HIdronefrose Fetal

 O que toda gestante, obstetra ou fetólogo precisam saber sobre dilatação piélica e hidronefrose fetal

Uma das principais preocupações quando do diagnóstico de uma simples dilatação da pelve renal fetal é saber se há alguma associação com algum outro defeito maior ou menor. Isoladamente a dilatação piélica é considerada um achado menor em Medicina Fetal, portando não traz consequências importantes, prejudiciais em sua grande maioria. Portanto, o diagnóstico é fundamental inclusive para tranquilizar a paciente, pois no período pós-natal há uma possibilidade maior de risco de infecção urinária fetal e este diagnóstico prévio pode ser muito útil para a conduta no período pós-natal. Outra preocupação é sobre a progressão da dilatação piélica à hidronefrose, neste caso a classificação e o acompanhamento ultrassonográfico devem ser bastante cuidadosos.

A hidronefrose é uma das anormalidade mais comuns do rim neonatal, e como sabemos, a ultrassonografia é uma ferramenta diagnóstica fundamental na avaliação dessa patologia, como também na busca do fator etiológico.

A maior utilização da ultrassonografia obstétrica no nosso dia a dia, trouxe um grande impacto na detecção da hidronefrose pós natal, pois dessa forma aumentou-se o numero de diagnósticos dessa patologia, sendo o maior desafio, agora, classificá-las e descobrir quais são suas possíveis causas.

Classificar essas hidronefroses realmente se tornou um desafio nos dias de hoje, uma vez que existe mais de um tipo de classificação. Sabemos que a classificação das hidronefroses está relacionada com o grau de dilatação (pelve e cálices) e compressão (parênquima) do sistema-coletor. Dentre elas temos a classificação radiológica/urológica, que é universalmente aceita e se divide da seguinte forma:

  • Grau 0: normal
  • Grau 1: dilatação apenas da pelve renal
  • Grau 2: dilatação da pelve renal e alguns cálices
  • Grau 3: dilatação da pelve renal e todos os cálices
  • Grau 4: dilatação da pelve renal e todos os cálices, associada a afilamento cortical (1)

É claro que os achados com dilatação dos grupamentos caliciais e do ureter ou ainda com acomentimento de bexiga dilatada são preocupantes e merecem atendimento em centro de referência para medicina fetal. O maior benefício do diagnóstico pré-natal de pieloectasia é permitir ao pediatra exercer um controle e avaliação completa pós-natal precoce e dar um diagnóstico definitivo (Langer, 2000). Concluímos que o achado de pieloectasia é bastante freqüente e muito esporadicamente significativo, ao menos quando isolado, tanto para predizer síndrome de Down fetal quanto para ser usado como preditivo de função renal alterada na infância. Ainda assim, o relato do achado permite um controle pré-natal no sentido de afirmar seu caráter isolado ou não, e permite um acompanhamento adequado dos casos pertinentes de obstrução das vias urinárias, quando um controle no terceiro trimestre é muito importante. (2)

Uma dissertação de mestrado (3) concluiu através de uma série de casos de Pieloectasia Leve Bilateral (PELB) fetal, sem cálices ou ureteres visíveis, pode ser controlada ultrassonograficamente no terceiro trimestre tardio e, como não há casos progredindo o suficiente para indicar intervenção fetal, os procedimentos devem ser deixados para o período neonatal. A realização de ultrassonografias seriadas pode ser estressante e inútil nesses casos particulares.

Portanto, após o diagnóstico o que a paciente e se acompanhante necessitam é de informação de qualidade, de que a maior probabilidade nos casos de dilatação piélica é que não acontecerá nada, mas precisa realizar exames de ultrassonografias com profissionais especializados no período pré e pós-natal.

Abaixo farei algumas considerações relevantes e mais especializadas sobre o assunto. Iniciando com as três principais condições mais frequentemente associadas à dilatação alta do trato urinário fetal: Hidronefrose, Obstrução da Junção Utereto-Piélica (JUP) e Rim em Ferradura. E colocarei as referências aos profissionais da área da saúde ou demais entusiastas do assunto, além de algumas imagens que considero importantes obtidas prlo Google Imagens.


Referências:

1. Classificação e principais causas das hidronefroses no período pós natal – Educa Cetrus 

2. Pieloectasia – Panorama Internacional – Bundunki e Zugaib 2004 https://www.scielo.br/j/ramb/a/WQ36fCYRFnTBKVhHtQ9FnHc/?lang=pt https://doi.org/10.1590/S0104-42302004000200007

3. Acompanhamento ulttrassonográfico, análise da evolução das pieloectasias renais fetais leves bilaterais e proposta de seguimento pré-natal. Dissertação de Mestrado de  Gustavo de Paula Pereira 2013 FMUSP. Orientador: Marcelo Zugaib https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-18022014-154712/publico/GustavodePaulaPereira.pdf

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Hidronefrose

Prevalência:
  • 1 em 500 nascimentos.
Diagnóstico Ultrassonográfico:
  • Dilatação do sistema coletor renal observada no corte transverso padrão do abdome. Ureteres e bexigas normais.
  • Dependendo do diâmetro anteroposterior da pelve, a condição é dividida em:

Leve ( apenas pelve renal): 4-7 mm no 2o trimestre; 7-9 mm no 3o.

Moderada ( pelve e cálices): 8-10 mm no 2o trimestre; 10-15 mm no 3o.

Severa (afinamento cortical): >10 mm no 2o trimestre; >15 mm no 3o.

Anormalidades associadas:
  • Defeitos cromossômicos: risco baixo em formas isoladas.
  • Anormalidades do rim contralateral: rim multicísticos, ectopia, agenesia renal.
  • Síndromes associadas são vistas em 5% dos casos.
Investigação:
  • Ultrassonografia detalhada (especialmente do rim contralateral).
  • Cariótipo deve ser oferecido apenas caso outros marcadores estejam presentes.
Seguimento:
  • Ultrassom a cada 4 semanas para monitorar evolução da hidronefrose e avaliar volume de líquido amniótico.
Parto:
  • Assistência obstétrica e parto de rotina.
Prognóstico:
  • Na maioria dos casos, a condição permanece estável ou se revolve no período neonatal. Em cerca de 20%, pode haver uma obstrução uretero-pélvica ou refluxo vesico-ureteral subjacente o que requer acompanhamento pós-natal e possivelmente cirurgia. Hidronefrose moderada é usualmente progressiva e em mais de 50% dos casos, cirurgia é necessária durante os primeiros 2 anos de vida.
Recorrência:
  • Isolada: não há risco aumentado.

Referência: https://fetalmedicine.org/education/fetal-abnormalities/trato-urinario/hidronefrose

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Obstrução da junção uretero-pélvica – Fetal Medicine Foundation

Prevalência:
  • 1 em 2.000 nascimentos.
  • Mais comum em homens.
Diagnóstico Ultrassonográfico:
  • Dilatação pelvi-calicinal sem dilatação ureteral. O grau de dilatação pelvi-calicinal é variável e, ocasionalmente, urinomas perinéfricos (coleção encapsulada de urina devido à rotura da pelve renal ou cálices ou do ureter) e ascite urinária podem ocorrer.
  • Unilateral em 80% dos casos.
Anormalidades associadas:
  • A incidência de anomalias cromossômicas e síndromes genéticas não é aumentada.
  • Anormalidades do rim contralateral: rim multicísticos, ectopia, agenesia renal.
Investigação:
  • Ultrassonografia detalhada.
Seguimento:
  • Ultrassom a cada 4 semanas para monitorar evolução da hidronefrose e avaliar volume de líquido amniótico.
Parto:
  • Assistência obstétrica e parto de rotina.
Prognóstico:
  • A maioria das crianças tem função moderada ou normal podendo ser feita conduta expectante. Pieloplastia é realizada se houver deterioração da função renal.
Recorrência:
  • Não há risco aumentado.
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Rim em ferradura

Prevalência:
  • 1 em 400 nascimentos.
  • Mais comum em fetos masculinos.
Diagnóstico Ultrassonográfico:
  • Fusão dos polos inferiores de ambos os rins anteriormente à aorta descendente.
  • Rim em ferradura é melhor demonstrado nos cortes coronal e transverso em que tecido renal é visto cruzando a linha média.
  • • Bexiga e volume de líquido amniótico normais.
Anormalidades associadas:
  • Anomalias cromossômicas: rim em ferradura é visto em 30% dos casos de Sd. Turner e 20% de trissomia 18.
  • Síndromes associadas são vistas em 15% dos casos. A mais comum é a Síndrome de Regressão Caudal (esporádica; agenesia ou hipoplasia sacral, corpos vertebrais hipoplásicos e atresia anal).
  • Outros defeitos incluem Hidronefrose e anomalias genitais.
  • Defeitos extra-renais, principalmente SNC, cardíacos ou esqueléticos, são vistos em 30% dos casos.
Investigação:
  • Ultrassonografia detalhada.
Seguimento:
  • Ultrassom a cada 4 semanas para detectar possível desenvolvimento tardio de hidronefrose.
Parto:
  • Assistência obstétrica e parto de rotina.
Prognóstico:
  • Em formas isoladas, o prognóstico é bom. Acompanhamento pós-natal é recomendado pelo risco significativo de infecção, hidronefrose e nefrolitíase (70%).
Recorrência:
  • Isolada ou parte da Sd. Turner: não há aumento no risco.
  • Parte da trissomia 18: 1%.
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RESUMOS DE ARTIGOS DE REVISÃO

Hidronefrose na criança

Hydronephrosis in children

Clécio Piçarro1; José Maria Penido Silva2; Eduardo Araújo Oliveira3

1. Médico Cirurgiao Pediátrico. Doutor em Cirurgia. Professor Adjunto do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG, Membro do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG. Belo Horizonte, MG – Brasil
2. Médico Pediatra. Doutor em Pediatria. Professor Adjunto do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG. Membro do Serviço de Nefrologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG. Belo Horizonte, MG – Brasil
3. Médico Pediatra. Doutor em Pediatria. Professor Titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG. Coordenador do Serviço de Nefrologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG. Belo Horizonte, MG – Brasil

Endereço para correspondênciaClécio Piçarro
E-mail: cleciop@hotmail.com

Instituiçao: Faculdade de Medicina e Hospital das Clínicas da UFMG Belo Horizonte, MG – Brasil

RESUMO

A hidronefrose é uma afecção comum na criança e consiste na dilatação do sistema coletor renal, podendo ser congênita, e por isso denominada hidronefrose fetal, ou pode ser adquirida, o que é menos frequente. A hidronefrose fetal pode ser diagnosticada ainda na vida intrauterina, por meio da ultrassonografia obstétrica. Dilatações leves a moderadas podem resolver-se espontaneamente antes ou após o nascimento. Porém, dilatações maiores podem ser causa de infecção urinária, causar dano ao parênquima renal e provavelmente irao requerer tratamento cirúrgico. As principais causas de hidronefrose fetal que persistem após o nascimento são: estenose de junção ureteropélvica, refluxo vesicoureteral, estenose da junção ureterovesical, duplicações pieloureterais, associado ou não a ureterocele, e válvula de uretra posterior. Em relação à hidronefrose adquirida, a etiologia mais comum é a angulação do ureter proximal por vaso polar anômalo, porém também pode ser devida à ureterolitíase, que é incomum. Nesses casos normalmente diagnostica-se a hidronefrose devido à propedêutica de dor abdominal crônica recorrente em crianças maiores.Na conduta inicial na hidronefrose fetal, logo após o nascimento, deve-se realizar ultrassonografia das vias urinárias, para confirmar e classificar o grau de hidronefrose. De acordo com os achados ultrassonográficos é que se decidirá se será necessário estender a propedêutica ou manter conduta expectante. Na condução subsequente dessas crianças é importante o acompanhamento do nefrologista-pediatra e do cirurgiao-pediatra, convindo que sejam tratadas em centros especializados, com todos os recursos necessários para o diagnóstico e tratamento adequado.

Palavras-chave: Hidronefrose; Recém-Nascido; Criança; Nefropatias; Doenças Fetais.

Referência: DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20140039


Tratamento da hidronefrose antenatal

    Resumo

    A hidronefrose antenatal (HAN) é a anormalidade mais frequentemente detectada pela ultrassonografia pré-natal. O diagnóstico diferencial da HAN inclui uma ampla variedade de anormalidades congênitas do rim e do trato urinário, desde anormalidades leves, como HAN transitória ou isolada, até as mais importantes, como refluxo vesicoureteral congênito de alto grau ou obstrução da junção ureteropélvica. Sabe-se que o resultado depende da etiologia subjacente. Vários sistemas de classificação têm sido propostos para a classificação de HAN na ultrassonografia pré-natal e pós-natal. A HN isolada leve representa até 80% dos casos, é considerada benigna e a maioria resolve, estabiliza ou melhora durante o seguimento. Existem controvérsias em relação ao diagnóstico e manejo de algumas causas importantes e graves de HN, como refluxo vesicoureteral de alto grau e obstrução da junção ureteropélvica. A abordagem atual está se tornando cada vez mais conservadora durante o diagnóstico e acompanhamento desses pacientes com menos exames de imagem e acompanhamento próximo. No entanto, ainda não há consenso sobre o significado clínico, avaliação pós-natal e manejo de lactentes com HNA. O objetivo desta revisão é discutir as controvérsias e fornecer uma visão geral sobre o manejo da HAN. avaliação pós-natal e manejo de bebês com HAN. O objetivo desta revisão é discutir as controvérsias e fornecer uma visão geral sobre o manejo da AHN. avaliação pós-natal e manejo de bebês com AHN. O objetivo desta revisão é discutir as controvérsias e fornecer uma visão geral sobre o manejo da HAN.

    Principais pontos de resumo

    •  A hidronefrose antenatal é a mais frequentemente anormalidade detectada  por US pré-natal e seu resultado depende da etiologia subjacente.
    •  Ainda não há consenso para a avaliação e manejo de pacientes com HAN.
    • HAN leve isolado representa até 80% dos casos e geralmente considerada como uma condição autolimitada.
    • Abordagem conservadora com acompanhamento cuidadoso para pacientes com RVU (Refluxo Vésico Ureteral) e UPJO (obstrução da Junção Uretero-Piélica) assintomáticos geralmente são
      recomendado nos últimos anos.

    Palavras-chave: Hidronefrose antenatal; Ultrassonografia; Obstrução da junção ureteropélvica; Infecção do trato urinário; Refluxo vesico-ureteral.

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    Resultado clínico de crianças com hidronefrose diagnosticada no pré-natal

      Artigo gratuito do PMC

      Resumo

      A dilatação da pelve renal fetal é uma condição comum, observada em 1-4. 5% das gestações. Em muitos casos, esse achado se resolve espontaneamente. No entanto, às vezes pode ser um sinal de patologias significativas do trato urinário. As principais anormalidades encontradas após o nascimento são estenose da junção ureteropélvica, refluxo vesicoureteral primário, megaureter, rins duplex e valvas uretrais posteriores, sendo a estenose da junção ureteropélvica e refluxo vesicoureteral primário a maioria dos casos. O diagnóstico, o manejo e o prognóstico a curto e longo prazo dessas condições serão revisados ​​neste artigo.

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      US de uma dilatação grave na estenose da junção uretero-pélvica.

       

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      Imagem VCUG de refluxo vesicoureteral primário grau V.

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      US de ureterocele obstrutiva em um sistema duplex.

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      RVU de alto grau e megabexiga com divertículos em uma criança com válvulas uretrais posteriores.

       

       

      Referência: DOI: 10.3389/fped.2019.00103

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      Fronteiras da Pediatria, 27 de agosto de 2020 | https://doi.org/10.3389/fped.2020.00458

      Classificação da hidronefrose: um desafio contínuo – Artigo traduzido na íntegra

      • Seção de Urologia Pediátrica, Departamento de Cirurgia Pediátrica, Faculdade de Medicina, Universidade Dicle, Diyarbakir, Turquia

      O ponto crucial para o diagnóstico imediato, abordagem terapêutica ideal e acompanhamento da hidronefrose associada a anomalias de JUP em crianças é a gravidade da hidronefrose. Muitos sistemas de classificação de hidronefrose, como diâmetro AP, SFU, radiologia, UTD e Onen, foram desenvolvidos para avaliar a gravidade da hidronefrose em bebês. Infelizmente, ainda é um desafio contínuo e não há consenso entre as diferentes disciplinas. O diâmetro AP é um parâmetro muito dinâmico e é afetado por muitos fatores (hidratação, enchimento da bexiga, posição, respiração). Mais importante, sua medição é muito variável e enganosa devido às diferentes configurações pélvicas renais. O sistema de graduação de radiologia tem os mesmos graus 1, 2 e 3 que o sistema de graduação SFU com adição do diâmetro AP para os primeiros 3 graus. Este sistema de classificação divide a perda de parênquima em dois graus diferentes. O grau 4 representa perda parenquimatosa leve, enquanto o grau 5 sugere perda parenquimatosa grave. No entanto, é dependente do operador, não é decisivo e não diferencia os graus 4 e 5 claramente. Todos os graus de SFU variam muito entre operadores e médicos. A classificação UTD tem como objetivo reunir todos os achados urinários anormais significativos, incluindo rins, ureter e bexiga e, assim, determinar o nível de risco para bebês com qualquer doença urinária. Diferentes riscos de deterioração renal ocorrem dependendo do mecanismo de hidronefrose. Portanto, a classificação SFU e UTD pode resultar em confusão significativa e enganosa na determinação da gravidade da hidronefrose. SFU-4 e UTD-P3 representam uma gama considerável de gravidade da hidronefrose. Ambos representam afinamento mínimo do parênquima medular e afinamento severo do parênquima cortical (rins hidronefróticos semelhantes a cistos) no mesmo grau. A ampla definição de SFU-4 e UTD-P3 falha em indicar com precisão a gravidade da hidronefrose e, portanto, engana significativamente o tratamento imediato. Eles não sugerem quem precisa de tratamento cirúrgico e quem pode ser acompanhado com segurança no não operatório. A anatomia e a fisiologia dos 4 subórgãos do rim (pelve renal, cálices, medula e córtex) são completamente diferentes umas das outras. Portanto, cada parte do rim afeta e se comporta de maneira diferente em resposta à hidronefrose do tipo UPJ (UPJHN), dependendo da gravidade da hidronefrose. O sistema atualizado de graduação de hidronefrose Onen foi desenvolvido com base nesta evidência básica para os períodos pré-natal e pós-natal. O sistema de graduação Onen determina achados detalhados específicos de dano renal significativo, que mostram claramente e sugerem quem pode ser seguido com segurança de forma conservadora de quem precisará de intervenção cirúrgica para UPJHN. Nem o diâmetro AP nem a classificação da radiologia, SFU ou UTD são o padrão ouro para determinar a gravidade da hidronefrose. Todos esses sistemas de classificação são baseados em parâmetros subjetivos e são afetados por muitos fatores. Eles não determinam a gravidade exata de UPJHN e, portanto, causam dano renal permanente devido a um atraso na decisão cirúrgica em alguns bebês, enquanto podem causar uma cirurgia desnecessária em outros. O sistema de classificação Onen resolveu todas as desvantagens de outros sistemas de classificação e promete um acompanhamento mais seguro e um tratamento imediato para UPJHN.

      Introdução

      A ultrassonografia (US) urinária é a melhor que temos para o diagnóstico e o acompanhamento da hidronefrose pré e pós-natal como modalidade semelhante ( 1 – 11 ). É não invasivo, facilmente disponível, rápido e de baixo custo; pode ser realizado diretamente à beira do leito; e não envolve radiação. Mostra o tamanho dos rins, espessura e aparência do parênquima (ecogenicidade, diferenciação corticomedular, cistos corticais), gravidade da hidronefrose, dilatação ureteral e anatomia da bexiga ( 1 , 2 , 4 – 6 , 9 – 11 ).

      O ultrassom não só fornece detalhes anatômicos, mas também algumas dicas funcionais sobre o sistema urinário. Portanto, fornece excelente precisão diagnóstica. Existem dois benefícios importantes do ultrassom: Ele determina a gravidade da hidronefrose prontamente e o tempo e a necessidade de outros diagnósticos ( 1 , 3 – 6 , 8 , 10 – 12 ).

      Precisamos determinar critérios específicos e achados de risco sugestivos de dano renal, que ajudam os médicos a decidir uma abordagem terapêutica imediata. Nesta revisão, iremos delinear os critérios mais recentes para determinar com precisão a gravidade da hidronefrose e, assim, prever quem pode desenvolver dano renal e precisar de intervenção em comparação com quem pode ser seguido de forma conservadora com segurança.

      Anatomo-fisiopatologia da hidronefrose do tipo junção ureteropélvica (UPJHN)

      O rim tem 2 partes principais: A parte mais importante é o parênquima renal, que funciona e produz urina. O outro é o sistema pélvical, que coleta e envia a urina para o ureter. O parênquima renal possui dois subórgãos: medula e córtex. O sistema coletor possui dois subórgãos: pelve renal e cálices.

      Dois fatores afetam o rim em bebês com UPJHN: a complacência da pelve renal e o grau de estenose em UPJ. Primeiro, a hidronefrose se desenvolve como uma resposta anatômica protetora. Se a estenose for grave e persistir por um longo período, ocorre dano renal como resposta funcional ( 1 , 4 , 11 ).

      A anatomia e fisiologia dos subórgãos renais (pelve renal, cálices, medula e córtex) são completamente diferentes entre si. Portanto, cada parte afeta e se comporta de maneira diferente em resposta ao UPJHN, dependendo da gravidade da hidronefrose.

      • Pelve renal : a complacência da pelve renal é muito alta em bebês. Isso é particularmente verdadeiro para aqueles que têm configuração pélvica extra-renal devido à sua alta expansibilidade. A pelve renal aumenta significativamente para proteger o parênquima renal, mesmo em leve aumento da pressão pélvica renal. Portanto, o risco de danos ao parênquima renal é baixo e, comparativamente, leva tempo nesses bebês. No entanto, o risco de lesão renal é alto em quem tem configuração pélvica intra-renal devido à baixa adesão.

      • Cálices : a expansibilidade dos cálices é menor do que a da pelve renal. Seu cumprimento é baixo comparativamente. Portanto, a dilatação dos cálices significa um maior grau (risco) de hidronefrose em comparação com a dilatação pélvica renal isolada. Por outro lado, os cálices aumentam para proteger o parênquima renal.

      • Medula: sua estrutura é um tanto semelhante à do pulmão. Esta parte do parênquima renal é mais expansível e comprimida rapidamente em comparação com o córtex renal. Dependendo do grau de estenose da JUP e do intervalo de tempo, a medula torna-se mais curta e perde a forma piramidal. O limite inferior da espessura normal do parênquima renal é de 7,5 mm no período neonatal, 8 mm com 1 ano de idade e 10 mm com 2 anos de idade ( 10 ).

      • Córtex: é a parte funcional mais importante do rim. A espessura normal do córtex é> 3 mm em bebês. Sua estrutura é um tanto semelhante à do fígado, que é um órgão sólido relativamente duro. Portanto, sua compressão ou afinamento significa que há um risco significativo de dano renal. Nesses casos, a diferenciação corticomedular é perdida e a espessura do córtex diminui. É um parâmetro objetivo porque, ao contrário do sistema pélvical, não é afetado pela hidratação, enchimento da bexiga, posição e respiração. Os pontos de medição não são controversos e não dependem do operador. O parênquima renal é medido no ponto mais fino do parênquima na seção longitudinal do rim ( 1 , 4 ,5 , 7 , 10 ). Não possui variação intraobservador ou interobservador ( 1 , 10 , 11 , 13 ). O afinamento cortical de longa duração está associado a baixa função renal e diminuição do número de néfrons ( 1 , 4 , 5 , 11 , 14 ). Portanto, o córtex comprimido e afinado é sugestivo de dano renal. A perda de mais da metade do córtex (espessura do córtex <1,5 mm) está principalmente associada à atrofia renal e dano renal irreversível.

      A qualidade do parênquima renal, que inclui a espessura e a aparência do parênquima, é o parâmetro mais importante e objetivo para determinar a exposição renal e, portanto, a gravidade da hidronefrose.

      • Espessura do parênquima renal : dano cortical grave (dilatação, apoptose epitelial e atrofia dos túbulos renais e inflamação e fibrose do glomérulo) e diminuição da filtração glomerular e da função renal ocorrem em bebês, desenvolvendo perda de parênquima devido a UPJHN grave ( 14 ). A incidência de perda funcional permanente é alta (8–16%), enquanto as alterações histopatológicas não melhoram mesmo após uma pieloplastia bem-sucedida em bebês com perda parenquimatosa grave que retardou a cirurgia ( 1 , 4 , 5 , 11 , 15 , 16) A perda do córtex renal e a redução do tamanho renal são decorrentes da atrofia tubular e se correlacionam com a doença renal crônica irreversível ( 15 ). O número de néfrons diminui, a maturação renal é afetada e a insuficiência renal ocorre nesses casos ( 17 ).

      • Aspecto do parênquima renal : parênquima hiperecogênico, degeneração cística no córtex e perda da diferenciação corticomedular na ultrassonografia são achados que sugerem dano renal significativo, que são compatíveis com diminuição da função renal na cintilografia ( 1 , 11 ). A ecogenicidade cortical é um parâmetro que se correlaciona bem com atrofia tubular e inflamação intersticial ( 15 ).

      Outro parâmetro importante é o comprimento longitudinal dos rins normais e hidronefróticos. A hipertrofia compensatória do rim contralateral (comprimento> 20% do normal) significa piora do rim afetado, mesmo se a hidronefrose do Onen-3 estiver estável. O comprimento longitudinal do rim afetado deve ser superior ao valor normal, dependendo da gravidade da hidronefrose. Se o comprimento do rim afetado permanecer na faixa normal, apesar da hidronefrose grave, isso significa que o rim afetado sofre atrofia.

      Sistemas de classificação de hidronefrose

      Diâmetro anterior-posterior (AP) da pelve renal (APDRP)

      A medida do diâmetro AP da pelve renal não é padronizada entre as diferentes disciplinas, havendo consenso em apenas 64% dos médicos ( 10 , 18 ). Infelizmente, é significativamente dependente do operador. Alguns ultrassonografistas medem o diâmetro AP no ponto maior da pelve renal, enquanto outros o medem no plano vertical. No entanto, o APDRP é medido principalmente na borda do parênquima (hilo) durante a seção transversal do rim.

      A pelve renal e o diâmetro AP são muito dinâmicos; sua medida muda significativamente dependendo da hidratação, enchimento da bexiga, posição (supina ou prona) e respiração ( 1 , 10 , 12 , 18 , 19 ).

      Mais importante, sua medição é muito variável e enganosa devido às diferentes configurações pélvicas renais. A hidronefrose pode ser moderada mesmo se o diâmetro AP for alto em bebês com configuração pélvica extra-renal. Por outro lado, a hidronefrose pode ser muito grave com adelgaçamento significativo do parênquima, mesmo se o diâmetro AP for baixo em bebês com configuração pélvica intra-renal. Portanto, se a qualidade do parênquima, que é o fator mais importante na determinação do grau de hidronefrose, for omitida e o próprio diâmetro AP for aceito como o único achado para a gravidade da hidronefrose, então alguns bebês podem ser submetidos a uma cirurgia desnecessária, enquanto outros podem resultar em dano renal permanente devido a um atraso na cirurgia imediata.

      Desvantagens / limitações do APDRP:

      • A taxa de diferenças de operadoras é muito alta

      • O diâmetro AP é baixo em bebês desidratados

      • O diâmetro AP é baixo na bexiga vazia

      • O diâmetro AP é baixo na fase expirium

      • O diâmetro AP é menos idealmente medido na posição supina

      • O diâmetro AP (mesmo baixo) é muito arriscado na presença de configuração pélvica intrarrenal.

      SFU Grading System

      Este sistema de classificação foi desenvolvido em 1993 ( 9 ) ( Figura 1 ). É quantitativo e subjetivo. Todos os graus de SFU são muito variáveis ??entre operadores e médicos ( 1 , 4 – 6 , 10 , 11 , 20 – 22 ). Portanto, não é popular entre outras disciplinas que não os urologistas pediátricos ( 1 , 4 , 5 , 7 , 10 , 11 , 19 – 21 , 23 – 25 ).

      FIGURA 1

      Figura 1 . Sistema de classificação de hidronefrose SFU.

      Desvantagens / limitações do SFU

      • SFU-1 e SFU-2a: Ambos indicam diferentes graus de dilatação pélvica renal. Portanto, é confuso e muito difícil se diferenciar ( 1 , 2 , 4 ). Além disso, o acompanhamento, o tratamento e o prognóstico desses dois graus são semelhantes; todos eles se resolvem espontaneamente sem dano renal ( 1 , 2 , 4 , 5 , 20 ).

      • SFU-2b e SFU-3 : Ambos representam diferentes graus de dilatação do calcário. É muito dependente do operador para diferenciar a dilatação dos cálices periféricos (menores) daqueles dos cálices centrais (maiores) devido a uma grande discrepância dentro e entre avaliadores para a interpretação dos dois tipos de dilatação dos cálculos ( 26 , 27 ). Portanto, é subjetivo e confuso e é muito difícil diferenciar entre si ( 1 , 4 ).

      • SFU-3: Embora represente apenas a dilatação calicinal, as imagens usadas para SFU-3 no artigo original mostram claramente um afinamento medular severo. Isso causa confusão significativa entre médicos e radiologistas.

      • SFU-4: representa afinamento mínimo do parênquima medular (por exemplo, 6 mm) e afinamento severo do parênquima cortical (por exemplo, 2 mm) e rins hidronefróticos semelhantes a cistos no mesmo grau ( 2 ). A ampla definição de SFU-4 falha em demonstrar com precisão a gravidade da hidronefrose e, portanto, leva a um tratamento imediato. Não sugere quem precisa de cirurgia e quem pode ser seguido com segurança no não operatório. O primeiro exemplo (medula fina) pode ser seguido com segurança não operativamente, enquanto o segundo (córtex delgado) claramente precisa de cirurgia. Esta definição ampla torna o prognóstico difícil de prever em casos de UPJHN ( 1 , 4 – 6 , 8 , 11 , 28)

      Sistema de classificação de radiologia

      O sistema de graduação de radiologia foi parcialmente modificado do SFU para uso pós-natal ( 7 , 9 ) ( Figura 2 ). Ele tem as mesmas notas 1, 2 e 3 que o sistema de classificação SFU ( 8 , 14 ). Além disso, inclui o diâmetro AP para os graus 1, 2 e 3. Este sistema de graduação divide a perda do parênquima em dois graus diferentes, sugerindo a importância do parênquima renal para determinar a gravidade da hidronefrose, que tem uma ideia um tanto semelhante à do Sistema de classificação Onen ( 1 , 4 , 7 ). A hidronefrose de grau 4 representa perda leve do parênquima; grau 5, perda parenquimatosa severa.

      FIGURA 2

      Figura 2 . Sistema de graduação de hidronefrose radiológica.

      Desvantagens / limitações do sistema de graduação de radiologia

      • Graus de radiologia 1 e 2 (SFU-1 e SFU-2a): Ambos indicam diferentes graus de dilatação pélvica renal. Portanto, é confuso e muito difícil se diferenciar ( 1 , 2 , 4 ). Além disso, o acompanhamento, o tratamento e o prognóstico desses dois graus são semelhantes; todos eles se resolvem espontaneamente sem dano renal ( 1 , 2 , 4 , 5 , 20 ).

      • O uso do diâmetro AP: torna este sistema de graduação ainda mais confuso, porque os graus de SFU e o diâmetro AP não são paralelos para muitos pacientes, dependendo das diferentes configurações pélvicas renais. Além disso, o diâmetro AP é afetado significativamente por muitos fatores, conforme descrito anteriormente nesta revisão ( 1 , 10 , 12 , 18 , 19 ).

      • Graus 4 e 5 de radiologia: o grau 4 representa perda parenquimatosa leve, enquanto o grau 5 representa perda parenquimatosa grave. É totalmente dependente do operador, não é decisivo e não diferencia os graus 4 e 5 claramente. Portanto, a confiabilidade entre e intraexaminadores é baixa.

      Classificação UTD

      O UTD foi criado retrospectivamente com base na revisão, combinação e resumo da literatura atual ( 2 ) ( Figura 3 ). Portanto, não é um sistema de classificação baseado em evidências. Na verdade, é mais provável que tenha sido modificado a partir dos sistemas de classificação SFU e Onen ( 4 , 9 ). Seu objetivo é reunir todos os achados urinários anormais significativos, incluindo rins, ureter e bexiga e, assim, determinar o nível de risco para um bebê hidronefrótico com qualquer tipo de doença urinária. Inclui parâmetros como diâmetro AP da pelve renal, dilatação calicinal central e periférica, parênquima renal, anomalias ureteral e anormalidades da bexiga ( 2) Todas essas descobertas são muito importantes por si mesmas. No entanto, a história natural, o diagnóstico, o acompanhamento, o tratamento e o prognóstico das doenças urinárias são significativamente diferentes entre si, dependendo da etiopatologia da hidronefrose.

      FIGURA 3

      Figura 3 . Classificação UTD para hidronefrose pós-natal.

      Essa classificação sugere o termo geral “dilatação do trato urinário” para indicar achados ultrassonográficos que incluem todas as dilatações ureteral e renal ( 2 ). É claro que a hidronefrose do tipo UPJ, hidroureteronefrose do tipo UVJ, refluxo vesicoureteral, patologias da bexiga (ureterocele, divertículo, etc.) e válvula uretral posterior causam hidronefrose de maneiras muito diferentes. Eles podem causar diferentes níveis e tipos de dano renal e prognóstico ( 1 , 4 , 5 ). Por exemplo, a hidronefrose Onen-3 (medula fina) devido a UPJHN pode ser seguida de forma não cirúrgica, enquanto um bebê com o mesmo grau de hidronefrose devido ao refluxo de grau 5 tem um risco muito maior de ITU, cicatriz renal e necessidade cirúrgica ( 1) Diferentes riscos de deterioração renal ocorrem dependendo do mecanismo de hidronefrose. Portanto, a classificação UTD pode resultar em confusão significativa e enganar na determinação da gravidade da hidronefrose ( 1 ).

      Desvantagens / limitações da classificação UTD

      • Cálices centrais e periféricos: é muito dependente do operador diferenciar a dilatação dos cálices periféricos (menores) daqueles dos cálices centrais (maiores) devido a uma alta discrepância dentro e entre avaliadores para a interpretação dos dois tipos de dilatação dos cálculos ( 26 , 27 ). Portanto, é subjetivo e confuso e é muito difícil diferenciá-lo ( 1 , 4 ).

      • UTD-P3: Como o SFU, representa um afinamento mínimo do parênquima medular (por exemplo, 6 mm) e um afinamento grave do parênquima cortical (por exemplo, 2 mm) e rins hidronefróticos semelhantes a cistos no mesmo grau ( 2 ). A ampla definição de UTD-P3 falha em demonstrar com precisão a gravidade da hidronefrose e, portanto, engana significativamente o tratamento imediato. Não sugere quem precisa de tratamento cirúrgico e quem pode ser acompanhado com segurança no não operatório. O primeiro exemplo (medula fina) pode ser seguido com segurança não operativamente, enquanto o segundo (córtex delgado) claramente precisa de cirurgia. Esta definição ampla torna o prognóstico difícil de prever em casos de UPJHN ( 1 , 4 – 6 , 8 , 1128 ).

      Sistema de classificação Onen

      Este sistema de classificação foi desenvolvido para UPJHN pré-natal e pós-natal ( Figura 4 ). É apropriado e aplicável tanto para fetos quanto para crianças, o que padroniza a linguagem dos ultrassonografistas, médicos, método de avaliação e medição dos rins. O sistema de classificação Onen é terminologicamente simples e claro. Portanto, todas as disciplinas, incluindo radiologia, perinatologia, nefrologia pediátrica e urologia pediátrica, podem ser facilmente utilizadas não apenas para a prática clínica, mas também para pesquisas futuras.

      FIGURA 4

      Figura 4 . Sistema de graduação de hidronefrose Onen para UPJHN pré-natal e pós-natal.

      O sistema de graduação Onen tem objetivos padronizados baseados em evidências e parâmetros reproduzíveis ( 4 ). Inclui duas categorias de alterações renais. A primeira é a dilatação do sistema pélvico-cicatricial; a segunda categoria mais importante é a qualidade do parênquima renal (espessura e aparência) ( 1 ). Este sistema de graduação divide o afinamento do parênquima renal em dois graus: afinamento medular e afinamento cortical. Além disso, o aparecimento do parênquima (ecogenicidade, cistos corticais, diferenciação corticomedular), que é sugestivo de lesão renal, também é levado em consideração neste sistema de graduação.

      Foi proposto com base em uma estreita associação bem conhecida entre a gravidade da hidronefrose e o prognóstico; a deterioração renal pode ocorrer em hidronefrose grave não tratada em tempo hábil e prontamente ( 1 , 4 – 6 , 8 , 11 , 23 , 29 , 30 ). Este sistema de classificação é benéfico para determinar o possível risco de dano renal, necessidade cirúrgica e prognóstico em bebês com UPJHN. Portanto, tais casos podem ser seguidos com segurança com base neste sistema de classificação. Porque determina claramente os bebês que podem ser acompanhados apenas com ultrassom, que precisam de cintilografia renal e que precisam de cirurgia.

      Nosso tratamento e protocolo de acompanhamento para UPJHN com base no sistema de graduação Onen

      • Os casos de UPJHN Onen-1 não precisam de avaliação invasiva nem de tratamento cirúrgico ou antibiótico devido à sua natureza benigna; tudo o que eles precisam é de acompanhamento apenas com ultrassom ( Figura 5 ). Uma ultrassonografia urinária detalhada nos 1-3 meses pós-natal, 1 ano e 2 anos de idade é suficiente. Se o Onen-1 não aumentar ou resolver, o acompanhamento pode ser interrompido.

