anos estudados; porém com valores bastante superiores quando comparados a outros trabalhos. É necessário que haja a criação de políticas de saúde voltadas para a população feminina em idade reprodutiva; além do monitoramento permanente da sua mortalidade; visando a melhoria da assistência à saúde feminina na cidade de Recife.

Abaixo, os links para quem quiser mais detalhes e/ou ler a dissertação de mestrado na íntegra:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=124976

http://livros01.livrosgratis.com.br/cp075791.pdf

 

 

Fator V de Leiden

Factor V Leiden 

Jody L Kujovich , MD

Professor Assistente de Medicina, Divisão de Hematologia e Oncologia Médica
Oregon Health and Science University
Portland, Oregon ude.usho@hcivojuk

Última atualização: 4 de janeiro de 2018 .

Resumo

Características clínicas.

A trombofilia Fator V Leiden é caracterizada por uma fraca resposta anticoagulante à proteína C ativada (PCa) e um risco aumentado de tromboembolismo venoso (TEV). A trombose venosa profunda (TVP) é a TEV mais comum, sendo as pernas o sítio mais comum. A trombose em locais incomuns é menos comum. A evidência sugere que a heterozigosidade para a variante de Leiden tem, no máximo, um efeito modesto sobre o risco de trombose recorrente após o tratamento inicial de uma primeira TEV. É improvável que a trombofilia do fator V Leiden (ie, heterocigosidade ou homozigoticidade para a variante de Leiden) é um fator importante que contribui para a perda da gravidez e outros desfechos adversos da gravidez (pré-eclâmpsia, restrição do crescimento fetal e desprendimento da placenta). A expressão clínica da trombofilia de Leiden do fator V é influenciada pelo seguinte:

  • O número de variantes de Leiden (heterozigotos têm um risco ligeiramente aumentado de trombose venosa, os homozigotos apresentam um risco trombótico muito maior)
  • Distúrbios trombofílicos genéticos conviventes, que têm um efeito supra-aditivo no risco trombótico geral
  • Distúrbios trombofílicos adquiridos: síndroma de anticorpos antifosfolipídicos (APLA), hemoglobinúria paroxística noturna, distúrbios mieloproliferativos e níveis aumentados de fatores de coagulação
  • Fatores de risco circunssivos, incluindo mas não limitado a gravidez, cateteres venosos centrais, viagens, contraceptivo oral combinado (COC) e outros anticoncepcionais combinados, terapia de reposição hormonal oral (TRH), moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMs), obesidade, lesão nas pernas e idade avançada

Diagnóstico / teste.

A trombofilia do Factor V Leiden é suspeita em indivíduos com história de tromboembolismo venoso (TEV) manifestados como trombose venosa profunda (TVP) ou embolia pulmonar, especialmente em mulheres com história de TEV durante a gravidez ou em associação com o uso de anticonceptivos contendo estrogênio, e em indivíduos com história pessoal ou familiar de trombose recorrente. O diagnóstico de trombofilia de Leiden do fator V é estabelecido em uma probanda por identificação de uma variante heterozigótica ou homozigóticac.1691G> A (referida como variante V de Leiden F5 em F5 , o fator V codificador de genes em conjunto com testes de coagulação tais como o teste de resistência à APC.

Gestão.

Tratamento das manifestações: a primeira trombose aguda é tratada de acordo com as diretrizes padrão. A duração da terapia de anticoagulação oral deve basear-se em uma avaliação dos riscos para a recorrência de TEV e hemorragia relacionada com anticoagulantes.

Prevenção de manifestações primárias: na ausência de história de trombose, a anticoagulação profilática de longo prazo não é rotineiramente recomendada para heterozigotos assintomáticos de Leiden. Um curto curso de anticoagulação profilática quando fatores de risco circunstantes estão presentes pode prevenir a trombose inicial em heterozigotos variáveis ??de Leiden.

Vigilância: reavaliação periódica de indivíduos em anticoagulação de longo prazo para avaliar riscos (sangramento) versus benefícios.

Agentes / circunstâncias a serem evitadas:

  • As mulheres heterozigotas para a variante Leiden e uma história de TEV devem evitar a contracepção contendo estrógeno e TRH.
  • As mulheres homozigéticas para a variante Leiden com ou sem TEV prévia devem evitar a contracepção contendo estrógeno e TRH.
  • Enquanto as mulheres assintomáticas heterozigotas para a variante de Leiden devem ser aconselhadas a considerar formas alternativas de contracepção e controle de sintomas da menopausa, aqueles que escolhem o uso de:
    • Os contraceptivos orais devem evitar a terceira geração e outras progestágenos com maior risco trombótico.
    • HRT de curto prazo para sintomas de menopausa severa deve evitar formulações orais.

Avaliação de parentes em risco: Embora o estado genético de membros aparentemente assintomáticos em risco de família possa ser estabelecido usando testes genéticos moleculares , as indicações para o teste de membros da família em risco não estão resolvidas. Na ausência de evidências de que a identificação precoce da variante de Leiden leva a intervenções que podem reduzir a morbidade ou a mortalidade, as decisões relativas ao teste devem ser feitas individualmente. No entanto, se os resultados forem susceptíveis de afectar a gestão, o esclarecimento do estado da variante de Leiden pode ser indicado em parentes do sexo feminino em risco considerando a contracepção hormonal ou a gravidez ou em famílias com uma forte história de trombose venosa recorrente em uma idade jovem.

Aconselhamento genético.

A trombofilia Factor V Leiden (ie, predisposição ao desenvolvimento de trombose venosa) é herdada de forma autossômica dominante . Homozygosity para a variante de Leiden (e um risco muito maior de trombose venosa) são herdados de forma autossômica recessiva . Devido à alta prevalência do alelo do factor V Leiden na população em geral, o estado genético de ambos os pais e / ou o parceiro reprodutor de um indivíduo afetado precisa ser avaliado antes que informações sobre riscos potenciais para irmãos ou descendentes possam ser fornecidas. Uma vez que a variante de Leiden tenha sido identificada em um membro da família, testes pré-natal para gravidez com risco aumentado e diagnóstico genético pré – implantaçãoe possivel. Podem existir diferenças de perspectiva entre os profissionais da medicina e as famílias quanto ao uso do teste pré-natal, particularmente se o teste estiver sendo considerado para fins de término da gravidez e não o diagnóstico precoce dessa mudança genética, o que é comum na população geral e está predispondo para, mas não preditivo, trombose.