      • Os casos de UPJHN Onen-2 não precisam de avaliação invasiva nem de antibióticos devido à sua natureza benigna; tudo o que eles precisam é de acompanhamento apenas com ultrassom. No entanto, cerca de 10% dessas crianças pioram e precisam de pieloplastia durante o acompanhamento. Portanto, eles podem ser seguidos com ultrassom comparando mais de perto aqueles da hidronefrose do Onen-1. Uma ultrassonografia urinária detalhada no 1–3–6º mês pós-natal e a cada 6 meses até os 3 anos de idade é suficiente. Se Onen-2 diminuir para Onen-1 ou resolver, o acompanhamento pode ser interrompido. Se o Onen-2 persistir, um ultrassom pode ser visto anualmente até os 5 anos de idade e, então, o acompanhamento pode ser interrompido com a informação dos pacientes sobre sintomas como dor ou ITU.

      • Pacientes com Onen-3 UPJHN (medula fina, PK = 3–7 mm) precisam de acompanhamento rigoroso, incluindo cintilografia renal, porque cerca de um terço dessas crianças precisam de pieloplastia durante o acompanhamento. Uma ultrassonografia urinária detalhada no primeiro mês pós-natal, a cada 3 meses até os 2 anos de idade e a cada 6 meses até os 3 anos de idade é razoável. Se o Onen-3 assintomático persistir até os 3 anos de idade com função renal normal, uma de duas maneiras pode ser discutida com a família; um está continuando o acompanhamento invasivo até a idade adulta, o outro está realizando uma pieloplastia com alto sucesso e, assim, evitando o acompanhamento invasivo de longa vida e antibióticos profiláticos ( 1 , 5) Se Onen-3 for diagnosticado, fazemos uma varredura renal. Se a função e a aparência (na ultrassonografia) do rim ipsilateral, bem como do rim contralateral, forem normais, nós os acompanhamos e vemos outra ultrassonografia em 3 meses. Se o Onen-3 diminuir ou estabilizar, veremos o paciente nos próximos 3 meses; no entanto, se Onen-3 piorar, realizamos uma segunda cintilografia renal para verificar a função renal. Se a função for inferior a 35 ou diminuir em> 10 unidades, realizamos a pieloplastia. Se o Onen-3 for diagnosticado com função renal abaixo dos 35 anos, examinaremos as imagens da varredura em detalhes. Se acreditarmos que a diminuição da função renal está correta e o motivo da diminuição da função é UPJHN, decidimos fazer a cirurgia porque não utilizamos a curva de washout como critério de tratamento. Por outro lado, se houver liberação normal da pelve e bom washout,

      • Pacientes Onen-4 UPJHN (córtex fino, PK < 3 mm, sem diferenciação corticomedular) precisam de correção cirúrgica após um curto período de acompanhamento (1-3 meses). A função renal não pode ser avaliada de forma objetiva e precisa com a gravidade da hidronefrose. É particularmente verdadeiro para uma vez bilateral ( 1 , 4 – 6 , 11 , 30 ). O dano renal permanente progressivo é inevitável quando a cirurgia é retardada nesses casos ( 1 , 4 – 6 , 31 ). Por outro lado, a correção cirúrgica imediata e oportuna promete melhorar a função renal diminuída nesses casos graves ( 14 – 6 , 11 , 30 – 32 ). Quando vemos um recém-nascido com Onen-4, realizamos um ultrassom em 1 semana de vida e, em seguida, um segundo ultrassom com MAG3 1 mês depois. De acordo com os resultados desses dois exames, decidimos fazer a cirurgia ou segui-los conservadoramente por mais um mês.

      FIGURA 5

      Figura 5 . Protocolo de tratamento e acompanhamento para UPJHN baseado no sistema de graduação Onen.

      Indicações cirúrgicas para hidronefrose grave associada a anomalias UPJ com base em sistemas de classificação

      Na literatura, uma decisão cirúrgica para UPJHN foi tomada com base no aumento da hidronefrose na ultrassonografia em 70% dos casos, aumento da hidronefrose na ultrassonografia, diminuição da função renal na cintilografia em 15%, diminuição da função renal na cintilografia em 10 %, e presença de sintomas em 5% dos casos de UPJHN ( 1 ). No geral, uma decisão cirúrgica foi tomada com base nos achados da ultrassonografia em 85% dos casos. Essa taxa aumentará até mesmo se os achados falso-positivos e enganosos (hidratação, imobilização, cateterização, posição, etc.) da cintilografia renal forem levados em consideração e se ninguém usar problemas de drenagem como indicação cirúrgica. Portanto, a determinação correta da gravidade da hidronefrose é crucial para bebês associados com UPJHN.

      Indicações cirúrgicas para UPJHN com base na diretriz de 2019 da EAU e ESPU

      Com base nas Diretrizes da EAU e ESPU 2019 sobre urologia pediátrica, as indicações cirúrgicas para UPJHN são função renal prejudicada (<40%), diminuição significativa da função renal (> 10%) em exames de controle, drenagem deficiente após injeção de furosemida, aumento do diâmetro AP e SFU -III / IV ( 33 ). Todas essas indicações são problemáticas:

      • Função renal prejudicada (<40%) ou diminuição da função renal de> 10% pode ser uma indicação cirúrgica com pelo menos a presença de Onen-3 ou 4 (parênquima fino) UPJHN. No entanto, em crianças com dilatação calicinal (Onen-2) sozinho, a razão da função prejudicada pode ser que uma etiologia diferente de UPJHN ou a função prejudicada pode na verdade ser falso positivo.

      • A função de drenagem deficiente após a administração de furosemida por si só nunca deve ser usada como indicação cirúrgica. Isso ocorre porque a drenagem é pobre, mesmo em casos de UPJHN com apenas dilatação calicinal (Onen-2).

      • Um diâmetro AP aumentado no ultrassom por si só nunca deve ser usado como indicação cirúrgica. É muito discutível. Qual é o grau de aumento do diâmetro AP? Quantos mm ou porcentagem é o aumento no diâmetro AP? Em que local da pelve renal é medido o diâmetro AP?

      • SFU-3 representa apenas dilatação calicinal com o parênquima renal normal que nunca deve ser usado como indicação cirúrgica por si só.

      • SFU-4 representa qualquer grau de afinamento do parênquima renal. A ampla definição de SFU-4 falha em demonstrar com precisão a gravidade da hidronefrose e, portanto, engana significativamente o tratamento imediato. Aqueles com afinamento cortical definitivamente precisarão de cirurgia, enquanto o afinamento medular por si só (com função renal normal) não precisa de cirurgia.

      Indicações cirúrgicas para UPJHN com base no índice de gravidade da hidronefrose (HSS)

      Foi desenvolvido para determinar a previsibilidade da pieloplastia com base nos achados de ultrassom e renograma diurético ( 34 ). O problema crucial e a desvantagem do HSS é que ele depende do renograma diurético e de sua curva. Como todos sabemos, a cintilografia renal é muito afetada pela hidratação, cateterismo vesical, posição, imobilização, função do rim afetado, lateralidade (bilateral), tempo de diurético e experiência do operador ( 35 – 38 ).

      Indicações cirúrgicas para UPJHN com base no Pyeloplasty Prediction Score (PPS)

      Um estudo recente sugeriu um escore de predição de pieloplastia (PPS) usando três parâmetros de ultrassom para determinar quem precisa de cirurgia e quem não precisa em bebês com hidronefrose tipo UPJ ( 39 ). Eles recomendam uma combinação de grau de SFU (A), diâmetro AP transversal (B) e a diferença percentual absoluta dos comprimentos renais ipsilaterais e contralaterais na linha de base (C) para prever um critério de necessidade cirúrgica. Este estudo sugere que qualquer criança com hidronefrose semelhante a UPJO com um PPS de 8 ou superior tem 8 vezes mais probabilidade de se submeter a pieloplastia ( 39) Infelizmente, nenhum desses parâmetros é ideal para uso devido a muitas desvantagens e / ou limitações, conforme descrito nesta revisão em detalhes. Achamos que, quando colocamos parâmetros problemáticos juntos, é difícil obter um resultado benéfico correto deles. Além disso, a lateralidade (comprimento normal direito e esquerdo é diferente), hidronefrose contralateral ou bilateral, atrofia ipsilateral ou hipertrofia contralateral altera significativamente os resultados do escore de predição de pieloplastia (A + B + C). A porcentagem absoluta (C) seria baixa quando há um crescimento compensatório contralateral ou uma atrofia no rim ipsilateral que perderá a gravidade da hidronefrose. Além disso, como seria um critério objetivo nos casos bilaterais? Qualquer um desses parâmetros pode alterar a porcentagem (C) de 5 a 20%,

      Nossas indicações cirúrgicas para UPJHN com base no sistema de classificação Onen

      • Onen-4 (córtex fino) (<3 mm)

      • Onen-3 (medula fina) (3-7 mm) mais

      • Presença de sintomas (ITU, dor, pedra) ou

      •> 20% de crescimento compensatório no rim contralateral ou

      •> diminuição de 10 unidades na função renal ou

      • Função renal <35%.

      Discussão

      Embora existam muitos estudos na literatura, as indicações para diagnósticos invasivos e cirurgia em bebês com UPJHN primária assintomática são um desafio contínuo, e não há consenso entre as diferentes disciplinas ( 1 , 40 ). A decisão cirúrgica de tais pacientes é feita principalmente com base nos achados ultrassonográficos da literatura devido à invasividade e alta previsibilidade negativa dos exames renais em lactentes.

      O ponto crucial para um diagnóstico imediato, abordagem terapêutica ideal e acompanhamento de tais pacientes é a gravidade da hidronefrose. Muitos sistemas de classificação de hidronefrose como diâmetro AP, SFU, radiologia, UTD e Onen foram desenvolvidos para avaliar a gravidade da hidronefrose em bebês ( 1 , 2 , 4 , 7 , 9 , 18 , 23 , 40 – 42 ) ( Figura 6 ).

      FIGURA 6

      Figura 6 . Comparação de sistemas de graduação de hidronefrose.

      Embora alguns autores tenham proposto valores de corte para o diâmetro ântero-posterior da pelve renal, não existe um valor de limiar simples do diâmetro AP que separa a dilatação não obstrutiva da dilatação obstrutiva do rim ( 43 ). O diâmetro AP é um parâmetro muito dinâmico e é afetado por muitos fatores ( 1 , 10 – 12 , 18 , 19 ). Sua medição é muito variável e enganosa devido às diferentes configurações pélvicas renais ( 1 , 4 , 10 ). Portanto, o uso de diâmetros AP tem certas desvantagens e limitações. Não demonstra prontamente o grau de hidronefrose ( 1 ,2 , 4 – 6 , 11 , 43 ). Na literatura, não há estudo que determine a reprodutibilidade intraobservador e interobservador da medida do diâmetro do PA. Além disso, o diâmetro AP não leva em consideração a dilatação calcária ou a qualidade do parênquima, o que pode sugerir casos graves de obstrução ( 1 , 4 , 12 , 43 ).

      O sistema de graduação de radiologia tem os mesmos graus 1, 2 e 3 que o sistema de graduação SFU com adição do diâmetro AP para esses 3 grupos ( 7 , 9 ). Como discutimos acima em detalhes, o diâmetro AP não deve ser um parâmetro na determinação da gravidade da hidronefrose por muitas razões significativas. Este sistema de classificação divide a perda de parênquima em dois graus diferentes, sugerindo a importância do parênquima renal para determinar a gravidade da hidronefrose, que tem uma ideia um pouco semelhante à do sistema de classificação de hidronefrose de Onen ( 1 , 4 , 7 ). A hidronefrose de grau 4 de radiologia representa perda parenquimatosa leve, enquanto o grau 5 representa perda de parênquima grave ( 7) No entanto, é dependente do operador, não é decisivo e não diferencia os graus 4 e 5 claramente. Portanto, a confiabilidade entre e intraexaminadores é baixa.

      O sistema de classificação SFU tem muitas desvantagens e limitações. Todas as notas são problemáticas e subjetivas. Ambos SFU-1 e SFU-2a representam diferentes graus de dilatação pélvica renal. Portanto, é confuso e é muito difícil diferenciar entre si ( 1 , 2 , 4 ). Além disso, o acompanhamento, o tratamento e o prognóstico desses dois graus são semelhantes; todos eles se resolvem espontaneamente sem dano renal ( 1 , 2 , 4 , 11 , 20) Eles devem estar no mesmo grau de hidronefrose. Ambos SFU-2b e SFU-3 representam diferentes graus de dilatação calicinal (maior vs. menor). Portanto, é subjetivo, confuso e muito difícil de se diferenciar ( 1 , 4 ). Pode ser influenciado pelo examinador ( 22 ). Tem uma confiabilidade interobservador modesta. Embora SFU-3 represente apenas a dilatação calicinal, as imagens para SFU-3 mostram claramente um afinamento medular severo. Isso causa confusão significativa entre os médicos e radiologistas ( 1 , 4 ). Altos graus de SFU representam várias características, tornando o prognóstico difícil de prever ( 1 , 4 , 8 , 1128 ). É subjetivo e pode ser influenciado pelo examinador ( 22 ). Tem uma confiabilidade interobservador modesta ( 43 ).

      A classificação UTD-P parece ser parcialmente modificada do sistema de graduação SFU e Onen ( 4 , 9 ). UTD-P1 e 2 foram modificados do sistema de classificação Onen (Onen-1 e 2) ( 4 ) enquanto UTD-P3 foi modificado do sistema de classificação SFU (SFU-4) ( 9 ). Esta classificação inclui 3 grupos de risco diferentes: grupos de baixo risco (UTD-P1), risco intermediário (UTD-P2) e alto risco (UTD-P3) ( 2 , 29) Nenhum desses grupos de risco é o padrão ouro para todos os pacientes. Diâmetro AP> 15 mm, dilatação calicinal periférica e ureter dilatado representam risco intermediário (UTD-P2). Por exemplo, o refluxo intra-renal bilateral de grau 4 apresenta exatamente esses achados. No entanto, todos sabemos que isso não representa risco intermediário. Deve estar no grupo de alto risco devido ao fato de que a maioria desses pacientes desenvolve dano renal significativo e surto de ITU com febre. Existem muitos exemplos semelhantes sugerindo que essa pontuação de risco não é o padrão para todos esses pacientes. A confiabilidade entre e dentro dos avaliadores é moderada para esta classificação ( 26 , 27 ).

      Existe uma variabilidade significativa dentro e entre avaliadores em SFU, graduação de radiologia e classificação UTD. Isso ocorre porque é significativamente dependente do operador para diferenciar a dilatação dos cálices periféricos (menores) daqueles dos cálices centrais (maiores), devido a uma grande discrepância entre avaliadores para a interpretação dos dois tipos de dilatação dos cálculos ( 26 , 27 ). Portanto, a confiabilidade do escore UTD foi considerada baixa ( 26 , 27 ). É exatamente o mesmo para SFU-2b e SFU-3, bem como graus de radiologia 2 e 3 ( 1 , 4 , 7 , 9 , 26 , 27) Os cálices centrais (maiores) são mais ou menos como um pescoço entre a pelve renal e os cálices periféricos (menores). Na verdade, os verdadeiros cálices são periféricos. Portanto, em nossa opinião, a dilatação calcária exata deve ser aceita como dilatação calcária periférica (menor). É porque é uma dilatação significativa que é claramente diferente da dilatação pélvica renal e é bem visualizada e não há grande discrepância entre avaliadores para interpretação ( 1 , 4 ). Ao contrário da classificação SFU, radiologia e UTD, o sistema de graduação de Onen não difere a dilatação calicinal central e periférica.

      SFU-4 e UTD-P3 representam o mesmo grau de hidronefrose. Ambos representam qualquer tipo de afinamento do parênquima renal (medula ou córtex), o que representa uma faixa considerável de gravidade da hidronefrose ( 2 , 9 ). Esta ampla definição de SFU-4 e UTD-P3 falha em demonstrar com precisão a gravidade da hidronefrose e, portanto, engana significativamente o tratamento imediato. Eles não sugerem quem precisa de tratamento cirúrgico e quem pode ser seguido com segurança no não operatório em bebês com UPJHN grave ( 1 , 2 , 4 – 6 , 11 ). Além disso, esses dois graus tornam o prognóstico difícil de prever em casos de UPJHN ( 1 , 4 , 828 ).

      O sistema de graduação de hidronefrose Onen que foi atualizado em 2016 determinou achados detalhados específicos de dano renal significativo, que claramente mostrou e sugeriu quem pode ser tratado com segurança de forma conservadora de quem precisará de intervenção cirúrgica para UPJHN ( 1 ). A confiabilidade intraexaminador da graduação de Onen é maior do que a de SFU ( 2 , 20 ). Este sistema de graduação mostrou ter boas concordâncias inter e intraobservador no diagnóstico e acompanhamento da hidronefrose em crianças ( 20 ). A concordância intra-observador para o diagnóstico de hidronefrose na ultrassonografia pré-natal mostrou recentemente uma concordância quase perfeita no sistema de graduação de Onen ( 22 ).

      O sistema de graduação Onen tem sensibilidade de 100%, especificidade de 76% e acurácia de 86,4% ( 21 ). Em um estudo recente, todas as unidades que tinham Onen-1 e 2 não estavam obstruídas e tinham função renal> 40%, enquanto Onen grau 4 tinha 100% de especificidade, o que significa que prevê de forma consistente dano renal devido à obstrução, quando presente ( 1 , 21 ) Portanto, a varredura renal é necessária apenas para pacientes Onen-3; assim, a cintilografia renal pode ser evitada em mais de dois terços dos casos ( 1 , 21 ).

      O sistema de graduação de Onen atualizado não apenas usa a qualidade do parênquima renal, mas também leva em consideração o tamanho do rim afetado e contralateral, incluindo comprimento longitudinal e atrofia ( 1 ). Considerando a perda parenquimatosa, o SFU e o UTD são iguais, diferindo do sistema de graduação de Onen que o estratifica em perda cortical e medular, que se mostrou claramente mais preciso ( 1 , 21 ). Estudos recentes mostraram que os pacientes com Onen-3 tinham melhor função renal do que Onen-4, provando que essa diferença é relevante para a escolha deste sistema de graduação para crianças ( 1 , 4 , 5 , 11 , 21) Bienias e Sikora mostraram que 21/25 (84%) crianças com Onen graus 3 e 4 desenvolveram nefropatia obstrutiva com função relativa prejudicada de 15 a 35% ( 44 ). Se o estudo separasse o Onen-3 do 4, quase 100% do Onen-4 teria mostrado dano renal significativo quando não fosse submetido à cirurgia. Pacientes com Onen grau 4 apresentaram especificidade de 100%, enquanto aqueles com perda de parênquima não especificada (SFU-4, UTD-3) tiveram especificidade de apenas 76% em relação à obstrução ( 21 ). Portanto, dividir SFU-4 ou UTD-P3 em Onen grau 3 (medula fina) e Onen-4 (córtex delgado) fornece informações importantes e valiosas no acompanhamento e prognóstico de hidronefrose de alto grau ( 1 , 4 , 8 , 11 ,21 , 28 ).

      O grau de hidronefrose DRF e SFU não reflete corretamente a lesão renal em UPJO bilateral; entretanto, o grau de hidronefrose de Onen mostra uma relação significativa com o grau histopatológico renal e pode ser um indicador de lesão renal em UPJO ( 45 ). O sistema de graduação Onen é mais relevante para o prognóstico pós-natal de hidronefrose fetal em comparação com a classificação SFU e UTD ( 1 , 4 , 5 , 11 ). Foi demonstrado anteriormente que o sistema de graduação Onen determina a gravidade de UPJHN melhor e torna o acompanhamento mais prático em comparação com SFU e UTD ( 1 , 11) É confiável e facilmente reproduzível e desempenha um papel importante no diagnóstico de obstrução em crianças ( 1 , 21 ). Portanto, o uso e a popularidade desse sistema de classificação estão aumentando em todo o mundo ( 20 – 22 , 45 ).

      Em resumo, nem o diâmetro AP nem a radiologia ou SFU ou UTD é o padrão ouro na determinação da gravidade da hidronefrose. Eles se mostraram inadequados para padronização devido aos critérios de avaliação ( 1 , 4 , 21 ). Todos esses sistemas de classificação são baseados em parâmetros subjetivos e são afetados por muitos fatores ( 1 , 2 , 4 – 7 , 11 , 25 ). Eles não determinam a gravidade exata do UPJHN e, portanto, causam dano renal permanente devido ao atraso na decisão cirúrgica em alguns bebês, enquanto causam cirurgia desnecessária em outros. Além disso, eles tornam o prognóstico difícil em casos de UPJHN ( 1 ,4 , 8 , 11 , 28 ).

      As 4 estruturas especiais do rim (pelve, cálices, medula, córtex), cada uma com diferentes propriedades anatomofisiológicas, devem ser levadas em consideração na determinação da gravidade da hidronefrose. Isso ocorre porque cada um produz riscos diferentes de dano renal. O sistema de graduação de hidronefrose Onen atualizado foi desenvolvido com base nesta evidência básica. Portanto, ele resolveu todas as desvantagens de outros sistemas de classificação. É uma graduação precisa e facilmente reproduzível que tem alta sensibilidade e especificidade para diagnóstico de obstrução, acompanhamento, tratamento imediato (necessidade cirúrgica) e prognóstico de bebês com UPJHN ( 1 , 4 – 6 , 11 , 21 ).

      Independentemente do tipo de sistemas de graduação de hidronefrose, o diâmetro AP e a dilatação calicinal por si só são parâmetros insuficientes para determinar a gravidade da hidronefrose. A qualidade do parênquima renal (espessura e aparência), que é o parâmetro crucial paralelo à função e dano renal, deve ser levada em consideração na determinação da gravidade da hidronefrose. Isso ocorre porque é um parâmetro importante que sugere de forma significativa e objetiva quem precisa de diagnóstico invasivo e cirurgia, ao mesmo tempo que fornece informações sobre o prognóstico clínico de lactentes associados com UPJHN.

      Contribuições do autor

      O autor confirma ser o único contribuidor deste trabalho e aprovou sua publicação.

      Conflito de interesses

      O autor declara que a pesquisa foi realizada na ausência de quaisquer relações comerciais ou financeiras que pudessem ser interpretadas como potencial conflito de interesses.

      Agradecimentos

      O autor gostaria de agradecer sinceramente ao Prof Steve Koff por melhorar minha visão sobre hidronefrose.

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      ARTIGO DE REVISÃO

      Frente. Pediatr., 04 de setembro de 2020 | https://doi.org/10.3389/fped.2020.00492

      Diagnóstico pré-natal e achados na hidronefrose do tipo junção ureteropélvica

      • Divisão de Perinatologia, Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Faculdade de Medicina de Istambul, Universidade de Istambul, Istambul, Turquia

      O uso disseminado da ultrassonografia obstétrica aumentou a taxa de detecção de hidronefrose pré-natal. Embora a maioria dos casos de hidronefrose pré-natal seja transitória, um terço persiste e se torna clinicamente importante. O ultrassom tornou o diagnóstico diferencial possível até certo ponto. A hidronefrose do tipo junção ureteropélvica (UPJHN) é uma das causas mais comuns de hidronefrose fetal persistente e ocorre três vezes mais em fetos do sexo masculino. Geralmente é esporádico e unilateral. No entanto, quando os rins bilaterais estão envolvidos e se apresentam com hidronefrose grave, o prognóstico pode ser ruim. Os achados ultrassonográficos típicos da UPJHN são hidronefrose sem hidroureter. O tamanho e a aparência da bexiga fetal geralmente são normais, sem espessamento da parede da bexiga. Vários sistemas de classificação são desenvolvidos e cada vez mais usados ??para definir a gravidade da hidronefrose pré-natal e fornece muito mais informações sobre a previsão do prognóstico renal pós-natal. Se for detectada dilatação do trato urinário fetal; lateralidade, gravidade da hidronefrose, ecogenicidade dos rins, presença de dilatação do ureter devem ser avaliados. Devem ser avaliados o volume e esvaziamento da bexiga, o sexo do feto, o volume do líquido amniótico e a presença de malformações associadas. Particularmente, os sinais ultrassonográficos de displasia renal, como aumento da ecogenicidade do parênquima renal, adelgaçamento do córtex renal, presença de cistos corticais e oligoidrâmnio coexistente, devem ser observados. Infelizmente, não há um preditor confiável da função renal em casos de UPJHN. Os casos de hidronefrose unilateral sugerindo UPJHN são geralmente acompanhados de forma conservadora. No entanto, os casos com envolvimento bilateral ainda são de difícil manejo. O momento do parto também é controverso.

      Conceitos chave

      • UPJHN é a causa mais comum de hidronefrose pré-natal persistente. Geralmente é unilateral e três vezes mais em fetos do sexo masculino.

      • UPJHN pode ser bilateral de 10–30% e deve ser tratada com cautela para a deterioração das funções renais.

      • Em todos os casos com UPJHN pré-natal, diâmetro da pelve renal AP, a presença e localização de dilatação do cálice, características do parênquima renal, presença de urinoma e oligoidrâmnio devem ser avaliadas.

      • Os pacientes do grupo de alto risco devem ser monitorados durante o período pré-natal com um intervalo de 2–4 semanas; no entanto, o monitoramento do paciente deve ser personalizado de acordo com os outros achados negativos.

      • Quando UPJHN é detectado durante o período pré-natal, consultar urologistas pediátricos antes do parto pode contribuir com os planos de gerenciamento pós-natal.

      Introdução

      A hidronefrose congênita é uma das anomalias mais comuns encontradas na avaliação ultrassonográfica pré-natal. É observada em 1–4% de todas as gestações ( 1 , 2 ).

      A avaliação do sistema urinário pré-natal deve seguir, preferencialmente, uma seqüência anatômica para identificar a causa da dilatação. Portanto, o exame do sistema urinário no período pré-natal deve demonstrar a posição dos rins bilaterais, dilatação da pelve renal e presença de dilatação do cálice (central e periférica), ecogenicidade do parênquima renal, ambos os ureteres, tamanho da bexiga e espessura da parede e anatomia do externo genitália.

      A detecção de malformações do sistema urinário está relacionada à semana de gestação em que o rastreamento foi realizado. O sistema urinário é geralmente avaliado com 19–21 semanas de gestação, e a hidronefrose de início tardio geralmente é perdida durante esse período. Portanto, anomalias do sistema urinário são frequentemente identificadas no terceiro trimestre até uma taxa de 5% ( 3 ).

      Avaliação do sistema urinário com ultrassom pré-natal

      O exame do sistema urinário na ultrassonografia fetal começa com a identificação da presença de rins e bexiga. De 11 a 12 semanas de gestação, os rins fetais podem ser visualizados por ultrassonografia transvaginal como estruturas hiperecogênicas ( 4 ) ( Figura 1a ). Os rins fetais são fotografados no abdômen em ambos os lados da coluna vertebral nos planos axial, longitudinal e coronal ( Figuras 1b-d ). Os rins aparecem como duas estruturas paravertebrais redondas em vistas axiais e a pelve renal orientada em direção à linha média ( Figura 1b ). A aparência do rim normal é semelhante à de um feijão nos planos longitudinal e coronal. No plano coronal, ambos os rins podem ser visualizados na mesma seção e podem ser comparados entre si ( Figura 1d) O tamanho dos rins pode ser avaliado medindo o comprimento renal e comparando-o com gráficos normais. Os rins normais têm a mesma ecogenicidade com fígado e baço ( Figura 1c ). Quando a ecogenicidade do rim é maior do que do baço ou do fígado, é considerada hiperecogênica. O córtex e a medula dos rins também se tornam diferenciáveis ??em fetos com mais de 18 semanas e a diferença torna-se mais significativa no terceiro trimestre ( Figuras 1c, d , 2c ). O córtex renal é ligeiramente ecogênico na periferia da medula. As glândulas adrenais estão localizadas cranialmente aos rins como estruturas mais hipoecogênicas ( Figuras 1c , 2d ).

      FIGURA 1

      Figura 1 . Em (a) , rins de um feto de 12 semanas. A melhor visualização dos rins (setas brancas em negrito) pode ser obtida no plano coronal com ultrassom transvaginal nesta idade gestacional. (b) A ultrassonografia transabdominal mostra a aparência normal de ambos os rins no plano axial em 20 + 6 semanas de gestação. Os rins estão localizados em ambos os lados da vértebra e da pelve renal (pontas de setas brancas) orientados em direção à linha média. (c) Plano longitudinal, a ecogenicidade do rim é comparável à do fígado (*). A glândula adrenal hipoecóica (?) está localizada cranial ao rim. A diferenciação cortico-medular (divisa branca) pode ser notada. (d)O plano coronal mostra dois rins semelhantes a feijões na mesma seção. Este plano é útil para comparar os rins. A diferenciação corticomedular pode ser notada facilmente no plano coronal.

      FIGURA 2

      Figura 2. (a) , aspecto normal da bexiga fetal (asterisco branco) na pelve entre os dois vasos umbilicais. (b) O aparecimento de rins nas 22 semanas com diâmetro moderado da pelve renal. O diâmetro ântero-posterior (DAP) da pelve renal deve ser medido no plano axial, melhor se o feto estiver na posição dorso-anterior. (c) Observe a diferenciação corticomedular em um rim fetal de aparência normal. Em (d) , a seta branca representa a glândula surrenal deitada sobre o kideny, mostrada como medula ecogênica e córtex hipoecogênico.

      Após avaliação da localização de ambos os rins, características do parênquima, deve ser feita a avaliação da dilatação (pelviectasia) da pelve renal. A partir do início do segundo trimestre, a pelve renal torna-se detectável e os rins geralmente perdem sua aparência hiperecogênica anterior. A pelve renal sempre aparece como uma área sonolucente na medial dos rins ( Figura 1b ). A pelviectasia ou hidronefrose é avaliada nos cortes dos planos transversos abdominais fetais, por meio da medida do diâmetro ântero-posterior (DAP) da pelve renal, onde possível o dorso fetal fica perpendicular à sonda ( Figura 2a ). A dilatação da pelve renal pode diferir por semana gestacional, hidratação materna ou distensão da bexiga ( 5 – 7)

      A bexiga pode ser visualizada na pelve fetal a partir da 10ª semana de gravidez, porém a partir da 12ª semana na pelve deve ser visível como uma estrutura cística sonolucente entre os dois vasos umbilicais ( Figura 2b ). A posição ideal para medir a espessura da parede da bexiga é próximo às artérias umbilicais no plano axial da região pélvica fetal. A espessura da parede da bexiga não excede 2 mm no período pré-natal, independentemente da semana gestacional ( 8 , 9) A bexiga fetal é esvaziada e reabastecida a cada 25-30 minutos durante o segundo e terceiro trimestres. Embora gráficos de nomograma para verificar o tamanho da bexiga possam ser usados, a avaliação subjetiva geralmente fornece informações satisfatórias. Ureteres e uretra não são estruturas tipicamente visíveis no período pré-natal. Essas estruturas podem ser visualizadas quando dilatadas em caso de obstrução da saída da bexiga ou refluxo vesicoureteral.

      A urina fetal é a principal fonte de líquido amniótico após 14–16 semanas de gestação. O volume normal de líquido amniótico não é apenas o preditor da função renal normal, mas também necessário para o desenvolvimento adequado dos pulmões fetais. Portanto, a avaliação do sistema urinário também deve incluir a avaliação do volume do líquido amniótico.

      Para resumir, quando a hidronefrose pré-natal (ANH) é diagnosticada, os seguintes parâmetros devem ser examinados em uma determinada ordem por ultrassom:

      – Gravidade e evolução da hidronefrose: à medida que o DPA aumenta, aumenta a possibilidade de anomalias congênitas do sistema urinário concomitantes. A presença de dilatação do cálice e envolvimento de cálices centrais ou periféricos devem ser avaliados. A repetição dos exames de ultrassom no segundo e terceiro trimestres orientará para determinar o prognóstico neonatal. Na presença de pelviectasia grave, a necessidade de intervenção cirúrgica pode aumentar significativamente no período neonatal ( 10 ).

      – Lateralidade: como, por exemplo, se UPJHN for bilateral, o risco de anomalias renais congênitas adicionais e comprometimento da função renal é aumentado.

      – Aparência parenquimatosa: um córtex renal ecogênico sugere alteração anormal do parênquima renal. A presença de afinamento do parênquima ou cisto cortical está associada ao comprometimento da função renal. Essas alterações são frequentemente observadas como consequência de UPJHN e outras obstruções do trato urinário inferior, como válvula uretral posterior (PUV) ou RVU.

      – Urinoma / ascite urinária: Urinoma é um pseudocisto paranéfrico encapsulado confinado à fáscia de Gerota. Freqüentemente, se desenvolve de forma secundária a patologias obstrutivas. Embora raro, ele coexiste com rim displásico não funcional do mesmo lado em 80% dos casos ( 11 ). A ascite urinária se desenvolve em casos de obstrução do trato urinário inferior após ruptura espontânea ou iatrogênica do rim ou da bexiga.

      – Ureter: dilatação do ureter não é observada com UPJHN. Está tipicamente associada a obstruções distais à junção ureteropélvica, como PUV e outras obstruções infravesicais ou refluxo vesico-ureteral (RVU) ( Figuras 4a, b ).

      – Bexiga / ureterocele: tamanho, aparência e espessura da parede da bexiga são normais na UPJHN. Se for detectado aumento da espessura da parede da bexiga e trabeculação, obstrução distal ao colo da bexiga (PUV) deve ser considerada ( Figuras 4a, b ). Ureterocele é uma dilatação cística do ureter detectada dentro da bexiga. Geralmente é visto com duplicação das anomalias do sistema coletor, secundárias a ureteres distendidos.

      – Volume de líquido amniótico: a oligoidramniose se desenvolve após diminuição da produção de urina devido à obstrução do trato urinário ou diminuição da produção de urina como resultado de função renal prejudicada. Geralmente é um preditor de mau prognóstico e implica em doença renal grave, em que ambos os rins são afetados.

      Avaliação do diâmetro anteroposterior da pelve (DPA) e classificação

      A hidronefrose fetal é geralmente detectada por ultrassom no segundo trimestre e definida como uma medida do diâmetro da pelve renal acima de ?4 mm. Com o decorrer da semana gestacional, a definição dos valores de limiar para dilatação da pelve renal aumenta no período pré-natal ( 7 ) ( Tabela 1 ). Uma medida ? 3 mm é considerada normal em todas as semanas de gestação ( 12 ). A hidronefrose leve (APD 4–10 mm) pode ser um achado transitório ou raramente associada a anormalidades renais ou cromossômicas. A dilatação mais grave aumenta o risco de anomalias congênitas do rim e do trato urinário (CAKUT). Nguyen et al. relataram que 50-70% das dilatações do sistema urinário detectadas no período pré-natal são temporárias ( 7) A determinação de valores limites específicos para cada trimestre da gravidez é importante para a frequência, acompanhamento e tratamento da pelviectasia tanto no período pré-natal quanto pós-natal. Entre os casos de pelviectasia leve pré-natal, apenas uma pequena proporção apresenta um problema sério no período pós-natal. A patologia renal é confirmada no período pós-natal em 12–14% dos casos leves, 45% dos moderados e 90% dos casos de pelviectasia grave detectados no segundo e terceiro trimestres da gravidez ( 13 ). A presença de dilatação do cálice e a identificação da ecogenicidade do parênquima é importante para a previsão de casos de HNA clinicamente significativos ( 14) Quando a dilatação do cálice (pelvicaliectasia) acompanha a dilatação da pelve renal, a localização também deve ser definida como central ou periférica. Isso é importante para a classificação e previsão do prognóstico.

      TABELA 1

      Tabela 1 . Estágio da hidronefrose pré-natal (ANH) com base na DPA da pelve renal em relação à idade gestacional.

      A fim de planejar o acompanhamento pós-natal, vários sistemas de classificação da dilatação do trato urinário (DU) foram propostos com base nos achados ultrassonográficos. Os sistemas de classificação mais comumente usados ??são o Sistema de Classificação de Hidronefrose da Sociedade de Urologia Fetal (SFU) e o Sistema de Classificação de Dilatação do Trato Urinário (UTD) ( 1 , 7 ). O sistema SFU tem cinco graus (0–4) ( 7 ). Nesse sistema de classificação, a dilatação intra e extra-renal da pelve renal é definida subjetivamente. A dilatação dos cálices centrais e periféricos é avaliada e a espessura do parênquima é descrita subjetivamente ( Tabela 2 ).

      Tabela 2

      Tabela 2 . O sistema de classificação ultrassonográfica SFU para urologia fetal ( https://www.uab.edu/images/peduro/SFU ).

      No sistema de classificação UTD, a medida do diâmetro ântero-posterior da pelve renal, a presença de dilatação do cálice, a definição subjetiva da espessura do parênquima e a aparência do parênquima são especificadas. Dilatação dos ureteres, avaliação da bexiga (espessura da parede, ureterocele e uretra posterior dilatada) e presença de oligoidrâmnio também são considerados ( Tabela 3) (1). A diferença mais importante dessa classificação é a avaliação quantitativa do sistema urinário (1). Os pacientes são monitorados no período pré-natal, separando-os em grupos de baixo e alto risco de acordo com a gravidade das características determinadas na classificação UTD. À medida que o grau avança, a significância prognóstica aumenta no sistema UTD. Por exemplo, um feto com 9 mm de diâmetro AP da pelve renal com aumento da ecogenicidade dos rins é classificado no grupo de alto risco. O sistema UTD também pode ser usado para casos pós-natal. Esse sistema pode avaliar a hidronefrose pré e pós-natal simultaneamente, portanto, alguns estudos afirmam ser o sistema de classificação com maior correlação com os resultados neonatais ( 15 ).

      TABELA 3

      Tabela 3 . Sistema de classificação de dilatação do trato urinário.

      Um sistema de classificação alternativo para UPJHN primária foi proposto por Onen em 2007 ( 14) De acordo com o sistema de graduação de Onen (AGS), a dilatação pélvica isolada foi classificada como grau 1. Grau 2 é a presença de dilatação do cálice em adição à dilatação da pelve renal. O grau 3 inclui perda <50% do parênquima renal e o grau 4 tem perda parenquimatosa grave. AGS cobre essencialmente o período neonatal e é usado apenas para UPJHN primário. O uso do sistema de classificação AGS pode simplificar o acompanhamento e o plano de tratamento em pacientes pós-natal com UPJHN. No entanto, pode ser difícil avaliar o afinamento da medula e do córtex separadamente no feto, particularmente antes do terceiro trimestre, e esse sistema precisa ser estudado no período pré-natal para fazer uma declaração sobre isso. O sistema UTD é, na verdade, uma combinação da classificação APD e SFU e fornece mais informações para o diagnóstico. Mais estudos são necessários para serem realizados no período pré-natal para comparar os sistemas de classificação SFU, UTD e AGS para UPJHN. Uma comparação de todos os três sistemas de classificação e avaliação radiológica é demonstrada emTabela 4 ( 16 ).

      TABELA 4

      Tabela 4 . Sistemas de avaliação pré-natal e pós-natal usados ??na classificação UPJHN (Cortesia de Onen A, 2020, no prelo).

      Achados ultrassonográficos de Upjhn no período pré-natal

      A principal causa da hidronefrose é a obstrução em qualquer nível do sistema urinário. Algumas alterações obstrutivas podem se desenvolver muito cedo na vida fetal e podem causar patologia cístico-displásica no rim fetal. Portanto, o tempo inicial de obstrução e suas consequências são tão importantes quanto a gravidade da dilatação. UPJHN é a razão mais comum de ANH. Outras causas incluem refluxo vesico-ureteral, obstrução da junção uretero-vesical, válvula uretral posterior e outros incidentes raros ( 1 ). Cada um é causado por diferentes níveis de obstrução e carrega diferentes características ultrassonográficas. O diagnóstico pré-natal preciso não apenas fornecerá acompanhamento e intervenções pré-natais adequadas, mas também ajudará na preparação para o manejo pós-natal.

      A causa patológica mais comum de hidronefrose pré-natal UPJHN constitui 10-30% da hidronefrose pré-natal ( 7 ). É relatado em 1 / 750–1 / 1.500 nascidos vivos ( 17 ). UPJHN é três vezes mais comum em homens do que em mulheres, particularmente no período neonatal ( 18 ). Geralmente é esporádico, unilateral e principalmente o lado esquerdo (68%) é afetado ( 19 , 20 ). A etiologia da obstrução da junção ureteropélvica é obscura com um segmento estreito adinâmico causando a obstrução ( 21 ).

      O achado típico na UPJHN na ultrassonografia pré-natal é a dilatação da pelve renal unilateral com ou sem caliectasia, enquanto o ureter não está dilatado ( Figuras 3a, b , Vídeo S1 ). As dimensões da bexiga e a espessura da parede da bexiga são normais na UPJHN. A presença e localização da caliectasia como central ou periférica é importante para os sistemas de graduação de SFU e UTD, principalmente no período pré-natal. A avaliação da aparência do parênquima também é essencial. Com o avanço da pelviectasia / caliectasia, a espessura do parênquima diminui e a ecogenicidade aumenta no rim afetado.

      FIGURA 3

      Figura 3 . Em (a) , UPJHN bilateral é observada em um feto com 22 semanas de gravidez. Pelve renal dilatada em ambos os rins. Também há cálices dilatados na parte inferior do rim (pontas de setas brancas). O tamanho e a aparência da bexiga (asterisco *) são normais e os ureteres não são visíveis. (b) Os cálices central (seta tracejada) e periférico (seta curta) na pelve renal estão dilatados. O parênquima renal também é diluído. (c) Aumento da ecogenicidade no parênquima renal (rim superior). Um grande urinoma (estrela branca) foi visto na parte inferior do rim.

      A avaliação da gravidade da dilatação é essencial para os sistemas de graduação em todos os casos de hidronefrose detectados na ultrassonografia pré-natal. Por exemplo, na dilatação grau 3 do SFU, a pelve e os cálices periféricos estão dilatados, mas a espessura do parênquima é normal ( Tabela 2 ) ( 7 ). No entanto, no SFU grau 4, o parênquima fica mais fino. A diferença entre o SFU grau 1 e 2 é a presença de dilatação do cálice central no grau 2, independente da medida da dilatação pélvica. Semelhante ao sistema UTD, o sistema de classificação SFU pode ser usado tanto no período pediátrico quanto no pré-natal.

      A maioria das anomalias do sistema urinário pode ser diagnosticada por ultrassom pré-natal. No entanto, com obesidade materna, semana gestacional avançada ou presença de oligoidramniose, a visualização das estruturas pode ser um desafio. A ressonância magnética fetal (MRI) é um complemento importante da ultrassonografia na avaliação do sistema urogenital fetal. Embora o ultrassom continue sendo a modalidade diagnóstica primária, a ressonância magnética ajuda em casos mais complicados ou quando o ultrassom é limitado devido a fatores técnicos, como janela acústica ruim ( 22 ). A ressonância magnética pré-natal também pode ser útil no diagnóstico diferencial de RVU de UPJHN, particularmente em posições onde a pelve fetal é difícil de visualizar a dilatação do ureter ( 23) Imagens em sequências de ressonância magnética ponderadas em T1-T2 são bastante úteis para avaliar o estado funcional dos rins fetais ( 24 ). Kajbafzadeh et al. relataram que a sensibilidade da RM pré-natal no diagnóstico diferencial de anomalias do sistema urinário foi de 92% em seu estudo ( 24 ). Particularmente, a RM é informativa quando o tipo de dilatação do cálice é difícil de distinguir em casos com UPJHN pré-natal ( 24 ).

      Outros achados de ultrassom do sistema urinário no Upjhn pré-natal

      O sistema de coleta excessivamente dilatado raramente se rompe espontaneamente na UPJHN. Como resultado, um pseudocisto paranéfrico encapsulado (urinoma) confinado à fáscia de Gerota é formado ( 25 , 26 ). O urinoma está localizado no lado renal afetado como uma massa cística elíptica ou crescente, adjacente ao rim e à coluna vertebral ( Figura 3c ). Semelhante ao UPJHN, o urinoma pode ocorrer nos casos com PUV, onde a pressão intrarrenal pode ser alta o suficiente para causar ruptura. O PUV pode ser diferenciado mais facilmente com a presença de uma grande bexiga que normalmente se parece com um orifício de fechadura e coexiste com hidroureteronefrose bilateral ( Figuras 4a, b ).

      FIGURA 4

      Figura 4. (a) Bexiga grande com aparência de “buraco de fechadura” (seta tracejada branca) é achado típico de obstrução infravesical, principalmente devido a PUV em fetos do sexo masculino. (b) Os rins afetados no mesmo feto (a) apresentando aumento do diâmetro da pelve renal e ecogenicidade do parênquima.

      Urinoma é freqüentemente detectado em 19-30 semanas de gestação em UPJHN. Outras estruturas císticas, como linfangioma, neuroblastoma e duplicação ureteral, que se localizam nesta região, também devem ser consideradas no diagnóstico diferencial ( 27 ). Modificar o momento do parto ou intervenções, como a colocação de shunt no urinoma, não é necessário no período pré-natal. Os urinomas podem regredir espontaneamente antes do nascimento, mas isso não implica em melhor prognóstico. A presença de urinoma com as alterações displásicas do parênquima renal está associada a um mau prognóstico ( 25 , 27 ). A função renal normal pós-natal em casos de UPJHN afetados por urinoma ipsilateral é de apenas 7% ( 28 , 29) Outro estudo relatou que o prognóstico é mais mórbido na presença de urinoma com UPJHN pré-natal do que outras obstruções do trato urinário ( 11 ).

      A oligoidramniose é um dos parâmetros prognósticos mais importantes na avaliação das funções renais na vida fetal. Bolsa vertical única (SVP) ou índice de líquido amniótico (AFI) são os métodos mais frequentemente usados ??na avaliação da oligoidramniose. O limiar usado para definir a oligohidramniose é SVP ? 2 cm ou AFI ? 5 cm. UPJHN bilateral com alterações displásicas nos rins e subsequente oligoidramniose indica mau prognóstico ( 18 , 30 ). Como a oligoidramniose crônica está associada à hipoplasia pulmonar fetal, ela afeta diretamente o prognóstico neonatal.

      UPJHN bilateral é detectado em 10–30% no ultrassom pré-natal ( 20 ) ( Figura 3a , Vídeo S1 ) e é freqüentemente detectado em bebês com <6 meses de idade no período neonatal ( 8 , 20 ). O desafio mais diagnóstico é a diferenciação de casos UPJHN bilaterais com RVU. RVU é mais comum em meninas, e a hidronefrose geralmente se apresenta com dilatação do ureter (Vídeo S2). Uma vez que o manejo pós-natal dos casos de RVU é diferente do UPJHN, sua diferenciação no período pré-natal também é importante para o acompanhamento e manejo.

      Outro fator determinante do prognóstico no período pré e pós-natal é o aparecimento do rim contralateral. Anomalias adicionais do sistema urinário estão presentes em 50% dos UPJHN. A condição mais comum observada no rim contralateral é UPJHN. Entre as outras anomalias do sistema urinário, rim multicístico dyplásico (MCDK) ( Figura 5a ), RVU, duplicação do sistema coletor, rotação e anomalias de fusão no outro rim são relatados em conjunto com UPJHN ( 18 ). A incidência real de MCDK com UPJHN é desconhecida, e sua frequência foi relatada como variando entre 2 e 27% ( 31) Uma vez que o monitoramento e o tratamento mudam na presença de outras anomalias renais, a anatomia e a localização do rim contralateral devem ser cuidadosamente avaliadas.

      FIGURA 5

      Figura 5. (a) Mostra um rim displásico multicístico, que pode ser visto no rim contralateral em um feto com UPJHN pré-natal em outro rim. Observe a diferença entre (a, c) e a Figura 3 . (b) Esta figura mostra o aumento da ecogenicidade do rim inferior e a perda da diferenciação córtico-medular do parênquima renal (seta preta). (c) Cistos pericorticais (setas brancas) e parênquima ecogênico foram mostrados em (b) .

       

      Outras anomalias do sistema coexistindo com Upjhn na ultrassonografia pré-natal

      A incidência de anomalias cromossômicas que acompanham a obstrução pré-natal de UPJHN é relativamente baixa e relatada em torno de 1–3%. A análise do cariótipo não é crucial em casos isolados, quando outros parâmetros são favoráveis. Porém, na presença de anomalias associadas, procedimentos invasivos de diagnóstico pré-natal devem ser oferecidos ( 32 ). Doença cardíaca congênita, associação VA (C) TER (L), síndrome de Schinzel-Giedon e displasia camptomélica estão entre as outras anomalias do sistema mais comuns associadas com UPJHN no período pré-natal ( 33 , 34 ). Uma varredura abrangente da anatomia fetal deve ser realizada para outros sistemas, particularmente incluindo coração fetal, trato gastrointestinal e coluna vertebral ( 8 , 18 ).

      Parâmetros que determinam mau prognóstico em Upjhn pré-natal

      O manejo pré-natal da UPJHN depende principalmente do DPA, considerado pela semana gestacional. Progressão da obstrução, presença de dilatação no sistema cálice e condição parenquimatosa do rim afetado orientam o acompanhamento. A idade gestacional na apresentação, a presença de envolvimento unilateral ou bilateral e outras anomalias coexistentes são importantes para determinar o prognóstico. Se houver obstrução bilateral da JUP, anomalia associada no rim contra-lateral e / ou oligoidramniose, o prognóstico será negativamente afetado.

      Jiang et al. relataram uma taxa de regressão espontânea de 61% e taxa de persistência de 23% em casos diagnosticados com UPJHN bilateral pré-natal ( 35 ). A probabilidade de cirurgia pós-natal foi de 15% nos casos em que o diâmetro AP da pelve renal era ?15 mm ( 35 ). Quando a dilatação do cálice é ?10 mm, a resolução espontânea é de 37%, a possibilidade de persistência é de 29% e a necessidade cirúrgica fica em torno de 33% ( 35 ). No entanto, nos casos em que a dilatação do cálice era <5 mm e o diâmetro AP era <10 mm, foi relatada regressão de 90-100% e não há praticamente necessidade de cirurgia (0-3,7%) ( 35) Este estudo mostrou que o diâmetro do AP pélvico desempenha um papel primordial junto com a dilatação do cálice na determinação do processo de acompanhamento e a necessidade de intervenção. Perlman et.al. analisaram o desfecho de 35 fetos com diagnóstico de hidronefrose isolada grave (diâmetro AP> 15 mm) e 48 fetos com anomalias congênitas do rim e trato urinário (CAKUT) ( 10 ). O grupo CAKUT foi associado a um aumento significativo da incidência de necessidade pós-natal de cirurgia (17,6 vs. 44,2%, P = 0,014), rim displásico (0 vs. 14%, P = 0,023) e resultado anormal total (52,9 vs. 86 %, P= 0,001). Uma recente meta-análise avaliou o valor diagnóstico de DPA da pelve renal fetal na previsão da cirurgia pós-natal. A OR diagnóstica do diâmetro ântero-posterior para prever a cirurgia pós-natal foi de 13,3 mm. Os autores sugeriram que o APD de 15 mm de diâmetro pode ser usado como ponto de corte para a previsão da cirurgia ( 36 ). Elmaci et al. enfatizaram que a taxa de resolução espontânea foi de 71%, principalmente nos casos de hidronefrose pré-natal do tipo UPJHN, onde o DPA foi ? 20 mm ( 37 ).

      Independentemente da etiologia da hidronefrose, a aparência anormal do parênquima (fino e / ou ecogênico) é um parâmetro comum usado nas classificações SFU (grau 4) e UTD (alto risco). A espessura e ecogenicidade do parênquima afetado por UPJHN é particularmente importante para prever a função renal ( Figuras 3c , 5b ). No entanto, não há consenso quanto à localização da avaliação da espessura do parênquima no pré-natal. Além disso, a determinação subjetiva da espessura do parênquima pode causar resultados mais conflitantes. A correlação entre a espessura do parênquima e o prognóstico não é clara mesmo em estudos pós-natais ( 38 ). No entanto, perda de estrutura uniforme do parênquima renal, presença de cistos renais peri-corticais ( Figura 5c) e o aumento da ecogenicidade do parênquima renal na ultrassonografia pré-natal estão associados ao comprometimento da função renal ( Figuras 3b , 5b ) ( 39 ).

      Apesar de todos os esforços, a contribuição dos sistemas SFU e UTD para a predição do prognóstico na hidronefrose pré-natal ainda é incerta ( 40 ). Propõe-se que ambos sejam usados ??independentemente da etiologia da hidronefrose. Vários estudos têm mostrado que a confiabilidade interobservador da classificação UTD é superior à classificação SFU ( 41 , 42 ). O uso de outros parâmetros ultrassonográficos do sistema urinário (ecogenicidade renal, dilatação do ureter, ureterocele, oligoidrâmnio) na classificação UTD aumenta sua confiabilidade. O diâmetro AP da pelve renal é o único critério quantitativo na classificação UTD. No entanto, outros estudos demonstraram que o diâmetro AP não causa nenhum impacto preditivo significativo em termos de prognóstico em comparação com outros parâmetros ( 4041 ). Uma comparação do sistema de graduação UTD e SFU para sua capacidade de prever o tempo para resolução da hidronefrose mostrou que a taxa de resolução cumulativa em 3 anos foi maior nos graus SFU ( 43 ). Entre 401 pacientes, 328 (82%) tiveram resolução em 24 ± 18 meses na população do estudo ( 43 ). Quanto mais baixo for o grau, melhor será a resolução em ambos os sistemas de graduação.

      Acompanhamento pré-natal e gestão do parto

      Os fetos com UPJHN devem ser acompanhados com ultrassom em intervalos regulares no período pré-natal. Observação de regressão, continuação estável ou progressão deve ser anotada. A resolução espontânea costuma estar associada ao diâmetro AP da pelve renal leve dilatado. Dos 80% dos casos de dilatação entre 4 e 8 mm são resolvidos, enquanto apenas <15% dos casos> 9 mm são regredidos no segundo trimestre ( 44) O grupo de baixo risco inclui pacientes com DPA leve com ecogenicidade renal normal, diferenciação cortico-medular normal, ausência de dilatação periférica do cálice. Portanto, pode ser apropriado reavaliar os casos de baixo risco apenas uma segunda vez no terceiro trimestre. Os achados prognósticos desfavoráveis ??são; dilatação AP grave (?7 mm antes de 28 semanas ou ?10 mm depois), aumento da ecogenicidade renal, adelgaçamento do parênquima, dilatação periférica do cálice, presença de oligoidrâmnio, anormalidade no rim contralateral e presença de UPJHN bilateral. O exame de ultrassom pré-natal de acompanhamento em intervalos de 2 semanas é recomendado pela maioria dos autores em casos com UPJHN unilateral grave, UPJHN bilateral ou anomalia renal contralateral ( 7 , 30) Outros casos leves devem ser acompanhados com intervalos de 4 a 6 semanas até o nascimento ( 1 , 7 , 45 ).

      Recomenda-se avaliar esses casos em conjunto com o urologista pediátrico durante o pré-natal, quando possível. O manejo multidisciplinar dos casos contribuirá positivamente para o resultado pós-natal ( 46 ).

      Vários estudos mostraram que o momento ou tipo de parto não afeta o curso pós-natal em casos com UPJHN. Benjamin et al. investigaram o impacto da idade gestacional sobre os resultados urológicos para os fetos com hidronefrose e concluíram que o parto prematuro tardio / prematuro resultou em piores resultados renais pós-natal em curto prazo. Eles recomendaram o parto em 39 semanas ( 47 ). No entanto, os casos com oligoidramniose (UPJHN bilateral ou anomalia renal contralateral) estão associados à perda da função renal no terceiro trimestre, e o parto mais cedo pode ser considerado para este grupo, embora o benefício seja questionável.

      Conclusão

      A ultrassonografia tem lugar essencial no diagnóstico pré-natal, e tem papel fundamental no diagnóstico pré-natal das anomalias renais. A hidronefrose é a anomalia do sistema urinário mais frequentemente diagnosticada no período pré-natal. UPJHN é o achado patológico mais comum do sistema geniturinário fetal. Embora geralmente seja unilateral e tenha um prognóstico pós-natal favorável, o resultado pode ser ruim quando bilateral ou quando associado a indicadores de gravidade. Os fatores prognósticos desfavoráveis ??que indicam perda da função renal são; aumento da ecogenicidade renal, perda da diferenciação cortico-medular, presença de cistos pericorticais e oligoidramniose. O acompanhamento ultrassonográfico dos achados no sistema urinário em determinados intervalos é importante para o manejo do período pré e pós-natal. A adaptação de um dos sistemas de classificação, como UTD ou SFU ou AGS, pode contribuir para a avaliação objetiva do manejo pré e pós-natal. Na ausência de fatores de risco obstétricos, como a presença de oligoidrâmnio, a contribuição positiva do momento do parto para o prognóstico ainda não foi demonstrada.

      Contribuições do autor

      RH: redigir o trabalho e revisá-lo. TS: fornecer imagens, esboçar o trabalho e revisá-lo. Todos os autores listados no manuscrito participaram do presente trabalho.

      Conflito de interesses

      Os autores declaram que a pesquisa foi realizada na ausência de quaisquer relações comerciais ou financeiras que pudessem ser interpretadas como um potencial conflito de interesses.

      Material suplementar

      O material suplementar para este artigo pode ser encontrado online em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fped.2020.00492/full#supplementary-material

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      Pré-Natal e Acompanhamento Ultrassonográfico

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      Tipos de Ultrassonografia

      Em geral, durante a gravidez, são realizados os seguintes exames ultrassonográficos:

      a)     Ultrassonografia Transvaginal inicial: até 10 semanas e 6 dias. Melhor exame para datar a gestação e para definir a idade gestacional e a idade gestacional de 40 semanas (conhecida popularmente como DPP ou Data Provável do Parto). O ideal é ser realizado a partir da 6ª. Semana quando já é possível numa gestação normal identificar o saco gestacional, a vesícula vitelina e o embrião com batimentos cardíacos. A partir de 8-9 semanas, é possível a realização do exame pela via abdominal a depender do biotipo da cliente.

      b)    Ultrassonografia Morfológica do Primeiro Trimestre: Realizada entre 11 e 14 semanas, tem por objetivo identificar os principais marcadores ultrassonográficos de defeitos congênitos: Translucência Nucal, Osso Nasal e Ducto Venoso. Mais recentemente, surgiram outros dois parâmetros: translucência intracraniana e regurgitação tricúspide. Pode ser medido o colo do útero para avaliação (inicial) de insuficiência istmo-cervical e também o Doppler das Artérias Uterinas para predição de pré-eclâmpsia grave e/ou crescimento intrauterino restrito (CIUR). Pode ser realizada pela via transvaginal ou abdominal, a depender do profissional executante. Muitas clientes me perguntam sobre o sexo do bebê neste período. O broto embrionário pode ser visibilizado neste exame, porém apresenta uma taxa elevada de discordância com o sexo fetal. Como o índice de falha é relativamente alto, ao meu ver considero que o melhor período para identificação do sexo fetal é com 16-17 semanas de gestação. Além disso, o foco deste exame é a morfologia fetal, a determinação de riscos de defeitos congênitos, rastreamento inicial de pré-eclâmpsia e insuficiência cervical.

      c)     Ultrassonografia Obstétrica Habitual: Para avaliar o crescimento e desenvolvimento do feto. Com 16/17 semanas consegue-se em geral (a depender do biotipo da cliente, da posição do feto, do equipamento utilizado e do profissional executante) identificar o sexo fetal. Não existe um período específico para realização deste exame, pode ser solicitado a qualquer momento. Conhecida como ultrassonografia obstétrica simples ou de rotina.

      d)    Ultrassonografia Morfológica do Segundo Trimestre com Doppler das Artérias Uterinas e transvaginal para avaliação do colo uterino (2 exames): Deve ser realizada entre 20 e 24 semanas, trata-se do exame ultrassonográfico mais importante do pré-natal, pois representa o melhor período para avaliação da morfologia do feto, com o objetivo de identificar ou afastar algum defeito congênito. Existe uma sequência neste exame que deve ser realizado preferencialmente por profissional especializado em Medicina Fetal ou outro profissional na área de Radiologia ou Ultrassonografia que seja devidamente preparado. Alguns defeitos congênitos podem não ser identificados neste período, principalmente defeitos congênitos menores (sem repercussão para a vida do bebê) ou os que aparecem mais tardiamente. Além disso, o Doppler das artérias uterinas é importante para predição de pré-eclâmpsia grave e/ou crescimento intrauterino restrito. A ultrassonografia transvaginal para avaliação do colo uterino compreende um segundo exame realizado no período da ultrassonografia morfológica para rastreamento de risco de parto prematuro.

      e)     Ultrassonografia Morfológica do Terceiro Trimestre: Deve ser realizada entre 28 e 32 semanas (26 e 28 semanas o melhor período), representa o melhor período para confirmação da morfologia do feto realizada nas ultrassonografias morfológicas anteriores, na avaliação da anatomia do coração e da face fetal. Como o nosso aparelho possui a ferramenta 3D/4D/5D, utilizamos tal recurso, o que torna um dos exames mais agradáveis, a depender também da posição fetal e do biótipo materno. Deve ser realizado preferencialmente por profissional especializado em Medicina Fetal ou outro profissional na área de Radiologia ou Ultrassonografia que seja devidamente preparado. Não é um exame obrigatório, não é coberto pelo plano de saúde (até onde eu saiba) mas considero muito importante.

      f)     Ecocardiografia Fetal com Doppler colorido: Realizado em geral a partir de 22 semanas, após realizar a ultrassonografia morfológica do segundo trimestre, não é considerado um exame obrigatório, mas é um recurso propedêutico adicional no diagnóstico ou exclusão de defeitos congênitos cardíacos. Deve ser realizado preferencialmente por um cardiologista / pediatra especializado em cardiologia fetal.

      g)     Ultrassonografia Obstétrica com Doppler colorido: Avalia além da ultrassonografia habitual, o fluxo sanguíneo em algumas artérias relacionadas à mãe (Artérias uterinas), à placenta (Artéria Umbilical) e ao feto (Artéria Cerebral Média). É fundamental nas gravidezes de alto risco como as síndromes hipertensivas na gravidez, diabetes com vasculopatia (alteração nos vasos sanguíneos), trombofilias, crescimento intrauterino restrito (CIUR), dentre outras. Em geral é realizada após a ultrassonografia morfológica do terceiro trimestre ou a partir de 28 semanas.

      h) Ultrassonografia Intraparto: Aquela realizada durante o trabalho que apresenta diversos recursos (para informações mais detalhadas clique em https://drglaucius.com.br/usgintraparto/ ) para melhor vigilância fetal e segurança no acompanhamento do trabalho de parto. Infelizmente, apesar do respaldo na literatura científica, poucos profissionais utilizam esta ferramenta nas salas de Parto. Pode ser realizada pela via transvaginal, translabial ou abdominal. O Doppler colorido é utilizado para avaliação do bem-estar fetal. Todos os parâmetros avaliados na ultrassonografia intraparto devem ser registrados no sonopartograma que corresponde ao clássico partograma com os detalhes da avaliação ultrassonográfica


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      Doutor, mas qual a diferença entre Ultrassonografia 2D, 3D, 4D e 5D?

      A Ultrassonografia 2D é aquela que utiliza apenas duas dimensões, em geral são aquelas imagens em preto e branco.

      A Ultrassonografia 3D é aquela que utiliza 3 dimensões espaciais, correspondendo àquelas imagens de coloração amarelada em que se visualiza de maneira mais nítida o rostinho do bebê.

      A Ultrassonografia 4D é a ultrassonografia 3D em tempo real, permitindo a visualização da imagem 3D em movimento.

      A Ultrassonografia 5D é a ultrassonografia 3D ou 4D utilizando um software de processamento de imagens (no aparelho que utilizo esta ferramenta denomina-se HDLive) permitindo a visão de forma mais realística do rostinho do bebê com efeitos de sombra e profundidade, com um tom de pele mais próximo da realidade.

      Mas nem sempre se consegue obter aquelas imagens tão bonitas que são divulgadas na internet, pois a ultrassonografia vai depender além de um bom equipamento e um excelente profissional, da posição do bebê, localização da placenta, movimentação do bebê, quantidade de líquido amniótico e gordura abdominal materna.


      Vídeo gravado em 01/01/2018 sobre Ulrassonografia na Consulta de Pré-natal

       


       

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      A medicina fetal é uma área de atuação da Obstetrícia, inclusive com certificado de atuação obtido através de concurso pela Associação Médica Brasileira (AMB). Desde 2005 possuo o título de especialista em ginecologia e obstetrícia e o certificado de atuação em medicina fetal . Fui da primeira turma de Medicina Fetal do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) aqui em Pernambuco, além de ter realizado diversos outros cursos de ultrassonografia e medicina fetal. Orgulhosamente, fui também preceptor dos Serviços de ultrassonografia em Obstetrícia do IMIP, do Hospital das Clínicas e do Hospital Barão de Lucena. Tudo isso não é pra me vangloriar, apenas pra dizer que tenho formação na especialidade .

      Quando resolvi montar o meu consultório, não poderia jamais deixar de oferecer a ultrassonografia nas consultas de pré-natal, afinal se eu avalio a saúde materna, preciso também avaliar a saúde do bebê (embrião / feto) e sou capacitado e certificado para isso.

      A ultrassonografia no consultório de pré-natal já me ajudou muito, quer seja pelo diagnóstico de defeitos congênitos, na tomada decisões sobre parâmetros importantes como curva de crescimento fetal, quantidade de líquido, grau placentário, Dopplerfluxometria e vitalidade fetal.

      Eu já cansei de ouvir e amigos: “Glaucius, não faz sentido você realizar medicina fetal e obstetrícia, Recife não comporta, ou faz uma coisa ou faz outra”. E eu fico todos os dias me perguntando qual o pecado que cometi em me especializar em medicina fetal e atuar em obstetrícia? Eu só obrigado a ter que escolher isoladamente uma especialidade ou uma subespecilidade? Logo eu que percebo claramente o quanto que a correlação da clínica ginecológica e obstétrica com a ultrassonografia da mesma especialidade foi importante para a tomada de decisões em diversos casos que acompanhei. E por conta de “estratégia de mercado” eu não vou avaliar minha cliente e seu bebê de forma integral?

      ?Não, vou continuar insistindo no que é o certo, apesar das inúmeras dificuldades impostas pelos sistemas de saúde. Principalmente porque eu acompanho inúmeras gestações de alto risco, esta correlação entre medicina fetal e obstetrícia clássica é extremamente importante. Quando por acaso eu tiver alguma dúvida num caso mais complicado em que seja interessante uma segunda opinião ou em alguns casos em que meu acompanhamento pode se beneficiar com a ultrassonografia realizada por outro colega ou principalmente quando a cliente prefira realizar com outro colega, sem problemas, ela realizará o acompanhamento com outro colega.

      Sonho em um dia que o acompanhamento ultrassonográfico seja rotina nos consultórios de pré-natal. Ultrassonografia pra mim é complementação do exame físico, deveria estar presente em toda sala de parto e em todo consultório ginecológico e obstétrico. Pra mim nada mais natural de que o mastologista realizar ultrassonografia mamária, o cirurgião vascular realizar Doppler arterial e venoso de membros inferiores, cardiologista realizar ecocardiografia e o obstetra e ginecologista realizar os exames de suas especialidades. É simples e lógico!!!

      ?Não faz sentido pra mim ser especializado em ginecologia, obstetrícia e medicina fetal e deixar de prestar esta assistência #integral. Os casos mais marcantes de minha carreira de consultório foram aqueles em que as pacientes cofiaram no meu trabalho, seguiram as orientações e muitas delas realizaram ultrassonografias comigo.

      ?E apesar da alta responsabilidade do trabalho, o prazer deste acompanhamento é indiscritível. Vou continuar insistindo no que é o certo, mesmo que tenha um sistema de saúde contra, até mesmo profissionais contra.

      Deixo claro que respeito a opção dos colegas que se especializaram em medicina fetal e só atuam em ultrassonografia, apenas nesta subespecialidade da obstetrícia, bem como a imensa maioria dos obstetras que não realizam ultrassonografia nos seus consultórios. É apenas uma particularidade minha pessoal como vários colegas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e outros estados que há muito tempo realizam o acompanhamento pré-natal e as ultrassonografias de suas clientes.

      #obstetríciaintegrativaefuncional #obstetríciaintegral #medicinafetal #obstetríciaemedicinafetal


       

      Orientações sobre as Ultrassonografias no acompanhamento pré-natal do Dr. Glaucius Nascimento:

      O consultório conta com equipamento de ultrassonografia com Doppler colorido e balança de bioimpedância tetrapolar. Não sou conveniado com nenhum plano de saúde para realização de ultrassonografias, mas por ser especialista em medicina fetal, é interessante para todos que as ultrassonografias ou pelo menos a avaliação ultrassonográfica do crescimento e desenvolvimento fetal, da idade gestacional, da Dopplerfluxometria no momento oportuno, da posição fetal e localização placentária, da vitalidade fetal e do volume do líquido amniótico. A avaliação ultrassonográfica ou mesmo a ultrassonografia convencional não faz parte da consulta pré-natal dos planos de saúde. Por isso, a grande totalidade dos consultórios de pré-natal não dispõe de equipamento de ultrassonografia. Consulte com nossa coloboradora a partir da segunda consulta de pré-natal qual o tipo de acompanhamento que deseja: com a realização de ultrassonografia ou pela realização de avaliação ultrassonográfica por especialista em medicina fetal.

      Marcar com antecedência, resgatar todos os exames e guardá-los com cuidado numa pasta. Agendar no próprio consultório (particular) ou na sua clínica de preferência. Disponho de equipamento de ultrassonografia com Doppler colorido e Ferramenta 3D/4D. A realização do acompanhamento obstétrico ou ultrassonográfico torna o pré-natal mais seguro.

      Os exames realizados no consultório permanecem no equipamento do consultório podendo ser consultados a qualquer momento, bem como avaliar o percentual de crescimento geral e por cada parâmetro isolado, por exemplo circunferência cefálica, comprimento do fêmur, peso e circunferência abdominal. Além disso, quaisquer dúvidas sobre o exame são esclarecidas no momento do exame, pois é o seu obstetra que está realizando o exame. Desde a residência médica realizo os exames ultrassonográficos em obstetrícia (há mais de 15 anos). Tenho certificado de atuação em medicina fetal pela FEBRASGO / AMB, diversos cursos de ultrassonografia em São Paulo e Recife (EURP, CPU, CETRUS). Fui da primeira turma de residência em medicina fetal do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e preceptor das residências médicas em medicina fetal no Hospital das Clínicas UFPE e no próprio IMIP.

      Existem diversos profissionais que trabalham com excelência tanto em medicina fetal como em ultrassonografia geral e em ginecologia e obstetrícia. Se você deseja a realização de um exame ultrassonográfico com qualidade, escolha um bom profissional.

      Em geral, durante a gravidez, são realizados os seguintes exames ultrassonográficos:

      a)     Ultrassonografia Transvaginal inicial: até 10 semanas e 6 dias. Melhor exame para datar a gestação e para definir a idade gestacional e a idade gestacional de 40 semanas (conhecida popularmente como DPP ou Data Provável do Parto). O ideal é ser realizado a partir da 6ª. Semana quando já é possível numa gestação normal identificar o saco gestacional, a vesícula vitelina e o embrião com batimentos cardíacos. A partir de 8-9 semanas, é possível a realização do exame pela via abdominal a depender do biotipo da cliente.

      b)    Ultrassonografia Morfológica do Primeiro Trimestre: Realizada entre 11 e 14 semanas, tem por objetivo identificar os principais marcadores ultrassonográficos de defeitos congênitos: Translucência Nucal, Osso Nasal e Ducto Venoso. Mais recentemente, surgiram outros dois parâmetros: translucência intracraniana e regurgitação tricúspide. Pode ser medido o colo do útero para avaliação (inicial) de insuficiência istmo-cervical e também o Doppler das Artérias Uterinas para predição de pré-eclâmpsia grave e/ou crescimento intrauterino restrito (CIUR). Pode ser realizada pela via transvaginal ou abdominal, a depender do profissional executante. Muitas clientes me perguntam sobre o sexo do bebê neste período. O broto embrionário pode ser visibilizado neste exame, porém apresenta uma taxa elevada de discordância com o sexo fetal. Como o índice de falha é relativamente alto, ao meu ver considero que o melhor período para identificação do sexo fetal é com 16-17 semanas de gestação. Além disso, o foco deste exame é a morfologia fetal, a determinação de riscos de defeitos congênitos, rastreamento inicial de pré-eclâmpsia e insuficiência cervical.

      c)     Ultrassonografia Obstétrica Habitual: Para avaliar o crescimento e desenvolvimento do feto. Com 16/17 semanas consegue-se em geral (a depender do biotipo da cliente, da posição do feto, do equipamento utilizado e do profissional executante) identificar o sexo fetal. Não existe um período específico para realização deste exame, pode ser solicitado a qualquer momento. Conhecida como ultrassonografia obstétrica simples ou de rotina.

      d)    Ultrassonografia Morfológica do Segundo Trimestre com Doppler das Artérias Uterinas: Deve ser realizada entre 20 e 24 semanas, trata-se do exame ultrassonográfico mais importante do pré-natal, pois representa o melhor período para avaliação da morfologia do feto, com o objetivo de identificar ou afastar algum defeito congênito. Existe uma sequência neste exame que deve ser realizado preferencialmente por profissional especializado em Medicina Fetal ou outro profissional na área de Radiologia ou Ultrassonografia que seja devidamente preparado. Alguns defeitos congênitos podem não ser identificados neste período, principalmente defeitos congênitos menores (sem repercussão para a vida do bebê) ou os que aparecem mais tardiamente. Além disso, o Doppler das artérias uterinas é importante para predição de pré-eclâmpsia grave e/ou crescimento intrauterino restrito.

      e)     Ultrassonografia Morfológica do Terceiro Trimestre: Deve ser realizada entre 28 e 32 semanas, representa o melhor período para confirmação da morfologia do feto realizada nas ultrassonografias morfológicas anteriores, na avaliação da anatomia do coração e da face fetal. Como o nosso aparelho possui a ferramenta 3D/4D, utilizamos tal recurso, o que torna um dos exames mais agradáveis, a depender também da posição fetal e do biótipo materno. Deve ser realizado preferencialmente por profissional especializado em Medicina Fetal ou outro profissional na área de Radiologia ou Ultrassonografia que seja devidamente preparado. Não é um exame obrigatório, mas considero muito importante.

      f)     Ecocardiografia Fetal com Doppler colorido: Realizado em geral a partir de 22 semanas, após realizar a ultrassonografia morfológica do segundo trimestre, não é considerado um exame obrigatório, mas é um recurso propedêutico adicional no diagnóstico ou exclusão de defeitos congênitos cardíacos.Deve ser realizado preferencialmente por um cardiologista / pediatra especializado em cardiologia fetal. No Recife, recomendo a realização deste exame com a Dra. Karina Lopes (Consultório Cardiológico no Empresarial Albert Einstein / Biofeto / Unifetus / Cuidar) ou com a equipe da Dra. Sandra Mattos (na Unidade de Cardiologia e Medicina Fetal / Círculo do Coração do Real Hospital Português).

      g)     Ultrassonografia Obstétrica com Doppler colorido: Avalia além da ultrassonografia habitual, o fluxo sanguíneo em algumas artérias relacionadas à mãe (Artérias uterinas), à placenta (Artéria Umbilical) e ao feto (Artéria Cerebral Média). É fundamental nas gravidezes de alto risco como as síndromes hipertensivas na gravidez, diabetes com vasculopatia (alteração nos vasos sanguíneos), trombofilias, crescimento intrauterino restrito (CIUR), dentre outras. Em geral é realizada após a ultrassonografia morfológica do terceiro trimestre ou a partir de 28 semanas.

      _________________________________________________

      Seguem abaixo links dos Manuais da FEBRASGO em Ultrassonografia por Trimestre de Gravidez

      Primeiro Trimestre usg-1t

      Segundo Trimestre usg-2t

      Terceiro Trimestre usg-3t

      Ultrassonografia em Ginecologia

       

      Sistema de Relatório e Dados Ovariano-Anexo (O-RADS)

      “O-RADS ™” é um acrônimo para um Sistema (léxico) Ovarian-Adnexal Imaging-Reporting-Data que funciona como uma ferramenta de garantia de qualidade para a descrição padronizada de patologia ovariana / anexial. A criação de um léxico padronizado permite o desenvolvimento de um vocabulário prático e uniforme para descrever as características de imagem de massas ovarianas que podem ser usadas para determinar o risco de malignidade, com o objetivo final de aplicá-lo a uma classificação de estratificação de risco para acompanhamento e gerenciamento consistentes na prática clínica.

      O uso de descritores padronizados internacionalmente acordados deve resultar em interpretações consistentes e diminuir ou eliminar a ambigüidade nos relatórios, resultando em uma maior probabilidade de um diagnóstico correto. No caso da massa anexial, a interpretação correta que leva ao diagnóstico correto é a chave para a precisão na determinação do risco de malignidade e, finalmente, o manejo ideal do paciente.

      No verão de 2015, sob a supervisão do Colégio Americano de Radiologia, o Comitê de Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexais (O-RADS) foi formado com o objetivo de criar um léxico padronizado para descrever as características de imagem das massas ovarianas e anexiais e aplicá-lo a um sistema de estratificação e gerenciamento de risco para avaliação de malignidade. Este é um esforço colaborativo contínuo de um grupo internacional de especialistas em imagiologia ginecológica e tratamento de massas ovarianas / anexiais que inclui um amplo espectro de especialistas em radiologia, ginecologia, patologia e oncologia ginecológica dos EUA, Canadá, Europa e Estados Unidos Reino.

      Visto que o ultrassom é amplamente considerado a modalidade de imagem primária na avaliação de massas anexiais e a ressonância magnética a ferramenta de solução de problemas, grupos de trabalho paralelos (US e RMN) foram formados para desenvolver grupos separados, mas consistentes, de termos específicos para cada modalidade. Os principais objetivos do O-RADS são melhorar a qualidade e a comunicação entre os médicos interpretadores e encaminhadores, para limitar a variabilidade na linguagem dos relatórios e, por fim, orientar o manejo do paciente com base em informações acionáveis ??no relatório de imagem. O comitê é patrocinado pelo American College of Radiology com eventual marca registrada do léxico da referida organização.

      Fonte: https://www.acr.org/Clinical-Resources/Reporting-and-Data-Systems/O-Rads

      No link https://pubs.rsna.org/doi/10.1148/radiol.2019191150 é possível acessar a publicação de novembro de 2019. Seguem as principais imagens do artigo:

      Figura 1:

      Figura 1: A imagem mostra os principais termos do léxico dos EUA para avaliação de risco Ovarian-Adnexal Reporting and Data System (O-RADS). IOTA = Análise Internacional de Tumor Ovariano. Adaptado, com permissão, do American College of Radiology.

      Figure 2:

      Figura 2:A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS) sistema de estratificação e gerenciamento de risco dos EUA. * = No mínimo, o acompanhamento de pelo menos 1 ano mostrando estabilidade ou diminuição no tamanho é recomendado com consideração de acompanhamento anual de até 5 anos, se estável. No entanto, há atualmente uma escassez de evidências para definir a duração ideal ou intervalo de tempo para vigilância. ** = Presença de ascite com lesão de categoria 1–2, deve-se considerar outras etiologias malignas ou não malignas de ascite. CS = pontuação de cor, GYN = ginecológico, IOTA = Análise Internacional de Tumor Ovariano, N / A = não aplicável. Adaptado, com permissão.

      Figura 4:

      Figura 4: A imagem mostra a incorporação da Avaliação de Diferentes Neoplasias no modelo Adnexa (ADNEX) no sistema de classificação de risco Ovarian-Adnexal Reporting and Data System (O-RADS).

      Figura 5:

      Figura 5: As imagens mostram os recursos de US usados ??na avaliação de diferentes neoplasias no modelo Adnexa.

      Figura 3:

      Figura 3: A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS), estratificação de risco e sistema de gerenciamento de US para lesões benignas clássicas e descritores associados (O-RADS 2). * = Atualmente, há uma escassez de evidências para definir a duração ideal ou intervalo de tempo para vigilância. As evidências apóiam um risco crescente de malignidade em endometriomas após a menopausa. Adaptado, com permissão, do American College of Radiology.

      Figure 6:

      Figura 6: A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS) categoria 1 dos EUA, ovário normal.

      Figure 7:

      Figura 7: As imagens mostram corpos lúteos típicos. A, Corpo lúteo com Doppler colorido e sem Doppler colorido demonstra componente cístico central (asteriscos) com parede lisa e espessada, ecos internos avasculares e vascularização periférica (seta). B, Corpus lutea com componente central, parede espessada e margem interna crenulada (seta). C, Cisto anecóico de parede espessa (asterisco) com intensa vascularização periférica (seta). D,A energia do Doppler colorido demonstra vascularidade periférica (seta) neste corpo lúteo cístico (asterisco) com coágulo retrátil (ponta de seta). E, corpo lúteo como região hipoecóica (asterisco) sem componente cístico central, mas com fluxo periférico (seta) ao Doppler colorido. F, Dois corpos lúteos em cenário de ovulação dupla manifestados por duas regiões hipoecóicas (asteriscos) com fluxo periférico (setas).

       

      Figure 8:

      Figura 8: A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS) dos EUA categoria 2, quase certamente benigno.

      Figure 9:

      Figura 9: A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS) US categoria 2, lesões benignas clássicas e descritores associados. Ov = ovário.

      Figure 10:

      Figura 10: As imagens mostram cistos hemorrágicos típicos. A, Cisto hemorrágico ovariano com coágulo retrátil demonstra margens côncavas (setas) e padrão reticular interno (asterisco). B, Cisto hemorrágico com padrão reticular (asterisco) por toda parte. C, Padrão reticular (asterisco) com ecos lineares descontínuos finos e retração precoce do coágulo na periferia (setas). D,Coágulo em retração com padrão reticular (asterisco) e margem côncava (seta). O fluxo do Doppler colorido é observado no tecido ovariano circundante; no entanto, está ausente em produtos sanguíneos. E, padrão reticular (asterisco), margens retas e côncavas (setas) e ausência de fluxo na energia do Doppler colorido diferencia o coágulo retrátil do tecido sólido. F, Cisto hemorrágico avascular com padrão reticular (asterisco) e margem côncava de coágulo retrátil (seta).

      Figure 11:

      Figura 11: As imagens mostram cistos dermóides típicos. A, Cisto dermóide com componente hiperecoico (asterisco) com sombreamento acústico (seta) e linhas e pontos hiperecoicos (ponta de seta). B, Linhas e pontos hiperecóicos e componente hiperecóico em outro cisto dermóide. C,A imagem transabdominal do cisto dermóide demonstra nível líquido-líquido (seta preta) com hiperecogenicidade não dependente consistente com gordura líquida flutuante. Componente hiperecoico (asterisco) com sombreamento acústico (seta) e linhas e pontos hiperecoicos sutis (ponta de seta) também são vistos. D, Lesão cística com linhas hiperecoicas proeminentes e pontos (pontas de seta), que refletem cabelo enrolado no cisto dermóide. E, componente hiperecoico (asterisco) com sombreamento acústico (setas) em cisto dermóide contendo ecos internos. F, Estruturas esféricas ecogênicas flutuantes (asteriscos) não são comuns, mas são patognomônicas de cisto dermóide.

      Figure 12:

      Figura 12: As imagens mostram endometriomas típicos. A, A aparência comum de endometrioma demonstra ecos internos homogêneos de baixo nível ou em vidro fosco (asterisco); o parênquima ovariano circundante (seta) é visto. B, características semelhantes de ecos homogêneos de baixo nível ou em vidro fosco (asterisco) com o tecido ovariano circundante (seta) e realce acústico posterior (ponta de seta). C, Nenhum fluxo interno na imagem Doppler deve ser observado em endometriomas; ecos homogêneos de baixo nível (asterisco) e realce acústico posterior (ponta de seta).D, Endometrioma multiloculado com ecos homogêneos de baixo nível (asteriscos) em cada componente; o fluxo pode ser observado no septo intermediário (seta). E, ocasionalmente, focos ecogênicos pontilhados periféricos (setas) são vistos com endometriomas; entretanto, ecos homogêneos de baixo nível (asterisco) são os recursos mais específicos. F, Embora o sombreamento normalmente não esteja associado a focos ecogênicos pontilhados periféricos (setas) ao redor do endometrioma (asterisco), artefatos cintilantes podem ser apreciados com imagem Doppler (pontas de seta).

      Figure 13:

      Figura 13: A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS) categoria 3 dos EUA, baixo risco de malignidade.

      Figure 14:

      Figura 14: A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS) categoria 4 dos EUA, risco intermediário de malignidade.

      Figura 15:

      Figura 15: A imagem mostra o Sistema de Dados e Relatórios Ovarianos-Anexos (O-RADS) categoria 5 dos EUA, alto risco de malignidade.


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      ?? O consórcio Internacional para Análise dos Tumores Ovarianos (IOTA) publicou um modelo para Avaliação de Diferentes Neoplasias Anexiais (ADNEX), que propicia diferenciar os tumores ovarianos benignos e malignos
      .
      ?? Simplificando, para melhor compreensão dos cistos ovarianos, faz-se necessário explicar que é o normal os ovários possuírem alguns cistos. O que não é normal é o ovário possuir vários cistos ou cistos grandes ou cistos complexo. Daí a importância da distinção entre os diferentes tipos de cistos ovarianos:
      .
      ??Cisto funcional : o mais frequente, aquele que ocorre de forma fisiológica, geralmente de maior tamanho por volta do 14o. Dia do ciclo menstrual quando ocorre a ovulação, em geral atingindo um tamanho de 2,5-3cm
      .
      ??Cistos Simples: são cistos maiores que 3 cm, com componente exclusivamente anecogênicos. Tradicionalmente são benignos.
      .
      ??Ovário Micropolicístico: em geral com tamanho superior a 9cm3, aprensentando 10 ou mais pequenos cistos dispostos na periferia ovariana, com diâmetro máximo menor que 1cm
      .
      ??Cistos hemorrágicos: apresentam ecotexura trabeculada, com pseudoseptações .
      ??Cisto Complexo: possuem ecotextura heterogênea, com componentes sólidos, podem apresentar volumes maiores, alterações na vascularização ao color Doppler, associar-se ou não com ascite.
      .
      ?Quais as características ultrassonográficas importantes de se descrever em um cisto ovariano complexo?
      .
      ??O diâmetro máximo da lesão
      .
      ??A proporção do componente sólido
      .
      ??Se existem 10 ou mais cistos uniloculados
      .
      ??o número de projeções papilares (0, 1, 2, 3 ou mais de 3)
      .
      ??Se há sombra acústica
      .
      ??Se há ascite
      .
      ?Existem calculadoras de risco para se estabelecer a melhor conduta terapêutica e pode-se associar o raciocínio através de marcadores tumorais, o mais conhecido, CA-125.
      .
      ?O plano terapêutico deve ser bem estabelecido em conjunto com a cliente, de acordo com o achado ultrassonográfico, sobretudo em situações especiais como prole indefinida e gestação, por exemplo
      .
      Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4402441/pdf/FVVinObGyn-7-32-41.pdf

       


      WhatsApp Image 2017-05-21 at 07.32.43 (1)

      Mais um excelente artigo brasileiro sobre massas pélvicas anexiais. Discorre sobre aspectos fisiológicos e moleculares, de laboratório e de imagem e sobre boas práticas no tratamento. Conclui da seguinte maneira (ipsis litteris)
      .
      A análise conjunta de parâmetros morfológicos ultrassonográficos com o estudo Doppler, a pesquisa de CA-125 e a investigação de índice de sintomas pode incrementar as taxas de diagnóstico
      .
      Abordagem cirúrgica deve ser considerada sempre que houver alterações em exames de imagem, quando houver crescimento rápido do cisto, mudanças em seu aspecto em relação à avaliação inicial ou quando a paciente apresentar sintomatologia
      .
      Uma compreensão melhor de mecanismos genéticos e moleculares pode auxiliar na elucidação da fisiopatologia do câncer ovariano, aprimorando seu diagnóstico e tratamento precoces.
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      Fonte: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v61n5/0104-4230-ramb-61-05-0469.pdf


       

      WhatsApp Image 2017-05-21 at 07.33.18 (1)A Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia (ISUOG) estabeleceu em 2013 alguns achados ultrassonográficos sugestivos de BENIGNIDADE para os cistos ovarianos:
      .
      B1: Cisto Unilocular
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      B2: Cisto com componente sólido com diâmetro máximo menor que 7mm
      .
      B3: Presença de sombra acústica posterior
      .
      B4: Tumor discretamente multilocular maior que 10cm de diâmetro máximo
      .
      B5: sem fluxo ao color Doppler
      .
      Fonte: http://www.isuog.org/NR/rdonlyres/D4C9E461-E275-4D94-A5D1-40828DFE21EE/0/IOTAsummarypaper_UOG.pdf


       

      WhatsApp Image 2017-05-21 at 07.33.57 (1)

      A Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia (ISUOG) estabeleceu em 2013 alguns achados ultrassonográficos sugestivos de MALIGNIDADE para os cistos ovarianos:
      .
      M1: Tumor sólido e irregular
      .
      M2: Presença de ascite
      .
      M3: pelo menos quatro estruturas papilares
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      M4: Tumor sólido, multilocular, irregular, com diâmetro máximo maior que 10cm
      .
      M5: fluxo bem evidente ao color Doppler
      .
      Fonte: http://www.isuog.org/NR/rdonlyres/D4C9E461-E275-4D94-A5D1-40828DFE21EE/0/IOTAsummarypaper_UOG.pdf


       

       

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      A Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia (ISUOG) estabeleceu em 2013 descritores instantâneos ultrassonográficos sugestivos de BENIGNIDADE para os cistos ovarianos:
      .
      BD1: tumor unilocular com ecogenicidade de “vidro fosco” em mulheres na pré-menopausa (sugestivo de endometrioma)
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      BD2: tumor unilocular com ecogenicidade mista e sombra acústica posterior na mulheres na pré-menopausa (sugestivo de teratoma cístico benigno)
      .
      BD3: tumor unilocular, de paredes regulares e diâmetro máximo < 10cm (sugestivo de cisto simples ou cistoadenoma)
      .
      BD4: tumor unilocular remanescente de paredes regulares .
      Fonte: http://www.isuog.org/NR/rdonlyres/D4C9E461-E275-4D94-A5D1-40828DFE21EE/0/IOTAsummarypaper_UOG.pdf


       

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      A Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia (ISUOG) estabeleceu em 2013 descritores instantâneos ultrassonográficos sugestivos de MALIGNIDADE para os cistos ovarianos:
      .
      MD1: Tumor com ascite e no mínimo moderada cor fluxo sanguíneo Doppler em mulheres pós-menopáusicas
      .
      MD2: Idade maior que 50 anos e CA 125 > 100 U/ml
      .
      Fonte: http://www.isuog.org/NR/rdonlyres/D4C9E461-E275-4D94-A5D1-40828DFE21EE/0/IOTAsummarypaper_UOG.pdf


       

      Zika Vírus e Microcefalia (Síndrome da Zika Congênita)

       

       

      Zika e microcefalia

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      ?A partir de agosto de 2015, houve aumento no número de casos de microcefalia neonatal no Nordeste do Brasil. Esses achados foram identificados como sendo uma epidemia de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika (ZIKV). Este trabalho analisou a distribuição espacial dos casos de microcefalia em Recife (2015-2016), Nordeste Brasileiro, bem como sua associação com as condições de vida nesta cidade.
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      ?Metodologia
      ?Este foi um estudo ecológico que utilizou dados de casos notificados de microcefalia do Departamento de Saúde do Estado de Pernambuco (agosto de 2015 a julho de 2016)
      ?A unidade espacial básica de análise foi os 94 distritos do Recife
      ?A definição do caso da microcefalia foi: recém-nascidos com uma circunferência de cabeça inferior ao ponto de corte de 2 desvios padrão abaixo do valor médio da curva de crescimento de Fenton estabelecida
      ?Como indicador das condições de vida dos 94 distritos, calculou-se a percentagem de chefes de famílias com um rendimento inferior ao dobro do salário mínimo
      ?Os distritos foram classificados em quatro estratos homogêneos
      ?Foram planejadas as localizações de cada caso de microcefalia em uma camada de condições de vida.
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      ?Resultados
      ?Durante o período de estudo, foram notificados 347 casos de microcefalia, dos quais 142 (40,9%) preencheram a definição de caso de microcefalia
      ?A estratificação dos 94 distritos resultou na identificação de quatro estratos
      ?O maior estrato em relação às condições de vida apresentou a menor taxa de prevalência de microcefalia, e a diferença geral entre essa taxa e as taxas dos outros estratos foi estatisticamente significante
      ?HOUVE UMA FORTE ASSOCIAÇÃO ENTRE UMA MAIOR PREVALÊNCIA DE MICROCEFALIA E CONDIÇÕES DE VIDA PRECÁRIAS
      ?Após os primeiros 6 meses do período de estudo, não houve casos de microcefalia registrados na população que vive nos estratos socioeconômicos mais ricos.
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      zikamicro

       

      *Note na figura a imensa maioria dos casos de Mirocefalia na localizados na faixa preta, correspondendo às regiões com piores condições de vida, seguida pela faixa cinza escuro e condições de vida baixa, pouquíssimos casos na faixa cinza claro de condições de vida média e nenhum caso na área de boas condições de vida. 

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      ?Conclusão
      ?Este estudo mostrou que aqueles que residem em áreas com condições precárias de vida apresentaram maior prevalência de microcefalia em comparação com populações com melhores condições de vida
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      Fonte: Souza et al. BMC Public Health (2018) 18:130 , https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/track/pdf/10.1186/s12889-018-5039-z?site=bmcpublichealth.biomedcentral.com
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      Parece óbvio e realmente é, mas pouco foi divulgado (minha opinião) sobre essas condições de vida e a associação da Síndrome da Zika congênita. Um dia chegaremos também às questões alimentares, o quanto influenciaram na aquisição do vírus e seus efeitos nefastos. Deficiência de macro e micronutrientes, alimentação disfuncional piorando o estado imunológico materno e suas consequências ruins para o desenvolvimento fetal. Um dia, a nutrologia medicina e fetal será uma área de atuação em Ginecologia e Obstetrícia ou mesmo na medicina fetal. #eusonho #euacredito #eufaço
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      #microcefalia #microcephaly #zika #Síndromeda Zikacongênita #condiçõesdivida #nutrologiamaterna #nutrologiafetal #medicinafetal#ginecologiaintegrativaefuncional


       

      apoptose

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      ??Depois de aprender sobre a teoria da apoptose (e seu possível envolvimento na patogênese da Síndrome congênita do Zika vírus) resolvi estudar alguns artigos sobre o tema. Encontrei este artigo entitulado Papel protetor da Sirtruína no estresse oxidativo mediado pelo vírus da hepatite B x expressão protéica, publicado na Plos On line de 2016 (doi: 10.1371/journal.pone.0150961)
      .
      ??Dentre as várias nuances do artigo, há a descrição bem evidente da importância do papel do estresse oxidativo gerado pelo vírus da hepatite B levando a uma apoptose (morte celular programada) . Contudo, a Sirtuína parece abolir este mecanismo, com seu importante papel antioxidante e protetor desta apoptose induzida pelo vírus da Hepatite B
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      ??Sirtuínas são enzimas que parecem estar relacionadas com o envelhecimento e na regulação da transcrição, apoptose e resistência ao estresse, como também com regulação de processos metabólicos em situações de baixa quantidade de calorias
      .
      ??É importante correlacionar os fatores antioxidantes como fatores de proteção para a qualquer tipo de infecção. Daí a importância de um bom fenótipo, de uma boa saúde, através de uma boa alimentação, rica em nutrientes, do papel antioxidantes de diversas vitaminas e demais nutrientes. Assim, preocupar-se com estes nutrientes que ajudam no desenvolvimento do sistema nervoso central (ácido fólico, vitamina B12, vitamina B6, Metionina, dentre outros) parece-me fundamental para qualquer gestante ou mulher em idade reprodutiva que planeja engravidar. Polimorfismos genéticos podem corresponder a fatores protetores ou de risco também; isto também pode explicar porque algumas pessoas possuem características semelhantes (como nos casos de gravidezes gemelares em que apenas um feto é acometido pela microcefalia) e apresentam desenvolvimento diferente, afinal, geneticamente elas são sim diferentes


       

      zikaapo

      Estava eu ontem (16/09/2016) na Jornada Pernambucana de Ultrassonografia quando assisti a uma brilhante palestra da Doutora Patrícia Jungmann que tratava sobre uma hipótese no mecanismo da patogênese do Zika vírus na microcefalia fetal.
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      Graças a Deus, existem pessoas mais preocupadas com a identificação do mecanismo da patogênese e assim entender quais são os fatores de risco e os protetores para realizar uma política de prevenção adequada para a Síndrome congênita da Zika
      .
      ??Uma conversa entre médicos levou à construção de uma nova teoria sobre os caminhos que o zika vírus pode percorrer para culminar com o aparecimento da microcefalia no último trimestre da gravidez – um detalhe que tem intrigado os especialistas em medicina fetal, que geralmente só conseguem dar um diagnóstico dessa malformação em torno da 28ª semana de gestação. “Ele começou a descrever as imagens das ultrassonografias e questionou o que poderia fazer cair o potencial de crescimento do cérebro de uma forma súbita. Logo achei que a justificativa seria um mecanismo de suicídio celular no sistema nervoso central”, diz a patologista e imunologista Patricia Jungmann, ao contar sobre os primeiros diálogos com o médico Pedro Pires, coordenador de Medicina Fetal do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros.
      .
      ??Juntos eles defendem que a microcefalia pode ser consequência de uma reação exacerbada de um fenômeno chamado de apoptose, que acontece a partir da 20ª semana de gestação no sistema nervoso central. Trata-se de um mecanismo de triagem de neurônios para que só células perfeitas e funcionais sejam selecionadas. A formação do cérebro normal passa por essa etapa. “Mas a presença de uma infecção viral nessa fase aceleraria esse mecanismo em condições acentuadas. A nossa hipótese é que a presença do zika vírus nos neurônios seja um indutor de apoptose, que promove uma redução de massa cinzenta no sistema nervoso, um sinal observado nas tomografias”, explica Patricia, professora da Universidade de Pernambuco e doutora em patologia pelo Instituto Pasteur, em Paris.


       

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      ?? Esta imagem do trabalho do New England de julho de 2016 (Modeling Zika Virus Infection in Pregnancy) demonstra que o Zika vírus (ZIKV) infecta o cérebro fetal do rato com tropismo para as células do córtex cerebral e zona ventricular, incluindo células progenitoras neuronais corticais e células gliais radiais
      .
      ?? A infecção pelo ZIKV leva à redução das camadas corticais e da cavidade ventricular devido a um aumento da morte celular em em células progenitores neuronais corticais, especialmente nas zonas intermárias e ventriculares
      .
      Precisamos avançar no entedimento desta patologia que ocasionou um enorme e irrecuperável problema de saúde pública. Está mais do que na hora de estabelecer alguma proposta terapêutica para as gestantes que apresentarem alguma suspeita de infecção pelo Zika vírus, além de mais medidas preventivas
      .
      Fonte: http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMcibr1605445


       

      WhatsApp Image 2017-05-20 at 15.02.05

      Estudo do New England de Julho de 2016 estudou a infecção pelo Zika vírus e sua patogênese em ratos
      .
      ??Esta figura representa a placenta de rato que possui dois componentes (materno e fetal) incluindo as zonas de junção e do labirinto
      .
      O Zika Vírus (ZIKV) pode infectar trofoblastos da placenta, incluindo as células trofoblásticas gigantes, os glicogênio-trofoblastos, espongiotrofoblastos na zona de junção e os trofoblastos maternos mononucleares, sinusóides, e as células endoteliais que revestem os capilares fetais na zona de labirinto
      .
      Vamos traduzir e refletir o que se pode avaliar (minha opinião)…
      .
      Existem diversas células na placenta de ratos (e também de humanos) que são responsáveis por levar os vírus até o feto. Só que nestas células também existem diversos processos de defesa que por algum motivo nos casos mais graves são afetados, daí se entende porque alguns casos em humanos ocorre a presença de outras malformações além da restrição do crescimento intrauterino. É óbvio que fetos / mães com imunidade comprometida estarão mais predispostos. Por isso, não faz sentido nenhum tratar de um problema de saúde pública sem avaliar os principais hospedeiros: mãe e feto.
      .
      Se ocorre uma má placentação, maior risco de estresse oxidativo, maior risco de infecção, acredito que a predisposição da infecção viral grave é maior. E se tiver hábitos alimentares, intestinais, psíquicos e de sono ruins, claro que isto representa outro fator de risco
      .
      Portanto, além de seguir as recomendações habituais, outro aspecto importante é planejar a gravidez, avaliar sua imunidade, modificar hábitos de vida ruins, melhorar a alimentação, gerenciar o sono e o estresse. Este sim é um tratamento integral
      .
      Fonte: http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMcibr1605445


       

      WhatsApp Image 2017-05-20 at 15.03.13

      • Pesquisa inédita realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detectou a presença do vírus Zika em mosquitos Culex quinquefasciatus (a popular muriçoca ou pernilongo doméstico) coletados na cidade do Recife. Esse achado confirma a espécie como potencial vetor do vírus causador da zika, hipótese que, de acordo com a literatura científica, não havia sido comprovada até o momento
        .
        ?? Mais detalhes sobre a pesquisa disponível no link http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-identifica-mosquito-culex-com-potencial-de-transmissao-do-virus-zika-no-recife. Ainda não encontrei o estudo na íntegra.
        .
        O objetivo deste post, além de obviamente alertar sobre a importância da proteção contra OS MOSQUITOS através de meios físicos (roupas compridas, fechar as janelas) combate aos focos e uso criterioso de repelentes é trazer as seguintes interrogações :
        1??O QUE APRENDEMOS COM QUASE 1 ANO DA EPIDEMIA DE ZIKA E MICROCEFALIA FETAL?
        ?? Muito pouco, falta responder a pergunta por que algumas mulheres têm infecção pelo Zika e desenvolvem microcefalia e outras não?
        2?? DESCOBRIMOS OS FATORES PROTETORES PARA A INFECÇÃO PELO VÍRUS E O DESENVOLVIMENTO DE MICROCEFALIA?
        ?? Com tantos estudos, nenhum estudo novo se preocupou com outros fatores protetores exceto as medidas de combate ao mosquito, meios físicos e uso de repelentes
        3?? EXISTE ASSOCIAÇÃO ENTRE UMA MAIOR PREDISPOSIÇÃO DE INFECÇÃO VIRAL E MICROCEFALIA COM A CONDIÇÃO SOCIAL?
        ?? O governo esconde, mas 98% dos casos de microcefalia nasceram na rede pública
        4?? PORQUE O MINISTÉRIO DA SAÚDE EM JANEIRO RECOMENDOU POR ESCRITO A ADMINISTRAÇÃO DE ÁCIDO FÓLICO (que na rede pública é de 5mg) PARA TODA A GESTANTE NA PÁGINA 13 DA NOVA CADERNETA DA GESTANTE DE 2016?
        ?? Ácido fólico reduz Homocisteína que é um dos fatores de inflamação e HIPERHOMOCISTEINEMIA é causa de microcefalia. Além disso ajuda no desenvolvimento do sistema nervoso fetal (além de outros nutrientes, como a vitamina B12)
        5?? NÃO VALERIA A PENA AUMENTAR A IMUNIDADE DA GESTANTES COM NUTRACÊUTICOS E MELHORIA DOS HÁBITOS PARA PERMITIR UMA MELHOR DEFESA IMUNOLÓGICA DO HOSPEDEIRO?
        ?? Sim
        6?? É por que ninguém escreve ou fala ou arrisca nada novo?
        ?? Não sei

       


      WhatsApp Image 2017-05-21 at 00.04.21

      Parece um tema novo, não é? Mas este artigo tem quase 20 anos. Publicado no The Journal of Nutrition, Levander em 1997, procurou dar uma visão geral da nutrição e a interrelação entre as doenças virais existentes naquela época. Devido ao aumento de 58% no número de mortes nos Estados Unidos por doenças infecciosas entre 1980 e 1992, o então diretor geral da Organização Mundial de Saúde, anunciou: “Nós estamos à beira de uma crise global em doenças infecciosas”
      .
      O papel do estado nutricional do hospedeiro para determinar a resistência à infecção foi há muito reconhecida. A causalidade da doença deve ser vista como uma tríade complexa de interagir determinantes: agente etiológico, as características do hospedeiro e fatores ambientais/nutricionais. .
      Fatores extrínsecos sobre a doença, por exemplo, toxinas da dieta, o clima, a densidade populacional, a estabilidade socioeconômica ou falta dela, além da própria carência nutricional são fatores de risco para as infecções
      .
      Relacionaram àquela época que deficiência de selênio ou vitamina E foram encontrados em ratos determinam infecção mais virulenta do Coxsackievírus B3. .
      Considerava-se que os fatores nutricionais ganhariam destaque no futuro como nas doenças emergentes por RNA vírus como Dengue, Ebola, Gripe etc
      .
      Ressaltava-se ainda a capacidade antioxidante de alguns nutrientes bem como que a deficiência de nutrientes pode contribuir para a mutação do vírus
      .
      A associação entre estresse oxidativo e infecção também foi revelada pelo Professor Peterhans posto que as concentrações de vários potentes antioxidantes fisiológicos (tocoferol, ascorbato e glutationa) diminuem durante o curso da infecção com a gripe. .
      Conclusão do artigo: Se esta nova linha de pesquisa faz jus à sua promessa inicial, esta abordagem interdisciplinar de aproveitando a experiência combinada de nutrição e virologia deve fazer contribuições importantes para a nossa compreensão dos mecanismos de patogênese viral e fornecer informações práticas sobre como maximizar a resistência do hospedeiro à infecção .


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      ?? Este trabalho avaliou a importância de alguns nutrientes para o tratamento (adjuvante) da Dengue. Foram eles:
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      ?? Vitamina D: Inúmeros estudos enaltecem a importância de tal vitamina (hormônio) em melhorar a resposta imunológica para diversas patologias.
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      Zinco: também importante para a resposta imune, sua deficiência está relacionada com a diminuição da resistência à infecção viral
      .
      Vitamina A: regulador central da resposta imune, além da função antioxidante do retinol e betacaroteno
      .
      Ferro: sua deficiência está relacionada com diminuição da resposta mitogênica, da atividade das células NK, dos linfócitos bactericidas e dos neutrófilos com atividade fagocitária
      .
      Cromo: importante na regulação da glicemia, afeta a resposta imune pela influência aos Linfócitos T e B, células apresentadoras de antígenos e produção de citocinas, além de um efeito na redução do cortisol.
      .
      ??O artigo conclui: “CONSIDERANDO O POTENCIAL DA SUPLEMENTAÇÃO DE MICRONUTRIENTES REPRESENTAR MEDIDA DE BAIXO CUSTO E ADJUNTOS SIMPLES PARA MELHORAR O SUCESSO DO TRATAMENTO EM PACIENTES COM DENGUE, É SURPREENDENTE QUE O ÂMBITO DA INVESTIGAÇÃO NESTA ÁREA TEM SIDO BASTANTE LIMITADA. OS PESQUISADORES TAMBÉM DEVEM AVALIAR A POSSIBILIDADE DO ESTADO NUTRICIONAL É UM PREDITOR DE AQUISIÇÃO DE INFECÇÃO POR VÍRUS DA DENGUE EM ÁREAS ENDÊMICAS.”
      .
      ??RELEMBRANDO QUE O VÍRUS DA DENGUE É UM FLAVIVÍRUS COMO ZIKA E CHIKUNGUNYA.
      .
      Enfim, especificamente para o adequado desenvolvimento do sistema nervoso central do feto, além destes nutrientes considero de fundamental importância a suplementação na gravidez de Ácido Fólico (combinado com ou na sua forma ativa, o Metilfolato) além de vitaminas do complexo B (sobretudo B12 e B12).
      .
      Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4228873/pdf/tropmed-91-1049.pdf


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      Vale a pena ler este artigo do grupo de pesquisadores daqui de Recife, publicado neste mês de abril no British Medical Journal (BMJ). Trata do estudo com a maior e mais detalhada série de casos até o momento com os achados dos exames de neuroimagem de crianças portadoras de microcefalia e sua provável associação com a infecção pelo Zika vírus. Foram 23 crianças estudadas através dos exames de neuroimagem. Apenas 6 tiveram sorologia positiva para Zika enquanto que 17 não tiveram o resultado do líquido cefalorraquidiano (colhido em meados de novembro de 2015).

      Infelizmente, o dano cerebral é severo e os achados mais frequentes foram calcificações e alterações no desenvolvimento cortical. Outros achados: cisterna magna aumentada, anormalidades no corpo caloso (hipoplasia ou hipogenesia), ventriculomegalia, atraso na mielinização, hipoplasia de cerebelo e tronco cerebral. Saliento que vários achados desses exames podem ser evidenciados ainda intraútero por especialistas em medicina fetal.

      ??Minhas Observações (nada a ver diretamente com o trabalho)
      Eu acredito no controle da epidemia de microcefalia e infecção pelo Zika vírus, através da diminuição de fatores de risco relacionados às infecções. Desnutrição, carência de nutrientes (ácido fólico, vitamina B12, D, C, etc.), estresse, toxinas, péssimas condições de vida. A necessidade de uma pesquisa social que realmente caracterize esta população acometida pela microcefalia é urgente, além de fácil de ser executada. Continuamos a aguardar a vacina que irá nos libertar deste mal. E enquanto isso, não faremos nada? Precisamos aumentar a imunidade das gestantes, a qualidade do pré-natal, estimular a alimentação saudável e o adequado gerenciamento do estresse.

      Fonte: http://www.bmj.com/content/bmj/353/bmj.i1901.full.pdf


       

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      O medo do zika e da microcefalia multiplicou ainda mais as restrições das grávidas. Mulheres acostumadas a mudar a rotina para esperar os filhos agora também estão aprendendo a usar o repelente com frequência e vestir, segundo recomendações do próprio Ministério da Saúde, roupas de mangas compridas. Esse último cuidado, entretanto, pode gerar outros problemas de saúde: agravar o déficit de vitamina D, problema comum em nove entre cada 10 pessoas que moram em centros urbanos do país. Alguns especialistas brasileiros defendem que a atenção seja reforçada nesse momento.

      O médico neurologista e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cícero Coimbra é um dos defensores de redrobrar os cuidados com o déficit de vitamina D em grávidas. Utilizando-se de pesquisas recentes brasileiras e mundiais, o médico saiu em defesa do uso da substância por dois principais motivos: o primeiro deles é o de não agravar o déficit que já existe na população e o outro iria além, o de reforçar o sistema imunológico e assim conseguir evitar casos de microcefalia.

      Segundo ele, o sistema imunológico do ser humano é dependente da vitamina D e, quando os níveis dela estão baixos, maior a susceptibilidade de adquirir infecções. “A imunidade inata, que depende dos níveis de vitamina D, estimula a placenta a produzir peptídeos antimicrobianos. Dessa forma, a plancenta funciona como uma barreira para os vírus, inclusive o zika”, afirmou o pesquisador.

      Um dos estudos apontados por Coimbra, e realizado em Minas Gerais, mostrou que 85% das mães e bebês recém-nascidos tinham déficit de vitamina D. Diante dessa falta já conhecida, o pesquisador diz que é preciso avaliar o uso de suplementação nas mulheres, para reforçar a defesa contra a ação do vírus e evitar os casos de malformação.

      ?? Eu doso a vitamina D nas gestantes que acompanho no primeiro, segundo e terceiro trimestres e reponho de forma personalizada.

      ?? Vitamina D é um exame que faz parte da minha rotina também de atendimento ginecológico

      ?? Eu e todos da minha família suplementarmos a vitamina D

      ?? Observo a epidemia de deficiência de vitamina D no meu consultório

      http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2016/04/04/interna_vidaurbana,636526/gravidas-se-vestem-contra-o-zika-e-ficam-sem-vitamina-d.shtml


       

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      ??Algoritmo da ISUOG para diagnóstico de microcefalia:
      1. Ultrassonografia precoce: Determinação correta da idade gestacional pela aferição do Comprimento Cabeça Nádega (CCN) em ultrassonografia do primeiro trimestre.
      2. Ultrassonografia de base: – Se abaixo de 14 semanas
      * Aferir CCN, Circunferência Cefálica (CC) e Diâmetro Biparietal (DBP)
      * Avaliar anatomia fetal
      – Se acima de 14 semanas
      * Aferir DBP, CC, Circunferência Abdominal (CA) e comprimento do fêmur (CF)
      * Avaliar anatomia fetal
      * Aferir o ventrículo lateral (VL) e o diâmetro transcerebelar (DTC)
      * Avaliar presença de achados associados às infecções congênitas: microcalcificações periventriculares, ecogenicidades intraventriculares e irregularidade no formato do ventrículo lateral
      3. Ultrassonografias subsequentes:
      – Tomar cuidado para diferenciar e priorizar os exames em pacientes com maior exposição ao Zika vírus
      – Ultrassonografias seriadas a cada 4-6 semanas
      4. Desvio do normal
      – Se houver alteração na circunferência cefálica abaixo de dois desvios padrões ou alterações cerebrais, encaminhar para especialista (medicina fetal) para realização de neurossonografia.
      – Pode-se optar pela realização da ambiocentese (retirada de uma pequena quantidade de líquido amniótico) para avaliação de PCR para Zika
      – Outra possibilidade é prosseguir investigação através de ressonância magnética cerebral fetal


       

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      Os flavivírus (Dengue, Zika e Febre do Nilo) também se replicam a partir de reações de metilação, no caso dos RNA-vírus, metilação do próprio RNA. Os trabalhos informam que a transformação da S-Adenosil-Metionina (SAM) em S-Adenosil-Homocisteína (SAH), estimula produção de enzimas denominadas metiltransferases que podem servir tanto para produção de células de defesa, mas também servem para a replicação viral. Tem um artigo inclusive que informa que uma bactéria, a Escherichia coli, produz também estas metiltransferases. Drogas anti-folato, anti metiltransferases tecnicamente podem ajudar a erradicar o vírus, o grande problema é que vai também diminuir a imunidade do indivíduo e não pode ser utilizado na gravidez. ??????E o que isto tem a ver?

      ?? Uma infecção urinária ou uma disbiose intestinal com predomínio de bactérias que produzam metiltransferases relacionadas à replicação dos flavivírus PODEM sim constituírem fatores de risco importantes.

      Além da inflamação crônica, clínica ou subclínica:
      ?? Imagine um ambiente destes, de inflamação crônica, associado à baixa de ácido fólico, de vitamina B12 e de vitamina D. Terá ou não um risco maior? SIM!!!

      ??Imagine ainda se por acaso esta pessoa for exposta a contaminantes, poluentes, água de péssima qualidade, alimentação de baixa qualidade nutricional. Terá ou não um risco maior? SIM!!!

      ?? Imagine ainda se a pessoa se encontrar estressada, com as defesas imunológicas ainda mais baixas por enfrentar problemas pessoais, sem dormir direito ou por fatores de riscos inerentes à sua condição social e econômica.
      Terá ou não um risco maior? SIM!!!
      OK, você acha que esta pessoa não existe?
      Esta pessoa existe sim e na verdade, pode existir uma população enorme com estas características!!!

      Vulnerabilidade social é fator de risco para infecções, incluindo obviamente o Zika vírus. Não se alimentar bem, não suplementar ácido fólico antes e durante a gravidez, não avaliar vitamina D, B12, Homocisteína, expor-se a vários fatores de riscos é muito comum aqui no Nordeste.

      Conheça (e combata) o mosquito, o vírus, mas por favor não esqueça de investigar (e tratar) a pessoa, o ser humano


       

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      ??????Se o vírus da Dengue é da família Flaviviridae e do gênero flavivirus, o mesmo do Zika vírus, compreender através de estudos bem estabelecidos estratégias de tratamento para a mesma família PODE ser muito importante no combate a esta epidemia de Zika e Microcefalia. Assim, se vários trabalhos apontam que a Vitamina D reduz a infecção do vírus da Dengue (e vários outros tipos de infecções, doenças auto-imunes) FAZ SENTIDO aplicar o mesmo raciocínio para a infecção pelo Zika. Ou você vai ficar esperando um trabalho prospectivo, duplo-cego e randomizado em gestantes que tiveram infecção pelo Zika vírus, um grupo suplementando vitamina D e outro apenas placebo??? ? Acredito que a Vitamina D em dose adequada pode ajudar a aumentar a imunidade das gestantes. Os trabalhos suportam esta linha de raciocínio. Não existe uma dose ideal, fixa, ela pode variar dependendo de cada indivíduo, isto deve ser avaliado mediante consulta presencial. ? Recomendação: mantenha os níveis de vitamina D nos melhores parâmetros da normalidade, principalmente se for gestante ou se estiver diante de um quadro viral.


       

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      ?? Um caso interessante de febre de origem obscura cursando com anemia hemolítica (que destrói as hemácias) e trombocitopenia (diminuição das plaquetas – elementos responsáveis por nossa coagulação) numa garota de 17 anos.

      ? Algumas infecções como Dengue, malária, citomegalovírus, Vírus Ebstein-barr, Parvovírus, Endocardite infecciosa, doenças auto-imunes (Lúpus Eritematoso Sistêmico), vasculites, síndrome hemolítico-urêmica, Púrpura trombocitopênica idiopática (PTI), anemia hemolítica auto-imune, ou drogas/medicamentos podem ser causas do quadro clínico acima descrito.

      ?? Depois de um mês de investigação com todos os exames possíveis e imagináveis, ficaram apenas com quarto principais alterações laboratoriais envolvidas com a etiologia (causa) da doença: deficiência de vitaminas B12, D, Ácido fólico e aumento da homocisteína. Tratou com Vitamina B12 e D, apresentando melhora significativa todo o quadro clínico (CURA) com 4 dias. Por que não avaliar os nutrientes principais envolvidos no nosso sistema de defesa imunológica, com a metilação do DNA tão importante para a replicação cellular? Um tratamento simples, melhorando um quadro tão obscuro e grave.

      ?? OBS: Dengue hemorrágica pode ter comportamento semelhante com o quadro clínico apresentado. O Vírus da Dengue é da mesma família do Zika vírus. Logo, vale a pena avaliar vitaminas D, B12, ácido fólico e Homocisteína mediante uma suposta infecção pelo Zika vírus, principalmente em gestantes e idosos. Pelo menos até que algum cristão descubra o mecanismo fisiopatológico e bioquímico do Zika vírus e o desenvolvimento de microcefalia fetal. Enquanto isso: #vamosaumentaraimunidadedasnossasgestantes com alimentação saudável e suplementação de vitaminas de forma adequada e criteriosa.


       

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      “— Quando a gente descobriu que ela havia ficado grávida, a saúde pública em Teresópolis estava precária. Havia uma greve. Depois, viram que a gravidez era de alto risco e veio o problema: os médicos do posto pediam vários exames, mas, quando a gente ia marcá-los, não tinha vaga no SUS. Ela não podia esperar, então comecei a vender meus instrumentos musicais e a pegar vales no serviço para pagar os exames em clínicas particulares — conta Robson, de 33 anos, que calcula ter gastado cerca de R$ 1.500 em ultrassonografias e ecocardiogramas.” “Casados há três anos, Robson e Raquel vivem numa casa simples em Teresópolis, no bairro São Pedro. A rotina da família — formada ainda por Leonardo, de 6 anos, filho do primeiro casamento de Raquel, e Carol, de 11, e Estefany, de 5, filhos do relacionamento anterior de Robson — mudou bastante depois da chegada de Pedro Emanuel.” “Robson sustenta a família com os pouco mais de mil reais que ganha como cozinheiro. ” A verdade mesmo é que a microcefalia no Brasil é uma epidemia que traduz as péssimas condições de vida e de saúde de nossa população. ? Quer saber mais sobre Zika e microcefalia ? Conheça a família dos bebês com microcefalia: onde moram, o que comem e como foi a assistência pré-natal, ao nascimento e depois do parto!!! Fonte: http://m.oglobo.globo.com/rio/casal-conta-como-ter-um-bebe-com-microcefalia-18863900



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      ?Pânico, medo, desespero… Infelizmente esta epidemia de microcefalia no Brasil tem assustado muitas famílias. Vários casais chegam com os seus bebês ainda no útero (fetos) com quadro ultrassonográfico de restrição crescimento intrauterino, achando que é microcefalia.

      ??Na restrição de crescimento, o bebê (feto) apresenta diminuição da circunferência cefálica (medida da cabeça), do diâmetro biparietal (medida da cabeça), da circunferência abdominal (circunferência da barriga) e do comprimento do fêmur (medida do osso da coxa do bebê).Nestes casos, pode-se evidenciar até mesmo modificações dos parâmetros do Doppler obstétrico (ferramenta para avaliar o fluxo materno, placentário e fetal).

      ??Os casos de microcefalia podem até apresentar estas alterações, mas em geral apresentam:
      microcalcificações periventriculares
      dilatação ventricular
      alterações no corpo caloso e
      em geral apenas a cabeça está desproporcional e pequena para o restante do corpo ?? O casal chegou ao meu consultório desesperado, por um pedido do grupo UMA => União de Mães de Anjos (bebês portadores de microcefalia). Após realizar avaliação ultrassonográfica e considerar apenas que se tratava de uma restrição do crescimento fetal, procurei tranquilizar o casal, orientei a alimentação da mãe, a suplementação vitamínica e que esperasse o nascimento de sua bebê pois, ao meu ver, não se tratava de microcefalia. A gestante teve quadro clínico de provável infecção pelo Zika vírus 3 meses antes de engravidar. No final, graças a Deus, deu tudo certo! ??Até eles que são leigos, perceberam a importância da alimentação e da suplementação nutracêutica na gravidez Enfim, MENOS PÂNICO e MAIS ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL e SUPLEMENTAÇÃO ADEQUADA. A verdade mesmo é que a microcefalia no Brasil é uma epidemia que traduz as péssimas condições de vida e de saúde de nossa população. ? Quer saber mais sobre Zika e microcefalia ? Conheça a família dos bebês com microcefalia: onde moram, o que comem e como foi a assistência pré-natal, ao nascimento e depois do parto!!!


       

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      A verdade mesmo é que a microcefalia no Brasil é uma epidemia que traduz as péssimas condições de vida e de saúde de nossa população. ? Quer saber mais sobre Zika e microcefalia ? Conheça a família dos bebês com microcefalia: onde moram, o que comem e como foi a assistência pré-natal, ao nascimento e depois do parto!!!


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      Um artigo publicado em 4 de março de 2016, tenta explicar explicar o potencial teratogênico do Zika vírus e o papel da placenta. Existem duas hipóteses possíveis sobre o papel da placenta: uma que ela é responsável pela transmissão direta do Zika vírus para o embrião/feto. Outra hipótese é que a placenta responda à infecção viral que pode estar contribuindo ou causando o defeito cerebral. A placenta pode produzir uma resposta inflamatória que provoca alteração no desenvolvimento do sistema nervoso do feto ou mesmo produzir moléculas que funcionem como disruptor do sistema nervoso central do feto como o genes envolvidos na microcefalia (MCPH1-12, CEP63 e CASC5). Na prática, como ultrassonografista / medicina fetal, há uma notória restrição do crescimento nas pacientes que tiveram quadro clínico de infecção pelo Zika vírus. Na série de casos do Rio de Janeiro, ocorreram vários óbitos intrauterinos tardios e ultrassonografias com alterações no Doppler das artérias cerebral média e umbilical. Microcalcificações cerebrais, redução da circunferência craniana, dilatação ventricular, alterações na morfologia do corpo caloso, também são outros achados ultrassonográficos comuns na suposta Síndrome da Zika Congênita.

      Na prática, como obstetra, é muito comum associar óbitos intrauterinos e restrição do crescimento a trombofilias, síndromes antifosfolípides (SAF) e distúrbios hipertensivos. Encontramos diversos outros fatores de risco comuns na gravidez como anemia, obesidade, diabetes, deficiências nutricionais de vitamina B12, D e ácido fólico, enfim, patologias que podem estar relacionadas com a diminuição da imunidade materno-fetal. Corrigir estes fatores de risco me parece algo fundamental nesta epidemia. Na verdade, acredito mesmo que é possível a prevenção, afinal, por que algumas gestantes tem o quadro de infecção viral pelo Zika vírus e seus fetos não apresentam alterações?

      Na prática, continuarei enfatizando a importância de melhorar a imunidade das gestantes através da alimentação saudável e a suplementação de nutrientes importantes o ácido fólico, vitamina B12 e D, conforme a necessidade de cada pessoa.

      Necessitamos de um estudo que analise a real situação do status pré-concepcional e gravídico de importantes nutrientes como vitamina D, B12 e ácido fólico, além da homocisteína, um marcador importante inflamatório e de distúrbios hipertensivos e tromboembólicos.
      Fonte: http://www.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140-6736(16)00650-4.pdf


       

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      A suspeita de ligação entre a infecção ZIKA e microcefalia é uma preocupação de saúde global urgente. Tang et al. (4 de março de 2016) relataram que o Zika vírus infecta diretamente células progenitoras neuronais corticais humanas com elevada eficiência, resultando em crescimento atrofiado desta população de células e a desregulação da transcrição.

      A figura acima explica o que provavelmente ocorre durante a infecção pelo Zika vírus no sistema nervoso:

      ??Zika vírus (ZIKV) infecta as células corticais embrionárias humanas progenitoras neurais (hNPCs)

      ??hNPCs ZIKV infectados produzir partículas infecciosas Zika

      ??Infecção pelo ZIKV leva a um aumento da morte celular de hNPCs

      ??Infecção pelo ZIKV desregula o ciclo celular e a transcrição de hNPCs

       

      ?Mais uma vez me parece muito óbvio que se melhorarmos a imunidade da gestante e consequentemente do feto, será possível o reparo e a proliferação cellular adequada. Fatores de riscos associados à infecção pelo Zika (provavelmente anemia, trombofilia, infecção associada, polimorfismo genético, carência de nutrientes, etc) podem contribuir a favor da infecção.

       

      ?Talvez isto explique porque algumas gestantes têm infecção pelo Zika virus e os bebês não desenvolvem microcefalia. Enfim, como já venho escrevendo há um tempinho: Gestantes devem se alimentar de forma saudável, suplementar alguns nutrientes importantes como o ácido fólico, avaliar a vitamina B12, B6 e a vitamina D, além do uso de repelentes de forma criteriosa e o combate ao mosquito.


       

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      ??Enquanto isso, no New England Journal of Medicine (NEJM), um artigo free no link (http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa1602412), relata uma Coorte (casos que foram acompanhados) do Rio de Janeiro. Finalmente um estudo apontou o perfil sócio demográfico, especificamente em relação à renda familiar, em 23,1% dos casos avaliados, as famílias recebiam mais de 5 salários mínimos. Porém, esta avaliação foi para os casos com sorologia positiva para Zika, seria interessante estratificar o grupo dos casos com microcefalia. Eu acredito que os casos com microcefalia estão relacionados às baixas condições econômicas. Pelo menos é o que a realidade de Recife aponta.

      O que mais me chamou atenção foram as diversas alterações nos exames ultrassonográficos de 12 (29%) dos 42 fetos que foram acompanhados. Os achados mais comuns além da microcefalia foram: calcificações cerebrais periventriculares, restrição do crescimento intrauterino, insuficiência placentária, oligoâmnio, alteração no Doppler da artéria cerebral média e umbilical, cisto de plexo coróide, agenesia do vérmix cerebelar, mega cisterna magna e ventriculomegalia.

      Em relação aos achados no nascimento: ocorreram 6 óbitos intra-útero, 2 óbitos ao nascimento, 2 foram apenas pequenos para a idade gestacional e o outro sobrevivente apresentou microcefalia, calcificações cerebrais na tomografia, atrofia cerebral e lesões oculares.

      ? Enfim, esta coorte mostra o quão importante é a avaliação ultrassonográfica, incluindo o diagnóstico diferencial de restrição de crescimento e a avaliação Doppler para insuficiência placentária. Não se trata apenas da microcefalia per si, mas uma série de alterações cerebrais, algumas destrutivas, vasculares, do líquido amniótico e da placenta. Fundamental ainda é avaliar o porquê da elevada mortalidade intrauterina: trombofilias e distúrbios hipertensivos estão relacionados com morte intrauterina (ambas podem cursar com o aumento da homocisteína) e justificam ainda as alterações relacionadas ao Doppler.


       

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      Jornal da Associação Americana de Saúde Pública traz como capa a epidemia de microcefalia e provável associação com a infecção pelo Zika vírus no Brasil. Um trabalho de um importante grupo de pesquisa no Brasil, envolvendo profissionais de diversas instituições de Pernambuco: UPE, UFPE, e o Ageu-Magalhães/FIOCRUZ foi publicado; uma série de casos descrevendo os achados clínicos e laboratoriais. Infelizmente, um artigo fechado (tem que pagar pra conseguir o texto completo), apenas tive acesso ao abstract.

      Artigos científicos importantes, sobretudo nesta epidemia, deveriam ser compartilhados, livres para download. Ainda existe muita vaidade científica mesmo.


       

       

       

       

       

      Cerclagem Cervical Uterina

      Aula sobre Insuficiência Cervical e Cerclagem (para médicos, profissionais de saúde ou clientes que queiram mais detalhes sobre o assunto)

      Vídeo postado nas minhas redes sociais em Abril de 2020

      Eu não tenho dúvida alguma da eficácia de uma cerclagem bem realizada; já contamos com muitas famílias beneficiadas com este simples procedimento, mas que não é muito bem ensinado ou até mesmo valorizado

      A minha primeira postagem nas redes sociais sobre o assunto foi em 19/06/2016 e de lá pra cá acumulamos muitas histórias bonitas! É um dos procedimentos em Obstetrícia que gosto tanto pro diagnóstico pela ultrassonografia, até o tratamento, o pós-operatório em que realizamos nova ultrassonografia de imediato e com alguns dias confirmando a eficácia do procedimento é mais adiante os partos e a retirada dos pontos da cerclagens, os famosos “pontinhos do Amor”

      Um dia faremos a nossa série de casos é nos lembraremos de histórias incríveis! Eu me orgulho dessa trajetória que construímos juntos: Eu, Ruy de Deus, Alexandre Dubeux e Luís Felipe. Nós criamos uma técnica simples e que vem dando muito certo! Já realizamos cerclagem em tempo real, de emergência com bolsa protusa, associada a pessário, recerclagem, enfim quantas histórias hein?

      #cerclagemcervicaluterina #cerclagemcervicaluterinaguiadaporultrassonografia #cerclagemcervicaluterinaguiadaporusg #insuficienciacervical


      Vídeo (Live sobre Cerclagem e Insuficiência Cervical) –  postado nas minhas redes sociais em Abril de 2018


      Esta diretriz de prática clínica foi atualizada pelo Comitê de Medicina Fetal da Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá (SOGC) e aprovado pelo Conselho da SOGC.

      O QUE HÁ DE NOVO?

      Gestações múltiplas:

      • Os dados não demonstraram benefícios na prevenção do parto prematuro precoce em gêmeos ao usar um pessário cervical, mesmo nas gestações gemelares complicadas por um colo do útero curto
      • Novos dados mantêm as conclusões anteriores de que a cerclagem no colo do útero curto (<25 mm) em gêmeos não é vantajosa e pode aumentar o risco de nascimento prematuro. No entanto, existem dados limitados indicando que em um subconjunto desses pacientes com comprimento cervical <15 mm, pode haver uma vantagem na cerclagem; isso precisa ser estabelecido com mais estudos.
      • O papel da cerclagem de resgate é de potencial valor nas gestações única e múltipla, quando o colo do útero é dilatado para> 1 cm.

      Gestações Únicas:

      • Existem dados para indicar que a cerclagem após um histórico de apenas uma perda no segundo trimestre pode aumentar os riscos de nascimento prematuro e de morbimortalidade perinatal.
      Recomendações:
      1. As mulheres grávidas ou que planejam engravidar devem ser avaliadas quanto a fatores de risco para insuficiência cervical. Um histórico médico completo na avaliação inicial pode alertar os médicos sobre fatores de risco em uma primeira gravidez ou índice (III-B).
      2. A avaliação detalhada dos fatores de risco deve ser realizada em mulheres após uma perda de gravidez no segundo trimestre ou parto prematuro precoce, ou nos casos em que essas complicações ocorreram em uma gravidez anterior (III-B).
      3. Em mulheres com histórico de insuficiência cervical, devem ser realizados exames de urina para cultura e sensibilidade e culturas vaginais para vaginose bacteriana na primeira consulta obstétrica e todas as infecções encontradas devem ser tratadas (I-A).
      4. Mulheres com histórico de três ou mais perdas gestacionais no segundos trimestres ou partos prematuros extremos, nas quais não seja identificada outra causa específica que não seja a insuficiência cervical em potencial, devem receber cerclagem eletiva com 12 a 14 semanas de gestação (I-A).
      5. Em mulheres com histórico clássico de insuficiência cervical nas quais a cerclagem vaginal anterior não teve sucesso, a cerclagem abdominal pode ser considerada na ausência de fatores atenuantes adicionais (II3C).
      6. As mulheres submetidas à traquelectomia devem ter colocação de cerclagem abdominal (II-3C).
      7. Cerclagem de emergência pode ser considerada em mulheres nas quais o colo do útero se dilatou para <4 cm sem contrações antes das 24 semanas de gestação (II-3C).
      8. As mulheres nas quais as cerclagens não são consideradas ou justificadas, mas cuja história sugere risco de insuficiência cervical (1 ou 2 perdas prévias no segundo trimestre ou partos prematuros extremos), devem receber avaliação seriada do comprimento cervical por ultrassom (II-2B).
      9. Cerclagem deve ser considerada em gestações únicas em mulheres com histórico de parto prematuro espontâneo ou possível insuficiência cervical se o comprimento cervical for ? 25 mm antes das 24 semanas de gestação (I-A).
      10. Não há benefício para cerclagem em uma mulher com achado incidental de colo do útero curto por exame de ultrassonografia, mas sem fatores de risco prévios para nascimento prematuro (II-1D).
      11. Os dados atuais não suportam o uso de cerclagem eletiva em gestações múltiplas, mesmo quando há histórico de parto prematuro; portanto, isso deve ser evitado (I-D).
      12. A literatura não suporta a inserção de cerclagem em  gestações múltiplas com base no comprimento cervical (II-1D).
      13. A cerclagem em gêmeos para o colo do útero detectado por ultrassom (<25 mm) pode aumentar o risco de nascimento prematuro (II-1D).
      14. Cerclagem de emergência ou resgate deve ser considerada em gêmeos onde o colo do útero é dilatado (> 1 cm) antes da viabilidade (II-2 B).

      Avaliação da qualidade da evidência
      I: Evidência obtida de pelo menos 1 Ensaio Clínico Randomizado adequado
      II-1: Evidências de ensaios controlados bem projetados, sem Randomização
      II-2: Evidência de coorte bem projetada (prospectivo ou retrospectivo) ou estudos de caso-controle, de preferência de mais de um centro ou grupo de pesquisa
      II-3: Evidências obtidas a partir de comparações entre tempos ou locais com ou sem a intervenção. Resultados dramáticos em experimentos não controlados (como os resultados do tratamento com penicilina na década de 1940) também podem ser incluídos na categoria.
      III: Opiniões de autoridades respeitadas, com base na experiência clínica, estudos descritivos ou relatórios de comitês de especialistas

      Classificação das Recomendações
      A. Há boas evidências para recomendar a ação preventiva clínica.
      B. Há evidências justas para recomendar a ação preventiva clínica.
      C. A evidência existente é conflitante e não permite fazer uma recomendação a favor ou contra o uso da ação preventiva clínica; no entanto, outros fatores podem influenciar a tomada de decisão.
      D. Existe evidência justa para recomendar contra a ação preventiva clínica.
      E. Há boas evidências para recomendar contra a ação preventiva clínica.
      I. Não há evidências suficientes (em quantidade ou qualidade) para fazer uma recomendação;

      Eu penso que ainda temos muito do que descobrir sobre insuficiência cervical. Graças a Deus, temos excelentes resultados com nossa técnica, uma espécie de técnica de Shirodkar modificada por não realizarmos nenhuma incisão, dois pontos são realizados em dois passos cada às 12h e 6h, guiados por ultrassonografia. Não tem como esquecer os casos que nós acompanhamos com a certeza e a serenidade de que verdadeiramente fizemos a diferença na vida desses casais e de seus bebês. A medicina baseada em evidência muitas vezes não serve para casos particulares de maiores riscos em Obstetrícia, em que a tomada de decisão personalizada é fundamental. Além disso, a cerclagem cervical uterina ainda é um procedimento realizado por poucos médicos tocoginecologistas. 

      Para Profissionais de Saúde

      Abaixo o link de 4 artigos que considero interessantes

      CERCLAGEM CERVICAL UTERINA E INSUFICIÊNCIA ISTMO-CERVICAL

      Conceito

      A cerclagem cervical uterina representa a principal forma de tratamento para gestantes portadoras de insuficiência istmo-cervical (IIC) uterina. Comumente chamada de incompetência cervical uterina (particularmente não gosto desse termo, considero agressivo) mas corresponde ao esvaecimento e dilatação do colo uterino, que frequentemente ocorre no segundo trimestre de gravidez e que muitas vezes se relaciona como causa importante de abortamentos tardios ou partos prematuros. A história clínica de partos prematuros e abortamentos tardios indolores deve ser considerada para a propedêutica adequada dos casos de IIC.

      Prevalência: afeta 1% das gestantes.

      Etiologia :

      • Idiopática (a maioria)
      • Doenças congênitas (anormalidades congênitas do ducto mulleriano,
      • Exposição Dietilestilbestrol (DES) em útero,
      • Transtorno do tecido conjuntivo (síndrome de Ehlers-Danlos), deficiência de colágeno
      • Trauma cirúrgico (conização, resultando em perda substancial de tecido conjuntivo) ou danos traumáticos à integridade estrutural do colo do útero (dilatação cervical repetida associada à interrupção da gravidez, histeroscopia, curetagens e cerclagens).

      Patogênese:

      A função do colo do útero durante a gravidez depende dos regulamentos do metabolismo do tecido conjuntivo. O colágeno é o componente principal na matriz cervical, outros são proteoaminoglicanos, elastina e glicoproteínas como a fibronectina. Os eventos bioquímicos envolvidos no amadurecimento cervical são: diminuição do teor total de colágeno, aumento da solubilidade no colágeno e aumento da atividade colagenolítica. A resposta inflamatória também está envolvida (interleucinas: IL1, IL8, fator de necrose tumoral a , prostaglandinas, óxido nítrico), enzimas degradantes da matriz (metaloproteinases da matriz) e hormônios dos esteróides sexuais ( 17b – o estradiol induz o amadurecimento, o estrogênio estimula a degradação do colágeno in vitro, a progesterona bloqueia a colagereólise induzida por estrogênio in vitro, o antagonista dos receptores de progesterona induz o amadurecimento cervical no primeiro trimestre).

      Gravidade da Insuficiência Istmo-Cervical (Classificação)

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      A figura acima obtida do site https://sonoworld.com/fetus/page.aspx?id=274 corresponde aos graus de estágios de progressão da insuficiência istmo-cervical, conhecidos de acordo com a gradação de leve a mais grave, consoante o formato da endocérvice:

      Tipo T: estágio inicial onde se observa uma discreta dilatação endocervical homogênea

      Tipo Y: trata-se de um estágio intermediário com dilatação evidente do orifício cervical interno (OCI), correspondendo ao “sinal do funil” observado nas ultrassonografias

      Tipo V: estágio mais avançado na gravidade da IIC na qual a dilatação do OCI progride até o final do orifício cervical externo (OCE)

      Tipo U: estágio de gravidade acentuada, sendo observada importante herniação da bolsa amniótica, correspondendo a risco grave de parto prematuro ou abortamento inevitável

      Diagnóstico Ultrassonográfico

      A ultrassonografia corresponde (aliada à história clínica) a principal ferramenta diagnóstica de IIC durante a gravidez. Os estágios de gravidade da ICC, também são observados  na figura abaixo.

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      Um estágio de maior gravidade ainda é o da figura a seguir, sendo evidenciada uma volumosa herniação da bolsa amniótica e a dilatação do orifício cervical externo (OCE). 80453199-45fe-46a1-ab73-f63638930831

      O exame ultrassonográfico prolongado de 15-20 minutos visualizando o colo do útero mostra alterações espontâneas do colo do útero. O teste de estresse cervical às 15-24 semanas (aumento da pressão no fundo uterino  enquanto se monitoriza o comprimento cervical e o aparecimento de funil ) é recomendado para os pacientes com:

      • história de dilatação indolor seguida de expulsão fetal no segundo trimestre
      • conização
      • malformações uterinas (útero unicorno, bicorno ou didelfo)
      • trauma cervical (conização)
      • história de abortos espontâneos e terapêuticos
      • nascimento pré-termo antes de 32 semanas.

      Abaixo duas imagens do mesmo colo do útero, com 20 segundos de diferença entre elas, sem e com a pressão no fundo do útero

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      Um trabalho de revisão brasileiro de 2012 ( clicar no botão direito deste link e em seguida salvar como www.rmmg.org/exportar-pdf/697/v22s5a18.pdf), realiza uma atualização sobre o diagnóstico e a terapêutica da IIC e conclui que:

      Tratamento

      O tratamento da IIC de escolha é a cerclagem por via vaginal, a ser realizada preferencialmente ao redor da 14ª semana da gravidez, ocasião em que ainda não aconteceram modificações cervicais e já se ultrapassou o período em que ocorrem os abortos precoces, de outras causas. A cerclagem de emergência constitui-se no procedimento de escolha, diante de dilatação do colo uterino e melhor prognóstico.

      Fonte Principal consultada: https://sonoworld.com/fetus/page.aspx?id=274 e Rev Med Minas Gerais 2012; 22 (Supl 5): S67-S70 6  www.rmmg.org/exportar-pdf/697/v22s5a18.pdf


       

      Seguem alguns casos interessantes de cerclagens uterinas guiadas por ultrassonografia, realizadas a partir de uma técnica inicialmente enviada pelo Dr. André Vinícius e aprimorada comigo e com o Dr. Ruy de Deus. Realizamos a cerclagem dupla do colo uterino, guiada por ultrassonografia e utilizando o material de cirurgia vaginal.

      cercgcn

      Segue um passo a passo da cerclagem cervical uterina guiada por ultrassonografia.

      cercgcn3

      Figura acima evidencia sinal do funil com endocérvice em “Y”

      cercgcn4

      Na figura acima evidenciam-se os pontos da cerclagem

      cercgcn5

      Após a realização da cerclagem cervical uterina a endocérvice deixa de apresentar o o formato em “Y”, tornando agora de aspecto habitual.

      cercgcn6

      Outro ponto importante de nossa técnica é a possibilidade de a gestante acompanhar todo o procedimento, ficando tranquila durante o ato operatório.

      cercgcntr

      Certa vez realizamos o procedimento com o auxiliar visualizando a execução dos pontos da cerclagem em tempo real, pela conexão do equipamento de ultrassonografia a um monitor frontal.


      acog

      Se você é profissional de saúde e deseja informações mais detalhadas sobre o assunto sugiro a leitura do último boletim do Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras em 2014 sobre o assunto, é só clicar neste link ao lado Cerclagem ACOG

       


       

       WhatsApp Image 2017-06-06 at 21.07.47

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      Simplesmente top das galáxias esta revisão sistemática atualizada em junho de 2017, que inclui um total de 15 ensaios clínicos, envolvendo 3490 mulheres sobre a realização da cerclagem cervical uterina para prevenção de parto prematuro em gravidezes únicas
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      ?Os autores concluíram que:
      ?A cerclagem cervical uterina reduz o risco de parto prematuro em mulheres com alto risco de parto prematuro e provavelmente reduz o risco de óbitos perinatais
      ?Não houve evidência de nenhum efeito diferencial da cerclagem com base na história obstétrica anterior ou nas indicações curtas do colo do útero, mas os dados foram limitados para todos os grupos clínicos
      ?A questão de saber se cerclagem é mais ou menos eficaz do que outros tratamentos preventivos, particularmente a progesterona vaginal, permanece sem resposta.
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      *Mas a propósito, o público leigo pode estar se perguntando: O que é cerclagem?
      ?É um procedimento cirúrgico realizado durante a gravidez onde são realizados pontos cirúrgicos no colo do útero destinados a apoiar e sustentar o colo do útero e reduzir o risco de parto precoce.

      *Por que isso é importante?
      ?O colo do útero permanece firmemente fechado até o final das gravidezes normais, antes de começar a encurtar e gradualmente suavizar para se preparar para o parto e parto. No entanto, às vezes o colo do útero começa a encurtar e alargar muito cedo, causando aborto tardio ou um nascimento precoce. A cerclagem cervical uterina pode reduzir a possibilidade de aborto tardio ou nascimento precoce.
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      ?Alguns pontos de destaque do trabalho na íntegra
      ?Cerclagem cervical previne partos prematuros, mas também a progesterona natural administrada via vaginal nas mulheres com colo curto, pode ser benéfica sem um risco aumentado de cesariana (Romero 2012).
      ?Contudo, ultrassonografia transvaginal e tratamento prolongado com progesterona pode não ser acessível para todos (válido para a medicina social, pública, onde se procura gastar o mínimo possível)
      ?Além disso, a opção de progesterona isolada pode ser inaceitável para as mulheres que já tiveram sucesso em gravidez com antecedente de cerclagem cervical
      Portanto, a decisão sobre como melhor para minimizar o risco de parto prematuro recorrente em mulheres com risco aumentado de parto prematuro e abortamento tardio, seja devido à história ruim ou a um colo do útero curto ou dilatado, deve ser personalizada e com base nas circunstâncias clínicas, a habilidades da equipe clínica e, o mais importante, A ESCOLHA DA MULHER!!!
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      Eu realizo a cerclagem cervical uterina guiada por ultrassonografia, permitindo uma segurança maior ao procedimento. Mais informações em drglaucius.com.br/usgecirurgia
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      #cerclagemcervicaluterina #adecisãoédacliente #consultóriodrglauciusnascimento #riomartradecenter3sala1010 #artigosbyDrGlaucius


       

       

       


      cerclagemuterina

       

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      Uma vez realizei uma cerclagem em uma cliente portadora de insuficiência cervical (termo muito mais apropriado do que incompetência cervical, afinal incompetência é um termo muito pejorativo…) e também portadora de trombofilia. Encontrei um professor experiente de obstetrícia (já aposentado) que foi chefe de uma das grandes maternidades do Recife e ele espontaneamente me falou que há muito tempo realizara a sutura dupla do colo uterino. Lembrei ainda de outra amiga que me chamou pra ajudar numa cerclagem uterina de sua cliente, utilizando a ultrassonografia, por se tratar de um caso difícil com herniação da bolsa amniótica. E vi que a conceituada colega utilizava outro fio de sutura, diferente da que utilizamos habitualmente
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      Novamente estou diante de outro caso de cerclagem uterina, numa cliente com histórico de abortamentos e sempre procuro revisar as técnicas cirúrgicas antes do procedimento
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      Encontrei um trabalho interessante de 2014 que considerou que a técnica utilizando a sutura dupla pareceu mais eficaz que a sutura única. É, parece que o renomado professor estava correto
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      Tive a oportunidade de conhecer um site bem legal o cerclagem.com.br que foi criado por Erivane de Alencar Moreno que sofreu quatro abortos espontâneos e foi submetida a três circlagens uterinas. Vale a pensa conhecer a história desta guerreira que inclusive escreveu um livro
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      Dei uma revisada breve, discuti com outros colegas do grupo de whatsapp que participo (obrigado @dra.natalymello) e me encontro mais sereno para o procedimento de logo mais
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      Independente de técnica cirúrgica, de tecnologia utilizada (como a ultrassonografia que sou muito entusiasta) peço a energia boa de vocês, porque acredito que somos instrumentos de Deus para praticar o bem. E muita gente querendo o bem faz com que tudo dê certo. A cliente merece e sonha em ser mãe. Com a graça de Deus peço que dê tudo certo !!!
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      Aprender com quem tem experiência é salutar. Ser humilde, procurar se atualizar e principalmente colocar Deus na sua prática médica é simplesmente fantástico .
      #medicinaintegrativa #obstetriciaintegrativa#cerclagemuterina #insuficienciacervical#euacredito


      Medicina Fetal – Artigos Científicos e Casos Interessantes

      O Primeiro Equipamento de Ultrassonografia no Brasil foi adquirido pelo Dr. Paulo Gonçalves da Costa em 1973, médico ginecologista e obstetra, que realizava seus exames pioneiros no país no seu consultório particular, conhecido como antigo casarão da Rosa e Silva.

      No livro intitulado “A História da Ultrassonografia no Brasil” escrito por Hugo Campos Oliveira Santos, Waldemar Naves do Amaral e colaboradores, em 2012, um trecho do pensamento do Dr. Paulo Costa é relatado abaixo

      “Eu sinto orgulho de ser o pioneiro da ultrassonografia no Brasil. Minha luta não foi nada fácil, no início as pessoas até desconfiaram que a ultrassonografia pudesse fazer mal ao feto. Mas hoje, acho que a ultrassonografia é essencial para o diagnóstico por imagem em várias áreas de atuação, principalmente para a Ginecologia e Obstetrícia e Medicina Fetal e pode, sem dúvidas, evoluir sempre mais.”

      Há mais de 45 anos, um ginecologista e obstetra de Recife iniciou suas atividades do consultório utilizando a ultrassonografia. Deveria ser algo mais corriqueiro nos consultórios de ginecologia e obstetrícia. Trata-se de uma das mais importantes ferramentas de diagnóstico em Ginecologia e Obstetrícia, o principal método de diagnóstico por imagem da mulher.

      Antigamente, a ultrassonografia em Obstetrícia chamava atenção por permitir o cálculo de forma mais precisa da idade gestacional. Hoje com as novas tecnologias é possível o diagnóstico antenatal de defeitos congênitos, rastreio e prevenção de patologias obstétricas e fetais, avaliação da vitalidade fetal, além da realização de procedimentos cirúrgicos guiados pela ultrassonografia.

      Eu sonho em um dia a prática da ultrassonografia seja mais comum nos consultórios ginecológicos, bem como na consulta de pré-natal e que o ginecologista e obstetra ou qualquer outro médico especialista saia da residência médica realizando os exames ultrassonográficos básicos da sua especialidade. Mesmo remando contra a maré, considero a luta muito válida contra o sistema porque se alguém começou aqui em Recife, outros precisam continuar. A prática da ultrassonografia associada à minha especialidade Ginecologia e Obstetrícia fez uma enorme diferença para estabelecimentos de condutas mais oportunas para as minhas clientes (e seus bebês). Eu não tenho dúvidas de que esse é o melhor e mais correto caminho.


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      ?O objetivo deste estudo foi identificar fatores prognósticos pré-natais de resultados neonatais em casos de intestino ecogênico fetal (IEF).
      ?Metodologia: Um estudo retrospectivo em três centros de referência terciária, incluindo intestino ecogênico fetal durante um período de 10 anos (de janeiro de 2003 a dezembro de 2013). A ecogenicidade do intestino fetal foi classificada de 1 a 3, de acordo com a definição de Slotnick. Os achados ecográficos associados, como dilatação intestinal, anormalidades da vesícula biliar, calcificações, anormalidades extra-abdominais, restrição de crescimento intrauterino (CIUR) e diminuição do volume de líquido amniótico, se presentes também foram registrados. Seguiu-se a evolução ultrassonográfica da IEC
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      A evolução ultra-sonográfica foi considerada favorável se fosse estável ou decrescente e desfavorável se a ecogenicidade do intestino aumentasse ou se surgiram resultados ultrassonográficos adicionais. Os recém-nascidos tiveram um exame pediátrico na sala de parto e após a alta da maternidade. Um resultado foi considerado bom no caso parto termo de um recém-nascido com exame clínico normal e eliminação de mecônio.
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      ?RESULTADOS:
      ?Os dados completos sobre resultados da gravidez estavam disponíveis para 409 gestações
      ?338 recém-nascidos tiveram resultados sem intercorrências (82,6%)
      ?4 casos de aneuploidia (1 caso de trissomia do 13, 1 caso de trissomia do 18 e 2 casos de triploidias)
      ?16 casos de infecções congênitas
      ?9 casos de fibrose cística e
      ?11 casos de anormalidades intestinais
      ?Após uma análise multivariada, descobrimos que o grau ecográfico do intestino ecogênico não era um fator prognóstico de resultado neonatal
      ?O intestino ecogênico fetal isolado teve uma chance de aumento de 6,6 vezes de resultados sem intercorrências
      ?Notavelmente, a evolução ultrassonográfica favorável e idade gestacional tardia no momento do diagnóstico são fatores prognósticos independentes e bons de bons resultados neonatais
      ?Nenhum dos 180 fetos com intestino ecogênico fetal isolado e evolução ultrassonográfica favorável apresentaram resultados adversos
      ?Entre estes de resultados adversos: 4 casos (0,98%) de aneuploidia, 17 casos (4,2%) de infecções congênitas e 9 casos (2,2%) de fibrose cística também foram diagnosticados. Não foram relatados casos de síndrome de Down
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      ?CONCLUSÃO: Nosso estudo mostra que o grau não deve ser considerado um fator prognóstico de resultados neonatais. Nossos dados sugerem a necessidade de reavaliar o conceito de amniocentese sistemática. A evolução ultrassonográfica do intestino fetal é um fator prognóstico independente e forte para bons resultados neonatais. Também define melhor o pronóstico IEF.

       


       

      Intestino fetal hiperecogênico

      O intestino fetal hiperecogênico é uma observação em imagens de ultrassonografia pré-natal, em que o intestino fetal parece ser mais brilhante do que deveria ser. É um marcador leve para a trissomia 21 (Síndrome de Down) e tem várias outras associações. Quando observado, ele precisa ser interpretado no contexto de outras anormalidades associadas

      Epidemiologia:
      A incidência estimada é relatada para variar entre 0,2-1,8% dos fetos do segundo trimestre.

      Patologia:
      A causa do intestino fetal ecogênico é incerta, embora tenha sido postulado que está relacionado à perda de líquido meconizado . Note-se que o mecônio pode se tornar ecogênico no terceiro trimestre. Também pode ser causada por hemorragia intra-amniótica, que posteriormente é engolida pelo feto.

      É mais comum no quadrante inferior direito do feto.

      Associações
      O intestino ecogênico pode ser uma variante normal / achado isolado em até cerca de 70% dos casos.

      As associações reconhecidas incluem:
      ?hemorragia intra-amniótica : com a deglutição subsequente dos produtos sanguíneos
      esta é considerada uma das causas mais comuns de intestino fetal ecogênico e pode ocorrer após uma amniocentese ou desprendimento placentário
      ?trissomia 21 (~ 15%)
      ?menos comumente associado à trissomia 13 , trissomia 18 e síndrome de Turner
      ?Infecção por citomegalovírus intrauterina : (~ 15%)
      ?fibrose cística: 2-11% dos casos de fibrose cística pode ter uma associação maior se houver dilatação intestinal concomitante
      ?restrição do crescimento intra-uterino (CIUR) : (~ 5%)
      ?Óbito fetal intrauterino (OFIU): risco 9x aumentado particularmente se os níveis séricos de alfa-fetoproteína também forem elevados. Alguns dados sugerem que intestino ecogênico ocorre antes de 30 semanas, quando há subseqüente OFIU
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      Avaliação radiográfica – Ultra-sonografia pré-natal
      Para ser verdadeiramente “intestino ecogênico”, ele deve ser mais brilhante que o osso (por exemplo, fêmur, coluna vertebral), e isso deve ser demonstrado em uma imagem com configurações de ganho apropriadas. A imagem harmônica dos tecidos e a imagem composta também devem ser desligadas.
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      Existe um sistema de classificação ecográfica para avaliar o grau de ecogenicidade, embora isso não seja comumente usado na prática clínica.
      grau 0: isoecoico ao fígado
      grau 1: ligeiramente hiperecoico ao fígado ou inferior ao osso
      grau 2: moderadamente hiperecoico comparado ao fígado ou como ecogênico como o osso
      grau 3: marcadamente hiperecoico comparado ao fígado ou superior ao osso

      Se há dificuldade para discernir se o intestino é tão ecogênico quanto o osso, pode-se diminuir progressivamente o ganho de imagem para ver qual estrutura desaparece primeiro.

      ?Tratamento e prognóstico
      O intestino ecogênico isolado está associado a um desfecho normal em 75% dos casos. O achado de hiperecogenicidade intestinal deve incluir, quando disponível, um estudo de ultra-som para avaliar quaisquer anomalias associadas, encaminhamento para aconselhamento genético, sorologia TORCH , teste de portador de fibrose cística e oferta de amniocentese.
      No 3º trimestre, o intestino contendo mecônio pode parecer ecogênico como um achado normal. Peritonite meconial : calcificações grosseiras, pseudocistos estão relacionados com achados ecográficos de intestino fetal hiperecogênico
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      Fonte: Radiopedia. Autores: Dr. Dan J Bell ? e A.Prof Frank Gaillard ? ? et al.


      ??Nesta semana recebemos um resultado bem especial. Foi colhido o Teste de Triagem Pré-Natal Não Invasivo (NIPT) para cromossomopatias (Síndrome de Down, Edwards, Patau, Klinefelter e Turner) e microdeleções
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      ??Uma cliente minha com 42 anos de idade realizou ultrassonografia comigo cuja translucência nucal (TN) foi alterada e o ducto venoso também. Em duas semanas repetiu a ultrassonografia com outro colega também especialista em Medicina Fetal. Pra nossa surpresa (e de forma positiva), o ducto venoso estava desta vez normal, mas a TN permaneceu alterada. Decidimos realizar o NIPT
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      ??O resultado evidenciou baixo risco para cromossomopatias, ou seja, o resultado que a gente gosta de realmente informar
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      ?Agora os procedimentos mudaram. Se por acaso eu já queria aconselhar a realização de uma amniocentese genética para diagnóstico de cromossomopatias, uma vez que o NIPT foi normal não há a necessidade do exame invasivo
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      #medicinafetal #fetaledicine#translucêncianucal #ductovenoso #NIPT#obstetríciaintegrativaefuncional#ginecologiaintegrativaefuncional#cadanascimentoumahistória#milagresqueaobstetríciameproporcionou#medicinafetalpernambuco#medicinamaternaefetal #perinatologia

       


      medicinafetal

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      ?NIPT é a sigla de Non-Invasive Prenatal Testing, ou seja, um teste (ou triagem) não invasivo para diagnóstico pré-natal de defeitos congênitos, cujos mais frequentes são:
      ?Trissomia do 21 (Síndrome de Down)
      ?Trissomia do 13 (Síndrome de Patau)
      ? Trissomia do 18 (Síndrome de Edwards)
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      ?Também é possível através deste exame o diagnóstico de defeitos congênitos nos cromossomos sexuais cujos mais frequentes são:
      ?Monossomia do X (Síndrome de Turner – 45-X0)
      ?Trissomia do X (47-XXX)
      ?Síndrome de Klinefelter (47-XXY)
      ?Síndrome de Jacobs (47-XYY)
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      ?É possível ainda o diagnóstico de MICRODELEC?O?ES E OUTRAS TRISSOMIAS, como as si?ndromes de DiGeorge, Angelman, Prader-Willi, delec?a?o 1p36, Wolf-Hirschhorn y Cri-du-chat e as trissomias dos cromossomos 16 e 9.
      .
      ?A grande vantagem é o diagnóstico poder ser realizado através da análise do sangue materno, ou seja não é invasivo, isso porque para este diagnóstico era mais frequente a realização de cariótipo fetal do líquido amniótico por amniocentese (punção do líquido amniótico) ou por por biópsia de vilo corial (punção de tecido placentário)
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      ?A grande desvantagem ainda é o custo do exame que deve ser oferecido aos casais que desejam esta investigação, clientes com fatores de risco como idade avançada ou diagnóstico antenatal de alterações sugestivas de defeitos congênitos como alteração no exame morfológico do primeiro trimestre, mais frequentemente identificados através da translucência nucal
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      ?No congresso Pernambucano de Ginecologia e Obstetrícia, minha amiga, Pollyana Soledade (@pollyanasoledadede) uma aula sobre NIPT
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      #riomartradecenter3sala1010#consultóriodrglauciusnascimento #isuog#fetalmedicine #medicinafetal #nipt


       

      3d
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      Artigo publicado no Jornal de Perinatologia Médica, publicou em janeiro de 2017 considerou a avaliação da face fetal por ultrassonografia como um importante método de avaliação da função cerebral fetal. Seguem algumas informações relevantes do trabalho:
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      ?Fetos exibem várias expressões faciais: piscam, bocejam, chupa o dedo, mostram a língua, “fazem careta” e sorriem
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      ?A ultrassonografia em 4D pode avaliar tais expressões já no segundo trimestre da gravidez
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      ?Alguns fetos demonstram comportamentos emocionais como observado em bebês, crianças e adultos
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      ?As respostas fetais seletivas aos estímulos indicam um alto grau de desenvolvimento cerebral, que se reflete nas reações faciais
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      ?A face fetal com seus movimentos e expressões pode espelhar a função do cérebro fetal e o desenvolvimento durante diferentes estágios do feto no útero
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      ?A face fetal pode representar a chave para desvendar os segredos da função e desenvolvimento do cérebro fetal
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      ?A ultra-sonografia de quatro dimensões pode ser uma modalidade importante na pesquisa atual e futura sobre as expressões faciais do feto e auxiliar na avaliação da função cerebral fetal.
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      Opinião de Obstetra, pai e ultrassonografista:
      ? Infelizmente, a ultrassonografia 4D depende da posição fetal, do equipamento de ultrassonografia, do operador, do biotipo da gestante, de paciência, tempo e muitas vezes de sorte!!!
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      ?Alguns bebês ficam o tempo todo com a mão na frente do rostinho, impossibilitando a avaliação que consideramos ideal. Considero ideal para avaliação da face fetal (e também do coração fetal), a ultrassonografia realizada entre 26 e 29 semanas de gestação, que muitas vezes denominamos ultrassonografia morfológica do terceiro trimestre!!!
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      ?É muito gratificante poder acompanhar a gestação sendo o médico que realiza as ultrassonografias e também que acompanha o pré-natal e o parto!!!
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      #consultoriodrglauciusnascimento#riomartradecenter3sala1010 #medicinaintegrativa#ginecologiaintegrativa #obstetriciaintegrativa#ultrassonografia #medicinafetal #fetalmedicine#ultrasound

       


      acidofolico

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      ??Um importante Guideline nacional recomenda a ingestão suplementar se ácido fólico sintético na dose de 400ug pelo menos 30 dias antes de engravidar e até o terceiro mês de gestação para pacientes de baixo risco para Defeito Aberto do Tubo Neural (DATN), bem como de 4mg para as de alto risco
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      ??São elencados vários fatores de risco acima (na foto) que justificam a dose maior de ácido fólico. Dentre eles encontra-se o polimorfismo MTHFR
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      ??Porém, em relação ao MTHFR, seguem alguns questionamentos:
      Se o teste do polimorfismo MTHFR não é oferecido de rotina, qual justificativa de oferecermos a menor dose?
      Se o companheiro (esposo) também possuir este polimorfismo, não levará um risco maior de o embrião / feto possuir este polimorfismo e neste caso também ser considerado alto risco?
      O ácido fólico não é importante para outras funções como tratamento (prevenção) de anemia, desenvolvimento do cérebro fetal, redução da Homocisteína (aminoácido marcador de inflamação)?
      Outros nutrientes não seriam importantes no ciclo do acido fólico como vitamina B12, B6, D, colina, betaína e de repente teriam indicação de suplementar?
      Por que depois da epidemia de Zika e Síndrome Congênita (microcefalia e outros defeitos congênitos) o Ministério da Saúde na nova caderneta da gestante de 2016 recomendou o uso de ácido fólico (na rede pública disponível apenas na dosagem de 5mg) durante toda a gestação?
      Por que não se recomenda a dosagem de alguns nutrientes importantes no desenvolvimento fetal como vitamina b12, ácido fólico, e 25-OH-vitamina D? ?
      Nas pacientes com polimorfismo MTHFR por que não suplementar a forma ativa do ácido fólico, conhecida como L-Metilfolato? ?
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      ??Polimorfismo MTHFR não é tão simples ou irrelevante como muitos imaginam. Mas é muito gratificante estudar, tratar e acompanhar estes casos muitas vezes resolvidos com a administração de nutracêuticos / polivitamínicos!
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      #riomartradecenter3sala1010#consultoriodrglauciusnascimento #mthfr#dnamethylation #methylfolate #folicacid#acidofolico

       


       

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      • Um desenho esquemático da interface materno-fetal durante a gestação humana
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        Citotrofoblastos mononucleados invadem a parede uterina e a sua vasculatura residente (ampliação de imagem à direita). Durante este processo, eles transformam artérias espiraladas em vasos de grande calibre que perfundem a placenta. Suas vilosidades coriônicas, como árvores, são cobertas por sinciciotrofoblastos multinucleadas, que transportam uma variedade de substâncias para o feto, permitindo o crescimento fetal normal

       

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      • Embora haja muito progresso na compreensão das vias moleculares na placenta que estão envolvidas na fisiopatologia de distúrbios relacionados com a gravidez, existe uma diferença na utilização desta informação para o desenvolvimento de novas terapias com fármacos para melhorar o resultado da gravidez
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        Em 5-6 de março de 2015, foi realizado um workshop de 2 dias entitulado: “Origens placentárias de resultados adversos da gravidez: objetivos moleculares potenciais” para começar a resolver esta lacuna
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        Foi dada especial ênfase à identificação de vias moleculares importantes que poderiam servir como alvos de drogas e as vantagens e desvantagens de segmentação dessas vias particulares
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        Este artigo é um resumo do workshop. Um amplo número de tópicos foram abordados, que variou de biologia básica da placenta para ensaios clínicos. Isto incluiu a pesquisa na biologia básica da placentação, como a migração trofoblasto e remodelação da artéria espiral, e sensoriamento trofoblasto e resposta a agentes infecciosos e não infecciosos
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        Resultados da investigação nestas áreas será fundamental para a formulação do desenvolvimento de futuros tratamentos e para o desenvolvimento de terapias para a prevenção de uma série de distúrbios de gravidez de origem placentária que incluem pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal e inflamação do útero
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        Foram apresentadoa os esforços clínicos em curso nos Estados Unidos e na Europa, sobre novas intervenções para pré-eclâmpsia e a restrição de crescimento fetal, incluindo agentes, tais como a suplementação oral de arginina, sildenafil, pravastatina, terapia gênica com fator de crescimento endotelial vascular e terapia de suplementação de oxigênio
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        Estratégias também foram propostas para melhorar o crescimento fetal pela valorização do transporte de nutrientes para o feto através da modulação de seus transportadores da placenta e os ataques de disfunção mitocondrial da placenta e do estresse oxidativo para melhorar a saúde da placenta
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        Os papéis de microRNAs e exossomos derivados de placenta, bem como RNAs mensageiros, também foram discutidos no contexto de seu uso para diagnóstico e como alvos de drogas
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      • O seminário discutiu o aspecto de perfis de segurança e farmacocinética de potenciais terapias existentes e novas, especialmente no contexto da gravidez .
        Foram discutidos também novos métodos para a entrega de drogas e durante a gravidez com a utilização de transportadores macromoleculares, tais como nanoparticulas e biopolímeros, para minimizar a transferência de fármaco placentária e a exposição do fármaco, portanto, ao feto
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        No fechamento, um tema importante que se desenvolveu a partir do workshop foi que a comunidade científica deve mudar seu pensamento da mulher grávida e seu feto como paciente população vulnerável para que o desenvolvimento de medicamentos deve ser evitada, mas sim ser pensado como uma população privada que precisa de intervenções terapêuticas mais eficazes
        .
        http://www.ajog.org/article/S0002-9378(16)00447-6/pdf

       

       

       

      Ultrassonografia Intraparto

      Eu defendo sim o uso da tecnologia em obstetrícia. Será a única forma de avançarmos numa assistência mais segura e consequentemente mais humanizada, afinal nada mais humanizado do que um um parto bem assistido, independente da via de parto, é um parto com resultados excelentes maternos e perinatais. A ultrassonografia intraparto inclusive mostrou-se como um método que aumenta as chances de um parto normal. Não faz sentido em 2018 (já não fazia sentido há muito tempo), acompanharmos uma paciente em trabalho de parto e não identificarmos a variedade de posição, a estimativa de peso fetal, o perfil biofísico e hemodinâmico fetal, com a utilização de Dopplerfluxometria, sequer entendermos de forma objetiva como ocorre o mecanismo do parto que assistimos. Realizamos diversas ultrassonografias no pré-natal e, de repente, no momento mais importante da vida de um indivíduo, o seu nascimento, esta monitorização não ocorre. Ao meu ver os equipamentos de ultrassonografia devem estar presentes em todas as maternidades. O preço que se paga por um equipamento e uma equipe bem treinada é muito menor do que o preço que se paga por um resultado materno e perinatal adverso. Saliento que não há evidência científica que sustente esta minha opinião, até porque poucos obstetras possuem equipamentos de ultrassonografia ou são habilitados para execução do exame e a única maneira de realmente entendermos este novo método de acompanhamento do trabalho de parto é praticando, afinal, até que se prove o contrário e mediante os trabalhos científicos atuais, a ultrassonografia intraparto tem trazido inúmeros benefícios. Também apoio a utilização da cardiotocografia anteparto, por motivos semelhantes ao que já escrevi. Seguem alguns artigos para profissionais de saúde, especificamente obstetras e ultrassonografistas sobre o tema.


      Abaixo coloquei alguns vídeos para profissionais de saúde sobre o tema. Favor se inscrever no nosso canal do youtube, curtir e comentar os vídeos. Isso pode ajudar muitas pessoas pelo algoritmo do Youtube e me estimular a produzir mais informações de qualidade. 

      Ultrassonografia no trabalho de parto – Pontos importantes do Guideline 2022 da WAPM e PMF

       


      O Jornal Americano de Ginecologistas e Obstetras publicou uma série de de 10 artigos e 1 editorial sobre ultrassonografia intraarto, disponível no link https://www.ajogmfm.org/issue/S2589-9333(21)X0008-0 . Colocarei abaixo os artigos já traduzidos para o português, facilitando para algum profissional de assistência ao parto como eu que acredita na assistência ao parto guiada por ultrassonografia.

      Ultrassonografia intraparto e medicina baseada em evidências: um casamento necessário, mas desafiador

      Tullio Ghi, MD, PhD

      DOI: https://doi.org/10.1016/j.ajogmf.2021.100428

      Em 2021, a ultrassonografia entrou com segurança nas portas da enfermaria de parto, tornando-se um recurso adicional precioso para obstetras e parteiras para o gerenciamento do trabalho de parto. Esta tem sido uma revolução Copernicana para a obstetrícia, que é uma das artes médicas mais antigas da história e tem sido baseada há séculos nas únicas habilidades clínicas dos dedos e olhos.

      Inicialmente, a ultrassonografia intraparto tem sido empregada principalmente transabdominalmente, com o objetivo principal de confirmar a apresentação do bebê: vértice, pélvico ou transversa e mais tarde, a posição do occipital fetal: anterior, posterior ou transversa.

      Em vários estudos observacionais e alguns ensaios randomizados o uso do ultrassonografia provou ser muito mais confiável do que o exame vaginal na avaliação da posição fetal tanto na primeira quanto na segunda fase do trabalho de parto e particularmente quando essa avaliação é mais relevante, ou seja, antes de considerar ou realizar um parto vaginal operatório.

      Atualmente, transabdominal A ultrassonografia é considerada o método padrão-ouro para o diagnóstico de apresentação fetal e posição no trabalho de parto.

      Mais recentemente, a ultrassonografia transperineal foi introduzida como uma abordagem alternativa para avaliar e medir a estática fetal no canal do parto. A ultrassonografia transperineal intraparto demonstrou ser mais objetiva e reprodutível do que o exame clínico na avaliação da descida da cabeça fetal que pode ser quantificada com um ou mais parâmetros ultrassonográficos, incluindo ângulo de progressão, distância do cabeça-períneo,13 ângulo da linha média e distância da sínfise para a cabeça

      Na última década, o uso da ultrassonografia intraparto tem visto uma popularidade crescente, especialmente entre os países de renda média e alta, e um grande interesse na comunidade científica surgiu pela utilidade potencial dessa técnica emergente na melhoria do gerenciamento do trabalho de parto lento. Uma série de estudos observacionais mostrou que, devido a um diagnóstico mais preciso da estática fetal, posição, atitude e progressão, a ultrassonografia transabdominal e transperineal tem um desempenho melhor do que o exame clínico na previsão da ocorrência de parto vaginal entre mulheres com fase ativa prolongada, aquelas com um segundo estágio prolongado, ou aquelas que se submeteram ao parto vaginal operatório.

      Neste número especial do American Journal of Obstetrics and Gynecology MFM dedicado ao uso do ultrassom no trabalho de parto, você encontrará uma coleção de revisões de especialistas que resumem os conceitos mais recentes sobre ultrassom intraparto e reconhecem o valor agregado desta ferramenta na otimização do resultado do trabalho de parto. Alguns artigos revisam o papel da ultrassonografia no manejo de mulheres com um primeiro ou segundo estágio prolongado do trabalho de parto enquanto outros revisam como a ultrassonografia pode ajudar a decidir entre o parto vaginal e a cesariana operatórios.

      Outros artigos revisam as aplicações emergentes do ultrassom antes ou durante o trabalho de parto, como a avaliação do assoalho pélvico, do colo do útero ou o Doppler fetal e sua associação com resultados maternos e perinatais.

      Finalmente, apresenta-se o uso da ultrassonografia pós-parto no diagnóstico de lesão esfincteriana anal obstétrica.

      Apesar dessa riqueza de dados e estudos, o teste mais desafiador para ultrassonografia intraparto, assim como para a maioria dos exames e intervenções, é o da medicina baseada em evidências (MBE). Os poucos ensaios clínicos randomizados que foram produzidos até agora mostraram que o uso da ultrassonografia intraparto não está associada a melhores resultados do trabalho de parto e parto e diminuição da morbidade e mortalidade materna e/ou perinatal em comparação com o atendimento padrão.

      Isso pode se tornar uma grande decepção para os defensores dessa técnica, mas na era moderna, não podemos ignorar que os benefícios de uma nova estratégia médica devem ser validados por ensaios rigorosos antes que ela possa ser implementada na prática rotineira.

      Vários erros foram cometidos no passado, quando uma nova técnica ou terapia logo foi adotada pelo sistema de saúde antes de descobrir que seu uso rendeu mais mal do que bem.

      Não há dúvida de que o casamento entre ultrassom intraparto e MBE é desejável e deve ser perseguido por todos os meios, mas este é de fato difícil porque os requisitos rigorosos da noiva (por exemplo, MBE) não se dão bem com as características do noivo (por exemplo, ultra-som intraparto).

      Uma avaliação sólida e convincente da utilidade clínica da ultrassonografia intraparto requer ensaios extraordinariamente grandes e protocolos padronizados para o gerenciamento do trabalho de parto.
      Os poucos ensaios clínicos randomizados (ECRs) em ultrassonografia intraparto realizados até o momento tiveram números baixos, sofreram recrutamento lento e tiveram pouco poder de tirar conclusões sobre desfechos adversos relativamente pouco frequentes, como parto vaginal operatório reprovado e complicações maternas e perinatais. Isso deixa os clínicos em incerteza, oscilando entre a consciência de que, com a ultrassonografia intraparto, eles podem ser mais precisos na avaliação da cabeça e posição fetal e o fato de que essa precisão não provou impactar favoravelmente no resultado do trabalho de parto por ensaios randomizados.

      Não tenho uma solução para facilitar o casamento entre ultrassom intraparto e MBE, mas deixo o leitor com algumas perguntas provocativas: um ECR é sempre necessário para adotar um novo método na medicina? Por exemplo, o maior ECR sobre fazer uma ultrassonografia do feto não mostrou benefícios maternos ou perinatais, mas todas as diretrizes da sociedade recomendam pelo menos uma ultrassonografia (geralmente ≥) na gravidez.

      Podemos pular os requisitos da MBE quando a lógica parece apoiar o uso da ultrassonografia intraparto? A confirmação positiva de um ensaio foi necessária antes de iniciar o uso de ultrassom ao vivo na realização de uma amniocentese? É um risco endossar o uso da ultrassonografia intraparto no manejo do trabalho de parto anormal com base apenas na demonstração convincente de que a ultrassonografia é melhor do que os dedos na avaliação da estática fetal e da posição no trabalho de parto?


       
       

       2018 Jul;52(1):128-139. doi: 10.1002/uog.19072.

      Diretrizes Práticas da ISUOG: ultrassonografia intraparto .

       
      Comitê de Padronização Clínica
      A Sociedade Internacional de Ultrassom em Obstetrícia e Ginecologia (ISUOG) é uma organização científica que incentiva a prática clínica sólida e o ensino e pesquisa de alta qualidade relacionados ao diagnóstico por imagem em saúde da mulher. O Comitê de Padronização Clínica da ISUOG (CPC) tem a missão de desenvolver Diretrizes Práticas e Documentos de Consenso como recomendações educacionais que forneçam aos profissionais de saúde uma abordagem baseada em consenso de especialistas, para diagnóstico por imagem. Eles pretendem refletir o que é considerado pela ISUOG como a melhor prática no momento em que foram emitidos. Embora a ISUOG tenha envidado todos os esforços para garantir que as Diretrizes sejam precisas quando emitidas, nem a Sociedade como nenhum de seus funcionários ou membros aceita qualquer responsabilidade pelas consequências de quaisquer dados, opiniões ou declarações imprecisas ou enganosas emitidas pelo CPC. Os documentos do CPC ISUOG não se destinam a estabelecer um padrão legal de cuidados, porque a interpretação das evidências que fundamentam as Diretrizes pode ser influenciada por circunstâncias individuais, protocolo local e recursos disponíveis. As Diretrizes Aprovadas podem ser distribuídas gratuitamente com a permissão do ISUOG (info@isuog.org).
       
      FINALIDADE E ÂMBITO
      O objetivo destas Diretrizes é revisar as técnicas de ultrassonografia realiadas durante o trabalho de parto e suas aplicações práticas, resumindo o nível de evidência do uso de ultrassonografia no trabalho de parto e para fornecer orientação aos profissionais sobre quando o ultrassom no trabalho de parto é clinicamente indicado e como os achados ultrassonográficos podem afetar o manejo do trabalho de parto. Não indicamos nem sugerimos que a ultrassonografia no trabalho de parto seja um padrão de cuidado necessário.
       
      ANTECEDENTES E INTRODUÇÃO
       
      Tradicionalmente, a avaliação e o gerenciamento de uma mulher em trabalho de parto são baseados em achados clínicos 1–7. O diagnóstico de parada do trabalho de parto e as decisões relativas ao momento ou tipo de intervenção dependem principalmente da avaliação digital da dilatação cervical, da estática fetal e e da variedade de posição da cabeça fetal 8–17. Entretanto, o exame clínico da da estática fetal e da variedade de posição da cabeça é impreciso e subjetivo 18-25, especialmente quando o caput succedaneum (bossa serossanguinolenta) dificulta a palpação das suturas e fontanelas.
       
      O uso de ultra-som tem sido proposto para auxiliar no acompanhamento do trabalho de parto. Diversos estudos demonstraram que o exame ultrassonográfico é mais preciso e reprodutível do que o exame clínico no diagnóstico da estática fetal e da variedade de posição da cabeça fetal 19-33 e na predição de parada do trabalho 34–42. O exame ultrassonográfico pode, em certa medida, distinguir aquelas mulheres destinadas ao parto vaginal espontâneo e aquelas destinadas ao parto operatório 43-47. Além disso, há evidências crescentes de que a ultrassonografia no trabalho de parto pode predizer o resultado do parto vaginal instrumental 44–48.
       
      O ultra-som em trabalho de parto pode ser realizado por meio de abordagem transabdominal, principalmente para determinar a posição da cabeça e coluna vertebral 49, ou uma abordagem transperineal, para avaliação da estática fetal e posição da cabeça fetal em apresentações mais insinuadas. Vários parâmetros ultrassonográficos quantitativos têm sido propostos para avaliar a estática craniana 30-32,34,35,40,42,43,50,51. Atualmente, não há consenso sobre quando a ultrassonografia intraparto deve ser realizada, quais parâmetros devem ser obtidos e como os achados ultrassonográficos devem ser integrados à prática clínica, a fim de melhorar o manejo do paciente.
       
      IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE EVIDÊNCIA
      A Biblioteca Cochrane e Centro de Registro Cochrane de Ensaios Controlados foram pesquisados para ensaios controlados randomizados relevantes, revisões sistemáticas e metanálises. Uma busca do Medline de 1966 a 2017 também foi realizada. A data da última pesquisa foi 30 de setembro de 2017. Além disso, os procedimentos relevantes da conferência e os resumos foram pesquisados. As pesquisas usaram os termos relevantes do MeSH, incluindo todos os subtítulos. Isto foi combinado com uma pesquisa de palavras-chave, incluindo: “ultrassonografia intraparto”, “ultrassonografia transperineal”, “estática fetal”, “posição occipital fetal” e “parto vaginal instrumental”. Quando possível, as recomendações nestas Diretrizes são baseadas e explicitamente ligadas a evidências de apoio. Detalhes dos graus de recomendação e níveis de evidência usados nestas Diretrizes são dados no Apêndice 1.
       
      Objetivos da ultrassonografia intraparto
       
      Estas Diretrizes tratam exclusivamente do uso de ultrassom em trabalho de parto para determinar a posição, posição e atitude da cabeça fetal. Todas as outras aplicações de ultrassom na sala de parto, como avaliação do comprimento ou dilatação cervical e estudos com Doppler fetal, não serão discutidos. Por enquanto, a ultrassonografia deve ser usada como método adjuvante e não como um substituto para o exame vaginal digital clinicamente indicado. Avaliação da posição da cabeça do feto e o conhecimento preciso da posição do occipício fetal no trabalho de parto é de suma importância.
      • A posição occipital-posterior persistente está associada a maior risco de parto operatório 52 e morbidade materna e perinatal 53,54.
      • A determinação correta da posição da cabeça é crucial antes da entrega instrumental. Um erro na avaliação da posição da cabeça pode resultar na colocação inadequada de vácuo ou fórceps, aumentando o potencial de lesão fetal e a taxa de falha do procedimento 55–58. O parto instrumental falho seguido pela cesárea está associado a um aumento do intervalo de decisão para o parto 59 e a um risco aumentado de trauma materno 60,61 e fetal 62-65.
       
      Tradicionalmente, os médicos determinam a posição da cabeça do feto pela palpação da sutura sagital e das fontanelas anterior e posterior. Diversos estudos avaliaram a acurácia do diagnóstico clínico da posição da cabeça do feto, utilizando a ultrassonografia19-28 ou sistemas de tecnologia de rastreamento de posição66 como referência; a palpação digital foi considerada subjetiva. Estudos mostram consistentemente que o exame digital para determinar a posição da cabeça é impreciso, com uma taxa de erro variando de 20% a 70%, quando se considera a ultrassonografia como o padrão19 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 1–).

      A avaliação clínica por palpação tende a ser ainda menos precisa em casos de posição anormal da cabeça, como occipital posterior ou transversal, quando é mais provável a intervenção médica19,20,22,23 (LEVEL OF EVIDENCE: 2 ++).

      Essa imprecisão pode ser exagerada pela presença de caput succedaneum e asynclitism, ambos freqüentemente associados a trabalho de parto obstruído. Vários estudos não conseguiram demonstrar uma diferença significativa na acurácia entre obstetras experientes e inexperientes19,21,22, embora esse achado tenha sido questionado por outros 20 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+).

      Vários estudos demonstraram a superioridade do ultrassom isolado ou em combinação com o exame digital na determinação precisa da rotação da cabeça do feto em comparação com o exame digital tradicional isolado 19–28,66 (LEVEL OF EVIDENCE: 1–).

      Avaliação da estática da cabeça fetal

      A estática da cabeça fetal é o nível da cabeça fetal no canal do parto em relação ao plano das espinhas isquiáticas maternas (a apresentação não-cefálica não é considerada nestas Diretrizes). O termo ‘encaixe da cabeça’ é usado quando a parte mais larga da cabeça passa pela entrada pélvica ou dois quintos ou menos da cabeça do feto é palpável no abdome, correspondendo à descida do plano biparietal da cabeça fetal até um nível abaixo daquele da entrada pélvica 67. No exame vaginal digital, a cabeça fetal é considerada encaixada quando a parte anterior do crânio atinge a linha ou o plano imaginário entre as espinhas isquiáticas maternas. Este plano da cabeça é referida como plano 0. Planos de cabeça superior ou inferior são expressas em centímetros acima (negativo) ou abaixo (positivo) deste plano de referência, respectivamente.

      A subjetividade da avaliação digital transvaginal da cabeceira fetal foi demonstrada por Dupuis et al.18 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+). Usando um simulador de nascimento equipado com um sensor, eles colocaram um manequim de cabeça fetal em estações definidas de acordo com o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, e um grupo de examinadores de vários níveis de experiência usou a palpação para classificar a cabeça do feto como alta, média pélvica, baixa ou saída. O erro médio de “categoria” foi de 30% para residentes e 34% para obstetras. Mais importante ainda, o diagnóstico incorreto de uma apresentação pélvica média, em vez de uma apresentação pélvica alta verdadeira, foi responsável pela maioria dos erros (88% e 67% por residentes e obstetras, respectivamente). Na prática clínica, tal erro de classificação pode afetar negativamente o acompanhamento do trabalho de parto.

      O exame ultrassonográfico documenta objetiva e precisamente o plano da cabeça fetal no canal do parto29–33,35,47,68 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+).

      Uma série de parâmetros sonográficos tem sido sugerida para descrever o plano da cabeça fetal; estes demonstraram ter alta concordância intra e interobservador69-71 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+).

      Avaliação da descida da cabeça do feto (progressão)

      Alguns estudos observacionais 36,37,39,72,73 sugeriram que a repetição dos exames de ultrassonografia para avaliar a mudança da cabeça ao longo do tempo (“progressão”) funciona melhor do que o exame digital ao documentar a descida da cabeça do feto e demonstrar trabalho de parto lento ou falta de progresso no primeiro e segundo estágios (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+).

      Avaliação da atitude da cabeça fetal

      A atitude da cabeça do feto é a relação da cabeça do feto com a coluna. O ultra-som provou ser útil na avaliação visual da atitude da cabeça do feto74,75 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2–) e no diagnóstico objetivo da má formação da cabeça do feto no trabalho de parto76-80 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 3).

      Técnica

      A avaliação ultrassonográfica no trabalho de parto pode ser realizada por via transabdominal ou transperineal, dependendo do parâmetro que é o objetivo do exame (principalmente posição e estação / plano) e da indicação clínica. Uma máquina de ultra-som bidimensional equipada com uma sonda convexa, como a usada para ultrassonografia fetal transabdominal para biometria e avaliação da anatomia, é usada. Os requisitos sugeridos do equipamento para uso na ala de trabalho são: ele é rápido de inicializar e possui baterias com vida útil longa e que são rápidas de recarregar. Uma insonação de setores amplos e de baixa frequência (<4 MHz) é mais adequada para o ultra-som em trabalho de parto.

      Avaliação da posição da cabeça fetal

      A avaliação ultrassonográfica da posição da cabeça do feto é melhor realizada por imagem transabdominal nos planos axial e sagital 81. Colocando a sonda de ultrassom transversalmente no abdômen materno, obtém-se uma visão axial do tronco fetal ao nível do abdome superior ou do tórax fetal. A posição da coluna fetal pode então ser determinada. O transdutor de ultra-som é então movido para baixo até atingir a região suprapúbica materna, visualizando a cabeça fetal. Os pontos de referência que representam a posição do occipício fetal são as duas órbitas fetais para o occipício posterior, o eco cerebral da linha média para o occipital transverso e o próprio occipital e a coluna cervical para a posição occipital-anterior 81 (Figuras 1 e 2). O plexo coróide, que diverge em direção ao occipício, pode ser útil na determinação da posição da cabeça fetal47.


      Figura 1 Ultrassonografia transabdominal (plano sagital) no feto com posição occipital-anterior. (Reproduzido de Youssef et al. 81.)

      Figura 2 Ultrassonografia transabdominal (plano transverso) no feto com posição occipital posterior. (Reproduzido de Youssef et al. 81.)

      As estruturas da linha média na cabeça fetal podem ser difíceis de visualizar em imagens transabdominais em planos mais baixos da cabeça fetal. A combinação de uma abordagem transabdominal com ultrassonografia transperineal pode ser recomendada nesses casos para a determinação precisa da posição.

      A posição pode ser descrita representando um círculo, como um relógio (Figura 3): posições ? 02,30 he ? 03,30 horas devem ser registradas como transverso occipital esquerdo (LOT); posições ? 08,30 he ? 09,30 horas como occipital direito transverso (ROT); posições> 03,30 he <08,30 h devem ser registradas como occipital posterior; e posições> 09,30 he <02,30 h como occipital anterior25.


      Figura 3 Classificação da posição do occipício fetal com base nas posições do ponteiro das horas no mostrador do relógio: posições ? 02,30 he ? 03,30 horas devem ser registradas como occipital transverso esquerdo (LOT) e posições ? 08,30 he ? 09,30 h como transverso occipital direito ( ROT). Posições> 03,30 he <08,30 h são occipital posterior (OP) e posições> 09,30 he <02,30 h são occipital anterior (OA) 92,93.
       

      Avaliação do plano da cabeça fetal

      A avaliação ultrassonográfica da do plano da cabeça fetal é melhor realizada por ultrassonografia transperineal no plano sagital mediano ou axial. A sonda é colocada entre os dois grandes lábios ou mais caudalmente, no nível do quarto, com a mulher em posição semirecente, com as pernas flexionadas nos quadris e joelhos a 45? e 90? graus, respectivamente. É essencial que a bexiga esteja vazia. No plano mediano sagital, os seguintes marcos anatômicos são claramente representados:
      • articulação da sínfise púbica, como estrutura ecogênica oblonga, irregular; idealmente exibido em uma posição horizontal;
      • crânio fetal, com tábua anterior e posterior.

      O plano de referência tradicional da palpação vaginal, o nível das espinhas isquiáticas, não pode ser visto nessa visão. No entanto, há uma relação anatômica fixa entre a extremidade inferior da sínfise púbica e o plano inter-isquial: a linha infrapúbica é uma linha imaginária que se origina da extremidade caudal da sínfise púbica, perpendicular ao seu longo eixo, estendendo-se até a dorsal. parte do canal do parto. Em reconstruções tridimensionais de dados de tomografia computadorizada de uma pelve óssea normal feminina, a linha infrapúbica mostrou-se 3 cm acima do plano das espinhas isquiáticas 42,82-84.

      Na imagem transperineal no plano mediano sagital, vários parâmetros têm sido propostos que usam a sínfise púbica como marco e ponto de referência para medições quantitativas. Três indicam a estação (plano) da cabeça diretamente: o ângulo de progressão (AoP), também chamado de “ângulo de descida” 40,43; a distância de progressão (PD) 30; e o posto de cabeça de ultrassom transperineal41. Outros indicam indiretamente: a distância cabeça-sínfise (HSD) é um parâmetro indireto que muda com a descida51; e a direção da cabeça indica a direção do maior eixo reconhecível da cabeça fetal em relação ao longo eixo da sínfise púbica42. Com rotação simples no sentido horário do transdutor em 90?, obtém-se um plano axial, no qual dois parâmetros adicionais podem ser avaliados e medidos: a distância cabeça-períneo (HPD) 34, como um marcador da estação de cabeça; e o ângulo da linha média (MLA) 31, que avalia a rotação da cabeça.

      Direção da cabeça fetal.

      A direção da cabeça, um marcador indireto da cabeceira, foi descrita pela primeira vez por Henrich et al.42 como o ângulo entre o maior eixo reconhecível da cabeça fetal e o longo eixo da sínfise púbica, medido em uma visão transperineal sagital mediana (Figura 5). Foi classificada categoricamente como “cabeça para baixo” (ângulo <0º), “horizontal” (ângulo 0º a 30º) e “cabeça erguida” (ângulo> 30º). Os autores notaram uma mudança facilmente identificável na direção da cabeça à medida que desce em direção ao assoalho pélvico, de baixo para horizontal, para cima. Head up imediatamente antes do parto vaginal operatório (OVD) correlacionado com um sucesso e relativamente fácil (poucas trações) procedimento.

      Estação principal sonográfica.

      A estação do ultrassom transperineal expressa o plano da apresentação cefálica convencionalmente usada para avaliação palpatória do progresso do trabalho de parto (cm acima ou abaixo do plano da espinha isquiática) e incorpora a curvatura do canal do parto. Requer a avaliação de: (i) direção da cabeça (ver acima) e (ii) a distância entre o plano infrapubico (3 cm acima do plano isquiático) e a parte óssea mais profunda ao longo da linha da direção da cabeça (Figura 6). Estação de cabeça de ultra-som transperineal foi comparada com outros parâmetros da estação de cabeça fetal. Embora seja mais complexo de medir (exigindo medições de ângulo e distância), correlacionou-se linearmente com o AoP facilmente mensurável: a relação entre esses dois parâmetros permite a conversão direta de medidas de AoP em centímetros na palpação convencional. escala (Tabela 1).

      Tabela 1 Conversão entre o ângulo de progressão (AoP) e a estação do ultrassom transperineal (TPU)Adaptado de Tutschek et al.41. Estação de cabeça de TPU calculada usando fórmula obtida pela regressão da estação de cabeça sobre o ângulo de progressão (estação de cabeça de TPU (cm) = AoP (?) × 0.0937 – 10.911).

       

      Ângulo de progressão (AoP) / ângulo de descida.

      O AoP é o ângulo entre o longo eixo do osso púbico e uma linha a partir da borda mais baixa do púbis, tangenciada à parte óssea mais profunda do crânio fetal (Figura 4). Foi descrito pela primeira vez em 2009 40,43 e foi encontrado um parâmetro preciso e reprodutível para avaliação da descida da cabeça do feto 40,41,69,70 (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+). Duckelmann et al.72 demonstraram que a medida da AoP pode ser aprendida facilmente, independentemente do nível de experiência de ultrassonografia do clínico (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+). Em sua investigação de vários parâmetros diferentes, Tutschek et al.41 compararam o AO e a cabeça do ultrassom transperineal, constatando que o feto [a estação de cabeça 0 corresponde a um AO de 116? (Tabela 1).

      Figura 4 Medição do ângulo de progressão, mostrando a colocação do transdutor e como o ângulo é medido (imagens cortesia de A. Youssef, E. A. Torkildsen e T. M. Eggebø).

      Direção da cabeça fetal.

      A direção da cabeça, um marcador indireto da cabeceira, foi descrita pela primeira vez por Henrich et al.42 como o ângulo entre o maior eixo reconhecível da cabeça fetal e o longo eixo da sínfise púbica, medido em uma visão transperineal sagital mediana (Figura 5 ). Foi classificada categoricamente como “cabeça para baixo” (ângulo <0º), “horizontal” (ângulo 0º a 30º) e “cabeça erguida” (ângulo> 30º). Os autores notaram uma mudança facilmente identificável na direção da cabeça à medida que desce em direção ao assoalho pélvico, de baixo para horizontal, para cima. Head up imediatamente antes do parto vaginal operatório (OVD) correlacionado com um sucesso e relativamente fácil (poucas trações) procedimento.

      Figura 5 Direção da cabeça fetal: horizontal (esquerda) e cabeça para cima (direita).

      Estação sonográfica da cabeça.

      A estação do ultrassom transperineal expressa a cabeça na escala convencionalmente usada para avaliação palpatória do progresso do trabalho de parto (cm acima ou abaixo do plano da espinha isquiática) e incorpora a curvatura do canal do parto. Requer a avaliação de: (i) direção da cabeça (ver acima) e (ii) a distância entre o plano infrapúbico (3 cm acima do plano isquiático) e a parte óssea mais profunda ao longo da linha da direção da cabeça (Figura 6). ). Estação de cabeça de ultra-som transperineal foi comparada com outros parâmetros da estação de cabeça fetal. Embora seja mais complexo de medir (exigindo medições de ângulo e distância), correlacionou-se linearmente com o AoP facilmente mensurável: a relação entre esses dois parâmetros permite a conversão direta de medidas de AoP em centímetros na escala de palpação convencional escala (Tabela 1).

       
      Figura 6 A estação da cabeça do ultrassom transperineal deve ser medida ao longo da linha da direção da cabeça. O ângulo de progressão (AoP), a distância cabeça-sínfise (HSD) e, como planos de referência, o plano infarrúbico mensurável e o plano isquiático inferido, também são mostrados (modificados de Tutschek et al.32).
       
      Distância cabeça-períneo (HPD)
       
      O HPD foi descrito pela primeira vez por Eggebø et al.34 (Figura 7). O transdutor deve ser colocado entre os grandes lábios (na porção posterior) e o tecido mole comprimido completamente contra o osso púbico. O transdutor deve ser inclinado até que o contorno do crânio esteja o mais claro possível, indicando que o feixe de ultrassom é perpendicular ao crânio do feto. O HPD é medido em um exame transperineal frontal como a menor distância do limite ósseo externo do crânio fetal ao períneo. Esta distância representa a parte do canal do parto ainda a ser passada pelo feto. As mulheres não acham essa compressão do tecido mole dolorosa 36. O HPD não pode ser comparado diretamente com a avaliação clínica da cabeceira fetal (de –5 a +5), pois o HPD não segue a curva do canal do parto 36. Tutschek et al. 32 verificaram que a cabeceira 0 corresponde a um HPD de 36 mm, Kahrs et al.47 encontraram a cabeceira 0 para corresponder a um HPD de 35 mm e Maticot-Baptista et al.85 encontraram um HPD de 38 mm para correspondem a média. Os limites de concordância para a variação da medição interobservador foram reportados como –8,5 a +12,3 mm
      Figura 7 Medição da distância cabeça-períneo (HPD), mostrando a colocação do transdutor e como a distância é medida (imagens cortesia de S. Benediktsdottir, I. Frøysa e J. K. Iversen).
       
      Ângulo da linha média (MLA)
       
      MLA difere dos outros parâmetros, pois utiliza o ângulo de rotação da cabeça como um indicador do progresso do nascimento. Primeiramente descrito por Ghi et al.31, é medido no plano axial usando uma abordagem transperineal: a linha ecogênica interposta entre os dois hemisférios cerebrais (linha média) é identificada, e o MLA é o ângulo entre esta linha e o eixo ântero-posterior do pélvis materna (Figura 8). Eles encontraram uma correlação significativa entre a altura da cabeça avaliada clinicamente e a rotação como representada pela MLA. Após a exclusão dos casos occipit posteriores, eles encontraram uma rotação ? 45? para corresponder a uma cabeceira de ? +2 cm em 70/71 (98,6%) casos e uma rotação <45? para corresponder a uma cabeceira de ? +3 cm em 41/49 (83,7%) casos (P <0,001) (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+). Embora o MLA tenha sido originalmente descrito como um ângulo em relação à pelve materna, a posição da cabeça pode ser representada usando posições em um mostrador do relógio da mesma maneira descrita para imagens transabdominais.
       
      Figura 8 Medição do ângulo da linha média, mostrando a colocação do transdutor e como o ângulo é medido.
       
      Parâmetros adicionais para avaliar a estação da cabeça fetal
       
      Dois outros parâmetros foram propostos para medir a estação da cabeça fetal no trabalho de parto: distância da progressão (PD) e distância da cabeça-sínfise (HSD). No entanto, eles não têm sido amplamente aplicados em pesquisas e sua utilidade clínica é menos bem estabelecida do que a dos outros parâmetros.
       
      A PD foi descrita pela primeira vez como uma medida objetiva do envolvimento da cabeça do feto, tomada antes do início do trabalho de parto, por Dietz e Lanzarone30. É definida como a distância mínima entre a “linha infrapúbica” e a parte de apresentação (definida como a parte mais distal da curvatura hiperecogênica que significa o crânio fetal) (Figura 9). Como o AoP é mais fácil de medir do que o PD e explica a natureza curva do canal do parto, o que o PD não deve, o primeiro deveria ser preferido como uma medida do head station.
       
      HSD é a distância entre a borda inferior do sínfise púbica materna e crânio fetal ao longo da linha infrapúbica (Figura 10). Como o espaço palpável entre o crânio fetal e a sínfise púbica materna é usado amplamente na prática clínica como uma proxy para a cabeça do feto, o HSD foi proposto por Youssef et al.51 como um marcador indireto de descida da cabeça do feto. Em uma coorte de fetos occipitais anteriores, este parâmetro se mostrou reprodutível51, mostrando uma correlação negativa linear com a estação palpável e tornando-se progressivamente mais curto à medida que a cabeça desce em direção ao assoalho pélvico (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2+). Além disso, HSD foi mostrado para correlacionar com as outras medidas sonográficas da estação de cabeça fetal; correlaciona-se positivamente com o HPD e negativamente com o AoP32 (Figura 11). Pode ser medido apenas em estações abaixo da linha infrapúbica (ou seja, ? –3 cm).
      Figura 9 Medição da distância de progressão
       
       
      Figura 10 Medição da distância cabeça-sínfise (HSD), mostrando a colocação do transdutor e como a distância é medida. (Reproduzido de Youssef et al.51.)
       
      INDICAÇÕES PARA AVALIAÇÃO ULTRASSONOGRÁFICA DO TRABALHO DE PARTO
      • Progresso lento ou parada no primeiro estágio do trabalho de parto
      • Progresso lento ou parada no segundo estágio do trabalho de parto
      • Determinação da posição da cabeça do feto e da posição antes
      considerando ou realizando parto vaginal instrumental
      • Avaliação objetiva da má apresentação da cabeça fetal
       
       
       
      RESUMO
      A ultrassonografia em trabalho de parto ativo ainda não é amplamente utilizada, embora estudos tenham mostrado que ela é mais precisa e reprodutível do que o exame clínico. O ultra-som permite a medição objetiva e a documentação precisa das descobertas obtidas durante o exame. Vários parâmetros sonográficos podem ser utilizados durante o trabalho de parto para avaliar principalmente a posição e a posição da cabeça.
       
      1. A estática fetal pode ser medida objetivamente, por exemplo, pelo Ângulo de Progressão (AoP) oupela Distância Cabeça-Períneo (HPD), para avaliar o status atual e como uma linha de base para medições longitudinais. Também pode ajudar a prever se o parto vaginal operatório (OVD) provavelmente será bem-sucedido.
      • A estática fetal deve ser avaliada transperinealmente, não transabdominalmente.
      • O HPD é simples de medir e é reproduzível.
      • O AO (em graus) equivale ao situação da cabeça expressa em centímetros, de –3 cm a +5 cm (a conversão direta é possível), e tem o potencial de ligar dados de ultrassom à avaliação tradicional por palpação.
      • HPD e AoP  correlacionam linearmente (para estação alta, isto é, maior que 0 a +1).

      2. A posição da cabeça (e coluna) é avaliada com maior precisão pela ultrassonografia transabdominal do que pela palpação digital. O conhecimento da posição da cabeça em suspeita de atraso ou parada do trabalho de parto é importante. Antes do OVD, o conhecimento da posição da cabeça é essencial.

      3. O Ângulo da linha média (MLA) é avaliada por ultrassonografia transperineal transversal e pode ajudar a decidir se o OVD pode ser tentada com segurança.

      4. A direção da cabeça é avaliada por ultrassonografia transperineal e pode ajudar a decidir se o OVD pode ser tentada com segurança.

       

      Existem duas situações principais nas quais a avaliação por ultrassonografia é provavelmente de uso particular em trabalho de parto.

      1. Suspeita de atraso ou parada do primeiro ou segundo estágio. Recomendamos a medição de AoP ou HPD transperinealmente e avaliação da posição da cabeça transabdominalmente.

      2. Necessidade potencial de desempenho de OVD. Recomendamos a avaliação da posição da cabeça pela ultrassonografia transabdominal e sugerimos a mensuração da cabeceira fetal por ultrassonografia transperineal. Os parâmetros ultrassonográficos mais confiáveis para prever o resultado do procedimento são HPD e AoP. O MLA e / ou a direção da cabeça também podem ser úteis para prever melhor a probabilidade de sucesso da extração.

       

      O que sabemos e o que não sabemos
      • Sabemos que o ultra-som permite um exame mais preciso da posição e da estática fetal do que o exame clínico.
      • Sabemos que as mulheres preferem o ultra-som ao exame digital em trabalho de parto.
      • Sabemos que a ultrassonografia transabdominal é mais comumente usada para avaliar a posição do fetal e a ultrassonografia transperineal pode ser usada para avaliar a situação da cabeça fetal
      • Não sabemos como esse conhecimento impacta no manejo do trabalho e nos resultados maternos e neonatais.

      RELATANDO
      Se um exame ultrassonográfico for realizado em trabalho de parto, seus resultados devem ser adicionados às anotações clínicas do paciente. Para cada avaliação sonográfica, os seguintes dados devem ser anotados:
      • Viabilidade fetal e frequência cardíaca
      • Apresentação do feto (cefálica, transversal, pélvica, oblíqua)
      • Se alguma parte da placenta é vista entre a parte que apresenta e o colo do útero
      • Occipício e posição da coluna

      Com base no julgamento do clínico, as seguintes os parâmetros ultrassonográficos transperineais podem ser acrescentados no segundo estágio do trabalho de parto, especialmente antes do OVD (em repouso ou durante a contração com o empurrão materno; isso deve ser observado):
      • Ângulo de progressão (AoP)
      • Distância cabeça-períneo (HPD)
      • Direção da cabeça em relação à sínfise púbica
      • Ângulo da linha média (MLA)


      Recife 9 de janeiro de 2021

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      *️⃣Segue o resumo do artigo publicado por pesquisadores da Itália, Inglaterra e Rússia com a DOI: https://doi.org/10.23736/S0026-4784.20.04698-5
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      ➡️Os eventos de hipóxia intraparto ocorrem mais comumente em gestações de baixo risco com fetos adequadamente crescidos
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      ➡️A monitorização intraparto contínua por meio de cardiotocografia não demonstrou redução na frequência de resultados perinatais adversos, mas foi associada a um aumento na taxa de cesarianas, principalmente entre mulheres consideradas de baixo risco
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      ➡️A evidência disponível da literatura sugere que as anormalidades no Doppler da artéria uterina e na relação entre o Doppler fetal cerebral e umbilical (ou seja, relação cérebro-placentária, RCP) estão associadas a condições de disfunção placentária subclínica que ocorrem em fetos que não conseguiram atingir seu potencial de crescimento independentemente de seu tamanho real
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      ✳️O que achei interessante no resumo:
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      ✅Mais e mais pesquisam avançam sobre o tema ultrassonografia intraparto, principalmente em relação à avaliação da vitalidade fetal e do próprio trabalho de parto
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      ✳️Depois de 20 anos exercendo a Obstetrícia e a Medicina Fetal no SUS e na Saúde Suplementar eu não tenho dúvidas de que a ultrassonografia representa uma excelente ferramenta que pode melhorar a qualidade da assistência obstétrica e consequentemente os desfechos maternos e perinatais. Cé possível estabelecer:
      – O mecanismo do parto, calculando o ângulo de progressão
      – A simples identificação da variedade de posição permitindo um auxílio no parto operatório
      – Doppler cérebro-umbilical, das artérias uterinas, da veia umbilical estabelecendo um conhecimento adequado sobre a vitalidade fetal, o que chamamos de perfil hemodinâmico fetal
      – Até o Doppler do ducto venoso acredito que será utilizado para avaliação do comprometimento fetal

      🙏🏼 Não existe nada mais humanizado do que uma assistência obstétrica segura com desfechos maternos e perinatais positivos. Enquanto eu exercer a obstetrícia vou primar pela excelência, é preciso modificar a forma de gestar, de nascer e de cuidar
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      #usgintraparto #intrapartumultrasound #ultrassonografiaintraparto


      Estudo controlado aleatorizado de mulheres nulíparas (primeiro parto) de baixo risco no segundo estágio do trabalho de parto. Os pacientes foram alocados em um grupo auxiliado pela demonstração visual do progresso da cabeça fetal por ultrassonografia transperineal (Grupo A) ou no treinamento clássico sem a visualização por ultrassonografia (Grupo B). Os pacientes foram treinados nos primeiros 20 minutos do segundo estágio ativo em cada grupo por um obstetra

      Os resultados primários do estudo incluíram a duração do segundo estágio ativo e as modificações do ângulo de progressão da cabeça fetal

      Os resultados secundários incluíram a freqüência de parto operatório e as complicações do trabalho de parto

      RESULTADOS:
      Um total de 40 mulheres foram recrutadas para o estudo.

      O grupo A em comparação com o grupo B resultou em uma fase ativa mais curta do segundo estágio (30 minutos [IQR: 24 – 42] vs 45 minutos [IQR: 39 – 55], p = 0,01) e em um aumento maior do ângulo de progressão nos primeiros 20 minutos de observação (13,5 ° [IQR: 9-20] vs 5 ° [IQR: 3-9,5], p = 0,01)

      Nenhuma diferença foi encontrada nos resultados secundários.

      *CONCLUSÃO
      – Nossos dados preliminares sugerem que a ultrassonografia transperineal pode ser uma ferramenta útil durante o segundo estágio de trabalho ativo. São necessários mais estudos para confirmar a descoberta e definir melhor os benefícios dessa abordagem
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      ?Morales-Roselló J et. al em Ultrasound Obstet Gynecol. 2018 Mar 13. doi: 10.1002/uog.19044

       


       

      A General Eletrics (GE) desenvolveu um vídeo educativo demonstrando como funciona a Ultrassonografia Intraparto:

      https://www.youtube.com/watch?v=11eOtyqx2Vk&feature=youtu.be

       


       

            Este Vídeo mostra um pouco minha experiência com Ultrassonografia Intraparto e outros Procedimentos Cirúrgicos Guiados por Ultrassonografia, como cerclagem uterina, curetagem uterina e implante de DIU guiado por ultrassonografia. 

       

       


       

      Recife, 2 de julho de 2017

      WhatsApp Image 2017-07-02 at 09.29.58

      Mais um trabalho sobre ultrassonografia (USG) intraparto: Estudo longitudinal que investiga modificações cervicais durante o trabalho de parto usando um dispositivo de USG sem fio

      O Objetivo deste estudo foi avaliar as modificações cervicais (dilatação e apagamento) utilizando um transdutor / equipamento portátil de USG sem fio

      ?Vinte e cinco mulheres em trabalho de parto participaram de uma comparação em série da dilatação, comprimento e espessura do colo uterino medidos durante a ultrassonografia transperineal intraparto usando um dispositivo de USG móvel com medidas de dilatação cervical e apagamento obtidas durante os exames digitais vaginais, o conhecido toque vaginal (TV)

      ?RESULTADOS:
      ?A USG intraparto mostrou forte correlação com TV na avaliação das alterações cervicais durante o trabalho de parto, incluindo a medição da dilatação cervical e da espessura (p <0,001)

      ?CONCLUSÃO
      ?O uso de um dispositivo de USG sem fio nos EUA é conveniente e pode ser vantajoso na sala de parto

      MINHAS CONSIDERAÇÕES:
      A assistência ao trabalho de parto necessita ser mais valorizada, pois se trata do momento mais importante de nossas vidas e como diria o obstetra Michel Odent, “se quisermos mudar o mundo precisamos melhorar a forma de nascer”. Uma boa assistência obstétrica reflete numa humanização do parto e nascimento. Aumentar a tecnologia na assistência ao parto pode melhorar os resultados maternos e perinatais. Negar novas formas de assistência ao parto é desvalorizar o procedimento, é uma impostura intelectual. Sem dúvida alguma, de acordo com as evidências atuais, a USG intraparto ao meu ver representa o melhor método de avaliação materna e fetal durante o trabalho de parto e parto, permitindo uma maior segurança neste acompanhamento. Quem já pratica obstetrícia há mais de 15 anos e pôde comparar o acompanhamento ao trabalho de parto das duas formas pode e deve emitir sua opinião.


       

       

      18447114_704055256408080_8915988643421641664_n
      ?Nos últimos anos, o papel da ultrassonografia intraparto expandiu-se na assistência ao parto, em situações clínicas subjetivas tais como trabalhos de parto arrastados ou antes de partos instrumentais
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      ?OBJETIVO DO ESTUDO: Avaliar o uso atual da ultrassonografia intraparto por obstetras em Israel
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      ?MÉTODOS: Um questionário anônimo foi completado por 79 obstetras em hospitais de segundo e terceiro níveis em Israel. Os resultados foram analisados segundo as principais subespecialidades (ultrassonografia, obstetrícia)
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      ?RESULTADOS:
      ?Um questionário foi completado por 56 obstetras experientes e 23 residentes com uma experiência média de 14,3 e 2,4 anos, respectivamente
      ?Todos os obstetras realizaram exames de ultrassonografia na sala de parto para indicações básicas como a apresentação fetal durante o parto e para descartar a placenta prévia
      ?Os ultrassonografistas relataram consistentemente as indicações avançadas em comparação com os obstetras experientes e os residentes na avaliação da primeira fase prolongada (52% vs. 14% vs. 14%) e segunda etapa de trabalho (88% vs. 52% vs. 62%) (60% vs. 30% vs. 22%), progressão da cabeça durante a descida (48% vs. 23% vs. 11%), diagnóstico de posição da cabeça (88% vs 68% vs. 60%), posição da coluna vertebral (92% vs 59% vs. 53%) e assinclitismo (41% vs. 20% vs. 29%).
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      ?CONCLUSÕES:
      ?A ultrassonografia intraparto é usado atualmente por todos os médicos na sala de parto para indicações básicas. No entanto, as equipes obstétricas relatam um baixo uso de ultrassonografia intraparto avançada e preferem confiar na sua experiência clínica. A imagem ultrassonográfica intraparto avançada deve ser parte integrante das qualificações obstétricas. Uma curva de aprendizagem íngreme, juntamente com alta reprodutibilidade, sugere que equipamentos de ultrassonografias torna-se-ão uma ferramenta comum na assistência ao trabalho de parto e parto
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      #consultóriodrglauciusnascimento #riomartradecenter3sala1010 #intrapartumultrasound #drglaucius.com.br

       


       

       

       

      usgintraparto

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      Neste artigo, os autores enfatizam a importância de realizar uma ultrassonografia intraparto para prevenir complicações maternas e neonatais, mas também a responsabilidade legal do médico
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      ?As principais vantagens do uso desta técnica são:
      ?Melhora do diagnóstico de malposicionamento da cabeça fetal;
      ?Prevenção de complicações maternas e fetais do parto devido ao uso de fórceps ou vácuo extractor (VE);
      ?Um planejamento mais preciso da cesariana (com indicação obstétrica);
      ?Uma forma de aprendizado profissional.
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      ?Os autores do trabalho concluem que não fornecer razões adequadas para uma cesariana pode resultar em penalidade obstétrica disciplinar e responsabilidade legal por procedimento desnecessário
      A ultrassonografia intraparto poderia melhorar o diagnóstico de distocia, reduzindo o risco de processo (e melhoria da assistência), especialmente nos casos de distocia do ombro
      ?As fotos ultrassonográficas representam uma documentação importante em casos de processo
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      ?Até agora, os dados emergentes de vários estudos-piloto são promissores, indicando uma redução da cesariana desnecessária, especialmente em distocia mal diagnosticada, mas apenas uma utilização rotineira desta técnica permitirá verificar se o risco de processo vai diminuir. Estudos adicionais são necessários para investigar este campo
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      Eu concluo perguntando:
      Se tem robô, equipamento de videolaparoscopia para tirar um apêndice ou uma vesícula biliar, por que não podemos dispor de ultrassonografia intraparto?
      E afirmo:
      ?? É barato!!! Caro é prestar uma assistência ao parto inadequada que pode levar a um nascimento de um bebê com sequelas para o resto da vida
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      Quer melhorar, modernizar e humanizar a medicina? Comece melhorando, modernizando e humanizando os nascimentos!!!
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      #consultóriodrglauciusnascimento#riomartradecenter3sala1010#ultrassonografiaintraparto #usgintraparto#intrapartumultrasound

       


       

      usgintraparto2

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      Mais um estudo desta vez publicado em janeiro de 2017 “APENAS” na Jornal Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, publicação oficial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) cujo objetivo foi avaliar as medidas ecográficas intraparto da circunferência cefálica (CC) e do peso fetal estimado (PFE) para predizer o parto operatório
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      ?200 primíparas (gestantes que terão o primeiro parto) espontaneamente na idade de 20-30 anos foram matriculadas em um hospital de ensino no Cairo, Egito, entre 02 de outubro de 2015, e 28 de janeiro de 2016
      ?CC e PFE foram medidos por ultrassonografia transabdominal
      ?Após o parto, foi avaliada a associação entre o tipo de parto e os achados ultra-sonográficos.
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      ?A CC e o PFE intraparto foram significativamente maiores entre as mulheres com parto operatório (n = 76 – 64 cesarianas, 8 partos com fórcipe e 4 partos com vácuo-aspirador) do que entre as que tiveram partos normais (n = 124; P <0,001 para ambos)
      ?A CC intra-parto de 36,8 cm ou mais associou-se a um risco aumentado de parto operatório (risco relativo [RR] 2,87, IC 95% 1,87-4,41), como foi o PFE de 3920 g ou mais (RR 3,69, IC95% 2,13-6,40 )
      ?CC com um ponto de corte de 36,8 cm teve 44,7% de sensibilidade, 91,9% de especificidade, 77,3% de valor preditivo positivo (VPP) e 73,1% de valor preditivo negativo (VPN)
      PFE com ponto de corte de 3920 g, PFE tinha 68,4% de sensibilidade, 82,3% de especificidade, 70,3% de VPP e 81,0% de VPN
      ?CC e PFE intraparto foram diretamente correlacionados com a duração do segundo estágio (P = 0,005 e 0,002, respectivamente).
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      ?Conclusão: O HC e PFE intraparto parecem ser bons preditores de parto operatório
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      As complicações intraparto da macrossomia fetal resultam em processos contra médicos e experiência traumática do trabalho de parto. ESTUDOS ADICIONAIS SÃO NECESSÁRIOS PARA CONFIRMAR OS RESULTADOS PRESENTES, QUE NÃO JUSTIFICAM A REALIZAÇÃO DE PARTO CESARIANO COM BASE NOS ACHADOS ULTRASSONOGRÁFICOS, MAS SUGEREM QUE A ULTRASSONOGRAFIA INTRAPARTO PODE SER INCORPORADA NOS CUIDADOS INTRAPARTO ROTINEIROS, DE MODO QUE AS GESTANTES CUJOS FETOS APRESENTEM HC OU PFE ACIMA DO PONTO DE CORTE CALCULADO PODEM SER ADEQUADAMENTE ACONSELHADOS QUANTO AO RISCO DE TRABALHO TRAUMÁTICO E INTERVENÇÃO CIRÚRGICA. Consequentemente, os problemas podem ser antecipados, detectados precocemente e gerenciados eficientemente com um baixo limiar de intervenção quando a progressão do trabalho de parto não é promissora.
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      Parabéns aos pesquisadores do Egito, um dia desses também li um artigo que me estimulou a realizar curetagem uterina guiada por ultrassonografia. Que bom seria que nós obstetras e ultrassonografistas brasileiros usássemos esta valiosa tecnologia à serviço de uma assistência ao parto mais segura e diferenciada. O PARTO É O MOMENTO MAIS IMPORTANTE DE NOSSAS VIDAS E NECESSITA DE UMA MAIOR VALORIZAÇÃO!!!
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      #consultóriodrglauciusnascimento#riomartradecenter3sala1010#ultrassonografiaintraparto#intrapartumultrasound#obstetriciaintegrativaefuncional#medicinafetal #fetalmedicina #sbus


       

      usgipsegut

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      ??Mais uma aplicação da ultrassonografia na avaliação da espessura do segmento uterino nas pacientes com cicatrizes de cesariana (uma ou mais) e que desejam parto normal
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      ??Existem duas metanálises que evidenciam risco maior risco de ruptura uterina quando o segmento é < 2mm
      ??Kok N, Wiersma IC, Opmeer BC, de Graaf IM, Mol BW, Pajkrt E. Sonographic measurement of the lower uterine segment thickness to predict uterine rupture during a trial of labor in women with a previous cesarean section: a meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol 2013;42:132-9.
      ??Jastrow N, Chaillet N, Roberge S, Morency AM, Lacasse Y, Bujold E. Sonographic lower uterine segment thickness and risk of uterine scar defect: a systematic review. J Obstet Gynaecol Can 2010;32:321-7
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      ??O trabalho avaliou cerca de 1850 mulheres que foram submetidas ao exame ultrassonográfico para avaliação do segmento uterino inferior, entre 34 e 38 semanas de gestação sendo classificadas em três grupos: segmento uterino menor que 2mm, entre 2-2,5mm e maior que 2,5mm. A taxa de decisão para o trabalho de parto foi de 9%, 42% e 61% nas três categorias respectivamente com p<0,0001 (SIGNIFICANTE)
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      ??O trabalho conclui afirmando que a avaliação ultrassonográfica do segmento uterino inferior pode representar uma importante ferramenta para melhor decisão sobre a via de parto
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      Foto A: avaliação Ultrassonografia do segmento uterino inferior pela via abdominal / Foto B: Avaliação pela via transvaginal


       

      winfocus

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      No 12o. Congresso Mundial de Ultrassonografia em Emergências e Cuidados Intensivos (WINFOCUS) foram apresentados três trabalhos voltados para Ultrassonografia de emergência em obstetrícia
      .
      ??Considero que Ultrassonografia é extensão do exame físico, quem valoriza os dados clínicos, o exame físico, deve valorizar o exame ultrassonográfico
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      ??Já existe o FAST ultrasound, uma modalidade de Ultrassonografia de Emergência realizada principalmente em situações de traumas (acidentes / violência) mas também voltado para situações de emergências clínicas
      .
      ??Em obstetrícia dispomos do FASO: Focus Assissment with Sonography for Obstetrics, (avaliação ultrassonográfica focada para obstetrícia). Acredito na utilização da ultrassonografia em situações de emergências obstétricas pré-parto, intraparto e até após o parto. No pós-parto é interessante a utilização no diagnóstico diferencial de complicações puerperais, principalmente para o diagnóstico de hemoperitônio (sangue na cavidade abdominal) cujo diagnóstico precoce pode permitir um tratamento adequado e oportuno
      .
      ??EM UM MINUTO DEVE-SE OBSERVAR (FASO – Ultrassonografia pós-parto):
      ??Útero / Cavidade Uterina (Diâmetro da cavidade uterina de 9,8 +/- 7,3mm)
      ??Espaço de Morison (Presença de líquido)
      ??Espaço Esplenorrenal (Presença de líquido)
      ??Fundo de saco de Douglas (Presença de líquido)
      ??Diâmetro da Veia Cava Inferior (11,4 +/- 4,1mm na inspiração e 13,1 +/- 4,2 na expiração)
      .
      ??Os abstracts e o ebook do congresso estão disponíveis em http://www.winfocus2016.org/abstract_e-book_v3.pdf e https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5014769/pdf/13089_2016_Article_46.pdf
      .


      usgemerg

      .
      ??A hemorragia pós-parto (HPP) é uma causa potencial de mortalidade materna e os obstetras devem estar preparados para diagnosticar e tratar rapidamente esta condição
      .
      ??O tratamento ótimo depende da causa subjacente da hemorragia
      .
      ??A ultrassonografia é a ferramenta mais útil para o diagnóstico imediato da etiologia da HPP, e os obstetras devem ter uma forte compreensão da ultrassonografia pós-parto
      .
      ??Já foi demonstrada a utilidade da ultrassonografia utilizando a avaliação focalizada com a técnica de ecografia para obstetrícia (FASO) como a principal pesquisa obstétrica pós-parto, uma espécie de de “FAST Ultrasound”para obstetrícia
      .
      ??EM UM MINUTO DEVE-SE OBSERVAR (FASO):
      ??Útero / Cavidade Uterina (Diâmetro da cavidade uterina de 9,8 +/- 7,3mm)
      ??Espaço de Morison (Presença de líquido)
      ??Espaço Esplenorrenal (Presença de líquido)
      ??Fundo de saco de Douglas (Presença de líquido)
      ??Diâmetro da Veia Cava Inferior (11,4 +/- 4,1mm na inspiração e 13,1 +/- 4,2 na expiração)
      .
      ??O artigo revisa os achados ultrassonográficos da HPP, diferenciados pela causa subjacente da hemorragia, incluindo placenta retida, placenta morbidamente aderente, ruptura uterina, inversão uterina e anormalidades da artéria uterina.
      .
      Recentemente, um exímio obstetra e meu grande professor me chamou pra ajudá-lo num caso de hemorragia pós parto e pediu para que eu levasse meu equipamento de ultrassonografia portátil para o plantão. Detalhe: eu sempre já levo o aparelho para o plantão. Em pouco tempo identificamos as alterações relacionadas com hemorragia grave (líquido no espaço hepatorrenal), além da identificação de volumoso hematoma de histerorrafia à esquerda. Diagnóstico realizado, tratamento efetivado com apoio de toda a equipe de assistência
      .
      Isto meus amigos é o que chamo de OBSTETRÍCIA INTEGRATIVA: ÍNTEGRA E ATIVA
      .
      O artigo acima reflete o que já fazemos no nosso dia-dia e indica que estamos no caminho certo. A ULTRASSONOGRAFIA DEVE ESTAR PRESENTE NO CENTRO CIRÚRGICO DE TODO HOSPITAL E PRINCIPALMENTE EM MATERNIDADES AJUDANDO A REDUZIR A MORBIMORTALIDADE MATERNA E PERINATAL!


      WhatsApp Image 2017-05-20 at 10.32.37

      Artigo de destaque da edição de julho de 2016 do Jornal Americano de Ginecologia e Obstetrícia, abordou a avaliação ultrassonográfica do ângulo occipito-espinhal (AOE) durante a assistência ao trabalho de parto. Salienta-se que o artigo está disponibilizado de forma gratuita, geralmente isto acontece quando o tema é bastante relevante .
      ??O AOE é um ângulo formado entre uma linha imaginária que tangencia paralelamente a primeira vertebra cervical e outra linha imaginária que tangencia o osso occipital do polo cefálico
      .
      ??Cerca de 108 parturientes foram recurtadas e observadas por dois operadores em relação ao AOE utilizando a ultrassonografia intraparto. As aferições do ângulo occipito-espinhal (AOE) foram concordantes. Além de ser fácil, a determinação do ângulo occipito-espinhal (AOE) é precisa
      .
      ??Mais ainda, o estudo concluiu que fetos com ângulo occipito-espinhal (AOE) < 125 graus, apresentam um risco aumentado de parto operatório (forceps ou vácuo-extrator) ou cesariano
      .
      Fonte: http://www.ajog.org/article/S0002-9378(16)00308-2/pdf
      .


       

      • WhatsApp Image 2017-05-20 at 15.07.37Foi publicado no blog casa saudável no link http://m.blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2015/06/25/ultrassom-na-sala-de-parto-e-importante-para-avaliar-risco-materno-e-fetal/?mobile_device=true&r=27 sobre ultrassonografia intraparto há pouco mais de 1 ano. Tenho uma profunda admiração pelo Dr. Eugênio Pita porque ele tem experiência e pioneirismo no estudo da medicina fetal em Pernambuco.
      • “O ultrassom nos serviços de urgência e nas salas de parto dá ao obstetra uma ideia geral da gestante no momento em que ela chega ao serviço”, diz Eugênio Pita.
      • A clínica Biofeto, pioneira na área de medicina fetal em Pernambuco, promoveu o 2º seminário do projeto Parto normal, avaliação fetal pré-parto. Na ocasião, o ginecologista e obstetra Francisco Mauad, de Ribeirão Preto (SP), referência nacional na área de diagnóstico ultrassonográfico, ministrou palestra para médicos pernambucanos. Entre os temas de destaque, está o uso do aparelho de ultrassom na sala de parto.
      • É um recurso que facilita a avaliação da progressão da cabeça do feto no trajeto do parto. Essa é uma prática que vem sendo adotada no Brasil, principalmente nas maternidades de São Paulo, e já é comum em diversos países. “Seria interessante o uso do ultrassom nas salas de internamentos dos serviços de urgência e nas salas de parto. Com isso, o obstetra teria uma ideia geral da gestante no momento de sua admissão”, explica o obstetra Eugênio Pita, especialista em medicina fetal e um dos organizadores do evento. “Esse recurso dá uma noção exata do líquido amniótico e da posição do feto, além de mostrar se há circular de cordão, entre outras informações importantes para o parto”, complementa Eugênio.
      • Outro assunto que promete mobilizar a atenção dos médicos e será apresentado por Francisco Mauad é o uso do Doppler durante o pré-natal, suas restrições e indicações. Esse exame faz uma avaliação da vitalidade do feto e é importante na identificação precoce das gestantes de risco.


      Texto adaptado de postagem pessoal do meu instagram @drglauciusnascimento em 29 de junho de 2016 https://www.instagram.com/p/BHPqmLnhfzV/

      WhatsApp Image 2017-05-20 at 17.55.09

      • Inovação… Acredito que a ultrassonografia intraparto representa um avanço da prática obstétrica que traz mais segurança na assistência ao parto.
      • Não existe prejuízo algum, não é invasivo, não aumenta os riscos maternos ou perinatais, ao contrário, alguns estudos associam uma maior acurácia no diagnóstico de sofrimento fetal quando há alteração no Doppler da veia umbilical.
      • Acima a capa de um livro destinado ao assunto com 13 capítulos sobre a utilização da ultrassonografia durante a assistência ao trabalho de parto que venho estudando nos últimos 6 meses.
      • Vislumbro com uma assistência ao nascimento digna, respeitosa, segura e humanizada, realizada por equipe transdisciplinar, que procure saber o mais próximo do exato do momento adequado quando vale a pena esperar ou intervir caso seja necessário. A obstetrícia requer muita paciência, dedicação e BOM SENSO. Antecipar complicações também é uma arte, fundamental em qualquer especialidade em saúde.
      • Tudo respaldado em inúmeros artigos na literatura científica atual
      • Construindo este modelo para nossa realidade com minha equipe de assistência ao parto normal. Porque sonhar, acreditar e colocar em prática é preciso!!!

      Texto adaptado de postagem pessoal do meu instagram @drglauciusnascimento em 25 de junho de 2016. https://www.instagram.com/p/BHFhSyPBy3T/WhatsApp Image 2017-05-21 at 07.03.50

      • Você sabe o que é sonopartograma?
        • Sonopartograma é o registro do partograma (documento para avaliação e acompanhamento do trabalho de parto, recomendado pela Organização Mundial de Saúde e Cinselho Federal de Medicina) associada com a ultrassonografia intraparto. Este assunto foi debatido no próximo congresso de ginecologia e obstetrícia de São Paulo de 2016

       

      • Para que serve a ultrassonografia intraparto?
        •  Monitorizar os batimentos cardíacos fetais (mais fácil e preciso do que o detector fetal).
        • Avaliar a estimativa do peso fetal no momento do nascimento, pode ajudar no diagnóstico de macrossomia fetal, no preparo para o parto vaginal assistido.
        •  Determinar a variedade de posição.
        • Permitir o diagnóstico acurado de sofrimento fetal a partir do Doppler da veia umbilical ou relação cérebro-placentária.
        • Acompanhar a estática fetal e o mecanismo do parto.
        • Avaliar o ângulo espino-occipital, permitindo saber (de acordo com alguns estudos) se o parto será rápido (é fácil) ou um pouco mais demorado (e dificil)

       

      OBS: Nem sempre aumentar a tecnologia significa aumentar a intervenção ou diminuir a humanização. Nada mais humano do que um parto bem assistido!


      Texto adaptado de postagem pessoal do meu instagram @drglauciusnascimento em 26 de junho de 2016. https://www.instagram.com/p/BHIaKoABq-h/ 

      WhatsApp Image 2017-05-21 at 06.59.30

      A preocupação de todo obstetra ou professional que assiste o parto é o nascimento digno e humano de um bebê saudável. A simples escovação de mãos e a presença de pediatra na sala de parto reduziram (E MUITO) a morbimortalidade materna e perinatal. Este artigo de revisão avalia os principais métodos para avaliação do bem-estar fetal intraparto.

      Quais as técnicas utilizadas para monitorização fetal intraparto?
      – Cardiotocografia
      – pH fetal e níveis de lactato
      – Eletrocardiograma fetal
      – Oximetria fetal
      – Ultrassonografia com Doppler
      – Marcadores Bioquímicos de disfunção placentária

      O Artigo conclui sugerindo que um novo modelo através de marcadores bioquímicos de disfunção placentária associados com a ultrassonografia com Doppler pode resultar num algoritmo adequado para avaliação adequada do bem-estar fetal

      Infelizmente, na maioria das maternidades, o único método de avaliação do bem-estar fetal se dá apenas pela ausculta fetal intermitente


       

       

      Dispositivo IntraUterino (DIU)

      Abaixo coloquei alguns vídeos sobre Dispositivos IntraUterinos. Favor se inscrever no nosso canal do youtube, curtir e comentar os vídeos. Isso pode ajudar muitas pessoas pelo algoritmo do Youtube e me estimular a produzir mais informações de qualidade.

      Aula sobre Dispositivos Intraterinos – para baixar o pdf da aula clique AQUI .

      Live sobre Dispositivos intrauterios

      Tipos de DIU

      DIU não hormonal

      • T de Cobre 380A: durabilidade de até 10 anos.
      • Cobre e Prata : possui menos cobre em sua composição, dura 5 anos.
      • Ômega: possui menos cobre em sua composição, dura 5 anos.

      IUD (Intrauterine device) - Contraception - SexwiseCopper T 380 Plus at Rs 250/piece | Banashankari | Bengaluru| ID: 7457666162Buy Pregna InaraCopper Intrauterine Device IUD Online for Rs. 1,495 in India | SMB

      DIU Hormonal (Sistema Intrauterino de Levonorgestrel)

      • Mirena: 52mg de levonorgestrel, dura até 5 anos, libera cerca de 20 mcg de levonorgestrel por dia. Mede 32 mm de comprimento, por 32 mm de largura e 1,90 mm de espessura.
      • Kyleena: 29 mg de levonorgestrel, dura até 5 anos,  libera cerca de 15,3 mcg de levonorgestrel por dia. É ligeiramente menor, mede 30 mm de comprimento, por 28 mm de largura e 1,55 mm de espessura.

      Mirena: A Hormonal IUD for Birth Control

      Para Profissionais de Saúde, segue o Manual de Contracepção de Longa duração da FEBRASGO: LARC contracepção-reversível-de-longa-ação




      Neste vídeo abaixo é possível perceber a técnica tradicional de implante de DIU hormonal ou não

       


       

       

      Eu sou a favor da inserção do DIU guiada por ultrassonografia sob analgesia local (no consultório) ou geral endovenosa (no hospital). No vídeo abaixo, apresento umas das técnicas que utilizo para o implante de DIU guiada por ultrassonografia. Neste caso, a inserção é realizada com a utilização da ultrassonografia abdominal em tempo real.


       

      Segue também num próximo vídeo, uma live que produzi no consultório com a participação de vários seguidores do instagram que fizeram perguntas sobre a contracepção por DIU. *Há um momento (por volta do minuto 39) que falo sobre a inserção do DIU em mulheres no primeiro filho, considerem que quis dizer nas mulheres que nunca tiveram filho .

       

       

       


      Muitas mulheres não conhecem o processo de colocação do DIU, o que gera preocupação, esse video explica o procedimento.
      Dispositivo intrauterino (DIU) e Sistema intrauterino (SIU – também conhecido como DIU medicado ou DIU Hormonal) são, como o nome já diz, sistemas ou dispositivos que devem ser inseridos por médicos, dentro do útero. A grande vantagem destes métodos é a comodidade posológica e a alta eficácia, que pode proteger a mulher durante 5 a 10 anos, dependendo do produto.

      Qual a diferença entre os dois?

      Ambos impedem a penetração e passagem dos espermatozoides, não permitindo seu encontro com o óvulo. A grande diferença é que o DIU é feito de cobre, um metal, e não possui nenhum tipo de hormônio, enquanto o SIU libera um hormônio dentro do útero. Além do efeito contraceptivo, o hormônio pode apresentar outros efeitos, como reduzir o fluxo menstrual.
      Como posso utilizar o DIU/SIU?

      O método deve ser inserido pelo seu médico após ele ter sido indicado para você. Algumas vezes antes do procedimento de inserção o médico poderá solicitar exames complementares, variando de caso a caso.

      O procedimento de inserção é simples, rápido e costuma ser realizado no próprio consultório do médico, sem a necessidade de anestesia geral, porém pode causar um desconforto durante a inserção. E em alguns casos, opta-se pela inserção via hospitalar sob analgesia. A escolha é da cliente!!! Qualquer mulher pode utilizar o DIU/SIU?

      Não, existem poucas situações em que o DIU e o SIU são contraindicados. A escolha do melhor método para cada tipo de mulher deve ser feita sob orientação médica, após a discussão e avaliação das suas necessidades e preferências.

      https://www.instagram.com/p/BD9dY5zgUR2/?tagged=intrauterinedevice

       


      LARC versus SARC: Estudo importante demonstra benefícios claros da contracepção reversível de longa duração em comparação com a contracepção reversível de curta duração

      Os benefícios do aumento da absorção voluntária de LARC podem se estender a populações mais amplas do que se pensava anteriormente, de acordo com um grande estudo no American Journal of Obstetrics and Gynecology

                Artigo de 2016 fornece fortes evidências científicas de que a contracepção reversível de longa duração (LARC) beneficia uma população mais ampla de usuários potenciais do que se pensava anteriormente. As mulheres que tentaram métodos de ação prolongada (dispositivos intra-uterinos e implantes subdérmicos), apesar de sua preferência geral por contraceptivos orais ou injeções, encontraram LARC altamente satisfatório. Além disso, o estudo mostrou que a decisão de tentar um anticoncepcional de longa duração impediu a gravidez não intencional muito melhor do que o uso de um método de ação curta. Essas duas descobertas só foram alcançadas devido a abordagens científicas aprimoradas. Este grande estudo é publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology (DOI http://dx.doi.org/10.1016/j.ajog.2016.08.033).

                Os LARCs, como os dispositivos intrauterinos (DIU) e os implantes sob a pele, são mais eficazes do que a contracepção reversível de curta duração (SARC), como a pílula anticoncepcional. Uma vez inseridos, os dispositivos de ação prolongada fornecem pelo menos três anos de proteção contínua da gravidez e são mais de 99% efetivos porque não estão sujeitos a erros de uso que possam reduzir a eficácia dos métodos de ação curta. Aproximadamente 48% das gravidezes não planejadas ocorrem no mês em que a contracepção é utilizada. Até agora, a aceitabilidade e o sucesso da LARC entre as mulheres inicialmente buscando um método de ação curta não tinham sido medidos.

                “A gravidez e o aborto involuntários são problemas teimosos nos Estados Unidos. Nos dados mais recentes de 2011, ocorreram 2,8 milhões de gravidezes indesejadas, o que representou 45% do número total de gravidezes nesse ano. Além disso, 42% das gravidezes não planejadas terminaram no aborto (totalizando mais de um milhão de procedimentos). Esses altos níveis não mudaram muito desde meados da década de 1990 “, explicou o investigador principal David Hubacher, PhD daCarolina do Norte, que conduziu a pesquisa em colaboração com a Planned Parenthood South Atlântico (PPSAT). “Um aumento na aceitação voluntária de LARC poderia ajudar a evitar muitas gravidezes indesejadas, reduzindo os riscos para a saúde associados e outras conseqüências negativas”.

                Os pesquisadores realizaram um teste de preferência de paciente parcialmente randomizado na Carolina do Norte e recrutaram mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 29 que inicialmente buscavam um método anticoncepcional de ação curta. As mulheres que concordaram com a randomização foram distribuídas aleatoriamente para uma das duas categorias: LARC ou SARC. As mulheres que recusaram a randomização, mas concordaram em acompanhar, escolheram seu próprio método preferido. Os participantes que foram randomizados escolheram um método específico na categoria e receberam-no gratuitamente, enquanto os participantes que escolheram seu método preferido pagaram sua contracepção de acordo com a forma usual. Dos 916 participantes, 43% escolheram randomização e 57% escolheram a opção de preferência.

                Os participantes foram seguidos de forma prospectiva para medir os resultados primários da continuação do método e gravidez não desejada aos 12 meses. Os pesquisadores também mediram a aceitabilidade em termos de nível de satisfação com os produtos. Um ano após o início do estudo, as mulheres randomizadas para LARC apresentaram altas taxas de continuação e, conseqüentemente, apresentaram proteção superior contra a gravidez não intencional em comparação com as mulheres que utilizam SARC. Os níveis de satisfação com LARC foram elevados (aproximadamente 78%).

      “Nossa pesquisa encontrou evidências científicas de que usuários típicos de anticoncepção reversível de curta ação podem achar o LARC altamente aceitável”, disse o Dr. Hubacher. “No entanto, apesar dessas descobertas, certamente reconhece que nem todas as mulheres querem LARC e é claro que nem todas as mulheres estarão satisfeitas com a LARC”.

                O Dr. Hubacher observou que esses resultados fornecem evidências adicionais para recomendações de políticas que exigem maior acesso ao LARC para melhorar a saúde reprodutiva para adolescentes e mulheres nos EUA. Por exemplo, a Academia Americana de Pediatria recomenda agora a LARC como uma opção de primeira linha para adolescentes que escolhem não ser abstinentes. O American College of Obstetricians and Gynecologists emitiu recomendações semelhantes.

                O especialista notável David Turock, MD, MPH, professor associado, Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Universidade de Utah, Salt Lake City, UT, comentou: “Dr. Hubacher e colegas completaram uma investigação única na pesquisa de contraceptivos. Eles assumiram um grande risco pois eles não sabiam se os participantes concordariam em ser randomizados para diferentes tipos de contracepção. Este estudo demonstra claramente que são os LARCs (DIU e implantes), e não o tipo de mulheres que os preferem, que causam baixas taxas de gravidez. “

                Editor-em-chefe do American Journal of Obstetrics and Gynecology , Ingrid Nygaard, MD, acrescentou: “Este ensaio dissipa a noção de que a contracepção de longa duração funciona tão bem, principalmente porque as pessoas que a tomam são diferentes das pessoas que tomam ação curta contracepção, o qual poderia ser concluído a partir de estudos observacionais “.

      Fonte: https://www.elsevier.com/about/press-releases/research-and-journals/larc-versus-sarc-major-study-demonstrates-clear-benefits-of-long-acting-reversible-contraception-compared-to-short-acting-reversible-contraception

       


      CONTRACEPÇÃO EM MULHERES MILITARES DO SERVIÇO ATIVO DOS ESTADOS UNIDOS ENTRE 2012 E 2016 – Aumento na Contracepção por Contracepção de longa duração (DIU e implantes hormonais)

      Este artigo (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29211490) resume a prevalência anual de esterilização permanente, bem como o uso de contraceptivos reversíveis de longa e curta duração (LARCs e SARCs, respectivamente), serviços de aconselhamento contraceptivo e uso de contracepção de emergência de 2012 até 2016 entre as mulheres do serviço ativo dos EUA .

      • LARC não hormonal: DIU de Cobre
      • LARC Hormonal: DIU com Progestágeno / DIU hormonal
      • SARC não hormonal: Preservativo masculino, preservativo feminino, diafragma
      • SARC hormonal: Contraceptivos Orais (combinados, progestágenos), Anel Vaginal, Adesivo

      Em geral, 262.907 (76,2%) mulheres em idade fértil usaram um LARC ou um SARC em algum momento durante o período de sua vida reprodutiva.

      De 2012 a 2016, a esterilização permanente diminuiu de 4,2% para 3,6%;

      O uso de LARC aumentou de 17,2% para 21,7%; O uso de SARC diminuiu de 38,5% para 30,4%; e o uso de contracepção de emergência aumentou de 0,4% para 1,9%.

      A prevalência anual de aconselhamento contraceptivo apenas foi relativamente estável em torno de 4,0%.

      Este relatório estima o tempo de continuação dos LARCs, demonstrando que 86,1% continuaram seu dispositivo intra-uterino aos 12 meses, 78,5% aos 24 meses e 73,4% aos 36 meses.

      Esses dados demonstram que a grande maioria das mulheres atendidas utilizaram pelo menos uma forma de contracepção e que as mulheres estão selecionando LARCs em maior número com cada ano que passa.

      A prevalência de utilização de contraceptivos entre as mulheres atendidas pelo serviço também é relatada.

      É um caminho lógico: mulheres preocupadas com sua saúde, que buscam informações mais atualizadas sobre contracepção, apresentam uma tendência maior em fazer uso da contracepção por DIU.

       


      DIUemadolescentes

       

      .
      ?Entre as gravidezes de adolescentes, 75% são não intencionais. O maior uso de contracepção altamente eficaz pode reduzir a gravidez indesejada. Embora vários estudos discutam o uso de contraceptivos de adolescentes, não há consenso quanto ao uso de contracepção reversível de longa ação como uma opção de contracepção de primeira linha
      .
      ?Objetivo / Metodologia
      ?Foi realizada uma revisão sistemática da literatura médica para avaliar a continuidade de contraceptivos reversíveis de longa duração entre adolescentes.
      ?Os artigos publicados de janeiro de 2002 a agosto de 2016 foram selecionados para inclusão com base em pesquisas de palavras-chave específicas e revisão detalhada de bibliografias
      ?As diretrizes, revisões sistemáticas e revisões clínicas foram examinadas para citações adicionais e pontos relevantes para discussão
      ?De 1677 artigos inicialmente identificados, 90 foram selecionados para revisão completa. Destes, 12 artigos preenchiam critérios de inclusão
      ?Os resultados primários medidos foram a continuação do método aos 12 meses e as taxas de expulsão dos dispositivos intra-uterinos.
      .
      ?Resultados
      ?A continuação de 12 meses de qualquer dispositivo contraceptivo reversível de longa duração foi de 84,0%
      ?A manutenção do dispositivo intra-uterino foi de 74,0% (intervalo de confiança de 95%, 61,0-87,0%) e a continuação do implante foi de 84% (intervalo de confiança de 95%, 77,0-91,0%)
      ?Entre os adolescentes pós-parto, a taxa de continuidade contraceptiva reversível de longa duração de 12 meses foi de 84,0% (intervalo de confiança de 95%, 71,0-97,0%)
      ?A taxa de expulsão do dispositivo intra-uterino combinado foi de 8,0% (intervalo de confiança de 95%, 4,0-11,0%).
      .
      ?Conclusões:
      ?Adolescentes e mulheres jovens têm uma alta de taxa de continuidade em 12 meses dos métodos contraceptivos reversíveis de ação prolongada
      ?Os dispositivos e implantes intra-uterinos devem ser oferecidos a todas as adolescentes como opções contraceptivas de primeira linha
      .
      #consultóriodrglauciusnascimento#riomartradecenter3sala1010 #intrauterinedevice#DIU

      diu2

      Estudos anteriores demonstraram uma diminuição do câncer do colo do útero associada ao uso de dispositivos intra-uterinos (DIU). Tem-se a hipótese de que o uso do DIU pode alterar a história natural de infecções pelo papilomavírus humano (HPV), prevenindo o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas do colo do útero e câncer cervical, mas o efeito do DIU sobre a história natural da infecção pelo HPV e posterior desenvolvimento de câncer cervical é mal compreendida

       

      *O objetivo deste estudo foi avaliar a associação entre o uso de DIU e a aquisição ou remoção de HPV de alto risco cervical.

      * Este é um estudo de coorte prospectivo realizado de outubro de 2000 a junho de 2014 entre 676 mulheres sexualmente ativas jovens e meninas matriculadas em clínicas de planejamento familiar em San Francisco, CA

      *Resultados:
      Não houve associação entre o uso do DIU e a aquisição do HPV (razão de risco, 0,50, intervalo de confiança de 95%, 0,20-1,23, P = 0,13)
      .
      *Conclusão
      – A utilização atual de DIU não está associada à aquisição ou persistência de infecção por HPV
      – O uso de DIU é seguro entre mulheres e meninas/adoelscentes com infecções por HPV e em risco de aquisição de HPV
      – O uso do DIU pode desempenhar um papel a mais na história natural do câncer cervical, inibindo o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas do colo do útero em mulheres infectadas com HPV ou diminuindo as lesões pré-cancerosas já estabelecidas


      diucadecolo
      Há 5 anos, em 2011, um estudo ÉPICO, publicada na renomada revista LANCET ONCOLOGY, avaliou o MITO que sempre foi FALSAMENTE DIVULGADO de que o DIU AUMENTARIA O RISCO DE CÂNCER DE COLO UTERINO. Baseado em 26 estudos epidemiológicos, em diversos países do mundo, com um n inicial maior que 15.000 os autores concluíram assim:“NOSSOS DADOS SUGEREM QUE O USO DO DIU PODE AGIR COMO UM COFATOR PROTETOR NA CARCINOGÊNESE CERVICAL. A IMUNIDADE CELULAR ACIONADA PELO DISPOSITIVO PODE SER UM DOS VÁRIOS MECANISMOS QUE PODERIAM EXPLICAR OS NOSSOS ACHADOS.”

      DIU de cobre, não hormonal, protege contra o câncer de colo do útero porque não está relacionado com a metaplasia da junção escamo celular, tornando o colo uterino mais susceptível à infecção pelo HPV, envolvido na carcinogênese cervical

      Quer que eu descomplique? OK! ANTICONCEPCIONAL HORMONAL PROVOCA ALTERAÇÃO NO EPITÉLIO (PORÇÃO SUPERFICIAL) DO COLO UTERINO, AUMENTANDO O RISCO DE INFECÇÃO PELO VÍRUS DO HPV, RESPONSÁVEL PELO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO

       

      Estamos no Outubro Rosa não é? Então sejamos verdadeiros com informações importantes e que podem realmente ter impacto na saúde pública. O uso de preservativos reduz o risco de câncer de colo uterino, quaisquer hormônios (anticoncepcionais ou esteróides anabolizantes, por exemplo) que seu corpo não produz pode alterar a sua FISIOLOGIA aumentando o risco de diversas patologias em diversos órgãos incluindo o fígado e também mamas, ovários e útero (na mulher) ou próstata (no homem). Por outro lado, alimentação saudável, prática de atividade física, gerenciamento do estresse e do sono ajudam na manutenção da SAÚDE INTEGRAL, diminuindo tais riscos

      Você discorda? Então publique ou divulgue um estudo NO SEU INSTAGRAM / FACEBOOK / SITE PESSOAL que diga o contrário, sem conflitos de interesse

       


      larc
      Entre os anticoncepcionais mais eficazes estão os contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC – long-acting reversible contraceptives), que são aqueles em que o intervalo de administração é igual ou superior a 3 anos
      Os LARCs disponíveis no Brasil são o IMPLANTE LIBERADOR DE ETONOGESTREL, o DISPOSITIVO INTRAUTERINO COM COBRE e o SIU-LNG
      A vantagem dos LARCs é a sua baixa taxa de falha por independerem da ação diária da usuária para manter sua eficácia, sendo fortemente recomendados para grupos de baixa adesão, como adolescentes e usuárias de álcool e outras drogas
      Estudo americano prospectivo (Contraceptive CHOICE Project) observou maiores taxas de satisfação e de taxa de adesão entre usuárias de LARCs comparadas às usuárias de contraceptivos hormonais de curta duração. Além disto, a eficácia contraceptiva foi superior em usuárias de LARC, uma vez que esta não se altera com a idade da usuária e nem o com tempo de uso
      As evidências científicas sugerem que as taxas de eficácia e satisfação são maiores em nulíparas usuárias de DIU do que usuárias de COCs; e, não há evidência de associação com subsequente infertilidade

      DESTA FORMA, DEVEM SER OFERECIDOS, COMO PRIMEIRA OPÇÃO, PARA MULHERES QUE DESEJAM CONTRACEPÇÃO

      Fonte: FEBRASGO – Guia Prático Rotinas de Anticoncepção para Residentes em G.O., 2015


       

      WhatsApp Image 2017-05-20 at 15.54.02
      O DIU TCu380A é o dispositivo de cobre mais eficaz disponível. De modo geral, este tipo demonstra eficácia superior aos: Multiload 375 (MLCu375), Multiload 250 (MLCu250), Cobre T220 (TCu220) e Cobre T200 (TCu200). Entretanto, as diferenças em números absolutos de taxas de gravidez entre TCu380A e MLCu375 foi pequena .

      Na ausência de contraindicações, o DIU pode ser considerado para qualquer mulher que procura um método contraceptivo de confiança, reversível, independente do coito, de longo prazo. As mulheres que têm contraindicações ao estrogênio ou mulheres que amamentam podem ser boas candidatas para o uso dos DIUs

      Os estudos de caso-controle fornecem evidências de que o uso de DIU de cobre reduz o risco de câncer endometrial

      Na ausência de contraindicações, a escolha da paciente deve ser o principal fator de prescrição de um método contraceptivo

      Os avanços em contracepção estão proporcionando às mulheres a opção de escolher o método que mais se adapte ao seu perfil, sempre priorizando a eficácia, a segurança e os benefícios não contraceptivos.”

      Fonte: FEBRASGO Guia Prático de Contacepção de Longa Duração

      O DIU pode ser inserido no consultório no período menstrual ou sobre analgesia num hospital. O direito de escolha é da cliente. A avaliação ultrassonográfica imediata logo após a inserção do DIU traz mais segurança para a cliente e o seu ginecologista


      WhatsApp Image 2017-05-20 at 17.15.54As mulheres que estão conscientes da real eficácia de vários métodos contraceptivos são mais propensas a escolher o DIU

      Por outro lado, as mulheres que estão mal-informadas sobre a segurança do DIU pode ser menos propensas a usar este método

      Indivíduos usam cada vez mais a Internet para obter informações de saúde

      Informações sobre o DIU obtidos através da Internet podem influenciar atitudes sobre uso de DIU entre os pacientes.

      O Objetivo do estudo foi avaliar a qualidade da informação sobre o DIU na internet que fornecem informações sobre métodos contraceptivos para o público

      Resultados
      – De 2000 sites, 108 eram elegíveis para análise
      – 105 (97,2%) desses sites continham informações sobre o DIU
      – 86% destes sites que pelo menos um mecanismo do DIU
      – A maioria dos sites relataram com precisão vantagens do DIU incluindo que a atuação prolongada (91%), alta eficácia (82%), e reversibilidade (68%)
      – No entanto, apenas 30% dos sites indicados explicitamente que os DIUs são seguros
      – Cinquenta por cento (n = 53) dos sites continham informações imprecisas sobre o DIU tal como:
      *aumento do risco de doença inflamatória pélvica além do primeiro mês de inserção (27%) ou
      *mulheres em relacionamentos não monogâmicos (30%) e mulheres nulíparas (20%) são os candidatos não adequados
      *44% afirmaram que um mecanismo de ação do DIU é a prevenção da implantação de um óvulo fertilizado
      *Apenas 3% dos sites afirmou incorretamente que o DIU é um abortivo
      *Mais de um quarto dos sites listados relatam uma contraindicação imprecisa para o DIU como nuliparidade, história de doença inflamatória pélvica, ou história de uma gravidez ectópica.

      Conclusão
      1. A qualidade da informação sobre os DIUs disponíveis na Internet é variável. Informações precisas são misturadas com informações imprecisas ou desatualizadas que poderiam perpetuar mitos sobre o DIU
      2. Os médicos precisam adquirir conhecimento sobre recursos de internet precisos baseados em evidências científicas para proporcionarem às mulheres informações corretas e de qualidade


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      Inserção de DIU e Ultrassonografia logo após a inserção – Parte 3

      E pra terminar com chave de ouro, depois do artigo dos Estados Unidos, outro da Índia, segue agora um artigo do Egito sobre a inserção do DIU e a realização de ultrassonografia (USG) logo após o procedimento!!!

      80 mulheres foram randomizadas nos grupos: Inserção de DIU guiada por USG e Inserção de DIU não guiada por USG. Quais os principais resultados:

      A taxa de sucesso de inserção de DIU foi de 80% para o grupo de inserção não guiada por USG contra 98% quando guiada por USG
      A localização ideal do dispositivo em 68% para o grupo de inserção não guiada por USG contra 95% quando guiada por USG
      O Uso de Pinça de Pozzi em 65% para o grupo de inserção não guiada por USG contra 35% quando guiada por USG
      O Tempo de Inserção foi de 11 minutos para o grupo de inserção não guiada por USG contra 5 minutos quando guiada por USG

      O Escore de satisfação (questionário específico) foi de 1,4 para o grupo de inserção não guiada por USG contra 2,6 quando guiada por USG

      FINALMENTE TEMOS UM ESTUDO COMPARATIVO, QUE EVIDENCIOU (foi estatisticamente significante) QUE A INSERÇÃO DE DIU GUIADA POR ULTRASSONOGRAFIA É EFICAZ, SEGURA, RÁPIDA, DIMINUI A UTILIZAÇÃO DE OUTROS PROCEDIMENTOS INVASIVOS (pinça de pozzi no estudo em questão) E APRESENTA MELHOR ESCORE DE SATISFAÇÃO) QUANDO COMPARADA COM A INSERÇÃO DE DIU NÃO GUIADA POR ULTRASSONOGRAFIA.


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      Ufa! Achei um trabalho que avaliou a inserção do DIU com a realização imediata de ultrassonografia. Realizo este procedimento há alguns anos e considero a melhor e mais rápida forma de avaliar o correto posicionamento do DIU
      Mais ainda, o artigo propôs uma técnica de inserção menos dolorosa sem a necessidade histerometria prévia à inserção. O trabalho avaliou 50 mulheres realizando a inserção por uma técnica menos invasiva, avaliando a localização do DIU logo após a inserção e 4-6 semanas após o procedimento.
      O principal resultado foi a verificação de correta localização do DIU (na porção fúndica endometrial)
      Outros resultados interessantes:
      – Numa escala analógica onde 0 (seria sem dor) e 100 (a pior dor já sentida), as participantes apresentaram média 20,2 de dor com a colocação do espéculo e 55,3 de dor com a inserção do DIU (sob analgesia não existe este desconforto, mas existe o risco anestésico)
      – Na mesma escala analógica de 0-100 (0 completamente insatisfeita e 100 totalmente satisfeita), a média de satisfação foi de 86,8
      – 60% dos profissionais consideraram a inserção fácil, 34% moderada e 6% difícil .
      – 64% das mulheres não tinham filhos (acabem com o mito de que mulheres sem filhos não podem usar DIU como método contraceptivo!)
      – Após 4-6 semanas 94% das pacientes apresentavam o DIU em localização correta (fundo uterino)Minhas (humildes e entusiasmadas) considerações:
      – A ultrassonografia transvaginal logo após a inserção é um método barato, rápido e sem risco para confirmação da correta localização do DIU, além de permitir um reimplante nos casos mal localizados
      – Deve-se oferecer a opção de escolha da paciente: se deseja a inserção sem analgesia, ou com analgesia
      – Não tenho experiência de inserção de DIU com histeroscopia, porém considero mais invasivo do que a ultrassonografia

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      Inserção de DIU e Ultrassonografia logo após a inserção – Parte 2
      Outro interessante trabalho mostra a inserção de DIU após o parto, utilizando a ultrassonografia logo após o procedimento. Lembrar que nestes casos, insertores mais longos e espessos, facilitam a correta inserção
      O que antes achava desnecessário (aqui no Nordeste chamam de caqueado) parece que se tornará uma realidade. .

      Oligoâmnio


       ol
      Este estudo de 2013, escrito por Kenneth J. Moise Jr., traz importantes reflexões a respeito da avaliação ultrassonográfica do líquido amniótico
      .
      ??Em 1980, Manning et al., propuseram 5 categorias para avaliação do perfil biofísico fetal pela ultrassonografia. Nesta publicação, a presença de uma porção (bolsão) de líquido > 1cm no diâmetro ântero-posterior era considerada normal
      ??Em outro estudo, o mesmo grupo classificou como uma porção (bolsão) de líquido < 1cm como oligoâmnio, entre 1 e 2 limítrofe e entre 2 e 8 cm como normal
      ??Posteriormente, o mesmo grupo de Manning considerou como líquido amniótico normal a presença de um bolsão medindo 2 x 2cm
      .
      ??O índice de líquido amniótico (ILA) foi desenvolvido por Phelan et al., em 1987, após a avaliação por quatro bolsões no abdome gravídico e considerou que um índice menor que 5 (equivalente a 5cm) era considerado oligoâmnio
      .
      ??Moore e Cayle (1990), estudando 791 grávidas, estabeleceram que ao invés de utilizar isoladamente o ILA < 5 como definição de oligoâmnio, seria melhor considerar como como oligoâmnio quando o ILA estivesse menor do que o percentil 5 de acordo com a idade gestacional .
      *??A CONFUSÃO ENTRE A DEFINIÇÃO DE OLIGOÂMNIO PELO ILA OU PELO PERCENTIL < 5 FEZ COM QUE VÁRIOS OBSTETRAS CONSIDERASSEM O ILA < 8 COMO O TERMO PARA OLIGOÂMNIO INDEPENDENTE DA IDADE GESTACIONAL
      .
      ??Magann et al. (2000), estudando 50 pacientes para cada semana de gestação entre 14 e 41 semanas e considerou que o ILA < 5 está abaixo do percentil 5 com 37 semanas
      .
      ?OU SEJA,
      ??OLIGOÂMNIO CORRESPONDE AO ILA < 5
      ??PARA OS CASOS BORDELINES (ENTRE 5-8) UTILIZAR A TABELA DE MEGANN ET AL
      ??MAIS IMPORTANTE AINDA, CORRELACIONAR COM O DOPPLER DAS ARTÉRIAS UTERINAS, CEREBRAL MÉDIA E UMBILICAL, COM O PERFIL BIOFÍSICO FETAL, COM DETERMINADOS FATORES DE RISCO RELACIONADOS COM CLÍNICA DE SUA GESTANTE
      .